Utopia

2 Capítulo 2


BY: L. L.

Numa certa noite de abril, meu pai chegou tarde do trabalho e disse que precisávamos de mais ingredientes para fazer poções.

- E aonde vamos comprar? No Beco Diagonal? – disse meu irmão.

- Não, não, filho. Há essa hora já deve está tudo fechado.

- E aonde, então? – falei, vestindo meu casaco.

- Vamos procurar na floresta algumas coisas desta lista. Nosso estoque já está bem limitado.

- Me deixa ver a lista? – disse logo tomando das mãos do meu pai – Raiz de asfódelo em pó para colocar em uma infusão de losna, bezoar, acônito licoctono, acônito lapelo, repelente para lesmas carnívoras, mandrágoras... Pai, pra que isso tudo?

- Ora! Pra fazer poção polissuco, poção do sono, poção do envelhecimento, poção do morto-vivo, veritasserum, amortencia, Felix felicis...

- Espera aí! Nós vamos entrar na floresta agora de noite? – perguntou meu irmão em prantos.

- Pai! É perigoso! Lá dentro tem... lobisomens! – eu disse cautelosamente.

- Tem mais do que isso lá dentro, se vocês querem saber.

Resolvemos ir a pé. No caminho, meu pai questionou:

- E então, os boatos são mesmo verdadeiros?

- Receio que sim, pai. Os bons e os maus.

- Do que vocês estão falando? – indagou meu irmão.

- Daquela família de vampiros de que veio morar por aqui, Lucas. Se toca! – respondi sussurrando.

- Não quero nenhum dos dois se metendo com eles. Estão me ouvindo?

- Ah, claro! Fala isso pra Luna, pai!

- Como assim?

- Ela fez amizade com dois deles.

- Luna Maria Lovegood!? – Sr. Thiago parou de caminhar e ficou me olhando horrorizado.

- Ei! Eu não fiz amizade com eles. Só conversei com alguns deles!

Continuamos a andar em silencio. Alguns minutos se passaram e meu pai começou a falar estupefato:

- Hoje eu conheci o Sr. Nicolas Flamel.

- Quem? – eu e Lucas falamos juntos.

- Nicolas Flamel. É um famoso alquimista que, no mês passado, comemorou seu aniversário de seiscentos e sessenta e cinco anos!

- Quanto? – eu e Lucas falamos juntos de novo.

- É porque ele possui a única pedra filosofal que existe atualmente.

- A o quê? – eu e Lucas falamos juntos novamente, ainda surpresos.

- A pedra filosofal! É uma substancia lendária com poderes fantásticos. Pode transformar qualquer metal em ouro puro e produzir o elixir da vida, que torna quem o bebe imortal!

- Imortal? – dessa vez apenas meu irmão perguntou.

- É... Significa que não morre. – respondi o óbvio.

- Eu sei muito bem o que quer dizer imortal, Luna! – ele retrucou.

- Por favor, os dois, parem de brigar! Parecem duas crianças!

- Pai... Está muito escuro aqui. Não dá pra ver nada com toda essa névoa! – eu disse tropeçando nas raízes das árvores, pela trilha.

Então meu pai tirou sua varinha de dentro do casaco e apontou pra cima.

- Lumus!

Uma faísca branca surgiu na ponta de sua varinha, iluminando como uma lanterna ao nosso redor. Rapidamente Lucas olhou abismado pro seu ombro e começou a gritar:

- Aaahhh... Uma tarântula gigante! Sai, sai, sai...

Foi a cena mais hilária que eu já vira em toda minha vida. Eu me acabei de tanto rir. Ele parecia uma gazela saltitante.

- Silencio vocês dois! Estão fazendo muito barulho! Arania exumai!

Apontou meu pai, raivoso, conjurando um feitiço para repelir aranhas.

Cortamos algumas ervas e plantas da floresta e depois voltamos pra casa.

Na manhã seguinte, uma coruja branquinha como a neve trouxe do Ministério da Magia o jornal bruxo – o Profeta Diário. Estava enrolado nas suas garras e deixou no tapete, na porta de entrada da casa. Como de costume, desci até o andar de baixo e fui buscar o jornal.

- Ei, pai! Olha só quem está na primeira página do Profeta Diário: Guilherme Lockhart!

- Aquele escritor mentiroso? Deixe-me ver!

