Utopia

4 Capítulo 4


BY: L. L.

- A gente ta indo pra onde?

Foi a pergunta que meu irmão me fez enquanto caminhávamos pra dentro da floresta ás dez horas da manhã de domingo de junho. Apesar de já ser verão e de as chuvas terem cessado um pouco, estava fazendo 20°C. O caso Pettigrew deu-se como encerrado. Raul agora estava acomodado numa pequena hospedaria no centro de Forks.

- Não sei... Ei, pai! A gente ta indo pra onde?

- Nem imagino. Continuem andando! – meu pai respondeu muito a frente de nós.

A família Lovegood e a família Black estavam unidas. Quando chegamos á reserva, Willian estava sentado numa cadeira de balanço na varanda de sua simples casa, fumando um cigarro.

- Já era hora, Thiago! – ele acenou, quando nos viu chegar.

- Sinto muito, Willian. Teve gente aqui que demorou a acordar. – meu pai se virou para trás e olhou cético para Lucas, bocejando de sono.

Bem no meio da reserva, entre as seis casas, Júnior e mais quatro garotos estavam cortando toras de madeira para fazer lenha. Algumas tinham cogumelos grudados. Ele nos viu de longe.

- Lucas! Luna! Cheguem aqui!

- É, podem vir! A gente não morde! – frisou Felipe.

Logo reconheci Bruno, Arthur e Matheus.

- Ei, se liga! – Matheus se virou pra mim quando nos aproximamos. – Sabia que só homens podem fazer licantropia?

- Cara, você quer calar a boca? São segredos do ofício! Mas que droga! – Arthur falou de um modo engraçado, me fazendo rir.

- O que é licantropia? – Lucas saiu do marasmo.

- É a transformação de criatura humana num lobo. – Júnior respondeu. – Continuem aí, galera, que eu volto já.

Ele fez sinal para que eu e Lucas o acompanhasse até sua casa. Da janela mesmo, assistimos o finalzinho do segundo tempo da Copa Mundial de Futebol: irlandeses X búlgaros.

- Quem é aquele? – eu, que não entendo nada de futebol, perguntei apontando pra um jogador de uniforme preto e vermelho, se exibindo pras câmeras.

- Aquele é o melhor atacante do mundo! Victor Krum! – contou Júnior, o sabe-tudo.

- Não há ninguém como o Krum! Ele é mais do que um atleta! É um artista! – meu irmão se empolgou.

- Acho que está apaixonado, Lucas! – eu disse falsamente.

- Ah, não enche! – ele se revoltou.

- “Victor, meu amor, quando estamos distantes meu coração bate só por você...” – Júnior cantou.

Caímos em gargalhada. Quando nós voltamos, já haviam feito um círculo de troncos ao redor de uma fogueira. Começaram a aparecer mais pessoas. A comida já estava sendo passada, e os garotos correram para pegar as suas partes. Eu sentei perto de Lucas e uma mulher bem morena nos trouxe sanduíches e uma rodada de refrigerantes. De uma das casas, colocaram o som de um CD bem alto, fazendo com a festa se animasse mais. Enfim, bastante churrasco e chimarrão – um almoço tipicamente gaúcho, tchê!

BY: J. B.

Enquanto estávamos almoçando ao redor da fogueira, Matheus chegou perto de mim e falou:

- Júnior, o Arthur disse que o Bruno disse que o Felipe e os outros estão te chamando na figueira.

Mas que saco! O que será que eles queriam? Disse a Luna e Lucas que eu voltaria em um instante e fui até a figueira – árvore símbolo da paz e plenitude, onde bons espíritos se aconchegam á sua sombra.

A figueira mais próxima fica ao lado da casa do Felipe. Quando cheguei próximo, Felipe e Bruno estavam sentados nos galhos da copa da árvore. Estavam rindo de alguma piada.

- Ei, Júnior! Eu e o Bruno fizemos uma aposta. Ele acha que não daria nem dez dias pra você conseguir ficar com aquela feiticeira patricinha. Já eu discordo. Acho que não daria nem cinco! – Felipe pulou da árvore e os dois começaram a rir como idiotas.

- Estou pouco ligando para o que vocês acham. Vocês dois são patéticos! – eu explodi de raiva.

