Utópico.
21 Capítulo 20 - Decisões.
Sebastian andava de um lado para o outro no pequeno corredor, Luna estava lá dentro a quase uma hora e isso o estava deixando impaciente. Pensar que ela teria que relatar tudo que aconteceu e que estavam obrigando ela passar por isso sozinha, o deixou irritado.
— Vai acabar abrindo um buraco no chão. — Resmungou Luce.
Sebastian encarou sua irmã, ela não parecia muito também, assim como Abi. Abi estava encarando a porta com uma expressão de angústia, para ela também não deve ter sido fácil estar lá dentro sozinha. Luce estava sentada com as pernas cruzadas e balançava uma delas de forma frenética, cada um com uma maneira de tentar extravasar os sentimentos ruins que se prendiam a eles.
O som da porta se abrindo tirou Sebastian de seus devaneios, ele virou seu corpo na direção da porta. A tempo de ver uma Luna com os olhos avermelhados e fungando sair dali, ela pareceu se assustar quando encarou os três. Talvez tivesse pensado que eles iriam embora e a deixariam ali, mas ele nunca faria isso.
— Como você está? — Perguntou ele se aproximando.
Sebastian não se conteve e segurou o rosto dela com suas mãos, deixou as almofadas de seus polegares deslizarem pelas bochechas rosadas de Luna. Ele a segurava de uma forma que a fazia encará-lo e ele observava as lindas orbes azuladas de Luna, esperando que elas pudessem lhe revelar todos os segredos da jovem.
— Bem, dentro do possível. Só quero que tudo isso acabe logo. — Disse ela com os olhos marejados.
Sebastian soltou um suspiro e se inclinou depositando um beijo casto na testa da jovem. Em seguida sem pensar muito ele a puxou para si, a envolvendo em um abraço. Luna soltou um pequeno suspiro e pousou sua cabeça sobre o peitoral dele. Ele a abraçou, como se protegesse protegê-la de todo mal, caso ela ficasse ali. Desferiu um pequeno beijo no topo da cabeça dela enquanto começou a afagar suas costas.
— Vai ficar tudo bem, Luna. Você não está sozinha, eu estou aqui com você. — Disse ele em uma voz firme.
— Nós estamos! — Corrigiu Luce falando ligeiramente alto.
Luna soltou uma pequena risada e afastou a cabeça para encarar às duas mulheres que agora estavam ao lado deles. Abi parecia meio constrangida por Luce ter interrompido o momento deles e sua irmã como sempre não estava nem ai. Ao constatar aquilo Sebastian não conteve a pequena risada que escapou de seus lábios.
— Sim, nós estamos aqui. Por você — Disse ele se permitindo sorrir abertamente.
Luna se ergueu um pouco por ser mais baixa do que ele e desferiu um beijo calmo e um pouco demorado na face de Sebastian, naquele momento ele desejou que ela tivesse beijado sua boca daquela forma. Ela se desvencilhou dos braços dele com um sorriso em seu rosto e logo em seguida se virou para abraçar às duas que estavam ali.
— Obrigada por tudo! Vocês três! Eu não sei o que teria sido de mim sem vocês. — Disse Luna coma voz embargada de emoção.
Sebastian sorriu observando aquela cena, às três se abraçavam e Luce dava leve tapinhas nas costas de Luna. Ele teve que se conter para não rir, sabia que sua irmã não estava acostumada com muito afeto, pelo menos não de ninguém que não fosse ele.
— Será que já podemos ir embora desse lugar? — Perguntou Abi.
— Creio que sim, qualquer coisa eles mandam chamar a gente novamente. — Disse Sebastian dando ombros.
— Vamos, preciso sair desse lugar. — Disse Luna com uma expressão fechada.
Sebastian assentiu e indiciou para que às três seguissem em sua frente. Ao chegarem no hall percebeu que somente os policias estavam por ali e respirou aliviado, agradecendo por seu pai não estar ali. Conforme caminharam até o lado de fora se espantaram ao ver que haviam várias pessoas ao redor do prédio e que a guarda havia feito um bloqueio para impedir que o povo se aproximasse.