Meu pai correu da mesa com a xícara de café na mão e me tomou o jornal.

- Aqui diz que ele vai dar hoje uma tarde de autógrafos na livraria Floreios e Borrões, no Beco Diagonal, para estrelar o seu mais novo sucesso: “O meu eu mágico!” Ah, me poupe! Todo mundo sabe que tudo o que esse falsário escreve em seus livros são uma calúnia!

- Eu posso ir? – eu disse toda agitada. Meu pai me olhou duro. — Ahn... Eu acho que isso quer dizer um não.

- Eu ainda não me esqueci do seu castigo de semana passada, mocinha!

- Grrrr... Ok, pai!

Voltei ao meu quarto para terminar de me arrumar pro colégio. Vesti o uniforme sem graça: camisa branca e gravata com as cores da escola, saia e meia-calça preta. Sem esquecer-se do casaco que também é ridículo.

Coloquei meu colar de lua no pescoço, minha pulseirinha dourada da amizade (eu, Bárbara, Sophia e Deborah temos cada uma de nós uma pulseira dessas) e meu brinco de argolas. Maquiei-me, ajeitei meu cabelo, repartindo-o no meio e separando a franja pra formar camadas (estou deixando-a crescer) e prendi duas fivelinhas, uma em cada lado. E como eu gosto de dizer: fiquei fofa!

BY: E. C.

De três coisas eu estava certo:

Primeiro: Luna era uma feiticeira.

Segundo: Eu estou morto de sede pelo seu sangue.

E terceiro: Eu estou perdidamente apaixonado por ela.

Ela possui qualidades que eu admiro num ser humano: determinação, criatividade e um certo desprezo pelas regras.

BY: L. L.

Hoje na escola eu tinha educação física. Eu e algumas garotas somos líderes de torcida, então tínhamos que treinar bastante. Chamamos o Samuel e o Diego para segurar eu e Sophia quando dermos uma pirueta no ar. Primeiro foi a Sophia. Os dois garotos esticaram os braços e ela caiu de costas, deitada nos braços deles. Perfeito! Depois foi a minha vez. Só que quando eu fui cair de costas, algo inesperado aconteceu: o retardado do Samuel se esqueceu de esticar os braços pra me segurar e eu acabei estabacando no chão. E ainda por cima quebrei o meu braço esquerdo. Comecei a gritar de tanta dor. Sophia, Bárbara e Deborah se revoltaram e começaram a montar barraco. Samuel recebeu um tapa na cara de cada uma. O professor de vôlei veio correndo e me colocou nos braços pra me levar a enfermaria da escola. Minhas amigas me acompanharam até a sala de enfermagem. O professor de vôlei me deixou sentada num sofá de couro laranja e então eu pude limpar a maquiagem. Deborah me passou um lenço de papel. Mas elas tinham que voltar pra quadra, então foram embora. Poucos segundos depois Alice entrou na sala desesperada.

- Querida, você esta bem?

- Eu já estou bem. A dor já esta passando... Mas você não deveria estar fazendo educação física?

Ela rolou os olhos. Alguns minutos depois, chegou um médico do hospital da cidade: Dr. Cullen (o homem mais lindo que eu já vi na minha vida).

- Com licença, devia ter me chamado logo. Ela poderia até ter fraturado o osso, sabia? – ele disse tão rápido e tão baixo que eu quase não consegui entender.

- O chamei assim que vi. – Alice ficou do meu lado.

Então doutor Cullen tirou da bolsa médica um potinho que tinha um pó branco e misturou um pouco dentro dum copo com água.

- Beba. – ele ordenou me entregando o copo.

Assim que eu coloquei na boca, cuspi longe. Parecia uma chuva de água branca. Os dois riram. Era amargo demais!

- O que diabo é isso? – perguntei fazendo uma careta e limpando a boca.

- Ora, o que esperava? Agora me deixe ver esse braçinho. – mesmo com as luvas, senti suas mãos tão gélidas como na outra vez. – Oh-oh! Vamos ter que enfaixar isso!

Ele falou já pressentindo que eu iria fazer outra careta. Alice deixou o doutor trabalhar e voltou para onde ela tinha saído, seja lá onde ela estava antes. Enquanto doutor Cullen enfaixava meu braço com delicadeza, eu estava pensativa. Acho que ele percebeu, porque me perguntou de repente:

- Sinto que algo está perturbando você, estou certo? Tem alguma coisa que queira me contar?

