Utopia

10 Capítulo 10


Notas iniciais
Queria expressar minha revolta por demorar mais do que os 15 dias de prazo pra postar e não receber nenhuma ameaça ou pedido pela continuação, mas deixa quieto XD E que venha a treta!!! Tema usado: Romance que termina em tragédia / Retrate o rancor

— Não acredito que ele falou aquilo pra mim… O que eu fiz pra merecer esse tratamento?

— Ele foi cruel. Está fora de controle e perdeu noção do que fala. – Takeo estava sentado no sofá com Mikaru deitado em seu colo, dispensando-lhe um carinho nos fios claros – Você não fez nada de errado e ainda tentou ajudar.

— Por que essas coisas só acontecem comigo? – o empresário questionou em tom baixo e choroso.

— Hei, não é só com você. Eu também já passei por situações complicadas no namoro. Hayato já bebeu muito, a ponto de vir pra cima de mim. Não sou santo também e sei que já o machuquei demais, principalmente por conta das brincadeiras ou por deixar você por perto. É o mesmo caso com Katsuya. Ele não está em seu juízo perfeito, apesar que acho essa imagem dele de calmaria um pouco forçada.

— Acha que ele sempre escondeu essa personalidade? Que finge ser o que não é? – Mikaru encarou o amigo com um misto de medo e curiosidade. Definitivamente, ele não tinha sorte no amor.

— Não é bem fingir… é só que ele é tranquilo demais, age como se nada o incomodasse. Pode ser que ele realmente seja assim, mas imagino que ele absorve muito e também se contém. Agora que está com uma válvula de escape que o deixa com a cabeça mais leve que o normal, ele está deixando esse lado a mostra.

— Eu só me envolvo com pessoas problemáticas… – virou-se no colo do amigo, brincando com a barra de sua camiseta.

— Hei, você já se envolveu comigo, lembra?

— Não estou falando de você, Shiro. – o tom manhoso arrancou uma risada de Takeo, que tratou de secar-lhe o rosto – Se não fosse por você, eu nunca teria descoberto o que estava acontecendo com ele. Nem Izumi notou as diferenças que você me apontou.

— Hayato nunca se envolveu com esse tipo de gente. Ele estava mais focado em fazer papel de mediador entre vocês dois. Eu posso não conversar muito com Katsuya, mas ele sempre foi educado perto de mim e naquele dia falou tudo que tinha vontade. Foi aí que notei algo errado; os pequenos tremores, as pupilas, algumas coisas desconexas que ele disse.

— Mas isso não justifica o que ele falou. Ele realmente teve intenção de me magoar. Sabia que aquilo ia atingir em cheio.

— Você estava com todos os argumentos contra ele, tinha provas do que ele fez de errado. Katsuya ficou com medo e revidou com o que tinha em mãos, tirou o foco do problema de cima dele pra fazer você se sentir mal. Mas pel-

— Cheguei. – Hayato adentrou a sala, parando seu caminho ao notar a cena que o namorado se encontrava: Mikaru deitado de costas em seu colo, recebendo um carinho nos cabelos, a outra mão de Takeo pousada em seu ombro e aquele olhar compreensivo e carinhoso que achou ser dispensado apenas para si – Ah, desculpe. Não queria atrapalhar o casal. – o vocalista não fez questão de esconder o tom ácido, não perdendo mais nenhum segundo ali, tomando o caminho para o quarto.

* * *

Takeo entrou no quarto que dividia com o namorado, levando uma barra de chocolate numa mão e uma toalha branca na outra, balançando-a no alto da cabeça.

— Vim em missão de paz!

— Não quero falar com você. – por sorte a mira de Hayato não era boa e a almofada foi parar a alguns passos dos pés de Takeo.

— Hei… não sei o que está imaginando, mas sou inocente, ok?

— Não estou imaginando nada, Takeo. Estou me baseando no que vi. – Hayato remexeu incomodado na cama, ameaçando jogar outra almofada quando o namorado aproximou um passo – Há alguns dias Katsuya apareceu aqui, acusando você de ser amante do Mikaru e eu te defendi! Agora você me aparece com ele no seu colo?

