Utopia
3 Capítulo 3
BY: L. L.
Na manhã seguinte – maio, encontrei Sr. Thiago Lovegood tomando seu café-da-manhã na mesa, lendo o jornal bruxo – O Profeta Diário.
- Quem é? Esse homem? – disse apontando pra primeira página do jornal, quando puxei uma cadeira para se sentar.
A capa mostrava um feiticeiro que fugiu da prisão de Azkaban.
- Esse homem? É Raul J. Lupin, o próprio! Ele é um assassino. Ficou preso em Azkaban por causa disso.
- E como ele fugiu? – perguntei curiosa.
- Bem, essa é a questão. Foi o primeiro a conseguir. – meu pai falou ríspido, girando um dedo em torno da colher de café, que ia rodando sem tocar nela.
Algum dia ainda vou aprender como se faz isso. Descendo escada abaixo, minha gata Madame Nora corria atrás do rato do meu irmão. Madame Nora saltou nos meus braços e Lucas apanhou Perebas do chão, enraivecido.
- Estou avisando, Luna! Deixe essa fera longe do Perebas ou ela vai virar abafador de bule!
- É um gato, Lucas! O que esperava? É da natureza dele.
- Parece mais um porco peludo.
- Essa é demais! Vindo do dono dessa escova de sapato fedorenta! Está tudo bem, Madame Nora. – disse olhando pra minha gata e amaciando seu pêlo. – Ignore esse garoto malvado!
- Vamos parar com essa briga? – falou meu pai. – Amanhã à tarde iremos visitar um amigo meu que acabou de chegar de viagem. Ele mora naquela nova reserva, dentro da floresta. Ah, e só lembrando: eles são animagos, lobisomens.
Lucas estremeceu.
- Mas não se preocupem. – meu pai continuou. – Eu conheço alguns deles e eles sabem que nós somos feiticeiros!
Primeira aula: primeiro babado do dia. Quase no meio do ano e já temos mais cinco novatos. Parece que foram transferidos de outra escola. Minha terceira aula, antes do intervalo, era de matemática. Busquei o livro no meu armário e fui com a Bárbara para a sala. E para minha santa curiosidade, lá estava um deles, sentado na frente. Ele tinha a pele morena, olhos negros e corpo um pouco forte. Quando a professora fez a chamada, momento pelo qual muitas meninas estavam esperando, descobri que seu nome era Júnior. Muitas fofoquinhas e de repente a vaca da professora me interroga:
- Luna Lovegood! Poderia me dizer por que a variável “x” obteve esse resultado?
Repentinamente todo mundo se virou pra mim, já que eu e Bárbara estávamos sentadas atrás. Mas que droga! Eu nem estava prestando atenção na aula! Respondi a primeira coisa que me veio à cabeça:
- Sei lá... Porque Deus quis?
A sala toda caiu na gargalhada. Tudo bem, eu admito! Eu falei isso de propósito porque eu sou Luna Lovegood, a popular! Até o cara novato também riu. Na lanchonete, ele logo se juntou com a nova galera também. E por incrível que pareça, todos do seu grupo tinham o mesmo tom da pele. Eram todos morenos, fortes e bonitinhos.
BY: E. C.
Antes do amanhecer, fui caçar na floresta com Jonnatah e ele me confessou o que eu já tinha lido na mente dele:
- Eduardo, você não pode pensar em se envolver com uma humana! Ainda mais sendo uma... feiticeira! Se é que isso é mesmo verdade.
- É claro que é verdade! Eu já vi algumas coisas que comprovam que ela é realmente uma feiticeira!
- Mas ela é uma humana socialmente ativa! Conheço esse tipo de gente. Não é flor que se cheire.
- Ah, é sim! – disse sorrindo.
Acho que Jonnatah entendeu a minha piada.
Na lanchonete do colégio, eu e meus irmãos tivemos uma surpresa nada agradável. Cinco dos lobisomens que moram numa reserva dentro da floresta vieram estudar aqui. Reparei que um deles, talvez o mais novo, estava olhando para Luna cheio de interesse. Saímos antes de eles perceberem que estávamos lá. Fomos direto pra biblioteca. Emanuel estava irado. Os lobos são inimigos naturais dos vampiros.
E eu não gostei nada do que vi na mente de um deles. O mais jovem não parava de pensar em Luna. Eu já estava começando a perder a paciência quando finalmente o sinal tocou para minha aula de história.
Num determinado momento, Luna Lovegood se virou pra mim e, um pouco intimidada, perguntou:
- Eduardo, pode me emprestar um lápis?
Não podia negar algo àqueles olhos divinos. Peguei um que estava guardado na mochila e lhe entreguei. Mas, ao invés de usar para escrever, ela o utilizou de outra maneira. Ajeitou seus cabelos com as mãos e, enrolando meu lápis em torno deles, prendeu-o formando um coque. Acompanhei passo-a-passo seus movimentos. Seu cheiro se espalhou no ar, me deixando tonto. Um penteado tão clássico daquele ficou magnífico nela. Quando Luna abaixou os braços, se virou pra mim novamente e disse com seus grandes olhos aluados.
- Não se preocupe! Eu devolvo no fim da aula.
E voltou a copiar o que o professor escrevia na lousa.
BY: L. L.
À noite, em casa, eu estava tão entediada que precisava esfriar a cabeça. Coloquei um casaco e comecei a descer as escadas. Quando eu estava chegando ao final, Lucas correu da cozinha e me abordou:
- Aonde você pensa que vai?
- Vou dar uma volta por aí.
- Você não pode sair de casa numa hora dessas! São mais de oito!
- Ah, é? Vamos ver. Tchau pai! – esbarrei em Lucas e fui direto pra porta.
- Tchau filha! – meu pai disse sem tirar os olhos da TV.
A rua estava deserta. Fui caminhando e quando cheguei a uns dez quarteirões de casa, sentei na beira de uma calçada. Um poste que estava perto de mim começou a piscar. Estava tão frio que na minha boca começou a sair névoa. Dobrei meus joelhos e apertei meus braços. Havia um parquinho atrás da calçada onde eu sentei. Os balanços começaram a se mover sozinhos. Outro brinquedo de ferro começou a girar, respingando a água da chuva por todo lado. O vento também fez a gangorra se mexer. Daí, algo do outro lado da rua estalou. Por dentro de um arbusto, detrás de um banco para se sentar apareceu um lobo. Meu Deus, um lobo! Levantei-me rapidamente e tirei minha varinha do casaco. A luz dos faróis de um carro se aproximando arderam meus olhos. Dei um passo para trás, bati com o tornozelo na calçada, tropecei e caí de bunda no cimento frio. Isso é bem a minha cara. O carro logo parou perto de mim. Mas não era qualquer carro. Eu o reconheci quando ele abaixou o vidro.