Como ele sabia? Sim, eu queria lhe fazer um monte de perguntas. Mas quando eu ia abrir a boca pra falar, olhei pra baixo e refleti por uns longos segundos. Depois olhei pra ele de novo e apenas neguei com a cabeça, agradecida. Ele com certeza notou que eu iria falar algo.

- Muito bem, pode ir. – ele disse terminando seu trabalho e então colocou a mão no meu ombro. – Mas lembre-se disso: não são nossas habilidades que mostram o que realmente somos. São nossas escolhas!

Fiquei olhando pra ele assustada e ele sorriu pra mim amorosamente como um pai dando um conselho pra uma filha. Então falei já me levantando do sofá da enfermagem.

- Ahn... Obrigada doutor Cullen... Tenha um bom dia também...

- De nada, querida.

Saí da sala de enfermagem meio atordoada.

- Luna, você esta bem? – meu irmão estava no corredor e quase me derrubou no chão.

- Calma, eu estou bem.

- Temos que ir. Eu vou cuidar disso! – Lucas falou, já que educação física era a última aula mesmo.

Dentro do seu carro, meu irmão apontou sua varinha pro meu braço:

- Brackium emendo!

Nem precisei usar mais aquela faixa.

BY: E. C.

Freqüentemente estou indo vê-la de madrugada. Fico inalando seu alucinador e apetitoso odor. Quando escalei até seu quarto e entrei pela janela, vi em cima da cômoda ao lado de sua cama uma caderneta de capa preta. Provavelmente era mais um daqueles seus livros sobre feitiçaria. Mas não havia título. Ao lado da caderneta tinha um potinho com tinta e uma pena de escrever. Nossa... Mas aquilo devia ser muito antigo! Peguei a caderneta, o potinho com tinta e a pena e os levei até uma mesa de estudos que havia no quarto, ao lado do notebook. Abri o suposto livro, mas suas folhas estavam completamente vazias, sem nada escrito! Quis testar a pena de escrever, pois me fez lembrar-se dos meus tempos antigos. Folheei em uma página branca qualquer, molhei a ponta da pena no tinteiro e quando eu ia testar, pingou-se uma gota de tinta na folha e a mancha desapareceu sem deixar vestígios. Fiquei pasmo! Virei a página do outro lado e ela estava branca, assim como as outras. Será que esse livro era mágico?

Resolvi testar novamente. Bem no meio da folha escrevi:

Meu nome é Eduardo Cullen.

Quando terminei a frase, ela também sumiu. De repente, surgiu do nada na mesma página outra frase:

Olá, Eduardo Cullen. Eu sou o diário de Luna Maria Lovegood.

E se fez desaparecer no papel. Diário? Então era um diário enfeitiçado? Molhei novamente a pena no tinteiro, ainda constrangido, e continuei a escrever:

Você sabe de algum segredo importante?

A pergunta desapareceu de novo e logo o diário respondeu.

Sim.

Eu estava completamente curioso.

Você pode me contar?

Ele demorou um pouco, mas umas letrinhas escritas começaram a surgir.

Não... Mas eu posso te mostrar. Deixe- me levá-lo á algum tempo atrás.

Não entendi a resposta. De repente comecei a me sentir estranho e uma luz muito forte apareceu no meio do diário. Depois disso não me lembro mais do que aconteceu.

Estava de dia e eu estava no porão da casa de Luna. Ela estava com seu irmão e por incrível que pareça, eles não conseguiam me ver. Era como se eu não estivesse presente. Eles estavam brigando por alguma coisa. E então, o irmão dela apontou uma varinha pros pés dela e gritou irritado:

- Serpensortia!

Era como se no ar aparecesse uma cobra.

- Pára Lucas! Que brincadeira mais estúpida! Você sabe que eu não gosto disso! – ela gritou.

Então, seu irmão começou a falar umas coisas estranhas, uma língua diferente. A cobra se rastejou com a intenção de atacar Luna. Eu não pude fazer nada, pois não conseguia tocar nas coisas. E ela gritava desesperada, com medo da serpente, que avançava em sua direção. Seu irmão parecia estar hipnotizado, parecia estar atiçando aquela cobra para atacá-la. Daí ela tirou sua varinha mágica do bolso de trás da calça e apontou pra cobra, que se queimou da cauda até a cabeça.

