Vício M(eu)

16 Capítulo 15 - Agarrando o meu pinto.


Notas iniciais
Já é tarde, mas ainda é domingo! Então, como o prometido, aqui está! CONSEGUI! UHUUUU. Bom, não revisei, se revisasse não postaria hoje, então... espero que não achem uma merda, mas não faço ideia da reação de vocês com esse cap. Boa leitura e nos vemos lá em baixo!

Capítulo 15 – Agarrando o meu pinto.

A cara de espanto de minha irmã ao saber do meu teste seria cômica, se não demonstrasse a descrença na mais remota possibilidade de eu ser aprovada, o que instantaneamente me fazia sentir meio tosca.

–– Essa descrença é sua, não da Anne. –– Emi me corrige, mas eu a ignoro.

–– Você quer ser cherrleader? –– minha irmã falava pausadamente, como se ainda estivesse tentando entender o que falava.

–– Desculpa, eu não deveria ter vindo. Sei que não tenho chance nenhuma de passar. –– suspiro enquanto encaro meus próprios pés.

–– O que? Emi, não faz muito que você me dizia para rebolar um pouco menos, porque “líder de torcida rebola só até um certo ponto, pra não ficar parecendo outra coisa.” –– ela faz aspas com as mãos no ar, para citar palavras que uma vez já foram minhas. –– Eu lembro das nossas noites dançando, quando Sheron tinha que trabalhar e eu ficava cuidando de você. Por favor, Emily, você só não dançava melhor que eu por que não praticava, não tinha técnica. –– Anne fala cor ar de honestidade.

Sua voz me traz esperança, o que me faz dar um meio sorriso.

–– Isso quer dizer que você vai me ajudar?

–– Eu, também. –– seus lábios se formam num sorriso sapeca.

–– Anne, o que exatamente você quer dizer com “também”?

–– Venha. –– minha irmã diz, me puxando pelo braço para fora do quarto.

Emi parecia já saber o que Anne ia fazer, e aparentemente estava muito animada com a ideia.

A apenas dançarina do puteiro me conduziu até o salão principal, onde estávamos antes. Todas estavam conversando numa rodinha, no espaço vazio que se formava no “L” direito do palco. Pelo que conseguia ouvir, a conversa era algo normal e até comum de ver num grupo de mulheres.

Anne me colocou sentada em uma das cadeiras que estavam de pernas para cima, e foi falar com Marie, a mulher que achava que eu queria um emprego.

Após puxar Marie de canto e finalizar o papo com um abraço, minha irmã se dirige até a rodinha e fala algo que não consigo ouvir, mas a reação das meninas é dar gritos, pulos e palminhas animadas. Ao meu lado, Emi repete os gestos, só que sua animação vai um pouco mais além.

Anne sobe no palco e manda subir também.

–– Por aqui, minha boneca. –– Marie diz para mim, me guiando até o espaço que antes estava a rodinha, do lado direito do palco, onde encontro alguns degraus que me levariam a superfície do expositor.

Respiro fundo e tento me acalmar, meu coração embrulhado e o embrulho no meu estômago, causam uma estranha animação em mim. No entanto, tenho plena consciência de que montar a minha coreografia com um bando de prostitutas é meu passaporte direto para virar a chacota oficial do colégio.

Levo meu pé direito até o primeiro degrau e olho fixo para algum ponto que não enxergo, estou presa no meu universo mental.

–– Hei. –– Emi fala delicadamente –– vai ser divertido. Olha, por que você não tenta uma coisa, –– ela faz uma pausa esperando que eu a replique, mas como fico em silêncio, ela prossegue.

–– Esquece o futuro, o teste, o amanhã... esquece até o hoje a noite e se preocupa com o presente. Aqui e agora, Emily. Só se preocupa em ir lá e rebolar esse traseiro. –– Emi diz e passa por mim, subindo no palco.

Analiso sua proposta e concluo que é interessante.

Subo os degraus restantes.

Tenho uma plateia de 17 mulheres me olhando atentamente e isso me constrange. Meus ombros se encolhem e minhas mãos se agarram uma a outra, como se ambas fossem a tábua de salvação de cada uma.

–– Vai funcionar assim: –– Anne começa a explicar –– vamos colocar uma música aleatória e você vai apenas sentir o ritmo e dar alguns passos, ok? –– confirmo com a cabeça mesmo não estando tudo bem.