- O que você está fazendo aí no chão? – Eduardo perguntou.
- Eu caí! – respondi o óbvio, ainda na calçada.
- E porque caiu?
- Não foi de propósito! – me levantei cética.
- Entra no carro! – ele falou com uma voz autoritária, agora olhando pra frente.
Corri pro banco do passageiro e quase ia caindo de novo, por causa da pista molhada. Percebi que ele riu. Quando entrei no carro, o aquecer estava ligado. Ainda bem, por que eu já estava congelando.
- O que você estava fazendo numa hora dessa fora de casa? – ele me perguntou meio chateado.
- Pra falar a verdade eu não sei...
Eduardo olhou pra mim e deu um sorrisinho. Começou a aumentar a velocidade, chegando a 60 km/h. Coloquei o sinto de segurança rapidamente.
De repente, a rua não estava mais deserta. Uma senhora de idade estava atravessando a pista bem adiante. Eduardo não diminuiu a velocidade. Comecei a ficar nervosa. Ele sorriu. Quando o carro chegou a poucos metros da anciã, que estava andando exatamente no meio da faixa de pedestre, Eduardo num impulso pisou no freio. Voei pra frente e, se não fosse pelo sinto, com certeza eu bateria minha cara no pára-brisa. E ele ainda riu. Reparei que a velhinha era cega porque batia com uma bengala no chão. Enquanto eu olhava chocada a idosa atravessar a rua lentamente, Eduardo começou a contar baixinho:
- Cinco, quatro, três, dois, dois e meio, agora!
A velhinha mal havia chegado ao outro lado da calçada e ele já tinha pisado no acelerador. Quando parou o Volvo bem em frente a minha casa, voei novamente para frente e o sinto me machucou um pouco. Ele puxou o meu ombro e me fez deitar as costas no banco do carro.
BY: E. C.
Seu coração estava batendo tão forte que pude ouvir com clareza.
- Prontinho! Está entregue sã e salva! – eu disse brincando.
- Salva? – ela olhou pra mim incrédula.
- É muito perigoso sair de casa sozinha tarde da noite. Você pode encontrar o que menos se espera...
- Você é louco! – Luna saiu do meu carro e ainda bateu a porta do carro com força.
Estava tão pálida quanto eu. Tremendo de frio. E ela fica tão linda quando está furiosa!
Eu não podia permitir que acontecesse novamente um atrevimento como daquele lobo. Eu tinha que falar com Carlos.
BY: L. L.
Sábado á tarde. Como meu pai tinha combinado de ir á reserva conosco, fomos no carro preto do Lucas, o 4x4. Meu pai foi dirigindo, para desgosto do meu irmão. Seguimos uma trilha pela floresta. Havia poucas casas naquela reserva, umas seis. Algumas delas de pedra. Meu pai bateu na porta de uma casa simples. Um homem moreno, alto, forte e barbudo nos recebeu.
- Crianças, esse é Willian Black! Um velho amigo meu.
Revirei os olhos quando ele disse crianças. O homem nos convidou para entrarmos e sentamos num velho sofá. Os dois adultos começaram a conversar. Sr. Black nos serviu um delicioso suco de abóbora.
Alguns minutos depois entrou na modesta casa um rapaz alto e também moreno.
- Ah, aqui está ele! – disse meu pai, se levantando.
- Cumprimente o Sr. Lovegood, filho! – Sr. Black estufou o peito.
- Muito prazer, Sr. Lovegood! – ele apertou formalmente a mão do meu pai.
- Júnior, porque não leva Lucas e Luna para dar uma volta? Aproveite e mostre a reserva!
Saímos da casa e começamos a caminhar. Para puxar assunto, comecei a falar:
- Então... Júnior, não é? – falei olhando pra ele.
- É... – ele respondeu se virando pra mim, sorrindo.
Lucas logo se posicionou no nosso meio.
- Você tem quantos? Dezessete? – Lucas se intrometeu.
- Eu acabei de fazer dezoito. – Júnior respondeu sem tirar os olhos de mim.
Olhei para baixo.
- E onde vocês estavam esse tempo todo? – meu irmão começou a se empolgar.
- No Egito.
- Egito? Como é lá? – Lucas se exaltou.
- É genial! Muitas coisas antigas tipo múmias, túmulos...
- Sabia que os egípcios veneravam os gatos? – falei olhando para Lucas, pelo fato ocorrido no dia anterior.
- É, assim como os escaravelhos! – ele me respondeu sarcástico.
Os dois riram. Quando fui perceber, já estávamos dentro de um pequeno galpão, cheio de sucatas e peças de carros.
- Então, você constrói carros? – eu perguntei impressionada.
- Só quando eu tenho tempo livre. Você não saberia como eu posso por as mãos num cilindro mestre para um Volkswagen Rabbit 1986, saberia? – Júnior disse brincando.
- Desculpa. – eu sorri. – Eu não tenho visto nenhum ultimamente, mas eu vou manter meus olhos abertos pra você. – como se eu soubesse o que é isso.
Era muito fácil conversar com Júnior. Ele me mostrou um sorriso brilhante, olhando pra mim de um jeito apreciativo que eu estava começando a reconhecer. Eu não fui a única a reparar.
- Você já conhecia Luna, Júnior? – Lucas perguntou num tom que me pareceu insolente.
- Nós temos aula de matemática no mesmo horário. – ele sorriu, olhando pra mim de novo.
O céu estava começando a escurecer. Júnior ascendeu uma lâmpada incandescente para iluminar o pequeno galpão. Tiramos algumas caixas de cima de umas cadeiras para sentarmos. Então ele começou:
- Vocês gostam de histórias assustadoras? – Júnior perguntou obscuramente.
- Eu adoro! – meu irmão fez um esforço pra parecer interessado.
- Conhecem algumas das nossas histórias, sobre de onde viemos?
- Na verdade não. – eu admiti.
- Manda ver! – Lucas pediu.
- Bom, existem muitas lendas. Algumas delas datam da época do Dilúvio. Supostamente alguns de nossos ancestrais amarraram suas canoas nos topos das árvores mais altas da montanha, para se salvarem, como Noé fez com a Arca. Outra lenda diz que nós somos descendentes dos lobos e que os lobos são nosso irmãos. – ele contou astutamente.
- Como vocês conseguem morar dentro da floresta, sabendo que tem um clã de bebedores de sangue por perto? – Lucas falou impaciente, assombrado com o barulho dos grilos.
Júnior suspirou.