- Vispera evanesca!

A serpente virou cinzas. Seu irmão saiu do estado de transe e começou a rir.

- Seu idiota! Porque você fez isso? Eu te odeio, sabia? – Luna avançou no irmão e começou a dar-lhe tapas fracos, com raiva.

- Eu só queria te dar um susto! Você viu só a sua cara? – e Lucas continuava a debochar da irmã, como se aquilo fosse absolutamente normal.

Num piscar de olhos, eu já estava de volta ao quarto, sentado na cadeira junto á mesa de estudos. Uma mão atrás de mim fechou enfurecidamente o diário, que estava intacto, á minha frente. Quando me virei, Luna estava ao meu lado, de pé.

- Não é legal mexer no diário de uma garota, sabia?

Eu ainda estava meio atordoado. Ela pegou o diário e o levou para guardar dentro de uma gaveta na cômoda. Em um único segundo, corri rapidamente até ela.

- O que foi tudo isso?

- Eu é que pergunto? – ela foi logo se voltando para a cama.

Minha cabeça estava rodando de perguntas. Ela se sentou, cruzando as pernas.

- Seu irmão sabe falar com as cobras?

Ela já estava mais calma e respondeu com um pouco de sono.

- Lucas é ofidioglota!

- Ofi o quê?

- Ofidioglota! Sabe falar e atiçar serpentes.

- E aquele diário? É mágico? Como eu fui parar...

- Eduardo... Algum dia eu prometo que explico tudo com calma. Mas eu estou morrendo de sono e você não devia estar aqui.

- Tudo bem. Eu já estou indo. Mas você vai me explicar tudo no colégio.

Ela suspirou. Então pulei pela janela e fui pra casa.

Essa garota cheia de mistérios... Estou começando a ficar alucinado por ela! Pelos seus segredos... Pelo seu cheiro... Por ela ser a única pessoa que até hoje não consegui ler sua mente... Pelos seus grandes olhos azul-arroxeados...

BY: L. L.

Sábado á noite. Oba! Finalmente o castigo já passou e eu poderia sair para uma danceteria com minhas amigas.

- Luna Lovegood! – meu pai berrou lá de baixo, na sala.

Desci as escadas e meu pai estava nervoso, ajeitando os botões da camisa.

- Os senhores Maison estarão aqui em poucos minutos e você e Lucas...

- Estaremos no quarto, sem fazer barulho, fingindo que estamos dormindo.

- Exatamente! Como duas crianças normais.

- Pai! Não somos mais crianças!

Ele ignorou a minha resposta súbita.

- Com sorte, hoje fecharei um acordo e nada poderá dar errado!

A campainha tocou e então subi pro meu quarto, pra me arrumar pra balada.

Lucas estava com raiva, porque não iria pra boate. Ia ficar em casa. Afinal, era um encontro só de garotas.

Como ele é teimoso, começou a tramar alguma coisa para que eu não fosse. Mas Lucas é tão desajeitado e boboca que se você perguntar qual é a função de um patinho de borracha, ele vai ficar horas refletindo. É o desastre total da família!

Uma vez ele tentou transformar água em run com sua varinha e a poção acabou explodindo na cara dele.

Ele já estava no meu quarto pegando escondido o meu colar com pingente de lua. Ele sabe que eu não saio de casa sem esse colar.

- Lucas, o que você está fazendo? – eu sussurrei com ódio, para ninguém do andar de baixo escutar.

- Você não vai praquela boate não, senhorita! – ele falou alto de propósito.

Da sala, ouvi meu pai dizer pros convidados:

- Hahaha – ele deu um risinho falso – Com licença. Volto em um instante.

Lucas se escondeu no meu closet e meu pai entrou no meu quarto, frustrado.

- O que está acontecendo aqui? Estragou minha piada do golfista japonês!

- Me desculpe.

- Não quero escutar nem mais um pio! Ouviu bem? – e desceu novamente.

Corri pro closet, pra matar o Lucas.

- Seu idiota! Me dá isso agora!

Ele começou a rir.

- Luna, não vou deixá-la ir sozinha pra um lugar desses! Sou seu irmão mais velho! As pessoas de lá bebem muito, usam drogas e... Enfim, você não vai!