Luna olhou para Sebastian confusa e ele somente deu ombros, ficaram em silêncio encarando a multidão enquanto esperavam a carruagem chegar. Não demorou para a multidão começar a falar assim que viu eles parados ali. E o que mais espantou a eles, era que pelo visto todos sabiam o que havia acontecido e o povo clamava por justiça.
— Que essa monstruosidade não fique impune! — Gritou alguém.
— Não queremos um vereador que tenta abusar de nossas moças. — Uma outra voz gritou.
— Travis e Bernard são uma doença para essa cidade! — Gritou uma mulher.
— Tínhamos que ter expulsado eles e não os Deverpolt! — Gritou um homem e depois tudo se transformou em uma confusão.
Os ânimos começaram a se exaltar, os moradores da cidade começavam a tentar invadir aquele prédio. Pelo visto eles sabiam que Bernard estava preso ali e pelo visto queriam fazer justiça com suas próprias mãos. Luna estava com uma expressão de espanto, pelo visto não era só ele que estava esperando sair dali de forma rápida e pacifica. Decidiu que seria melhor intervir.
— Povo de Borthen… — Começou ele a falar bem alto, mas algumas pessoas o interromperam.
— Não tente defender seu irmão! — Gritou uma mulher apontando para ele.
— EU NÃO VOU! — Com um grito proferido por ele a gritaria diminuiu e eles pareciam querer ouvir o que Sebastian tinha a dizer. — Nunca vou defender uma atitude como essa, inclusive eu sou uma das testemunhas de acusação, assim como a minha irmã Luce. Nós viemos aqui depor e prestar solidariedade a Luna, a única vítima disso tudo.
Quando ele começou a falar ao pouco o silêncio foi se estendendo. Ele olhou para às três que estavam ao seu lado e elas assentiram para ele continuar. Luna se aproximou e pousou sua mão sobre o braço dele, lhe dando apoio para fazer aquilo. Sebastian respirou fundo e continuou.
—Nós não aprovamos e nem acobertaremos esse tipo de atitude, ele ira pagar por seus crimes. Ele não está acima da lei, pensamos até em cancelar a ação social de amanhã devido aos acontecimentos. Mas a pedido da própria Luna manteremos o nosso evento de caridade. Então peço, que aqueles que ainda não doaram possam fazer, somos um povo só. Temos que nos unir, o inverno está chegando e nossos irmãos dos níveis inferiores precisam de nosso auxílio. Se não puder doar roupas ou comidas, doe o seu trabalho voluntario. — Ela respirou fundo e continuou a falar. — Pode ser com consultas grátis, com o seu trabalho, com o que vocês puderem. Sendo de coração será sempre valido.
— Deixemos que a justiça seja feita pelas autoridades. Tenho plena confiança no capitão e em sua equipe, quando ao que aconteceu nós infelizmente não podemos fazer nada. — Luna deu um sorriso triste e voltou a falar. — Mas nesse momento podemos ser solidários e ajudar aqueles que precisam, se querem fazer algo por mim. Ajudem aqueles que estão precisando de auxílio. Isso me deixara extremamente feliz.
Quando Sebastian e Luna concluíram suas falas, todos os encararam em silêncio por algum tempo e depois aplaudiram. Sebastian não entendeu muito bem aquilo, deu ombros e começou a se aproximar da carruagem que havia acabado de conseguir passar pelo bloqueio. Ele ajudou as meninas subirem e logo depois fez o mesmo.
Conforme a carruagem foi se movendo ele observou pela janela o povo começar a se dispersar. Não fazia ideia de quem havia espalhado a informação sobre o que Bernard fizera, tinha certeza que seu pai tentou manter isso abafado, mas falhou miseravelmente. Sebastian não estava nem ai para a exposição que a sua família receberia, mesmo sendo negativa.