- Meu avô fez um trato com eles. Se eles prometessem ficar longe das nossas terras, nós não iremos expor eles pros cara-pálidas. – ele piscou pra mim. – Mas há algumas pessoas na reserva que tentariam me convencer a não falar o que estou prestes a lhes revelar. Contudo, acho que precisam saber dos fatos. Vocês estão correndo perigo! Um grande perigo! – Júnior falou sussurrando, nervoso.
- Isso tem alguma coisa a ver com os Cullens? – Lucas se inclinou um pouco mais pra frente.
- O que vocês sabem sobre os Cullens? – Júnior perguntou de imediato, cruzando os braços.
- Só que eles são vampiros...
- E que se mudaram pra essa região há pouco tempo também. – terminei a frase de Lucas, pois essa conversa estava indo longe demais.
- Eu quero que vocês jurem que, o que quer que vocês ouçam, não se aproximem deles, ok?
- Mas Júnior, — meu irmão falou olhando pra mim – porque iríamos atrás de alguém que pode nos matar?
Os dois estavam esperando respostas minha. Virei a cabeça. Um vento frio correu pela minha face. A lâmpada que estava iluminando o pequeno galpão queimou. Lucas, o medroso, começou a tremer... de frio, é claro. Levantou-se da cadeira e ainda pisou no meu pé com força.
- Ai! Era o meu pé! – eu resmunguei.
- Shhh! – Júnior também se levantou. – Tem algo se mexendo lá fora.
Ele olhou pros troncos das árvores. Os outros poucos moradores da reserva estavam todos dentro de suas casas.
De repente, um vulto negro de capa, de aparência viscosa, entrou no galpão escuro. Já estava de noite. Era como uma coisa morta que se decompusera na água. Aquilo era tão horrível que todos ficamos estagnados. Então aquela criatura sombria parou bem perto de mim e inspirou longa e lentamente uma inspiração ruidosa, como se estivesse tentando sugar mais do que o ar á sua volta. Um frio intenso atingiu mais fundo na minha pele. Senti-me como se estivesse afogando em desesperos e desmaiei no chão.
BY: J. B.
Nosso bando tem vinte “pessoas” – maioria homens. Viemos do Egito para morar aqui no sul do Brasil. Montamos uma pequena reserva florestal perto de um riacho, cortando vales e trilhas de caminhadas numa alta campina coberta de flores silvestres. Como recém-gaúchos, vamos fazer churrasco á beça!
Descobrimos que não estamos sozinhos: existe um clã de vampiros também recém-chegados morando perto. Mas eles garantiram que não vão incomodar nossas atividades diárias.
Depois da colina, há uma pequena cidade chamada Forks. É aí que mora um antigo amigo do meu pai. Só que, pelo que eu ouvi dizer, esse seu amigo e sua família não são pessoas comuns: são feiticeiros!
Sábado, de tardezinha, quando voltei da colina com quatro amigos, encontrei com a família Lovegood em casa. Eram todos brancos e tinham o cabelo castanho-escuro, como o meu. O Sr. Lovegood, que é agente da polícia local, até que me pareceu ser legal. Ele tem dois filhos: um garoto, um pouco molenga, que aparentava ter a minha idade; e uma garota um pouco mais nova. Eu logo a reconheci. Era a engraçadinha da aula de matemática. Até que ela fazia o meu tipo: de cabelos soltos, usava uma blusa estilo bata de manga até o pulso – por causa do frio, uma calça jeans justa e uma bota. Mas o que mais chamou a minha atenção foi o pingente prateado do colar em volta de seu pescoço. Tinha o formato de uma meia lua. Ah... a lua!
Levei Luna e Lucas até o lugar onde eu passo um tempo livre montando carros e motos com meus amigos. E foi ali, naquele pequeno galpão, que o inesperado aconteceu. Todos da reserva estavam dentro de suas casas, mas eu senti uma presença estranha. Então, do nada, apareceu um vulto negro, gelado, que atacou Luna. Fiquei chocado, sem saber o que fazer. Minutos depois, Sr. Lovegood chegou correndo com meu pai.
- Expecto Patronum! – Thiago Lovegood apontou furioso com a sua varinha, fazendo aparecer uma luz branca em direção da criatura maligna.
Ela voou pra cima, sumindo por entre as nuvens nubladas do céu.
- Filha, você está bem? – seu pai a levantou do chão de terra e a colocou de volta na cadeira. Estava tonta.
- Tome, coma isto. Vai ajudar a se sentir melhor. – meu pai tirou um bombom de chocolate do bolso da camisa e a entregou.
Luna estava tão assustada que ficou sem reação, olhando pro chocolate.
- Tudo bem, é só chocolate. – meu pai certificou.
- O que era aquilo que entrou aqui? – os azuis escuros dos seus olhos aumentaram.
- Um dementador. Ele já foi embora. Agora, se me dão licença... Willian, posso falar com você um instante? – Thiago acompanhou meu pai pra fora do galpão.
Quando eles saíram, eu e Lucas – que ficou pasmo o tempo todo – sentamos novamente.
- O que aconteceu comigo? – Luna perguntou um pouco fraca.
- Bom, você ficou toda dura. Achamos que podia estar tendo um acesso ou algo assim. – eu disse.
- Mas eu me senti estranho, — Lucas ficou inquieto – como se nunca mais fosse ser feliz...
- Quem estava gritando? – ela quis saber.
Eu e seu irmão nos entreolhamos surpresos, daí Lucas respondeu duvidoso:
- Não havia ninguém gritando, Luna!
Depois disso, ela ficou pensativa.
BY: L. L.
Já estava mais do que na hora de irmos embora. Eu mesma já queria embora! Despedimo-nos de Júnior e do Sr. Black. No carro, enquanto meu pai dirigia, deitei minha cabeça no colo do meu irmão, já que estávamos no banco traseiro. Eu não ia agüentar até chegar em casa.
- Pai, o que é um dementador?
Meu pai se mexeu um pouco. Pensou por alguns instantes, talvez para escolher as palavras certas e suspirou.
- Os dementadores são criaturas más. Não fazem distinção entre os que estão caçando e os que se põem no caminho deles. Portanto, quero lhes avisar que não dêem motivo para lhes fazerem mal. Não é da natureza de um dementador ser indulgente.
Eu engoli seco.
- Antes de desmaiar, eu ouvi uma coisa. Uma mulher... Gritando... Acho que era a minha mãe. – eu contei.
- Os dementadores nos trazem de volta nossas piores lembranças. Nossa dor se torna a força deles. Alimentam-se de cada bom sentimento e de cada lembrança feliz até deixar a pessoa sem nada além de suas piores experiências. Aquele dementador a afetou porque há horrores em seu passado. Horrores que seus amigos nem podem imaginar. Você não tem nada do quê se envergonhar!