Uma música típica de stripper a tocar.

Emi começa a movimentar os quadris no ritmo da música, e sempre que tem uma brecha, dá uma rebolada. Seus braços estão leves e roda em cima de sua cabeça, a boca meio aberta, o olhar de flerte inerente... Emi é sensual naturalmente, não precisa se esforçar nada. Quando percebe que estou paralisada, minha outra eu me reprime com os olhos.

Minha irmã começa a dançar do meu lado e aos poucos comigo, tentando fazer eu me soltar. A música acaba e não de sequer um passo. Todas as mulheres me olham como um ponto de interrogação sorridente na cara, elas não entendem o motivo de eu não estar nua, rebolando enquanto planto bananeira e lambo meu próprio dedo. Mas bem, eu entendia meus motivos e os achava muito válidos, mesmo que não soubesses quais eram assim, de imediato.

–– Vamos colocar outra! –– a ruiva mais gordinha, que antes dançava ao de minha irmã fala –– Dessa vez, eu escolho!

–– Desculpa Mel, mas não acho que uma música de burlesque vai deixá-la mais a vontade. –– minha irmã diz e Mel infantilmente lhe mostra a língua.

–– E por que não deixamos a Emily escolher? –– uma outra mulher, negra de olhos castanhos, lábios carnudos, generosas curvas, cabelo longo, liso e preto com luzes loiras, fala.

–– Você tem algo em mente, maninha? –– Anne me pergunta e eu balanço a cabeça em sentido negativo.

Minha irmã suspira e Emi senta na beira do palco, segurando seu queixo com a mão direita, desanimada.

–– Vocês não percebem que estão fazendo tudo errado? –– Marie fala e só agora noto um leve sotaque francês no fundo de sua voz –– Até parece que nunca montaram uma coreografia antes. Metade de vocês foram cheerleaders. Anne, você foi a capitã da sua equipe, faça isso direito. –– ordena.

A dançarina ao meu lado respira e solta o ar pesadamente, olha para um ponto qualquer como se estivesse olhando atrás de seus olhos, tentando organizar as ideias.

–– Ok! –– Anne grita parecendo ser mais para ela própria do que para qualquer outra pessoa –– Emi, quero voe lá pra baixo. –– ela dia ainda olhando para o mesmo ponto fixo e apontado para a plateia que nos olhava.

Automaticamente Emi levanta num pulo, desce os degraus e se posiciona no meio das mulheres, faz uma pausa com uma careta e ri, percebendo que a Emi em questão era eu. Rio da situação e desço os degraus de braços cruzados, ainda rindo, paro ao lado de minha outra eu e lhe lanço um olhar de “não era com você”, ela ri mais e eu preciso me conter para não continuar rindo também.

–– Christina, Amanda, Megan, Sandra, Angelina,Michele, Miranda e Giovanna. –– Anne traz o seu espírito de capitã a tona –– Subam, meninas!

Metade do grupo que formava a plateia se direciona ao palco, não faço ideia de quem seja quem, mas a mulher que antes havia sugerido que eu escolhesse a música também estava lá.

A ex-capitã fala algo para as meninas e todas se espalham pelo palco em marcações obviamente já conhecidas por elas.

–– Emily, você terá a honra de ver um número de abertura que não fazemos há tempos. –– minha irmã diz.

–– Sua irmã te contou que ela montou um número de líderes de torcida? Fazia um sucesso enorme! –– Marie diz, orgulhosa de Anne.

Uma menina loira de olhos verdes com o cabelo preso num rabo de cavalo tão magra quanto eu, está na ponta esquerda do palco, com uma mão na cintura e a outra repousando na sua cabeça. Minha irmã está na frente, antes da divisão do palco, agachada como se fosse começar a correr, com a cabeça também baixa. Atrás dela, está a mulher que jogou a bomba da música para mim, está com a mesma pose da garota magra. Ao seu lado esquerdo, há uma menina sentada de lado, com uma perna flexionada, enquanto a outra está esticada, um cotovelo apoiado no joelho da perna dobrada e o outro braço esticado para cima. Do lado direito da mulher, uma outra menina, com a mesma pose da do lado esquerdo. Ao fundo, mais três mulheres, todas com a mesma pose da primeira menina. Quando volta a olhar para a mesma, está na outra ponta do palco, depois na outra, na outra de novo e nas duas ao mesmo tempo. Meu cérebro para de funcionar.