Estava mais preocupado com a exposição de Luna e como ela ficaria tendo que lidar com tudo isso. Não era algo fácil de se lidar, mas ele estaria ali para tudo que ela precisasse. Ele estava irremediavelmente apaixonado por ela, não sabia o que ela escondia e as palavras dela, naquela manhã ainda giravam em sua mente. Ele sinceramente não se importava com nada daquilo, só queria poder ficar ao lado dela.
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Nikollay, Cameron, Brian e o casal de filhos mais velhos de ambos dos líderes. Aquela reunião já havia se estendido por horas afins, tentando conseguir o apoio deles, na guerra que eles iniciariam em breve contra a cidade de Borthen. Mas ao apresentar uma pequena parte do plano Brian e Beatrice começaram a debater a probabilidade das coisas saírem errado.
— Eu sei que é difícil acreditar nisso, mas a maior parte de povo já está contra os Campbell. E temos algumas pessoas infiltradas lá fazendo questão de fazer o ódio em relação a eles aumentarem cada vez mais. — Disse Mark. — Já tem alguns grupos que se encontram as escondidas para falar sobre tentar tirar Travis do poder e eles já tentaram entrar em contato conosco. Porque sabem que somos os únicos que pode enfrentar eles.
— Exatamente, eles não conseguiram entrar em contato direto. Mas eles não sabem que temos um de nós infiltrado no clube deles. Fazendo o ódio aos Campbell aumentar ainda mais. — Completou Nikollay.
Brian ficou em silêncio analisando a situação mediante as palavras dele, Gustav desde o início estava quieto somente escutando todos falarem. Mas Beatrice parecia ainda não estar convencida, a jovem bufou e deu um leve revirar de olhos.
— Como tem certeza que seus infiltrados são de confiança? Se eles traírem vocês? — Perguntou a mulher.
— Acho que deveríamos dizer a eles quem são os infiltrados. Ai vão entender que não estamos para brincadeira e o que estamos dispostos a fazer para ganhar essa guerra. — Disse Elena se colocando de pé e espalmando as mãos contra a mesa.
— Eleninha, sabe que gosto de você. Mas até agora realmente só mostraram suposições. Nada concreto, talvez se o informante realmente for alguém importante e que tenha a confiança das pessoas lá o plano desse certo, mas caso não seja assim as chances de darem errado pé bem maior. — Exclamou Beatrice.
Elena ia protestar, mas Nikollay ergueu a mão para silenciá-la. A morena bufou e voltou a se sentar com os braços cruzados. Para aquilo dar certo eles precisavam confiar uns nos outros e ele pelo visto seria o primeiro a dar um voto de confiança.
— Direi exatamente quem são os informantes, mas se essa informação vazar terei que tomar providências. Vocês três são os únicos que estão fora de nossos planos que conheceram a identidade deles e se algo acontecer vocês serão os primeiros a serem cobrados. — Disse Nikollay em um tom firme. — Estou dando um voto de confiança, para verem que não estamos para perder ou por brincadeira.
— Meu amigo, não iremos dizer nada. Mas pela sua fala as pessoas devem ser realmente importantes. — Disse Brian e se silenciou.
Nik assentiu e respirou fundo. Os três o encaravam com expectativa, já o olhar de seu filho mais velho era de reprovação. Ele já havia percebido que o filho não confiava muito em seus novos aliados, mas nunca o contestaria na frente de todos.
— Um deles é Ethan, irmão mais novo de minha falecia esposa. Depois que as irmãs sumiram quando resolveram visitar Amber e os sobrinhos ele acabou vindo até nós para descobrir que duas delas haviam sido mortas por Travis, isso incluía Amber. Ele acabou conseguindo um cargo como assessor de Travis e conhecia a maior parte dos passos que ele dava, é ótimo para escutar conversar por aí, incluindo uma que permitiu a gente colocar alguém ainda mais perto deles. — Disse Nikollay soltando um longo suspiro.
— Realmente esse tem motivação vingar suas duas irmãs, talvez esse não seja capaz de traí-los. — Disse Beatrice pensativa.