- Ah, qual é cara. Na boa! – Bruno também pulou da árvore.

Arthur e Matheus nos chamaram de longe para nos juntarmos com o povo da fogueira. Fui contrariado, mas ainda assim pensando na aposta deles. Até que não era má idéia! Pelo menos eles parariam de zoar comigo todos os dias.

BY: L. L.

Durante a aula de química, a diretora do colégio entrou na sala para nos dar um aviso.

- O Baile de Verão é uma tradição desse colégio desde o seu início. Na noite da festa, nós e nossos convidados nos reunimos no ginásio para uma comemoração de diversão bem comportada. Espero que cada um de vocês cause boa impressão. E estou falando sério, porque o Baile de Verão é antes de tudo... Para dançar!

A sala toda começou a falar ao mesmo tempo.

- Silencio! – a diretora tentou colocar ordem de volta. – Essa escola tem sido respeitada pelo estado há quase três décadas. Não vou permitir que vocês, em uma única noite, manchem esse nome, portando-se como “babuínos bobocas balbuciando em bando”!

Me virei pra Bárbara, que estávamos sentadas juntas no fundo, e disse:

- Tenta falar isso bem rápido!

- Babuínos bobocas balbuciando em bando! – ela topou a brincadeira e pronunciou direitinho.

- Psiu! – a diretora chamou nossa atenção quando rimos. – Bem, dançar é deixar o corpo respirar. Dentro de cada garota existe um cisne secreto ansioso para desabrochar e levantar vôo...

Meu irmão, que estava sentado na nossa frente junto com o Diego, se virou para nós em tom de ironia.

- Há algo prestes á desabrochar da Camila Midgen, mas não é um cisne!

Nós quatro olhamos pra frente, onde sempre se sentava a Camila, e rimos bem alto, vendo ela se tremer de nervosa.

-... E dentro de cada garoto, — a diretora continuou. – existe um leão pomposo pronto para se exibir. Sr. Lovegood! – ela chamou a atenção de Lucas.

- Sim? – meu irmão se virou rapidamente.

- Já que você está tão feliz, venha aqui pra frente ensinar aos seus colegas como será a dança!

Meu irmão se levantou e foi caminhando lentamente, envergonhado. A megera colocou uma mão sobre o ombro dele.

- Isso! Agora coloque sua mão direita na minha cintura.

- Onde? – ele fez uma cara de espanto enorme.

A sala inteira riu. Eu abri a boca e coloquei o dedo indicador sobre a língua, fingindo vomitar.

- Na minha cintura! – a diretora parecia querer fazer graça.

Quando ele colocou a mão direita na cintura dela, um outro garoto da turma assobiou e todos começaram a rir novamente.

- Assim! Estique o braço, filho. E um, dois, três! Um, dois, três! Aaau!

Eles deram uns passinhos até que Lucas pisou no pé dela. A algazarra começou outra vez. E haja bolinhas de papel! Bárbara filmou tudo no celular dela. Não demorou muito para que em poucas horas o mico de Lucas se espalhasse pela escola.

BY: J. B.

Na hora do intervalo, eu estava com o Matheus na lanchonete.

- Cara, — ele começou. – isso é loucura! Nesse passo, vamos ser os únicos da nossa turma sem um par!

- Fica frio, brother! Ainda falta muito tempo pra esse baile! – eu falei bebendo um pouco do meu refrigerante.

- Bom, nós e o Felipe!

- Não, ele já tem um par. A prima dele! – eu o lembrei.

- Ah... Agora estou mesmo deprimido. Olha, a gente só precisa tomar coragem e seguir em frente!

Nesse momento, Arthur e Felipe apareceram na lanchonete segurando Bruno pelos braços. Ele parecia estar arrasado.

- Tudo bem, mano. Não tem problema. Não importa. – Arthur aconselhou Bruno, enquanto puxava uma cadeira pra ele se sentar.

- O que houve com ele? – Matheus perguntou abismado com aquela cena.

- Ele convidou a Sophia pro baile! – disse Felipe.

- O que? O que ela disse? – eu me ajeitei na cadeira.

- Que não, é claro! – opinou Matheus.

Bruno apenas balançou negativamente a cabeça, com o rosto despedaçado.