- Pai... Eu estou com medo.
- Eu a julgaria uma tola se não estivesse. Mas sabem, — ele continuou agora docemente – é possível encontrar a felicidade mesmo nas horas mais sombrias... Se a pessoa se lembrar de ascender a luz!
Meu pai parou o carro. Já havíamos chegado em casa. Quando entrei no meu quarto, meu celular tocou. Era a Bárbara, me chamando pra dormir essa noite na casa dela. Sophia e Deborah já estavam lá. Meu pai concordou. Eu realmente estava precisando dar boas risadas com as minhas amigas. Até que foi divertido! Ficamos acordadas até tarde da madrugada assistindo filmes, comendo doces e fazendo guerra de travesseiros.
No dia seguinte era domingo: um ótimo dia para eu e Lucas visitarmos Lara e uma ótima desculpa para um agente de polícia dormir até tarde. Meu irmão veio me pegar ás 10h00min. Quando chegamos ao instituto psiquiátrico, Lara estava sentada nuns banquinhos de cimento, no jardim do internato. Estava radiante com a nossa presença – algo que raramente acontece. Seu cabelo estava um pouco descuidado, mas do mesmo tamanho que o meu: meio grande. Se não fosse pelas camadas repartida no meio e pelos nossos colares (o meu é de lua e o dela de sol), ninguém saberia nos diferenciar fisicamente. Por esse ponto, até que é legal ter uma irmã gêmea. Mas, se ela não fosse...
- Venham! Sentem-se comigo. Quero saber o quê a aura de vocês está indicando. – ela disse empolgada. – A verdade está oculta como uma frase num livro, esperando para ser lida. Mas antes, devem abrir as suas mentes. – ela chacoalhou a cabeça de Lucas. – Devem olhar mais adiante!
- Quanta baboseira! – Lucas falou entre os dentes, virando a cara.
- Me dê a sua mão!
Lara virou a palma da mão direita de Lucas para cima.
- Hummm... – ela continuou. – Lucas tem um tipo de cruz torta. Significa provações e sofrimento. E isto pode ser o sol, que significa felicidade. Portanto, — ela falou cautelosamente. – você vai sofrer, mas vai ficar feliz por isso!
Lucas balançou a cabeça incrédulo e começou a rir. Lara soltou a mão dele e fez o mesmo com a minha.
- Luna tem... o Sinisto!
- Sinistro? Mas o que é Sinistro? – Lucas perguntou.
- Sinistro não, idiota! Sinisto! – ela resmungou. – Que tem a forma de um cão enorme e espectral. Está entre os piores presságios do nosso mundo. É um agouro... de morte!
- Ah, corta essa! – eu indaguei. – Adivinhação, na minha opinião, é uma coisa muito vaga!
Sinceramente, Lara pode até ser louca. Mas será que ela tava delirando?
BY: A. C.
Fomos hoje pro colégio de Forks no Mercedes vermelho conversível de Raqueli, que chamou bastante atenção – como sempre. Assim que ela parou seu carro no estacionamento, os irmãos Lovegood também estavam chegando. Ou, melhor dizendo: os feiticeiros Lovegood.
Do outro lado do estacionamento, um lobisomem da reserva foi correndo na direção deles. Enquanto eu e os outros quatro caminhávamos pra dentro do prédio, tentei prestar atenção na conversa deles.
- E aí Luna! Lucas!
- Júnior! E então? Você e seus amigos estão gostando do colégio? – Luna perguntou á ele.
- É, não é! Já que eles deixam qualquer um entrar aqui!
Os três olharam rapidamente para nós e deram risadinhas discretas. Foi o bastante para Emanuel se virar para mim.
- Amigo de inimigo vira inimigo também!
- O quê? Do quê você ta falando? – tentei fingir, mas Emanuel, que adora uma briga, fechou os punhos.
- Estou dizendo que, se... feiticeiros ou sei lá o que eles são, se unirem aos lobisomens, pode esquecer sua amiguinha humana!
Suas palavras ríspidas abriram um buraco no meu peito. Mas eu não podia prejudicar a minha família.
BY: L. L.
Na hora do intervalo, eu não sabia aonde me refugiar. Na biblioteca, havia cinco vampiros. Na lanchonete, cinco lobisomens. Oh, céus! E era lá onde a galera e a minha popularidade estavam.
Fui até a sala de informática, onde se encontravam poucos alunos. Camila estava lá, então me juntei á ela. Sua timidez até que combina um pouco com suas feições orientais. Depois de nos cansarmos de acessar vários sites de fofocas, o silencio que pousou entre nós duas não nos incomodou nem um pouco. Muito pelo contrário. Era reconfortante ficar ao lado de Camila, pois ela não passava o tempo todo tentando preencher o vazio com conversinhas bobas e assuntos fúteis do cotidiano.
Pouco antes de tocar para o final do intervalo, Alice Cullen apareceu atrás de mim.
- Luna, posso falar com você um minutinho?
- Claro!
Pelas expressões de seu meigo rosto, o papo era sério. Saímos da sala e paramos no corredor.
- Luna... Sobre esse... bando de novatos, você mal os conhece e já fala com eles? – ela parecia estar fazendo um esforço.
- Alice! Pra quê todo esse mistério? Não se preocupe. Eu e minha família já os conhecemos. Eles são meio que... diferentes também. – eu sussurrei.
- Eu sei, mas... Espera aí! Você sabe que eu sei que eles são... – ela pausou de propósito.
- Lobisomens? Mas é claro! Afinal, eu sou uma feiticeira ou não sou?
Ela balançou a cabeça sorrindo, boquiaberta.
- Tudo bem, então. Era só isso mesmo. Até mais, querida. – ela se foi, apressadamente.
- Até! – nem sei se ela escutou.
BY: E. C.
Não tenho outra escolha.
Apesar de ela ser diferente deles, ela é uma deles.
Será um sacrifício que eu terei de enfrentar comigo mesmo.
É só uma questão de tempo!
BY: L. L.
Na manhã de uma sexta, acordei com um pássaro azul no parapeito da janela do meu quarto. Fiquei chocada quando abri os olhos: pela primeira vez no ano, o céu não estava nublado. Bom, tinha algumas nuvens em cima, mas o sol estava brilhando intensamente. Deixei o casaco colegial em casa e arregacei as mangas compridas até o cotovelo. Prendi o meu cabelo num rabo-de-cavalo enquanto descia do carro do meu irmão no estacionamento da escola. Júnior, — que passou umas três semanas atrás da gente como um cachorrinho – veio correndo atrás de nós com um enorme sorriso no rosto.