— Mas como assim colocar alguém ainda mais perto? — Questionou Gustav pela primeira vez.
— Sabiam que a mulher de Travis tem parentes na França? E que uma sobrinha de 19 anos estava vindo visitá-la, uma sobrinha que ela só viu quando era bebê e a única coisa que ela sabia sobre a sobrinha era o nome e que tinha cabelos negros como a noite. — Conforme ele falou os demais negaram a cabeça. — Usamos isso ao nosso favor a verdadeira sobrinha está aqui no acampamento, presa em um quarto. Enquanto isso minha filha Luna está lá se passando por ela.
Um silêncio desconfortável tomou conta do ambiente. Os três agora olhavam para Nikollay com uma expressão de espanto, com toda certeza não estava esperando por algo desse tipo. Se entre olharam e depois encararam os demais da mesa, Cameron encarava as próprias mãos. Mark sustentava o olhar que Beatrice lhe lançou e Gustav ergueu a sobrancelha para Elena, ela somente assentiu.
— Então sua filha está bem de baixo do nariz de seu inimigo? E ele não faz ideia? — Perguntou Brian.
— Exatamente, ela manda sempre relatórios novos. Albert já está enlouquecendo, em breve ele fará algo estúpido. Toda semana ela o atormenta durante alguma noite aleatória fingindo ser o fantasma de Amber que voltou para assombrá-lo. A semelhança delas é extraordinária, as únicas coisas que mudam são os cabelos e os olhos. Mas Madame Seraphine lhe deu algumas coisas para resolver isso. — Disse o homem soltando um suspiro. — E ela também já está atingindo Travis sem que ele perceba atacando e desmoralizando seu filho mais velho.
Todos ficaram em silêncio encarando uns aos outros, pareciam perdidos em seus pensamentos. Quando um Bruce aparentemente sem fôlego e avermelhado entrou correndo e se aproximou do pai entregando um pequeno pergaminho. Ele rapidamente se pois de pé e começou a ler em silêncio.
— Deve ser algum deles, assim que nos comunicamos. — Explicou Elena.
Nikollay soltou uma gargalhada e estendeu o papel para Cameron, que em seguida passou para os demais, até mesmo para os O'Connor. Era uma mensagem bem curta de Luna, mas era o suficiente para ele saber que tudo estava dando certo mais rápido do que ele esperava. Em uma caligrafia arredondada e bonita estava escrito.
"Bernard está preso, os moradores estão revoltados com ele e os Campbell. Alguns já falam até sobre como se arrependem de terem expulsado os Deverpolt, que eles que deveriam ser expulsos.
A brincadeira começou papai, estejam preparados para amanhã.
Com amor, Luna."
Um sorriso estava tomando conta dos lábios de Nikollay, ele não fazia ideia como a filha havia conseguido isso. Estava feliz dê as coisas finalmente estarem correndo bem e amanhã a noite sua irmã e sua sobrinha já estarão livres da garra de Travis.
— O que tem amanhã a noite? — Perguntou Gustav curioso.
Elena olhou para o pai esperando aprovação do mesmo, para saber se poderia contar. Nikollay maneou a cabeça positivamente e então a morena começou a explicar sobre a tia desaparecia desde antes de eles terem sido expulsos. De como Luna a encontrou e tudo o que Luna havia conseguido descobrir sobre ela e Crystal, contou que a irmã havia montado um plano para tirar às duas de lá. Eles só teriam que esperar as margens da floresta para caso algo desse errado resgatar às duas.
— Já tomei a minha decisão. — Anunciou Brian fazendo todos o encararem.
— E qual seria? — Perguntou Cameron.
O homem desferiu um pequeno sorriso e se colocou de pé, todos acompanharam o movimento. Ele deu a volta na mesa e parou bem a frente de Nikollay, ninguém ousou se mexer. Então ele estendeu a mão para Nikollay e quando Nik apertou sua mão ele o puxou para um abraço e desferiu alguns tapas nas costas do homem.