–– Deixa de ser lerda, são gêmeas, Emi. –– minha outra eu diz, me irrito por me chamar de lerda e de Emi.

–– Não me chame de Emi. –– digo com raiva, telepatamente.

–– Ok Emi, vou parar de chamá-la de Emi. Está bem, Emi? –– a garota igual a mim em provoca, terminando sua fala com uma piscadela e depois ri, mas eu fico séria.

Enumero as mulheres do palco por não saber os seus nomes, com exceção de Anne, é claro.

Começo pelas gêmeas, que estão uma em cada ponta, sendo que a da esquerda é a 1, e a da direita a 2. Minha irmã fica com o número 3. A garota que está a esquerda da mulher que me pediu a música é a 4, a própria mulher, a 5, e a que está do lado direito a 6. No fundo, começo da esquerda para direita também, sendo que a que está atrás da 4 é a 7, e do seu lado direito estão respectivamente 8 e 9.

–– Emily, vamos apenas assistir. Já estou confusa com essa sua dinâmica. –– diz Emi, mas eu sorrio, satisfeita com minha alternativa.

Começo a ouvir umas batidas, mas não sei se posso chamá-las de música.

Minha irmã levanta somente a cabeça e dubla o gemido erótico que o mix que elas fizeram tinha como começo. Em seguida, as gêmeas dão estrelinhas frenéticas até cruzarem de uma ponta para outra, trocando de posto, onde ficam rebolando. 5 vira uma estrelinha por cima de Anne, terminado com um espacate perfeito. A ex-capitã levanta rebolando, ela, 4, 6 e as gêmeas fazem uns passos insinuantes em coro, enquanto 7 e 9 jogaam 8 há alguns metros de altura. 4 e 6 fazem ponte, dançando 3 dá alguns passos para trás, sem desfazer a ponte, 4 e 6 viram estrelinhas até mudarem de lugar uma com a outra. Anne dá um mortal por cima do espacate de 5. Agora minha irmã está na beirada do palco, as gêmeas vão dando estrelinhas até alcançar ela. 2 está ao lado esquerdo de Anne e 1 ao lado direito, ambas apoiam o cotovelo nos ombros de minha irmã, que rebola incansavelmente. Um pouco mais atrás, 4 apoia o cotovelo no ombro de 2, enquanto do outro lado, 5 faz o mesmo no ombro de 1. 7,9 e 6 jogam 8 outra vez. Todas se reúnem na frente do palco, na linha que o mesmo se divide para formar o T ao contrário, 3 continua no meio, seguida de quatro garotas de cada lado, sendo o esquerdo com 2,4,7 e 8 e o direito com 1,5,9 e 6. Elas entrelaçam os braços e dançam can-can numa perfeita sincronia. Depois de algumas pernadas para lá e para cá, se separam e fazem algumas posições básicas do cheer, todas em coro. Algumas erram a ordem dos movimentos e quando acontece, é uma onda de risos delas e das que ficaram na plateia, mas nada as fazia para de dançar.

As ex-cheerleaders se dispersam, ocupando todo o palco novamente, de modo que minha irmã fica bem na frente, seguida das gêmeas, 4 e 5 e mais ao fundo, 7,8,9 e 6. Uma coreografia rebolativa, sexy e excitante tomava conta do espaço. Emi se divertia tentando imitar os passos. Ela já tinha consciência, mas ficava linda dançando.

As meninas se juntam outra vez para o can-can e depois formam uma roda, de costas para o público. A roda gira e de tempo em tempo ela para, sendo que a menina que parou na beirada do palco precisa virar de frente e fazer uma pose sexy. A roda se quebra e elas dançam na beira do palco. 7,9 e 5 vão rebolando para trás das meninas que continuam na beirada. Depois é a vez de 4,8 e 6 fazerem o mesmo. Não conseguimos ver o que estão fazendo, pois minha irmã e as gêmeas as tampam, mas percebo, por estarem mais altas, que as últimas que saíram estão em cima de alguma coisa. Anne também sai e então vejo que 5 está com o seu espacate perfeito no meio do palco, 8 está em pé nos seus ombros. 3 sobe, não sei como nos ombros de 8. As gêmeas são as últimas a abandonarem a beira do palco. 1 planta bananeira, do lado esquerdo, enquanto 4 que está em cima de 7 agarra um de seus pés e com a outra mão segura um dos braços de 8. Do lado direito, 2 faz o mesmo que sua irmã, enquanto 6 segura um de seus pés e também ajuda 8. 9 e 7, que estão em posição de sementinha, sustentando 4 e 6, encaram a plateia chupando o dedo indicador com ar sexy. As gêmeas, com a ajuda de 4 e 6, deixam a perna livre se abrir totalmente, enquanto com uma mão fingem se masturbar. Anne agarra seu seio esquerdo enquanto sua outra mão pousa sensualmente em sua cabeça, ela morde o lábio inferior e de repente imagino minha irmã na capa de uma revista de mulheres peladas.