- Ela aceitou? – Matheus perguntou boquiaberto.

- Não seja bobo! Ela estava lá andando... Sabem como gosto de vê-las andando! Não pude evitar! Quando vi, já tinha convidado! – Bruno contou angustiado.

- Na verdade, ele a convidou aos berros! – indagou Felipe.

- Foi assustador! – Arthur completou.

- E o que você fez depois? – eu quis saber.

- O que mais? Saí correndo! Cara, não levo jeito pra essas coisas. Não sei o que deu em mim!

Pelo visto, isso não será nada fácil para nós... cinco!

BY: L. L.

O colégio todo não falava de outra coisa além do Baile de Verão. Desse jeito, a semana passou voando. No sábado de manhã, meu pai iria pescar com Willian Black no cais. Fiz Lucas se acordar pra ir comigo também. Mas não pra pegar peixe, e sim pra ver se eu iria receber algum convite inesperado nesse dia.

A reserva estava silenciosa. Mas eu tive sorte: Júnior não estava dormindo. Meu pai e Willian desceram em direção ao cais á pé, levando varas e iscas. Júnior estava acabando de tomar o café-da-manhã quando eu e Lucas entramos na casa dele.

- Panquecas? – ele ofereceu.

- Não, obrigado. – meu irmão disse, se jogando no sofá.

- Hummm... Ok! Tive uma idéia! – Júnior nos puxou pra fora da casa dele.

O tempo não estava muito frio. Eu nem tinha trazido meu casaco.

- Vocês já viram aquela pequena cachoeira que tem por ali? – ele falou, enquanto nos levava pra não sei aonde.

- Na verdade não. – eu admiti.

- Papai não deixa a gente entrar muito pra dentro da floresta. – Lucas coçou o queixo.

- Pois eu e meus amigos adoramos ir pra lá. A gente se diverte dando pulo de penhasco.

- Mas não é perigoso? – eu arregalei os olhos.

- Ah... Só são uns vinte metros de altura! E o riacho nem é tão fundo assim!

- Mas a água deve estar um gelo agora! – eu teimei.

- Que nada! Vocês vão adorar! É a melhor sensação do mundo!

Como ele era genial!

A cachoeira era esplendorosa. Iluminada com o verde claro da floresta. Pra chegar até em cima, tivemos que subir um morro de pedras escorregadias. Então, Júnior quis dar a sua demonstração. Tirou apenas os sapatos e as meias. Com roupa e tudo, correu e deu um glorioso salto mortal, mergulhando de cabeça na água barulhenta. Lucas logo se exaltou. Deixou as meias e o tênis de lado e também deu um giro mortal – coisa de homem. Enquanto eu tirava a minha bota, eles já estavam saindo felizes da água pra subir o morro novamente. Só para se gabar, também tentei fazer um mortal no ar – algo natural para uma líder de torcida. Pulei assim que os meninos chegaram ao topo. Quando saltei na água, notei que o riacho era muito fundo sim! Um pouco mais que três metros de profundidade. E a correnteza estava muito forte. Como foi que eles conseguiram sair? Permaneci na água ainda com o corpo paralisado por causa do frio. A correnteza estava me levando para um paredão de rochas. Acabei me engasgando com a água. Ouvi os meninos gritarem lá de cima:

- Luna! Vem logo!

Quando olhei pra cima, para vê-lo, senti um impacto tão grande na minha cabeça, que minha respiração ficou cansada. Eu estava afundando e me esperneava dentro d’água gelada pra alcançar a superfície.

BY: J. B.

- Cara, eu não estou vendo mais minha irmã! – Lucas se inclinou um pouco aflito.

- Ela sabe nadar? – eu dobrei as barras de baixo da calça.

- Melhor do que eu!

- Então eu vou ver lá.

Pulei novamente do penhasco e procurei-a pela superfície. O barulho intenso dificultava as coisas. Suguei o ar pela boca, guardando-o nos pulmões e mergulhei. Por dentro d’água, vi a imagem um pouco ofuscada de Luna afundando cada vez mais. Com um pouco de dificuldade, consegui agarrar o seu braço e levá-la á terra firme.

- Luna! – Lucas veio tropeçando nas pedras, quando eu carregava seu corpo flácido até a margem.

Ela começou a tossir água quando finalmente acordou.