- Que dia lindo! – eu disse enquanto caminhávamos para dentro da escola.
- Maravilhoso! Á menos é claro, para quem foi estraçalhado. – Lucas estava enraivecido.
- Estraçalhado? Do que está falando? – Júnior perguntou ao meu lado.
- Lucas perdeu o rato dele.
- Eu não perdi nada! Seu gato o matou!
- Que nada! Madame Nora nunca machucaria uma barata! – eu descontei.
- Você ouviu? Aquela fera sanguinária dela vive á espreita. E o Perebas sumiu! – falou Lucas se virando pro Júnior.
- Talvez devesse aprender a cuidar melhor do seu animal. – eu dei o troco.
- O seu gato o matou!
- Não matou!
- Matou!
- Não matou!
Ficamos discutindo até eu perceber o que eu já devia ter imaginado: os Cullens não vieram pro colégio.
À noite, eu não consegui dormir. Daí eu desci até o porão, com passos leves. Havia algumas caixas com artefatos mágicos, que meu pai odeia quando eu e Lucas mexemos. Mas eu estava curiosa. Como no porão não há lâmpada – é um pouco iluminado apenas pela luz da cozinha – ascendi algumas velas estalando os dedos no barbante, fazendo aparecer uma chama – coisa de feiticeiros.
Abri a primeira caixa que vi pela frente. No início, pensei que estivesse vazia, mas quando olhei ao fundo, havia um velho pergaminho dobrado. Espera aí! Eu sabia que objeto era esse! O pergaminho era um mapa que mostra os cantos da casa e onde os moradores estão. Uau! Que máximo!
Peguei o mapa e apaguei as velas. Subi até a cozinha e levei um pacote de biscoitos até o meu quarto. Sentada na cama, comendo os biscoitos, desdobrei o pergaminho e apontei pra ele a minha varinha.
- Juro solenemente não fazer nada de bom! – disse as palavras mágicas.
No meio do pergaminho surgiram umas escrituras: “os feiticeiros T. L. e P. P. e os lobisomens W. B. e R. J. L. tem o orgulho de apresentar o Mapa do Maroto.”
Os nomes desapareceram e surgiu a planta da casa inteira. Apareceram também as pegadas do meu pai no quarto dele, Lucas no seu e eu no meu com nossos nomes em cima. As pegadas estavam paradas, exceto uma andando pelo corredor. O nome que estava em cima dessa pegada era Pedro Pettigrew. Mas quem era essa pessoa? Será que era um fantasma? Desci da cama novamente e quando passei pela entrada do quarto do meu irmão, Lucas parecia ter acabado de se acordar de um pesadelo.
- Aranhas! Aranhas! Elas querem-me ver dançar! Porque tem que ser aranhas? Porque não podiam ser umas borboletas? Eu não quero dançar! – ele estava delirando.
- Então diga pras aranhas! – disse enquanto abria o mapa novamente.
- Sim, vou dizer á elas. Vou dizer... amanhã. – e caiu no sono outra vez.
Com a luz da varinha acessa, fui seguindo a pegada pelo corredor. No mapa, a misteriosa pegada foi se aproximando da minha andando como ziguezague. Eu comecei a ficar nervosa. Então, quando ela passou perto de mim, apontei a varinha acessa para frente e me assustei quando vi uma pessoa. Dei um pulo para trás e quando olhei direito, era apenas o meu reflexo num espelho de parede. No mapa, as pegadas tinham descido pela escada e sumido.
- Malfeito feito! – desfiz o feitiço do pergaminho.
Guardei-o na gaveta da cômoda e voltei pra cama. Acho que o mapa não estava funcionando bem.
No sábado, á tardinha, meu pai saiu mais cedo do trabalho. Então aproveitou para levar altos papos com seu velho amigo Willian Black. Fomos de carro até a reserva. Ele estacionou o carro embaixo de uma cerejeira, próximo ás casas. Willian já estava do lado de fora nos esperando. Enquanto Lucas e meu pai tiravam as cervejas e as pizzas do carro e levavam pra dentro, Willian colocou a mão no meu ombro e fomos andando lentamente até o galpão.
- Sabe, — ele começou – no momento em que vi você e seu irmão, eu os reconheci imediatamente. Por causa da cor dos olhos. São iguais aos de sua mãe, Lílian. – me virei rapidamente pra ele. – Ah, sim, eu a conheci. Sua mãe me ajudou num momento eu que ninguém mais quis ajudar. Ela não era só uma feiticeira com dons especiais, mas também uma mulher de uma generosidade rara. Ela tinha o dom de ver a beleza nos outros. Mesmo, e talvez principalmente, quando a pessoa não enxergava isso em si mesma. E seu pai, Thiago, por outro lado tem, até hoje, um certo, digamos, talento para problemas. Um talento, dizem por aí, que você herdou dele. Você é mais parecida com ela do que pensa. No devido tempo, você vai descobrir quanto.
Assim que chegamos à entrada do galpão, Willian bagunçou o meu cabelo e voltou pra ajudar com as pizzas e as cervejas. Eu entrei, e lá estava Júnior, consertando uma motocicleta.
BY: J. B.
- Luna! Que bom que você veio! Cadê o Lucas?
Ela se sentou num grande pneu, perto de mim.
- Ta ali... Daqui a pouco ele vêm.
- Hummm... Belo colar! – disse apontando pro seu pescoço.
- Ah, é. Lara também tem um igual, só que o dela é de sol.
- Lara? Quem é Lara? – me virei par ela.
- Oh, é... minha irmã gêmea.
- Você tem uma irmã gêmea? Cadê ela? Ela mora com sua mãe? – eu estava curioso.
- Não, eu não tenho mãe. – ela abaixou a cabeça.
- Mas então...?
- Lara mora num instituto psiquiátrico.
- Ah... Desculpe, eu não sabia...
- Não, tudo bem...
Levantei-me e sentei no pneu ao seu lado.
- Eu também não tenho mãe, então eu sei como é isso...
Ela olhou pra mim e seus lábios rosados formaram um leve sorriso.
- E aí, Júnior! ‘Cê ta aí? – Felipe entrou no galpão com Bruno.
- Chega aí, galera! Gente, esta é Luna. Luna, estes são Felipe e Bruno.
Fiz as apresentações e ela deu um tchauzinho, o que deixou Bruno um pouco intimidado.
- E então, esse lance é verdade? – disse Felipe, comendo uma maçã verde.
- Que lance? – eu me levantei.
- De que ela é sua garota! – ele fez um sorriso malicioso pra ela.
- Ah... Somos só amigos! – Luna respondeu surpresa.
