Vírus Mortal
1 Capítulo 1
Notas iniciais
– Vai querer cerveja? – perguntou Walter enquanto vasculhava a geladeira em busca das latinhas.
– Precisa perguntar? – respondeu Damon com um tom irônico.
– Não posso esquecer de comprar mais quando for no mercado, não to com praticamente nada aqui – disse Walter, pegando as duas latas e reparando que com isso sobraria apenas uma em sua geladeira. Foi em direção ao sofá da sala onde Damon estava sentado e arremessou a lata – pensa rápido!
Damon agarrou a cerveja dizendo:
– Eu sempre penso.
Os dois eram jovens, Damon com 22 anos e Walter com 24, ambos cursavam a faculdade de Engenharia Mecânica. Eles não estavam se preocupando muito com o que estava acontecendo com o mundo e encaravam tudo na brincadeira, mas o problema que a humanidade estava enfrentando ultimamente era mais sério do que podiam acreditar.
Walter também se sentou, bebeu e começou a falar:
– Ficou sabendo da nova sobre esse vírus?
– Qual?
– Parece que o Vírus também é transmitido pela saliva.
– Nossa! Sério?
– Foi um médico que disse na TV.
– Então quer dizer que pela primeira vez ficar na seca ta sendo uma coisa útil – disse Walter naquele tom irônico de sempre. E ambos riram – um brinde a seca então – ele levantou a lata de cerveja como um sinal para brindarem. Depois do brinde cada um bebeu um gole.
– Falando nisso… acho que vou ligar a TV pra ver as novidades sobre esse vírus. – Damon pegou o controle, ligou a televisão e mudou imediatamente para o canal de notícias.
Parecia que a repórter estava na frente de um hospital e um grande tumulto acontecia.
– Não se sabe direito o que está acontecendo aqui. Ninguém revela informações, as pessoas estão extremamente desesperadas e a entrada de qualquer um no hospital foi proibida – enquanto a repórter dizia isso um carro de polícia chegou – parece que a situação é mais séria do que pensávamos, um carro da polícia acaba de estacionar aqui e…
Walter tirou a atenção de Damon na TV quando começou a falar.
– Ei! Esse lugar parece o hospital que a Bailey começou a fazer trabalho voluntário hoje, não parece?
– Verdade! Agora que fui reparar isso! – disse abismado – será que ela ta bem?
– Não sei… o que você acha de a gente ir lá dar uma olhada?
– Vamos! – disse e desligou a televisão.
Os dois desceram do terceiro andar do prédio correndo pelas escadas, entraram no carro de Damon, que foi dirigindo. O hospital não era muito longe dali.
Um pouco mais cedo naquele dia Bailey começara seu trabalho voluntário no hospital da cidade, era necessária toda a ajuda possível, pois os hospitais estavam superlotados. Ela tinha 22 anos e era estudante de medicina, estava fazendo esse trabalho voluntário porque estava de férias da faculdade. No primeiro dia ela só observava, seguia os médicos e enfermeiros para aprender a lidar com os pacientes. Naquelas poucas horas que estava por lá conseguiu aprender muita coisa sobre esse vírus que atormentava todo o mundo. Ninguém havia conseguido descobrir como ele surgiu, as pessoas infectadas ficavam com febre extremamente alta, dores em todo o corpo, vômito que às vezes chegava a ser sangue, elas mal conseguiam se mexer e tinham dificuldade de ingerir qualquer coisa. Além disso, descobriu que o vírus era transmitido por qualquer coisa que saísse do corpo da pessoa, por isso que era muito sério e havia contaminado grandes quantidades de pessoas em todo o planeta. Ainda não existia uma cura. Também descobriu uma coisa que não revelaram para a mídia, que o vírus estava evoluindo, há alguns meses atrás quando isso tudo começou as pessoas demoravam a sentir os sintomas que normalmente eram leves, algumas até se curavam, mas agora os sintomas apareciam quase que na mesma hora. Uma coisa que ninguém havia entendido era que ainda não havia sido registrada nenhuma morte e isso fazia os hospitais ficarem mais cheios.
Bailey estava com o Dr. Edgar naquele momento e andava logo atrás dele, ele estava em um passo rápido, como todos naquele hospital.
– Para onde nós vamos agora Doutor?
– Pediram que eu desse uma olhada em um dos pacientes do quarto 706, uma das enfermeiras me disse que ele está muito agitado hoje.
Eles foram em direção ao quarto, no caminho passaram pelos corredores lotados de pessoas indo para todos os lugares, entre médicos, enfermeiros, voluntários como ela e pacientes sendo carregados em macas. Chegaram ao quarto, o doutor entrou na frente e Bailey entrou logo atrás. Ela viu que a enfermeira acabara de soltar um som de “ufa” virando para o Dr. Edgar.
– Ele acabou de ficar calmo… deu muito trabalho.
– Se quiser pode ir lá beber uma água e descansar um pouco, vou fazer alguns exames nele.
– Obrigado doutor! – e saiu.
O quarto era pequeno, havia apenas dois pacientes e já estava superlotado, na verdade não era destinado para pessoas naquelas situações, mas era necessário improvisar… o “paciente problemático” estava na segunda cama a partir da porta, perto de uma pequena janela, quando ela se aproximou percebeu que ele estava amarrado na cama.
– Chegaram a esse ponto? – perguntou Bailey.
– Às vezes isso é necessário, mas acho que ele já se acalmou. Me ajude a desamarrá-lo.
No mesmo instante ela fez o que foi pedido.
– Só vou fazer alguns exames, não posso fazer mais do que isso no momento. – um silêncio dominou o lugar, o paciente sempre era tocado com luvas e tudo era feito com o maior cuidado possível, quando terminou os exames ele suspirou e perguntou – posso fazer um desabafo com você Bailey?
– É claro que pode! Diga!
– A gente se conheceu hoje, mas acho que confio em você o suficiente pra dizer que estou morrendo de medo.
– Medo?
– Isso! Medo. Esse vírus já atingiu grande parte da população, eles só não divulgam os números para evitar mais pânico, a doença consegue ser transmitida com muita facilidade, e esse vírus está evoluindo. Quando as mortes começarem, perceberemos que o problema é maior ainda.
– Mas talvez descubram uma cura.
– Infelizmente até agora não descobriram, e enquanto isso não acontecer meu medo vai persistir. – mais um momento de silêncio.
Ela estava apenas escutando o som dos dois monitores cardíacos do quarto, os dois pacientes estavam dormindo aparentemente. Reparou que o batimento cardíaco do paciente que diziam estar agitado mais cedo estava bem mais lento do que do outro paciente.
– Bailey?
– Sim!
– Eu preciso conversar com aquela enfermeira que estava aqui, você poderia ficar aqui enquanto isso, só para ele não ficar sozinho? – pediu, apontando para o homem na cama.
– Sem problemas!
Ela lá ficou sozinha, sentada em uma cadeira que estava entre as duas camas, apenas com aquele fundo sonoro de bips, uma vez ou outra começava a cantar partes de músicas. O doutor estava demorando muito. Depois levantou, começou a olhar pela janela pequena daquele quarto e se distraiu com o movimento do lado de fora, os carros, pessoas, olhava as árvores… mas percebeu uma coisa diferente, de súbito o som de um dos bips mudou, ele não continuou, mas foi apenas um bip, sonoro e contínuo.
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