O número se finda com a pirâmide humana mais sexy da história.

Olho para Regina, que está sentada em uma das cadeiras, ela cruza e descruza as pernas histericamente enquanto encara a sua namorada. Ruborizo ao pensar que está excitada.

Emi olha para as meninas ainda na pirâmide como se visse a coisa mais incrível do mundo. Todas aplaudem com empolgação, inclusive eu, mas a garota igual a mim, não se limita e grita “Bravas, bravas!”.

–– Quem deveria estar no topo dessa pirâmide era eu! –– um cara de no máximo 23 anos, com cabelo num topete bagunçado loiro, olhos claros e com a barba por fazer aparece no fim da escada –– Já pensou, eu agarrando o meu pinto assim. –– ele demonstra, realmente o agarrando por cima da jeans justa e branca, fico envergonhada por vê-lo o fazer e abaixo a cabeça.

–– Não ia sobrar um bofe aqui, estariam todos comigo dentro de algum daqueles quartos. –– o loiro continua, apontando para a cortina vermelha.

Sua mão balança levemente pelo ar, vai até a sua cabeça, tira o óculos de sol e o pendura no decote V da sua camisa salmão.

–– Cala a boca, Bruno. –– Anne diz, divertida enquanto desce da pirâmide.

Bruno leva delicadamente sua mão até o seu peito nem muito nem pouco musculoso e faz uma expressão exagerada de ofendido, depois ri. Todas dão um casual oi para ele, parece ser bem conhecido por aqui.

Os olhos do rapaz param em mim.

–– Hmmm, carne nova no pedaço, madame Marie? –– ele pergunta, fazendo falso sotaque francês ao falar o nome da madame.

–– Essa é a irmã de Anne. –– Regina me apresenta.

–– Minha Senhora das Incredualialidades! –– ele diz realmente espantado –– Essa é a Emi? –– impressionante como todos parecem me conhecer –– Meu queixo caiu. –– ele fala pausadamente e caminha até mim.

–– Você é fabulosa, gata! –– Bruno exclama agarrando meu rosto, o que faz com que eu lembre onde suas mãos estavam há poucos instantes.

Acho que minha irmã percebe o que estou pensando, pois ela o arranca da minha cara.

–– Maninha, esse é Bruno. O nosso único macho. –– ela diz o abraçando com um braço só por trás.

–– Muito prazer. –– digo e dou um sorriso amarelo.

–– Então, quem vai me contar o motivo de estarem ressuscitando esse número fabuloso que não tem uma protagonização fabulosa? –– o único macho pergunta e Anne lhe dá um soco de brincadeira.

–– Estamos ajudando Emi com a sua coreografia para o teste da equipe de líderes de torcida. Resolvemos mostrar o nosso número para ver se vinha uma inspiração.

–– Meu queixo caiu. –– Bruno fala novamente, mas dessa vez nem respira entre as palavras –– Eu montei uma coreografia essa semana!

–– Querido, você monta coreografia todos os dias, mas acredito que não será apropriada para o teste de Emi. –– madame Marie diz.

–– Pois a senhora está redondamente enganada, dona madame Marie, tá? –– ele diz encostando a ponta de seu dedo indicador na ponta do nariz da dona do local. Mas ela não pareceu se importar pelos caminhos que aquele dedo acabou de percorrer.

–– Essa eu fiz pensando no meio sonho que não pôde ser realizado. –– Bruno faz uma voz dramática.

–– Pegar o garçom hetero do bar da tua rua? –– Regina pergunta e todas caem na gargalhada.

–– Pra esse sonho eu faço outra quando eu chegar em casa. –– ele diz e a onda de risos volta a crescer.