- Sei... – Bruno e Felipe começaram a rir.
- Na verdade eu disse que era uma garota. Não a minha garota! – retruquei nervoso.
- Bruno, lembra de ele ter feito essa distinção?
- Eu não! – e os dois riram mais ainda.
- Pois é. – tentei mudar o rumo da conversa – Soube que o Felipe vai dançar com a prima dele no baile de verão... de novo!
Ele me lançou um olhar enfurecido, mas pelo menos o otário do Bruno riu ainda mais.
- Isso não tem graça! Você quer graça, Black? Eu vou te dar a graça!
Felipe e eu começamos a fingir que estávamos brigando, pra chamar a atenção de Luna. Bruno se sentou ao lado dela.
- Eu estou apostando no Felipe! – eu ouvi ele dizer.
- Fechado! – ela sorriu pra mim.
Logo Lucas chegou nos chamando e nós três fomos andando em direção á minha casa. Daí ele começou a falar:
- Júnior, você devia conhecer o Beco Diagonal! É um lugar fantástico, cheio de comércio de feiticeiros!
- Mas e as pessoas? Elas não vêem essas coisas mágicas? – perguntei enquanto caminhávamos.
- Os trouxas? Eles não vêem nada não. – Luna respondeu.
- Não, mas se enfia um garfo neles, eles sentem! – Lucas disse, fazendo piada. – A loja Dedos-de-mel é genial, mas nada supera a Zonko’s!
Então eu tive uma idéia:
- Vamos ouvir o que eles estão conversando?
- Certo! – eles concordaram.
Ficamos abaixados debaixo da janela dos fundos da sala, no lado de fora da minha casa.
- Acharam mais pistas de Raul J. Lupin. – disse Thiago, entregando um jornal que eu nunca vi antes pro meu pai.
- Dufftown? Não fica muito longe daqui. – meu pai pegou o jornal.
- Uma façanha incrível, não acha? Não esperava mesmo que ele se demorasse. – continuou Thiago.
- É mesmo. Ele pode estar em qualquer lugar. É como tentar pegar fumaça com as mãos. Alguma teoria? – perguntou meu pai.
- Muitas! Uma mais provável que a outra.
- Lupin não só virou um grande partidário de feiticeiros das trevas, como também matou nosso amigo, Pedro Pettigrew. Era um garoto gordinho, se lembra? Nunca nos perdia de vista.
- Eu me lembro dele. O que houve? – Thiago encheu mais um copo de cerveja.
- Pedro Pettigrew tentou me avisar, e teria conseguido se não tivesse topado com um velho amigo, Raul J. Lupin!
- Lupin era mau. Ele não só matou Pettigrew. Ele o destruiu! Um dedo! Foi só o que sobrou. Mais nada! Mas isso não é o pior!
- O que pode ser pior, Thiago?
- Lupin foi, e continua sendo até hoje... o padrinho de Lara e Luna Lovegood!
Luna rapidamente olhou pra mim e para Lucas. Seus olhos ficaram assustados e ao mesmo tempo furiosos.
Péssima idéia, Júnior!
BY: L. L.
Corri pra porta de entrada da humilde casa dos Black. Lucas e Júnior me seguiram com medo que eu fizesse alguma besteira, mas preferi ficar calada. Assim que entramos, Willian tirou um rato dentro de uma lata sem tampa em cima de uma mesa.
- Lucas! Acho que esse rato é seu. – Willian o entregou.
- Perebas! Você está vivo! – meu irmão correu de alegria.
- Eu o encontrei perto das urzes, ao lado da plantação de morangos. – Willian se sentou novamente.
- Acho que deve desculpas á alguém! – eu acabei com aquela linda comemoração.
- Está bem. Quando eu encontrar sua gata Madame Nora, eu peço desculpas! – ele riu sarcástico.
- Eu falei de mim! – meu tom saiu mais alto do que eu imaginei.
De repente, do lado de fora, pela janela, alguém jogou uma pedrinha que bateu na lata, fazendo-a rolar pelo chão. Todos ficamos sem reação. Novamente jogaram outra pedrinha pela janela, que bateu na cabeça de Júnior.
- Au! – ele reclamou. – Devem ser Matheus e Arthur. – ele disse saindo da casa.
Eu e meu irmão saímos também. Quando chegamos em fora, o rato de Lucas o mordeu no dedo.
- Ai! – ele soltou Perebas, que saiu correndo.
- O que foi? – Júnior perguntou.
- Perebas me mordeu! Ei, cadê ele? Perebas, volte aqui!
- Lá está ele! – eu apontei.
Corremos por mais ou menos uns quinhentos metros atrás do bendito rato do meu irmão. Ele desceu uma colina e parou em frente a uma casa abandonada, distante das outras da reserva. Lucas pulou no chão e agarrou Perebas.
- Júnior, que casa é essa? – eu perguntei.
- Essa é a “Casa dos Gritos”. Eu e meus amigos a chamamos assim porque ela parece ser mal-assombrada. – ele sussurrou.
Estávamos bastante longe da reserva e o céu estava começando a escurecer. Quando Lucas se levantou, apontou para trás de nós e começou a tremer. Eu e Júnior nos viramos rapidamente. Na colina acima, ouvimos um uivo agudo de um lobo com pêlos negros. Ele começou a correr em nossa direção. O animal agarrou a perna de Lucas e o puxou para dentro da “Casa dos Gritos”. Lucas começou a berrar de dor, mas segurou firme seu amado rato Perebas. Eu olhei para Júnior enquanto meu irmão era puxado selvagemente pela perna por um lobo.
- Eu não sei quem é esse! – Júnior falou pasmo.
Corremos pra dentro da casa. O piso de madeira estava completamente estragado. Os vidros de todas as janelas quebrados. E boa parte de teto á céu aberto. Lucas estava encolhido num canto da parede.
- Lucas, você está bem? – meu ajoelhei perto dele.
- É uma armadilha! Ele é uma animago também! Ele é Raul J. Lupin! – Lucas apontou para o outro lado do cômodo.
Levantei-me assustada e Júnior se posicionou na minha frente.
- Se você quer matar eles, terá que me matar também! – júnior rosnou como um cão furioso.
- Só uma pessoa morrerá essa noite.
Disse o homem com a barba mal feita, os cabelos ondulados até os ombros e vestindo roupas sujas de prisioneiro.
- Então vai ser você! – Júnior voou na garganta de Raul, fazendo-o cair deitado no chão.
- Você vai me matar, lobinho? – ele disse rindo.
- Você traiu a confiança de meu pai – Willian Black, e de Thiago Lovegood! – Júnior foi perdendo as forças.