— Nosso clã se unirá ao seu para tomar de volta o que é de vocês por direito. — Disse assim que se afastou. — Já percebi que não estamos mesmo para brincadeiras e você nunca mandaria um de seus filhos para lá sabendo que poderia perder. O Nikollay que eu conheço tinha sempre pelo menos três cartas na manga antes de fazer qualquer coisa, nunca fazia algo se não tivesse certeza que sairia vitorioso e eu duvido que brincaria com a vida de uma filha sua.
— Você realmente me conhece bem, tenho algumas cartas na manga sim e pretendo que vocês se tornem mais uma. Eles não esperam que tenhamos reforços, eles não fazem ideia de quantos nos somos. Quando saímos de lá éramos cerca de 300, esse numero se multiplicou quando muitos dos que estavam espalhados pelo mundo voltaram ao saber do que aconteceu. Fora aqueles que eram nômades e se juntaram a gente em solidariedade. Agora com o reforço do seu Clã, será bem mais fácil conter a guarda da cidade. Quando tudo começar os civis serão informados e instruídos para que fiquem em casa, para não serem pegos no fogo cruzado. — Disse Nikollay sorrindo aliviado.
— Sempre tão gentil, até mesmo com aqueles que lhe viraram as costas. — Disse o homem soltando um suspiro.
— Eles foram meras marionetes para Travis. E de certa forma estamos fazendo o mesmo com eles, fora que ter civis pelas só tornaria tudo pior. Eles poderiam tentar lutar contra a gente e perderíamos tempo tendo que matar eles, então mais fácil mantê-los afastados da batalha. — Disse Mark dando ombros.
— Isso é verdade perderíamos tempo e energia em uma luta sem sentido, podendo dar tempo para quem realmente importa fugir. — Beatrice concluiu.
Eles continuaram a conversa agora de uma forma mais leve. Nikollay convidou a todos para comemorarem com algumas bebidas e uma boa conversa, logo estavam sentados de forma mais relaxada e conversando sobre tudo. Desde amenidades até sobre o plano, tudo isso com um grande copo de cerveja nas mãos de cada um para descontrair.
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O dia havia passado de forma rápida, eles se mantiveram isolado das outras pessoas e tentaram arrumar as coisas para as ações de amanhã. Basicamente fizeram todas as refeições enquanto eles separavam as doações por categoria. Quando já estava tarde todos foram se retirando para descansarem Abi foi na direção que ficava os aposentos dos empregados. Já Luce, Luna e Sebastian seguiram na mesma direção já que agora eram vizinhos de quartos e isso fazia Luna se sentir um pouco mais segura.
— Boa noite! — Disse Luce com uma cara de cansada enquanto entrava no próprio quarto.
— Boa noite! — Respondeu Luna e Sebastian ao mesmo tempo.
Com isso acabaram soltando uma pequena risada, Luna escutou o barulho da porta se fechando e se virou voltando a encarar Sebastian. Ele permanecia parado um pouco afastado dela e com as mãos dentro dos bolsos da calça como sempre. Ela desferiu um pequeno sorriso para ele e se aproximou dando pequenos passos na direção dele, até ficar bem a frente dele.
— Obrigada por todo o apoio que você me deu hoje, com isso está sendo mais fácil suportar tudo. — Disse ela sorrindo.
— Eu disse que sempre estaria aqui quando precisasse, não estava mentindo. — Disse ele de forma firme.
Luna sorriu fraco, sabia que ele só estava dizendo aquilo por não saber toda a verdade. Se ele soubesse quem ela era, o que ela já havia feito desde que tinha chegado. Tinha certeza que Sebastian a odiaria, a olharia com nojo e não com tanto carinho como estava fazendo agora. Deus, como ela odiava aquilo tudo.
Ele se aproximou lentamente de Luna e ergueu uma de suas mãos até a face dela e acariciou levemente a mesma. Luna soltou um pequeno e se permitiu fechar os olhos aproveitando aquela sensação, deixou sua face pousar sobre a mão dele e ficaram ali sem silêncio.