— Oferecer o colo para um amigo é traição?

— Ficar acariciando ele entraria na minha lista de indícios de traição. Recebê-lo aqui quando eu não estou também. Qual o problema em ficar cada um em um sofá ou pelo menos sentados de frente para o outro?

— Hei, você recebe o Katsuya por aqui quando eu não estou!

— Mas ele não fica no meu colo! Ele mal senta do meu lado, Takeo!

— Só porque eu não vi não quer dizer que não aconteceu…

Hayato pareceu ficar possesso com a resposta, levantando-se da cama e caminhando furioso na direção do namorado, apontando o dedo em sua direção.

— Se você soubesse o quanto estou furioso pelo que você fez… Katsuya insinuou que vocês eram amantes e eu fiquei do seu lado! É assim que você responde à minha confiança? Levando tudo na brincadeira, me fazendo ter dúvidas, me deixando paranóico com essa história toda?!

— Eu já te disse que o amante e o oficial são a mesma pessoa, Hayato. Não tem ninguém mais.

— Quer que eu acredite nisso depois do que vi na sala? Como eu posso te levar a sério desse jeito? Eu quero confiar, mas você não ajuda!

— Ok, vamos inverter. Se coloque no meu lugar. E se fosse seu primo pedindo colo? Ia negar?

— Mas ele é família. Não é a mesma coisa.

— E se fosse a sua irmã me pedindo colo? Se você não estivesse e ela precisasse desabafar com alguém. Eu devia negar? Ela é minha família também, mesmo não tendo o mesmo sangue. Assim como seu primo e o Mikaru também. Eu gosto dos três da mesma forma.

Hayato cogitou responder, mas parou no mesmo instante, suspirando frustrado. Aquilo tinha lógica. Takeo entregou-lhe o chocolate, colocando uma mão em cada lado de seu rosto, encarando-o nos olhos.

— Eles são irmãozinhos pra mim, Hayato. Você é o oficial e o amante, namorado, noivo, como quiser chamar. Mas é o único. Entendeu? Mesmo que pareça que estou brincando, eu estou falando sério.

— Hmm… mas você já namorou com um desses irmãozinhos… – Hayato achava que Takeo podia ser muito fofo algumas vezes, mas a vontade de bater nele permanecia, por provocá-lo daquela forma.

— Eu mal tinha quinze anos! – Takeo encarou-o incrédulo, sem acreditar que o namorado estava remexendo no passado atrás de provas – Nós éramos praticamente crianças, Hayato! Nem chegamos a transar!

Hayato desviou o olhar para o chão, pegando a almofada que havia jogado, entregando nas mãos de Takeo, junto com o chocolate.

— Eu não quero saber dos detalhes da sua antiga relação com o Mikaru.

— Mas… Eu sou inocente!

— Pode até ser, Takeo. Mas você brinca, dá corda, alimenta esperança e não faz muito esforço pra desmentir. Pode não ter rolado sexo, mas nada garante que não tenha criado sentimentos. Ainda estou chateado com você. Nada de beijos, abraços, sexo ou dormir na mesma cama até que eu decida o contrário, entendeu?

— Tudo bem… – Takeo suspirou frustrado, se afastando um pouco. Estava recebendo o que merecia, por todas as brincadeiras que fez sem pensar nas consequências – Não vai me pedir um tempo também, vai?

— … não, não vou.

Aquela pausa magoou mais do que toda a briga anterior, mas Takeo preferiu não revidar.

— Sinto muito…

— É um pouco tarde pra tentar se desculpar.

— Ok… vou estar no quarto de hóspedes, se precisar de qualquer coisa…

Takeo pensou em comentar a respeito do que descobriu sobre Katsuya, mas o namorado não parecia muito interessado em qualquer coisa que se relacionasse a Mikaru. Mais cedo ou mais tarde, quando estivesse mais calmo, Hayato ia tentar falar com o garoto e descobriria por ele mesmo o que aconteceu.

Notas finais
Façam uma autora feliz! Ou estou pedindo demais? Até a próxima!