Uzumaki Ahmya Shinden: Livro do Sol Nascente
13 A decisão de Shisui
Notas iniciais

Enquanto Shisui deslocava-se entre os galhos das árvores, seu Sharingan conseguia visualizar claramente o grande inseto que voava por cima das copas.
O animal não estava alto, tampouco veloz.
A mulher que o montava provavelmente o orientou para planar da forma mais discreta possível, a fim de não chamar a atenção do restante de Uchihas que ainda se encontravam espelhados pela região.
A desconhecida e seu inseto ainda seguiam a direção sul.
A julgar por seus movimentos, era quase certo que o plano da kunoichi consistia em atravessar a fronteira com o país da Chuva. E se Shisui não fizesse nada ela iria conseguir. O que tornaria sua captura quase impossível. O país comandado por Hanzo Salamandra era extremamente fechado e hostil.
Se um cidadão de Konoha fosse identificado ultrapassando a fronteira, seja shinobi ou civil, a vila da Folha estaria em maus lençóis.
Os inimigos aumentaram a velocidade, mas não a altura. Shisui fez o mesmo.
A mulher certamente já sabia que estava sendo seguida. Mas provavelmente julgava que atrair o restante do clã, complicaria ainda mais a sua situação.
Nesse caso, agir rapidamente era a única opção de Shisui.
Kunais e shurikens não irão funcionar.
Pela quantidade e direção das armas perto de seu pai era muito provável que Takashi já tivesse tentado essa opção. E com certeza não conseguiu atravessar a grossa carapaça do louva-deus.
Mas o filho não estava na mesma situação do pai.
Agora a parte mais vulnerável do inseto estava exposta. E seria este o alvo de Shisui.
Ainda saltando pelas árvores, o jovem Uchiha fez o primeiro selo de mãos.
Ele tirou oito kunais habilmente dispostas nos espaços entre os dedos, lançou-as em direção às asas do animal e repetiu esse movimento mais duas vezes.
O inseto desviou. Mas quando isso aconteceu, o garoto já fazia novos selos de mão. E as kunais direcionaram a trajetória dos inimigos exatamente para dentro de seu alcance.
O sharingan pode visualizar e processar a informação do movimento que o louva-deus faria apenas com a inclinação parcial de suas asas, ainda antes da manobra ser executada.
‘Ele vai para a esquerda!’
Só era preciso ajustar a mira.
‘Estilo fogo: jutsu grande bola de fogo.’
Um grande projétil incandescente formou-se a partir dos lábios de Shisui, pulverizando completamente as asas esquerdas do louva-deus.
O inseto caiu pesadamente no chão, danificando algumas árvores e, imediatamente, desapareceu.
Mas a mulher não estava junto ao animal. Ela saltou para fora do inseto no momento em que o menino arremessou as kunais. E deixou um clone das sombras em seu lugar que também sumiu ao ser atingido pelo fogo.
Mas Shisui já sabia disso, assim como sabia que o modo mais eficiente de ganhar aquela luta era separando a humana de sua invocação.
‘Uma coisa de cada vez.’
Quando lançou as armas Shisui manipulou a trajetória de fuga da mulher, direcionando-a para a única rota possível em que pudesse se desviar sem ser atingida pelas armas em um ponto vital.
Não importava se ela era uma ninja sensorial, porque o garoto ainda tinha uma carta na manga.
Ainda não era um jutsu perfeito, mas era seu último recurso.
Em queda livre a mulher percebeu a localização do menino, segurou-se em um galho da árvore sobre a qual caía, a mesma na qual o verdadeiro corpo Shisui a esperava, e mudou sua trajetória, para pousar no chão.
Foi uma manobra urgente e desajeitada. Pelo ângulo ela conseguiria pousar, no máximo, a quatro metros de distância de Shisui. Para ele era o suficiente.
O corpo do menino cintilou [1].
A mulher pousou no chão sobre um dos joelhos. E, quando isso aconteceu, o garoto estava às suas costas pressionando uma kunai contra sua nuca.
O frenesi da perseguição cessou. Ela já estava derrotada.
Foi só então que Shisui percebeu, no último momento antes de seu Sharingan ser involuntariamente desativado. Havia algo.
‘Essa mulher está…’
Shisui vacilou. Um calafrio perturbador percorreu o seu corpo, revirando suas entranhas. Suas mãos tornaram-se trêmulas. Ele sentiu seu corpo e sua mente paralizarem com o choque.
