Utopia

9 Capítulo 9


Notas iniciais
Tema usado: Uma colegial / universitária Pra não dizer que não avisei, vamos aos recados do capítulo!!! Agora é bem possível que a história comece a fazer sentido sobre outro ponto de vista... acho que algumas pessoas vão ficar meio incrédulas... outras podem mudar de lado. Porque teve muito leitor tomando partido (a autora está rindo de vocês, ok?). Enfim, não julguem sem ver a história toda por trás do problema. Ou julguem e joguem o personagem logo na fogueira lol Boa leitura! *fugindo pras montanhas*

O grupo de estudantes sentou próximo à sombra de uma árvore no final das aulas, cadernos e livros sendo espalhados por todo lado, enquanto conferiam as respostas das provas. Cada erro ou acerto que encontravam era acompanhado de choramingos ou vivas de comemoração. O fim do ano letivo estava chegando e nenhum deles queria repetir a matéria.

— Virei a noite estudando patologia e não acertei nem metade da prova! – Katsuya resmungou ao conferir o gabarito, recebendo tapinhas no ombro como apoio.

— Patologia? Eu preciso tirar nota máxima em clínica cirúrgica! Tem noção do meu desespero? Eu vou passar a semana acordada pra estudar a matéria! – uma das meninas do grupo também manifestou seu descontentamento, ouvindo o lamento geral.

— Por que a gente escolheu esse curso mesmo? Eu podia tanto ter feito algo mais simples…

— Matsuo que tem sorte… tem um pai na área, ele pode ensinar tudo que precisa antes das provas.

— Meu pai é ortopedista, não tem muito a ver com veterinária!

— Não quis seguir a mesma carreira? – Katsuya pegou o lanche que era compartilhado, passando um pouco para o colega ao lado.

— Não mesmo! Prefiro lidar com animais do que com gente. – a risada e concordância foi geral – Mas já que estamos falando em medicina, eu consegui com meu pai alguns comprimidos pra memória. Alguém quer testar? Preço camarada pros amigos.

— Não, valeu. Eu e o Katsuya testamos energético semana passada. Fiquei sem dormir duas noites e tive que dormir um dia inteiro pra repor. – comentou uma outra aluna, que tinha olheiras para comprovar a tentativa falha.

— Eu dormi o final de semana inteiro. – Katsuya aproveitou o momento pra contar sua frustração – Minha mãe me olhou estranho no café da manhã, como se fosse proibido dormir demais.

— Quero ver ela reclamar quando você tiver seu diploma, sua clínica e uma conta bancária invejável. Vai fazer tudo que o filhinho pedir.

A conversa durou por mais um tempo, até que terminaram de corrigir as questões e decidiram ir embora. Estava ficando tarde e alguns ali trabalhavam no período noturno. Enquanto uns tomaram o rumo do metrô, outros foram para o ponto de ônibus, ainda rindo e conversando pelo caminho.

— Matsuo, esse remédio pra memória funciona mesmo? – Katsuya olhou para um lado da rua, não vendo seu ônibus se aproximar, então se voltando para o amigo.

— Claro que funciona! Você viu minhas notas? Meu pai não ia me deixar usar algo ruim. É garantia de notas boas e memória funcionando totalmente!

— E qual o preço camarada que tinha comentado? Ou talvez você tenha uma amostra grátis pra teste.

— Olha só… está tentando se passar por um homem de negócios… Muito bom, Kurosaki-chan! A questão é: quanto está disposto a pagar?

— Seu mercenário! Eu estou pagando a faculdade sozinho, sabia disso? Meu pai não é médico como o seu! Preciso de um desconto.

— Ok, ok… eu divido com você. – o rapaz revirou um bolso na mochila, retirando uma caixinha de remédios e estendendo uma cartela para o colega – Um comprimido por dia, ok? Ele vai te dar mais energia e melhorar a concentração, então vai conseguir estudar um longo tempo sem se cansar.