–– Vocês sabem que eu arraso, deixem pelo menos eu mostrar! –– o loiro implora.

–– Emily, você decide. –– Anne diz.

–– Ah, se ele quer mostrar... –– digo sem saber o que dizer.

–– Já disse que voe fabulosa né? –– ele diz, me dá um beijo na bochecha e vai saltitando no palco.

Bruno passa um pen drive que estava no seu bolso para a Senhora Espacate Perfeito, que leva ele até o bar, acredito que a aparelhagem de som fique ali. Uma música que nunca ouvi antes começa a tocar.

O único macho se coloca em posição de sementinha e a cada batida meche uma parte do corpo, até conseguir se sentar de lado e levantar. Ele faz uma série de movimentos, em que todos são fantásticos e se encaixam perfeitamente com a música. Percebo alguns movimentos básicos do cheerleader no meio da coreografia, mas não são explícitos, eles se fundem com a dança e tudo corre num fluxo incrível. Realmente, ele arrasa.

Todas as meninas aplaudem e gritam elogios e promiscuidades para ele.

–– Vou atirar minha calcinha. –– grita Marie e todos riem.

Começo a compreender emocional e honestamente o que minha irmã disse na nossa conversa.

–– Podem aquietar essas periquitas, mocinhas. –– o rapaz diz de cima do palco –– Estou interessado apenas na opinião da fabulosa ali. –– ele aponta para mim e cerra os olhos, me provocando.

Eu fico em silêncio, por estar assimilando o ambiente e a minha opinião sobre o mesmo.

–– E então? Sou digno de ter minha coreografia sendo usada no seu teste? –– Bruno insiste. –– Fala logo menina! –– ele leva sua unha do dedo indicador até seus dentes e começa a roê-la, com o cotovelo apoiado no pulso do outro braço. Sua perna balança, denunciando sua ansiedade.

–– Que rujam os tambores. –– Madame Merie diz e algumas garotas começam a fazer barulhos com a boca, imitando tambores.

–– Eu adorei. –– digo sinceramente e instantaneamente todos vibram pela minha aprovação.

–– Ok, mas vamos ter que fazer alguns ajustes. –– a namorada de Regina fala, só de birra.

Estranho a facilidade que estou sentindo em ficar no meio dessa gente. Estou esquisitamente bem, meu coração está sereno como nunca esteve.

Quem imaginaria que um puteiro pode cheirar a família?

Sorrio com meus próprios pensamentos e vejo Emi sorrindo por saber o que eu pensava, mais do que isso, por sentir o que eu sentia. De rabo de olho vejo Anne olhando para mim com o mesmo sorriso nos lábios. Um sorriso que não é escancarado, é um sorriso tímido, daqueles que só é compartilhado com quem realmente merece, por que os outros não o percebem. Um dos sorrisos mais honestos dentre todos os sorrisos. Um sorriso que representa o orgulho que uma irmã mais velha sente por sua irmã mais nova. E eu sabia que era isso que ela estava sentindo por mim. Assim como sabia também que ela conseguia saber no que estava pensando e sentindo, igual Emi. Afinal, Anne também é uma parte de mim.

As horas se passam com Anne e Bruno debatendo sobre o que era para ser tirado, colocado, refeito, deixar intacto, mudado completamente, parcialmente, e mais um monte de outros termos, com todas deixando os seus comentários e sugestões, muitas bobagens, conselhos sérios, manhas que só ex-cheerleaders saberiam para ensinar, risadas, com Emi sendo Emi e obviamente, comigo errando todos os passos. Mas isso já era de se esperar o que eu não esperava era a ausência da Frustração. A Risada foi até o serviço de minha irmã voando e até chegou adiantada, tinha ido apenas deixar recado, avisando que a Frust –– apelido carinhoso que dei para Frustração –– estava indisposta para comparecer. Risada já estava de saída, mas as meninas e o único macho insistiram e a convenceram para ficar até o fim.

–– Não mesmo, você queria tirar o meu rebolado sexy, na parte que ela faz a voz sexy, o que com certeza vai levar todos a pensarem em coisas sexy’s, e consequentemente vão se sentir sexy’s. –– Bruno corrige minha irmã por algo que ela disse e me tira do meu universo interior, o qual estou tão acostumada a ficar eternamente.