— Até quando vai me torturar, Luna? — Sussurrou Sebastian.
— Como assim Sebastian? O que quer dizer? — Disse ela abrindo os olhos, alarmada.
— Até quando vai me privar de saber qual é o saber de seus lábios? — Sussurrou ele se aproximando ainda mais.
Podia sentir a respiração quente dele contra a sua pele fazendo que a mesma ficasse arrepiada, encarava os olhos dele em silêncio. Acabou engolindo a seco mediante as palavras dele e soltou um suspiro pesado. Ele se inclinou e deu um pequeno beijo na bochecha dela, atingindo o canto de seus lábios.
— Sebastian... — Ela murmurou em advertência. — Já te disse o porquê.
Ele se afastou de forma um pouco bruta e ficou de costas para ela. No mesmo instante ela sentiu a falta de seu toque quente e macio em sua face e suspirou de forma triste. Observou ele deslizar as mãos pelos cabelos dourados e aos pouco voltar a fita-la com uma expressão triste.
— Não disse o porque, só disse que me escondia algo e que não queria fazer nada antes de me contar. Mas ao invés de me contar continua a esconder, impedindo que resolvamos isso de uma vez por todas. — Disse Sebastian.
Luna se aproximou dele com uma expressão séria e segurou a face dele com suas duas mãos e o fez encará-la. Sebastian permaneceu em silêncio e ela respirou fundo, não poderia dizer a verdade a ele, mas precisava fazer ele entender.
— Eu quero isso tanto quanto você, mas eu estou escondendo coisas que quando você souber vai se afastar, não vai querer saber de mim e eu sei disso. — Disse ela engolindo a seco. — Só não quero que quando tudo vier a tona você vire para mim e diga que eu o enganei, que eu não deveria ter deixado você se aproximar de mim. Porque é exatamente isso que vai acontecer, você vai me culpar quando se decepcionar, em parte a culpa será minha sim. Mas estou evitando a parte que você acaba se apaixonando e fica me culpando por ter feito o mesmo, não quero que depois venha me dizer o quanto eu o enganei. Por isso eu decidi não fazer aquilo que eu mais desejo nesse mundo.
Sebastian parecia chocado mediante as palavras dela, ficou em silêncio a encarando confuso. Luna aproveitou o momento de distração dele para se afastar rapidamente e entrar em seu quarto, girando a chave e trancando a porta logo em seguida.
— Luna, me explica isso direito. — Disse Sebastian batendo na porta.
Ela não respondeu, respirou fundo e ficou em silêncio. Ele tentou mais algumas vezes sem sucesso ou sem qualquer resposta. Depois de um bom tempo escutou passos se afastando e uma porta ao lado da sua se fechando. Ela respirou fundo e foi para o banheiro tomar um banho.
Quando finalmente acabou o banho vestiu uma calça de moletom e uma camisa. Pegou um roupão preto mais grosso e enrolou no próprio corpo enquanto caminhava para a sacada. Ficou em silêncio debruçada sobre a mesma, seus olhos vagavam pelo céu observando a lua e as estrelas, deixou seus pensamentos a levarem para longe, para um lugar além daqueles muros.
Não poderia falhar com sua família agora, não por causa dos próprios sentimentos, infelizmente era uma escolha que ela já havia feito e teria que conviver com ela. Não entendia por que o universo a odiava tanto? Sua família já havia sofrido um bocado e agora ela tinha que se apaixonar justamente por quem ela nunca poderia ter.
Estava tão distraída que não percebia a movimentação que acontecia bem próxima a si. Pela primeira vez estava com a guarda baixa e acabou permitindo algumas lágrimas solitárias correrem por sua face. Mas um barulho de algo caindo contra o chão da sacada a fez virar bruscamente encerrando os devaneios.