- Mais que droga! Passa o meu colar, por favor!

Ele correu em disparada pra fora do meu quarto e começou a descer as escadas nas pontas dos pés. Fui bufando de raiva atrás dele. Ele parou na entrada da sala. Eu fiquei a uns cinco metros de distancia dele. Já quase sem ar, sussurrei irada:

- Lucas! Venha aqui agora!

Os convidados estavam sentados no sofá da sala, virados de costas pra entrada. Meu pai estava tão concentrado na conversa que nem reparou que estávamos por perto. Lucas olhou pro bolo que estava em cima da mesa de jantar e depois olhou pra mim, com um sorrisinho malvado no rosto. Eu sabia as suas intenções. Então ele puxou sua varinha de dentro do bolso da calça e apontou pro bolo, que deliberadamente levitou pra cima.

- Vingardium leviosa!

- Lucas, por favor, não!

- Eu tenho que fazer isso, irmãzinha. Pra sua própria reputação!

Daí fez o bolo levitar pela sala até a cabeça de um dos senhores. Empurrei o estúpido do meu irmão e andei devagar pela sala, para os convidados não perceberem que tem um bolo voando pela casa. Estiquei os meus braços pra tentar pegar a torta antes que acontecesse uma tragédia. Meu pai parou de conversar e olhou pra mim, abismado. Mas Lucas foi mais rápido: abaixou a varinha e o bolo caiu em cima da cabeça dos senhores Maison. Eles se viraram e olharam pra mim, assustados.

Pensaram o óbvio: que eu joguei de propósito a torta na cabeça deles. Meu pai também pensou isso. Eu estava encrencada e não sabia o que fazer. Corri pro quarto do meu irmão pra tentar matá-lo, algo que eu já deveria ter feito antes.

- Viu só o que você fez seu retardado! Cara-de-lesma! – conjurei um feitiço que faz a pessoa vomitar lesmas por uma hora.

Mas ele foi mais rápido novamente e apontou com sua varinha na minha direção antes que eu terminasse de dizer a palavra “lesma”:

- Rictusempra! – com sua varinha apontada pra minha barriga, caí no chão de tanto rir de cócegas.

Ele também se bolava no chão de tanto rir, só que da minha cara.

Ergui minha varinha na direção da varinha que estava na mão dele e o impedi de prosseguir:

- Impedimenta! – ninguém gosta de rir forçado não é mesmo?

Ainda mais quando você está fervilhando de raiva do seu irmão mais velho. Assim que os convidados foram embora, desejei ter nascido filha única. Evidentemente eu fiquei de castigo, por mais uma semana. Liguei pra Deborah, pra ela avisar á Bárbara e Sophia que eu não iria mais.

BY: A. C.

Estou começando a ficar preocupada com Eduardo. Ele está obcecado por Luna. Sei que ela é uma feiticeira, e isso é fantástico! Mas ela é humana! Nós vampiros não podemos nos relacionar com humanos. É perigoso demais! Pois um é a caça e o outro o caçador!

Eduardo está sozinho há quase um século. Ele sempre foi o mais reservado da família. Temo que ele não consiga se controlar e acabe atacando ela. Eu consigo segurar meu instinto perto dela. Mas e Eduardo? Por quanto tempo ele vai agüentar?

Nós, vampiros, não temos hormônios.

Não precisamos respirar porque o sangue já contém oxigênio.

Não precisamos comer porque o sangue já possui todas as vitaminas, proteínas e minerais necessários para a sobrevivência de nossa espécie.

Não precisamos beber água porque o sangue é mais de 50% composto por água.

E o cheiro de Luna deixa Eduardo a desejar. Ela tem um cheiro floral e doce. E isso é bom... Para nós.

Nossa família não caça humanos. Tentamos controlar nossa sede usufruindo apenas de sangue de animais. Tentamos.

Os vampiros são com uma flor carnívora: atraímos nossas presas através de nossas qualidades sobrenaturais. Além de termos a pele pálida e dura como mármore, em torno de 16°C, saímos do sul da Argentina e viemos morar em Forks – Rio Grande do Sul – Brasil, porque aqui é o lugar mais chuvoso (e nublado) do país. Modéstia á parte, fica em cima das montanhas.