Agora estou sendo levada pelo rapaz, por Anne e Regina até a casa de Zack, que acho que é minha também. Quando dei por mim já era 6 horas da tarde e se eu voltasse de trem demoraria muito, então Bruno se ofereceu para me dar uma carona e as namoradas vieram junto. Estamos a mil, correndo por alguma Estadual que estranhamente está vazia, o carro do loiro é um conversível prata com 5 lugares. Minha irmã está no banco do carona, a garota de cabelo verde, Emi e eu estamos no banco de trás. O vento bagunça o cabelo de todas nós.

–– E você fabulosa, por que está tão quietinha? –– Bruno me pergunta, me fitando pelo retrovisor. –– No que você está pensando? Pode falar, juro que se for sobre mim, não vou me ofender. –– ele tira as mãos do volante e beija os dedos cruzados.

–– É que... o único macho é gay? –– falo sem perceber que estou abrindo a boca.

–– Meu queixo caiu. –– Bruno diz novamente. –– Não acredito que você pensou que eu sou gay! Emily, eu não sou gay. –– ele fala seriamente. Sinto o ar escapar de mim e penso em pedir desculpas desesperadamente.

–– Eu sou gayzíssimo. –– Bruno grita. E nós cinco gargalhamos.

–– Mais alguma coisa que queira me perguntar? –– ele diz.

–– Na verdade tenho, qual é o seu sonho? –– falo sem me dar por conta novamente. Foi o que aconteceu o tempo todo.

Anne e Regina jogam a cabeça para trás e bufam como se já estivessem escutado a história um milhão de vezes.

–– Fabulosa, tá mais para trauma viu? –– ele faz cara de pesar –– Resumidamente, quando eu tava no colegial, eu sempre tive o desejo de entrar para a equipe de líderes de torcida. Eu estava disposto a enfrentar todo o preconceito, resistência e todas essas nojeiras de gentinha venenosa, mas no meu colégio não deixavam de jeito nenhum entrar alguém que tivesse duas bolas para a equipe. –– Bruno diz, se recordando dos tempos escolares.

–– Foram anos com as piadinhas, dizendo para eu arrancar o meu pinto fora, daí eu poderia balançar pompons rosas, mas eu sempre gostei muito do meu pinto. –– ele explica –– Eu gosto tanto de pintos que só saio com quem tem um, daí é como se eu tivesse dois pintos! –– todas nós rimos.

–– Você gosta de pintos? –– digo, tentando entender. Oh, meu Deus! Onde foram parar todos os meus bloqueios orais? Eles seriam bem vindos numa hora dessas.

–– Acha que só por que sou gay não posso de pintos? –– ele faz uma expressão de “nananinanão” –– Pergunte para sua irmã se ela não gosta da pepequinha dela.

–– Ela gosta e muito. –– Regina se debruça em Emi para poder falar no meu ouvido, mas Anne escuta.

–– Meu Deus. Vocês estão pervertendo minha irmã! –– a ex-capitã fala.

Bruno ri.

–– Você dança pelada, se esfregando num pau de longo e grosso de metal e os pervertedores somos nós? –– o único macho finge espanto.

–– Tchau gata, bons sonhos! –– Bruno grita quando estou abrindo a porta de casa. É claro, ele não poderia se despedir discretamente. Viro e aceno, o caro arranca e suspiro aliviada por não ver o carro de Dilan, o que supostamente significa que minha mãe ainda não chegou em casa.

Entro em casa e ouço barulhos vindos da cozinha, suponho que é Zack e tento subir pé por pé, mas o mais rápido possível para o meu quarto, para evitar improváveis, mas possíveis perguntas. Estou tendo sucesso na minha missão, mas escuto patas apressadas descendo a escada. John vem abandando o rabo e latindo alto. Muito alto.

–– Quieto. –– cochicho –– Quieto.

Vou tentando me desvencilhar do zig-zag do beagle pelas minhas pernas enquanto rezo para ele calar a boca. Finalmente alcanço o primeiro degrau.

–– Emily.

“Traíra.” Xingo John mentalmente e me viro. Zack está ao lado do sofá.

–– Você melhorou? Ficou fora o dia todo. Onde você foi? –– ele me bombardeia.

–– Errr. –– gaguejo –– Ahn. –– penso em algo para mentir –– Fui ao médico. –– digo rapidamente e giro meu corpo para subir a escada.

–– E você está bem?

–– Sim, estou sim. –– sorrio. Meu coração já não estava mais sereno, agora palpitava sem parar. Zack causava isso em mim.