A kunoichi voltou o rosto parcialmente em sua direção “apenas me deixe ir...”.
Sua voz também tremia. Ela estava visivelmente exausta. Certamente não teria chakra para qualquer movimento brusco ou elaborado.
Uma sensação de pânico invadiu o coração de Shisui, sua mente girava.
Suas mãos ainda seguravam o cabo da kunai, mas o tremor se intensificava e ele sentia que perderia o controle a qualquer momento.
‘Ela não matou o meu pai. Ela sequer tocou em mim. Ela não pretendia fazer vítimas…’
O menino abaixou a arma e displicentemente permitiu que suas mãos trêmulas se abrissem fazendo com que sua kunai caisse no chão. O que produziu um estalo metálico.
‘Ela está… ela está…’
Shisui deu um passo à frente e se curvou, posicionando-se ao lado da mulher.
Com suas próprias mãos, ele estendeu o braço da oponente por trás de seu pescoço, fazendo de seu próprio corpo um apoio para a mulher que ele à não sabria mais se era sua inimiga.
“Você estará segura no País Chuva?” Shisui virou a cabeça para olhar lateralmente o rosto da moça.
“Sim...” sua expressão revelava que ela estava prestes a desmaiar.
O menino se levantou vagarosamente sustentando o peso do corpo da mulher. “Estamos muito perto, por favor aguente mais um pouco”
A kunoichi sorriu tristemente, fitando os olhos de Shisui. Mas logo voltou seu rosto para o caminho e acompanhou os passos de seu pequeno ajudante.
Juntos eles atravessaram a fronteira e andaram por algum tempo. Quando Shisui julgou que já estavam longe o bastante do grupo ao qual pertencia, depositou a kunoichi delicadamente sentada ao chão, escorando as costas dela contra o tronco de uma árvore.
“Você procura os pacifistas?” não era uma conclusão difícil de se chegar, Shisui conhecia os rumores.
A mulher assentiu com a cabeça.
O garoto tirou duas kunais com papel bomba de sua bolsa e as atirou em uma árvore posicionada a quase dez metros de distância.
A explosão causou um estrondo e deixou a árvore em chamas.
Mesmo que seu clã notasse o barulho, os Uchiha não chegariam tão longe para verificar. Nenhum deles correria o risco de se expor ou se envolver com ninjas da Chuva.
Shisui fitou mais uma vez os olhos da mulher. Sua mente ainda estava confusa sobre o que acabara de acontecer ali. Ele não sabia o que dizer, então se virou pronto para partir.
“Espere...” A voz fraca da mulher o fez voltar-se para ela novamente.
Ela desamarrou o seu protetor de testa com o brasão da Pedra, segurando a placa com a mão direita. Com a esquerda tirou uma kunai do estojo e rasgou sua própria mão, passando a lâmina entre o protetor e a palma.
Dispensando a arma da mão esquerda, a mulher apertou o protetor encharcando-o de sangue. E, com o braço trêmulo, o ofereceu a Shisui “eles pedirão provas”.
O menino inclinou-se e tomou posse do objeto, enquanto encarava a mulher nos olhos que foram lentamente se fechando, junto com o recolhimento gradual do braço estendido da mulher, indicando seu limite.
Ela estava inconsciente. Mas não estava morta.
Shisui sentiu um ímpeto repentino de tentar checar os sinais vitais do bebê. A gravidez gravidez daquela kunoichi estava no estágio inicial. Mas a essa altura a criança já tinha chakra próprio.
Ele foi impedido de sanar sua curiosidade pelo som de passos apressados chegando a oeste.
Com uma cintilação corporal, Shisui sumiu e reapareceu a alguns metros de distância da mulher inconsciente, ocultando sua presença sobre os galhos de uma árvore.
Um shinobi de Amegakure vestindo uma túnica escura chegou correndo aos pés da árvore em chamas.
Logo o homem de cabelos vermelhos percebeu a presença da mulher inconsciente. Aproximou-se rapidamente e checou os sinais vitais dela.
“Yahiko!! Konan!!!” o shinobi gritou com preocupação e urgência “preciso de ajuda!”
Shisui aproveitou o barulho e a distração para sair dali. Seu corpo cintilou novamente e o menino desapareceu.
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