Moramos dentro da floresta, numa casa confortavelmente grande. Os imensos pinheiros ajudam a nos proteger dos dias claros. Fugir de crucifixos, de água-benta e alho são apenas mitos. Esqueça!

BY: L. L.

Em pleno domingo, tive que acordar ás nove da manhã para visitar você-sabe-quem. Quando éramos crianças, antes de nossa mãe morrer, eu sempre fui a filha boazinha e Lara a rebelde. Até hoje é assim. Quer dizer, mais ou menos.

E hoje no instituto psiquiátrico seu humor estava péssimo! Ela diz que ouvi vozes de um fantasma, seu amigo oculto. Lucas preferiu ficar em casa mesmo.

Quando eu e meu pai chegamos, ela estava surtando, gritando e dois médicos seguravam-na para lhe sedar. Coitada...

Sinto tanta saudade dos tempos de infância, quando mamãe ainda era viva... Costumávamos brincar e correr pelos parques, entre os grandes carvalhos, sem ter medo do futuro. Tempos que não voltam mais...

O ar cortante do fim de abril me fez aumentar ainda mais o aquecedor do chuveiro naquela manhã de segunda. Na lanchonete do colégio, o Samuel Finnigan – o brincalhão – estava quase me babando, totalmente inclinado na minha direção, o que deixou Sophia um pouco enciumada. Daí o Diego Thomas – o moreno – chegou por trás, deu um beijo na minha bochecha e puxou a cadeira do Samuel, que caiu de bunda no chão. Muita gente riu do mico que ele pagou. Então ele saiu correndo atrás do Diego, deixando (finalmente!) eu, a Sophia, a Bárbara e a Deborah sozinhas.

Sabe como é... Papo de garotas.

Deborah começou a falar de um garoto que ela havia conhecido num dia:

-... Daí eu dei o número do meu celular pra ele. – ela contou toda animada.

- E aí? Vocês se beijaram? – Sophia perguntou já a interrompendo.

- Sophia! Essas coisas não acontecem assim desse jeito! – eu indaguei.

- Ai, Luna. Como você é tão antiga! – ela reclamou.

- Ai, Sophia. Como você é tão oferecida! – eu descontei.

- Ei, ei, ei! Vamos parar com essa discussão? – Bárbara indagou.

Logo ela que adora um barraco.

Sophia ficou me encarando, emburrada. Já que faltavam apenas um minutinho pra tocar para a próxima aula, resolvi me levantar e ir até o meu armário, pegar meu livro. Não gosto de brigar com a Sophia, mas tem vezes que ela me irrita. Levei meu livro e meu fichário até a sala de aula. Eduardo Cullen já estava sentado no seu lugar, ao meu lado, batucando na capa do caderno á toa. O cabelo cor de bronze dele estava pingando de tão molhado, por causa da chuva, desgrenhado – parecia que ele havia acabado de gravar um comercial de gel para cabelos. O professor de história entrou na sala empurrando um suporte alto de metal sobre rodas que sustentava um projetor digital de vídeo e um DVD player. A turma toda se animou. Ele ligou o projetor para exibir o filme na lousa branca e andou até o outro lado da sala para apagar as luzes. E então, quando a sala ficou escura, senti Eduardo do meu lado, a menos de uma polegada de mim. Os créditos de abertura começaram, iluminando um pouco a sala. Uma corrente elétrica passou pelo meu corpo só de reparar os olhos dele me fitando. Eu não conseguia me concentrar no filme – eu nem sabia ao menos sobre qual era o assunto. O vídeo mostrava uma guerra sangrenta que se passava séculos atrás. Os minutos pareciam muito longos, então eu cruzei meus braços sobre o livro e deitei minha cabeça, com vontade de dormir. Eu suspirei de alívio quando o professor ascendeu novamente as luzes no fim da aula, e estiquei meus braços em frente a mim, flexionando meus dedos. Eu me permitir virar e olhar para Eduardo. Seu rosto estonteante mostrava um sorriso travesso nos seus lábios indefectíveis. Vou ter que me acostumar á beleza inumana dele. Ele era tão lindo... e inteligente... e perfeito!

Definitivamente, ele era lindo de morrer. Literalmente de morrer mesmo.

Sei que é preciso ter muita coragem para enfrentar os inimigos. Mas é preciso ter mais coragem ainda para enfrentar os amigos. Bom... Dependendo do tipo de amigo.