–– A secret –– ele corta sua própria fala –– Sua mãe –– se corrige –– ligou, eles vão ficar além do expediente hoje.

Apesar do meu nervosismo, solto algo parecido com um riso sarcástico.

–– Ela devia avisar quando fosse chegar no horário. –– falo com um pouco de raiva.

–– É cotidiano pra você também? –– Zack pergunta e posso estar enganda, mas sinto um pouco de tristeza na sua voz. Apenas balanço a cabeça como resposta.

–– Eu vou pedir uma pizza, será que dessa vez você aceita? –– ele pergunta colocando as mãos nos bolsos da jeans. Eu dou um leve riso.

–– Aceito sim. –– digo.

–– Qual sabor você prefere?

–– Ah, qualquer um, não tenho frescura pra comida. –– falo e sorrio.

–– Isso é bom, frescuras complicam a vida.

Concordo com a cabeça.

–– Eu vou tomar um banho rápido e já desço. –– eu falo já me movendo para o meu quarto. –– ele assente.

No banho tento não pensar no dia que tive e acabo sendo vitoriosa nessa batalha, mas sei que é apenas, tão só e somente por causa do diálogo que acabo de ter com meu novo irmão.

Pelo qual estou perdidamente apaixonada.

Saio do chuveiro, não seco o cabelo e coloco uma roupa qualquer. Emi está atirada na cama, meio desfalecida, mas ainda assim, completamente sexy. Como consegue?

–– Você não vem? –– pergunto, fazendo menção a porta.

–– Estou cansada, acho que nunca dancei tanto. –– ela fala sorrindo, lembrando do nosso dia –– Vou ficar aqui e descansar.

Ouço um “Bom Zack, ops pizza. Boa Pizza!” quando fecho a porta do quarto. Não deveria, mas rio.

O leitor de poesias já tem tudo preparado na mesinha da sala e por tudo entende-se a embalagem da pizza, uma garrafa de refrigerante, dois copos e uma faca.

–– Viu como sou um cavalheiro? Eu te esperei. –– ele di referindo a pizza.

–– Que sorte a minha. –– digo ironicamente e Zack ri.

Sento do seu lado no sofá e ele abre a embalagem cortando uma fatia para mim e outra para ele. Vou abrindo e servindo o refrigerante.

Vamos passar muito tempo juntos, tenho que aprender a não ficar nervosa perto dele. Preciso fazer isso, e se não for por mim, será por minha mãe.

Brindamos com os pedaços de pizza e comemos com a mão.

–– Quer ver algum filme? –– Zack pergunta, mas sei que apenas para quebrar o silêncio constrangedor que se instalou.

–– Pode ser. –– ele assente com a cabeça e começa a mover a mesma para lá e para cá muitas vezes, como se estivesse procurando algo.

–– Cadê o controle? –– ele franze levemente a sobrancelha, fala como se resmungasse com ele próprio.

–– Ali! –– Zack fala apontando para uma almofada branca, que escondia o objeto desejado e estava mais perto de mim. –– Você pegar, por favor? –– pergunta educadamente.

–– Ah, deixa que eu pego. –– o leitor de poesias não me dá nem chance de responder e tenta mover o seu corpo por cima de mim, sem encostar em nenhuma parte de minha pele, para chegar até a almofada.

Ele tropeça em algo e cai em cima de mim, derramando refrigerante no meu colo. Zack olha para baixo e ri. Rio também.

–– Já disse que você é imã de coisas digeríveis, né? –– ele pergunta e faço cara de “Pois é”, acontece que quando a faço para olhar para o cavalheiro, percebo que nossos rostos estão próximos demais.

Meu coração acelera como nunca o fez, perco o senso de qualquer coisa. Só coisa olhar nos olhos castanhos de Zack. Nos olhos e nos lábios, que a cada segundo se aproximavam um tanto a mais. Eu estava parada, então sabia que quem vinha ao meu encontro era ele.

Sinto sua respiração ofegante, mas calma ao mesmo tempo. Seu hálito refrescantes viaja até meu nariz que estava encostando no dele.

Notas finais
E aí, odiaram? gostaram um pouquinho? Me falem, por favor! E ah, se quiserem sugerir nomes (femininos) que combinem com a personalidade da Anne, eu agradeço! Por favor, comentem para eu não surtar. Bjo!