— É exatamente disso que estou precisando!

* * *

Katsuya entrou cantarolando em casa, subindo a escada para seu quarto de dois em dois degraus. Sentia-se mais motivado e cheio de energia. O remédio que o amigo havia compartilhado estava fazendo um efeito incrível! Não sentia sono, então conseguia estudar horas a fio; não tinha problemas para acordar cedo e muito menos para focar a atenção na explicação das matérias. Claro que não entendia tudo de primeira, mas o fato de conseguir se concentrar já era um ponto a favor.

A melodia parou junto com seus passos no batente da porta, o olhar pousando no homem sentado em sua cama.

— O que está fazendo aqui?

— O que é isso aqui, Katsuya? – Mikaru ergueu duas caixinhas de remédio, vendo o namorado arregalar os olhos.

— Estava mexendo nas minhas coisas?! – o rapaz se aproximou rapidamente, pegando as cartelas de volta, guardando-as no bolso da calça – Você não tem o direito de fazer isso!

— Tive autorização de pessoas preocupadas com você. Vai me contar o que é? Ou a quanto tempo vem usando?

— Você fala como se eu estivesse fazendo algo errado. Isso não é da sua conta.

— Parece que para seus pais e sua irmã é da minha conta sim. Eles me pediram para falar com você.

— Não tenho nada para falar com você. Eu disse que queria um tempo! Meus pais podem conversar comigo eles mesmos se precisarem.

— Certeza? – Mikaru o encarou num misto de pena e cansaço, suspirando fundo antes de continuar – Parece que andam tentando, mas você fica trancado por aqui, estudando o tempo inteiro e pedindo pra ninguém te atrapalhar.

— Eles sabem que estou em semana de prova. Como querem que eu me saia bem sem estudar? O curso não é fácil!

— Suas notas deviam ter aumentado ao invés de cair, já que está se esforçando tanto. Isso é efeito colateral do remédio, sabia?

— Andou mexendo na minha gaveta também? – Katsuya se moveu, na intenção de conferir o móvel, mas as provas em questão estavam em cima da mesa de estudos.

— Seu estresse é outro efeito. Quem te conhece sabe o quanto você é uma pessoa tranquila e agora está brigando porque estou no seu quarto, quando você tem acesso livre à toda minha casa.

— Eu não saio revirando as suas coisas! – Katsuya não queria dar o braço a torcer, mas realmente estava um pouco estressado. Mikaru precisava entender que era por conta da pressão nos estudos. Não tinha nada a ver com os comprimidos – O que exatamente você quer?

— Uma confissão. Que você está usando remédios sem indicação médica, que eles estão atrapalhando sua vida e sua relação com as pessoas à sua volta. Se quiser me passar o nome de quem te deu os comprimidos, ficaria grato. E, por fim, quero te ajudar a sair dessa situação.

— Eu não quero sua ajuda! E não estou em situação nenhuma. Não fico xeretando suas coisas e gostaria que não mexesse nas minhas também.

— Tudo bem, mas aceite a ajuda de sua família. Eles estão preocupados.

— Por que está agindo como se eu fosse uma criança fazendo algo errado? Eu já posso decidir as coisas por mim mesmo!

— Está tendo muito sucesso em provar isso.

Mikaru soltou o comentário em tom leve, mas Katsuya parecia ter levado na zombaria. Encarou-o com raiva, abrindo a porta com força e apontando para fora.

— Não quero ouvir sermão de um ex-suicida.

Mikaru não precisou de um segundo convite para se retirar.

Notas finais
Leitores fantasmas, se vocês existem, deem um sinal! Porque o visualizador de acesso está me deixando bem feliz... ou será que é a mesma pessoa abrindo a história pra ler várias vezes? Ou sou eu olhando pra ver se tem leitor novo... mistérios... Vejo vocês na próxima semana (talvez...) ^^