- Chega de conversa! – Raul empurrou Júnior de cima dele e se levantou. – Como eu esperei por esse momento... Mais de quinze anos... Em Azkaban! – ele choramingou emocionado.
Nesse momento, Willian chegou com meu pai, que tirou sua varinha de dentro do casaco.
- Estupefaça!
Raul foi jogado contra a parede. Os dois adultos foram na direção do fugitivo, enquanto eu, Lucas e Júnior nos encolhíamos no chão.
BY: J. B.
- Thiago Lovegood! Você não vai querer fazer isso, vai? – disse Raul Lupin, olhando apavorado pra varinha.
- Finalmente o corpo reflete a loucura interior! – Lovegood ergueu sua varinha pro rosto de Lupin.
- Você é um assassino desprezível! – meu pai se aproximou mais dele.
- Alguém é assassino sim, mas é alguém que até recentemente, eu julgava morto! – Lupin se levantou nervoso.
- Quem? – nossos pais perguntaram juntos.
- Pedro Pettigrew! – Lupin cantarolou. – E ele está aqui, nesse instante! Vamos, vamos, Pedro. Apareça! Saia para nós quatro brincarmos! – ele começou a rir como um doente mental.
- Não. Pedro está morto. Você o matou! – meu pai perdeu a paciência.
- Eu também achava isso. Mas ele está bem ali! – Lupin apontou o dedo para Lucas.
- Eu? Esse homem é maluco!
- Você não, garoto! O seu rato! – ele disse irritado.
- Perebas? – Lucas reagiu. – Ele está na minha família há...
- Mais de quinze anos? Tempo demais para um rato, não acha? Ele tem um dedo faltando, não tem? – Lupin continuou irônico.
- E daí? – Lovegood o ameaçou com a varinha.
- E daí que só o que acharam de Pettigrew foi seu...
- Seu dedo! – meu pai completou boquiaberto.
- O covarde cortou o próprio dedo pra se passar por morto quando se aliou a feiticeiros das trevas. Então colocaram a culpa em mim por seu desaparecimento. Como não conseguiu, transformou-se num rato. – Lupin desabafou irado.
- Mostre-me! – ordenou meu pai ainda incrédulo.
- Dê o rato pra ele, Lucas. – pediu Lovegood.
Lucas hesitou e Lupin tomou á força.
- O que vai fazer com ele? Perebas! Deixe-o em paz! Solte-o!
Lupin colocou o rato no chão, no meio de todos. Enquanto o rato corria, Lovegood tentava acertá-lo com a varinha. Antes de o rato alcançar um buraco na parede, Lovegood o transfigurou em uma pessoa.
Pedro Pettigrew era gordo e corcunda. Com manias de rato, não parava de roer os dedos.
- Willian? Thiago? Raul? Meus velhos amigos! – Pettigrew falou numa voz falsa.
Meu pai o segurava num braço e Lupin no outro, enquanto Lovegood apontava sua varinha na direção dele.
- Desculpem, não era minha intenção... – ele tentava se soltar. – Não imaginam que poderes eles tinham!
- Agora você vai ser levado pra prisão de feiticeiros de Azkaban! Eu mesmo cuidarei disso. – afirmou o agente de polícia Lovegood.
Meu pai e Lupin o soltaram até a porta. Pettigrew foi à frente com a varinha de Lovegood apontada freneticamente nas costas dele. Depois meu pai ajudou Luna a se levantar e saiu a guiando pelos ombros. Como Lucas estava com a pena direita quebrada, Lupin o segurou de um lado e eu do outro.
- Sinto muito pela mordida. Deve estar doendo um pouco... – ele falou pra Lucas, enquanto carregávamos.
- Um pouco? Você quase arrancou a minha perna fora! – Lucas disse histérico.
- Estava tentando pegar o rato. Costumo me comportar muito bem quando me transformo em lobo. Mais de uma vez, sugeriram que eu me transformasse para sempre. Não vejo problema na cauda. Mas as pulgas são de matar! – eu ri da piada dele.
BY: L. L.
Eu estava chocada! Será que aquilo que Lara disse era verdade? Quando saímos todos da “Casa dos Gritos”, Willian fez de tudo pra tentar me tranqüilizar. De longe, Pedro choramingava:
- Lucas! Eu não fui um bom amigo? Um bom bichinho? Não vai deixar que me levem preso, vai?
Num único segundo, meu pai desviou seu olhar para meu irmão. Pedro rapidamente tomou-lhe a varinha e triscou na cabeça. Deu um tchauzinho e transformou-se novamente num rato. Foi algo realmente inusitado! Tudo parecia estar sob controle. E desceu colina abaixo. Willian e Raul se transformaram em lobos e saíram atrás dele. Meu pai ficou estagnado.
Júnior também se metamorfoseou-se num lobo. Seu pêlo era castanho avermelhado. Mas quando ele chegou perto dos outros dois, Willian – eu sabia que era ele porque o de pêlo negro era Raul – voltou na direção de Júnior e começou uma briga de lobos. Willian parecia não querer que seu filho participasse dessa caçada.
Júnior saiu um pouco ferido, por causa dos caninos afiados do seu pai. Ele cambaleou e se afastou. Willian voltou na direção de Raul e os dois continuaram sua caça á Pedro Pettigrew – digo: á Perebas!
Júnior estava machucado e foi desaparecendo de vista, por entre as árvores. Meu coração parecia querer saltar pela boca, então saí atrás dele.
- Luna! – ouvi meu pai gritar, enquanto eu corria.
Mas ele não podia deixar Lucas sozinho, com a perna quebrada. Cada passo exigia concentração enquanto eu entrava na floresta cada vez mais densa. O silencio era fantasmagórico. Segui o som das águas de um riacho passando por perto. Ás suas margens, por entre a névoa, vi o corpo inanimado de Júnior, agora como humano, no chão. Eu gritava o seu nome, mas ele parecia estar inconsciente.
De repente, do nada, as águas do riacho começaram a congelar. Quando olhei pro céu, dezenas de dementadores estavam descendo em nossa direção.
- Riddikulus!
Tirei minha varinha de dentro do casaco, mas não foi o bastante. Três dementadores de uma só vez começaram a sugar nossas energias. E estavam chegando mais perto ainda. Então me lembrei do feitiço que meu pai usou na primeira vez:
- Expecto patronum!
A luz que saiu da minha varinha formou um escudo protetor, mas também não foi o suficiente. Eu já estava começando a ficar fraca, quando, na outra extremidade do riacho, eu vi uma luz forte. Era quente e brilhante.
Depois disso, não me lembro mais o que aconteceu. Meus olhos cessaram e eu desmaiei ao lado de Júnior.
