Vírus Mortal
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Boa leitura!!
Bailey ficou assustada, não sabia o que fazer, abriu a porta e olhou para os corredores a procura do Doutor, mas estava tão cheio que ela sabia que não daria para achá-lo. Chegou perto do paciente, respirou fundo, rezou para a equipe de emergência chegar logo, mas não adiantou. Chegou mais uma vez na porta do quarto e finalmente viu o Doutor chegando, ele entrou e avaliou a expressão assutada de Bailey.
- Doutor.. ele.. está.. sem batimentos — ela disse gaguejando.
- Sorte a dele. — o Dr Edgar caminhou até o monitor e apertou um botão, silenciando. Checou o pulso do paciente e ele estava mesmo morto. — Sabe Bailey, ele estava sofrendo muito, sem dúvidas foi o melhor pra ele.
- É, concordo com o senhor. — ela disse ainda pálida e assutada, pensou em como seria quando se formasse e a morte de alguém fosse responsabilidade dela, começou a se arrepender da carreira que escolheu.
- Faz um favor pra mim? — ele perguntou e Bailey assentiu com a cabeça — Vá no primeiro andar e avise a nossa equipe que houve um óbito e podem tomar todas as providências para tirá-lo daqui o mais rápido possível, temos outros pacientes para cuidar. Ela saiu e voltou depois de uns quinze minutos, era quase impossível passar pelos corredores com aquela super lotação.
- Doutor, disseram que eles virão daqui a pouco, parece que uma mulher morreu no parto e eles estão tendo dificuldades para tirar o corpo. — ela disse entregando um papel a ele — a senhora da secretaria disse que já pode ser feito o atestado de óbito.
- Era só o que me faltava né? — ele pegou o papel da mão de Bailey — espero que eles não demorem, o que tem de tão difícil em carregar o corpo de uma mulher?
- Doutor, é assustador pensar que essa é a primeira morte causada pelo vírus. — ela disse olhando abismada para o corpo. — é que isso significa que outras mortes virão.
- Eu sei, estou me segurando mas estou com medo, essa doença mata, agora temos certeza.
- Mas e se todos que contraíram morrerem? — ela disse deixando uma lágrima escorrer pelo rosto.
- Calma — o Doutor Edgar disse, pegando nas mãos de Bailey — você é jovem, não vai ter que passar por isso. Pense em quantos pesquisadores estão trabalhando nessa cura, daqui a um mês já vão ter achado, tenho certeza. Eu estou com medo também, mas a ciência nunca falha.
Bailey olhou para o chão e pensou “e se em um mês todos já tiverem morrido?”, isso só serviu pra deixá-la mais assutada, resolveu então que não seria mais uma menininha assutada e agiria como a mulher forte e madura que é.
- Bailey, se importa de tirar os tubos e os aparelhos do corpo? — o Doutor disse delicadamente.
- Não, tudo bem. — Bailey deu um sorriso forçado. Olhou firme para a cama do paciente e suspirou, foi se aproximando devagar. Depois que terminou de tirar tudo, reparou que ele estava se mexendo levemente, de forma quase imperceptível. — Ai meu Deus.
- O que foi Bailey? — o Doutor disse se aproximando da cama.
- Ele está se mexendo. — Bailey disse dando um passo pra trás — como isso é possível?
- Calma, não sabemos ao certo como essa doença influencia no sistema nervoso do paciente, essa é a primeira morte, não temos certeza de nada, mas provavelmente são pequenos espasmos. — O Doutor disse e se virou para o corpo, analisando. Reparou que uma das mãos se mexia, abrindo e fechando. — Que coisa estranha, em toda a minha carreira nunca vi ou fiquei sabendo de algo parecido — ele disse e se aproximou do rosto do morto. — pegue a lanterna pra mim? está ali — ele apontou para uma pequena mesinha ao lado da segunda cama. Se virou novamente para o morto e aproximou seu rosto ao dele, analisando-o. Bailey pegou a lanterna e quando se virou para Edgar, viu o paciente que estava morto agarrando-o e mordendo seu ombro com vontade. Edgar começou a gritar e foi caindo devagar para trás, Bailey correu para segurá-lo, sem sucesso. Ela começou a tombar e acabou se segurando em um pequeno armário cheio de vidros com medicamentos mas acabou caindo também, levando o armário ao chão consigo, quebrando quase todos os recipientes com os remédios e pedaços de vidro se espalharam pelo chão. Bailey olhou para o morto devorando o Doutor, sangue se espalhava pelo chão do pequeno quarto formando uma poça em volta do corpo do que era Edgar. Ela estava soluçando, em pânico, caída no chão, seu tênis e sua calça branca ficaram sujos com o sangue, quando sentiu uma pequena ardência em sua mão seguida de uma longa dor, olhou para a mão e havia se cortado com vidro quebrado, o machucado era fundo e sangrava muito, nesse instante o morto olhou na direção dela, ele começou a cheirar e foi em direção a ela como se fosse devorá-la também. Ela lembrou que tinha uma seringa no avental com anestésico, quando o morto alcançou ela deu várias espetadas neles, porém não adiantava nada, ouviu um barulho e a porta se abriu, era a equipe que vinha para tirar o morto de lá. Eram dois homens de uniformes azuis, um deles se assustou e soltou um berro ao ver a cena e o outro olhou fixamente para o morto-vivo, Bailey aproveitou para empurra-lo e um dos homens o chutou, mas o cadáver conseguiu segurar firmemente na perna dele, o homem deu um segundo chute e ele foi parar longe. Bailey se levantou depressa e correu para fora do quarto, foi correndo até o banheiro e enrolou papel higiênico em sua mão. Voltou para o corredor e viu que tinham alguns policiais passando pelo corredor, provavelmente para tentar controlar o hospital e manter a segurança, já que estava superlotado.
- So.. socorro — ela gaguejou, trêmula, cheia de sangue.
- O que houve? — um dos policiais perguntou.
Bailey não conseguia falar, apenas apontou para o quarto. Os policiais entraram enquanto Bailey olhava tudo parada na porta.
A cena era horrível, o Dr Edgar caído no chão e um dos homens que entraram lá para buscar o corpo, mais precisamente o que soltou o berro, estava sendo devorado enquanto o outro estava no canto do quarto olhando assustado, não entendia porque aquela “coisa” não tinha ido pra cima dele. Os policiais atiravam no morto, não acontecia nada, ele não parava de devorar o homem, era como se estivesse muito concentrado. Bailey pensou, o que o fez ir pra cima dela quando estava devorando o Dr Edgar? “O sangue, ele sentiu cheiro do sangue”. Ela se lembrou de que ele não estava dando atenção pra ela, até que ela se cortou e ele ficou “cheirando” o ar. Subitamente criou uma coragem que nunca imaginou que teria, olhou para sua mão e desenrolou o papel higiênico, deu um passo a frente, entrando no quarto. Ela ouvia os policiais a mandando sair mas simplesmente ignorou, colocou a mão pra frente e apertou com força, o sangue começou a escorrer e nesse momento, o morto olhou diretamente para ela e foi se levantando devagar, caminhando em sua direção. Os policiais atiravam e ele apenas cambaleava, naquele momento os tiros já teriam perfurado vários órgãos vitais e qualquer pessoa já estaria morta, mas aquela coisa não era uma pessoa mais, era uma coisa morta e Bailey se perguntava se era possível matar uma coisa que já havia morrido. Até que naquele momento um dos tiros acertou na cabeça do morto-vivo, que parecia ter morrido de vez.
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