— Já entendi que não vai me contar o que está acontecendo. Quer saber? Tudo bem, quando estiver pronta você fala. Mas se eu entendi bem você quer me deixar afastado para me proteger do que eu já estou sentindo por você e pelo que entendi, me corrija se estiver errado, de algo que você também está sentindo, certo? — Disse Sebastian enquanto se aproximava de Luna. — Eu cansei de pensar, cansei de analisar os pros e contras. Pensar se isso vai dar errado ou certo, quer saber? Que se foda. Se der errado pelo menos eu não quero me arrepender, de não ter feito isso.
Luna o encarava em silêncio sem saber o que dizer ou o que pensar. Escutou as palavras dele e soltou um pequeno suspiro, quando ele perguntou se ela estava sentindo o mesmo, ela somente maneou a cabeça confirmando. Observou Sebastian ir se aproximando cada vez mais, suas costas já estavam contra a parede da sacada e sua respiração estava confusa. Mediante as palavras dele acabou sorrindo.
Sebastian estava parado a sua frente, mais 2 centímetros e os corpos estariam colados um no outro e a voz dele havia se tornado baixa, só o suficiente para que ela o escutasse sem problema. Ela sabia que deveria afastar ele de si, manda-lo embora, mas Luna simplesmente não conseguia.
A última frase fez ela arquear a sobrancelha demonstrando a confusão que as palavras dele lhe causaram. Mas assim que sentiu um das mãos dele rodear sua cintura e a outra em sua nuca ela arfou, sabia o que estava por vir.
Sem conseguir mais resistir Luna somente fechou os olhos e esperou, não demorou muito para sentir o toque suave dos lábios dele sobre os seus. Começou com um leve roçar entre os lábios, mas não demorou para as bocas entrarem em uma dança sincronizada, em seguida as línguas se uniram entrando naquela dança. Luna envolveu seus braços ao redor do pescoço de Sebastian e se deixou levar por aquele momento.
Podia sentir seu coração pulando dentro de seu peito de forma frenética conforme o beijo se intensificava, seu peito parecia que iria explodir a qualquer minuto. Depois de um tempo foram obrigados a afastar a boca o suficiente para respirarem. Ela o encarou e percebeu que Sebastian estava de olhos fechados e estava sorrindo, sentiu a testa dele encostar na sua e sorriu.
As mãos dele deslizaram por sua cintura em uma leve carícia e em seguida ele a abraçou. Quando Luna o fitou novamente ele já estava de olhos abertos e ainda sorria para ela, com certeza era uma das coisas mais lindas que ela já tinha visto.
— Não faz ideia de como eu queria fazer isso. — Disse ele em um sussurro antes de roubar um selinho dela.
Luna soltou uma pequena risada e continuou com os braços ao redor do pescoço dele, esticou uma das mãos e deixou as mesmas deslizarem pelos cabelos dourados com calma. Ficaram em silêncio comente se olhando e se acariciando, vez ou outra Sebastian lhe roubava um selinho.
— Eu também queria, só pens...— Luna começou a falar.
Sebastian a silêncio voltando a beijá-la, novamente suas bocas trabalhavam em uma sincronia que Luna nunca havia presenciado antes. As mãos dele apertaram levemente sua cintura, fazendo uma corrente elétrica percorrer todo o corpo da morena lhe causando arrepios. Quando estavam precisando de ar ele se afastou e sorriu, desferiu pequenos beijos pelos lábios e em seguida pelo rosto de Luna, aquilo a fez soltar uma pequena risada.
— Não pense, pare de pensar e vamos viver isso, vamos viver o agora. O amanhã a gente pensa depois, se fizermos isso tudo vai ficar bem. — Disse Sebastian.
Luna soltou um pequeno suspiro e somente concordou. Estava cansada de lutar contra os seus sentimentos, talvez quando ele soubesse de tudo a odiasse. Mas ao menos ela teria momentos como aquele guardado em suas lembranças, momentos que aqueceriam seu coração em tempos sombrios. Talvez, aquilo fosse tudo que ela precisava.
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