BY: J. B.
Lovegood nos levou pra minha casa. Já eram bem oito horas da noite. Deitou Luna, ainda desmaiada, no sofá maior da sala. No menor, estava Lucas, com sua perna quebrada, estirada na mesinha de centro. Sentei no braço do sofá maior, ainda meio tonto. Meu pai e Lupin com certeza estariam até agora na forma de lobo, atrás de Pettigrew floresta adentro. Quando Luna acordou, Lovegood começou a falar pensativo:
- O tempo é algo misterioso... Poderoso... E, quando alguém interfere, torna-se perigoso! – ele se virou para Lucas e Luna, que pareceram entender. – Três voltas devem bastar.
Lovegood tirou de dentro da camisa, por dentro do casaco, um cordão grande dourado, com um círculo e uma ampulheta dentro como pingente e o entregou nas mãos de Luna.
Repentinamente ela se levantou e se virou pra mim.
- Lamento Lucas, mas já que não pode andar... – ela me puxou pela mão até pra fora de casa e colocou o cordão grande dourado em volta dos nossos pescoços.
Levantou o pingente circular na altura dos nossos olhos e girou a pequena ampulheta três vezes. Tudo á nossa volta começou á rodar e á voltar para trás, enquanto a ampulheta ia girando, fazendo um barulho de quatro badaladas por segundo. Quando tentei pegar no pingente, ela deu um tapa na minha mão. Daí tudo parou. O céu estava claro de novo. Luna tirou o cordão em volta do meu pescoço e colocou por dentro do casaco dela.
- Vamos! – ela me puxou novamente pela mão.
Escondemo-nos atrás de um monte de abóboras empilhadas, ao lado da minha casa. Quando nos sentamos na terra, detrás das abóboras, finalmente consegui falar.
- O que aconteceu?
- Cinco horas. Onde estávamos às cinco horas?
- Sei lá... Aí na minha casa? – eu disse, tentando entender ainda.
- Ótimo! – ela suspirou.
- Espera. Isso não é normal...!
- Júnior, isso aqui é um vira tempo. – ela puxou o cordão, me mostrando.
- Então voltamos no tempo? – eu refleti.
- Sim! Olha lá! – ela se posicionou de joelhos, pra olhar pra janela, dentro de casa.
- Somos nós! – vi no momento em que meu pai entregava Perebas para Lucas. – Aquele rato!
- Júnior, não! – Luna puxou o meu braço, me fazendo cair sentado. – Escuta, você está na sua casa agora. Se entrar lá assim, vai achar que ficou louco! Coisas terríveis aconteceram com pessoas que mexeram com o tempo. Por isso não podemos ser vistos!
- Mas, Luna... Eu tenho que pegar aquele rato!
Olhei pro chão, tentando achar alguma maneira de chamar a atenção de Lucas pra ele soltar seu maldito rato. Encontrei umas pedrinhas com formato de caracóis e joguei uma para dentro da janela.
- Ficou maluco? – ela indagou quando ouvimos o barulho de uma coisa cair no chão.
Eu a ignorei. Peguei outra pedra e joguei novamente pra dentro de casa. Senti uma dor aparecer na minha cabeça. Acho que tinha acertado em mim mesmo.
- Pára Júnior! Por favor!
- Olha, estamos saindo! – eu disse satisfeito.
Seguimo-nos cautelosamente e paramos em cima da colina. Sentamos num tronco caído, cheio de musgo.
- E agora esperamos. – ela falou um pouco cansada.
BY: L. L.
Enquanto eu e Júnior esperávamos todos saírem da “Casa dos Gritos”, para poder capturar Pedro, eu disse pensativa, olhando o sol se pôr:
- Sabe... Quando estou triste, gosto de ver o pôr-do-sol. Um dia eu vi o sol se pôr quarenta e três vezes!
- Poxa... Estava tão triste assim nesse dia? – ele perguntou.
Então passei meus dedos no meu colar de lua e ele fez sinal de que entendeu. Sim, foi no dia em que perdi minha mãe. Então me lembrei.
- Júnior...
- Quê?
- Lá na margem do riacho, eu vi alguém. E esse alguém espantou os dementadores de alguma maneira. Acho que era a minha mãe!
- Mas, Luna, sua mãe está...
- Morta! Eu sei. – eu retruquei. – Só estou contando o que vi.
Júnior permaneceu quieto. Logo vimos de longe Willian e Raul correrem atrás de Pedro.
- Vamos! Ele está fugindo! – Júnior se levantou depressa.
Mas eu não queria ir atrás de um rato... Eu queria ir atrás da minha mãe! Sim, eu queria vê-la! Corri na direção do riacho.
- Luna, sua doida! Ele está fugindo! Pra onde você vai? – Júnior me seguiu desesperado.
Sentimos a presença medonha e gelada dos dementadores se aproximando. Quando chegamos à outra extremidade do riacho, vimos nós mesmo sendo atacados pelos dementadores.
- Isso é horrível! – ele disse horrorizado.
- Não se preocupe... Minha mãe vai aparecer a qualquer momento. Bem ali! Você vai ver. – apontei um pouco mais á frente.
- Luna, ouça-me! Ninguém virá!
- Virá sim! – eu tinha absoluta certeza.
- Nós estamos morrendo!
Num impulso, senti Júnior puxar minha varinha que estava no bolso detrás da minha calça jeans. Ele andou alguns passos à frente e apontou pro céu.
- Expecto patronum!
Vi aquele mesmo escudo de energia se estender por todos os lados. Depois, tudo se apagou.
No dia seguinte, meu pai deixou eu e Lucas faltarmos a aula. Estávamos fartos, cheios de arranhões pelo corpo.
- Porque está tão infeliz? – meu pai me perguntou enquanto trazia meu café da manhã na cama.
- Nada disso fez diferença alguma, pai. Deixei Pedro Pettigrew fugir por uma ilusão!
- Não fez diferença alguma? Luna, fez toda diferença do mundo! Ajudou-nos a desvendar a verdade, salvando um inocente de um destino terrível... Bom, das feiticeiras da sua idade, até que você é bem esperta!
Continuei calada.
- Sabe, assim que você nasceu, sua mãe lhe deixou um presente.
Levei a mão até o meu colar de lua.
- Não, não. Esse tipo de presente não pode ser visto. Está entranhado em sua pele.
- E que presente é esse? – perguntei curiosa.
- Amor, Luna. Amor. – ele bagunçou meu cabelo, que já estava bagunçado. – Mais saiba que, aqueles que nos amam nunca nos deixam realmente. E você sempre pode encontrá-los aqui! – ele tocou no meu coração.
Fale com o autor