- Você está bem? – seu irmão a perguntou.

- Deu um belo susto na gente, guria! – eu me levantei.

- Eu estou bem. Só bati a cabeça. – ela falou com a boca trêmula.

- Desculpem! Foi uma idéia muito idiota, essa minha!

- Está tudo bem, Júnior! – Luna apontou pra cima, pra buscarmos nossos calçados.

Quando voltamos á reserva, vimos de longe meu pai discutindo com Lovegood e mais o pai do Arthur e o pai do Matheus. Assim que nos avistaram, vieram correndo em nossa direção. Acho que iríamos levar bronca.

- Onde vocês se meteram? – meu pai pôs as mãos nos meus ombros.

- Eu já ia chamar a guarda florestal pra procurar os corpos! – Lovegood abraçou os filhos.

- Pai, não seja tão escandaloso! – Lucas reclamou.

- Nós já vamos embora. Hoje o mar não está pra peixe. Obrigado, companheiros! – Lovegood fez sinal para os pais dos meus amigos, agradecendo.

Depois que eles foram embora, nessa confusão toda acabei esquecendo-se de falar algo muito importante.

BY: E. C.

Á mais de um mês eu não falava com ela.

Á mais de um mês eu não a via adormecer.

Eu sabia que faltava menos de uma semana para a grande festa. Eu tinha que agir depressa. Eu não era o único a desejar sua alegre companhia. E antes da nova semana começar, na calada da noite, escalei até o quarto de Luna Lovegood. Mas quando olhei pra sua cama, estava vazia! Virei o rosto e lá estava ela, dormindo sentada numa cadeira com a cabeça deitada sobre os braços cruzados numa escrivaninha. Ao me aproximar das suas costas, quase fiquei em estado de choque. Sobre o caderno aberto na mesa da escrivaninha, havia uma caneta. Mas essa caneta estava em pé e escrevendo nas folhas sozinha. Como se estivesse enfeitiçada! Toquei em seu ombro e ela acordou assustada. Sem notar a minha presença, começou a se desesperar, arrumando os livros e o caderno.

- Ai, meu Deus! Eu tenho que terminar isso...

- Luna...

- Esse trabalho é pra amanhã! Eu vou tirar nota baixa outra vez... – ela não parava quieta.

- Luna... – eu continuei do lado dela.

- Eu tenho que acabar antes que...

- Luna! – eu mexi os seus ombros como uma boneca de pano.

Ela olhou pra mim mais assustada ainda.

- Se acalma! Não se preocupe. Deixe isso aí que eu termino pra você.

- Mas...

- Mas nada! Você precisa dormir. Pode deixar.

Ela olhou meio sonolenta pra caneta, que não parava de escrever sozinha, e a fez cessar. A caneta parou, rolando sobre as folhas do caderno.

- Hãn... Obrigada, então. – ela se posicionou de pé.

Eu ainda fiquei olhando um pouco pra caneta enfeitiçada, intrigado.

- Não senhorita! Isso não vai sair barato, não.

Luna caiu sentada na cadeira.

- O que? Ah, Eduardo, faça-me um favor! São uma hora da madrugada e...

- Dá pra você se acalmar!

Ela respirou fundo e cruzou os braços e as pernas. Vestida apenas com umas meias listradas até os joelhos e um short curto, sob uma camiseta longa.

- Farei esse trabalho pra você. Mas, em troca, você irá ao Baile de Verão do colégio comigo.

- Ah... – Luna ficou sem voz. – Ta-tá bom! – ela gaguejou.

Eu ri silenciosamente.

- Agora, — tirei-a da cadeira e a coloquei nos braços. – você tem de voltar a dormir. Pois, nos sonhos, entramos em um mundo que é inteiramente nosso. Desde que mergulhe no mais profundo oceano... Ou flutue na mais alta nuvem.

Deitei-a na cama e ela se cobriu, fechando os olhos. Retornei á escrivaninha e completei seu trabalho de Geografia. Deixei-o pronto e organizado dentro do caderno, antes de voltar pra casa.

BY: L. L.

Na segunda-feira, antes da primeira aula, as meninas vieram correndo pra me dar a notícia. Samuel tinha convidado a Sophia, Diego convidou a Deborah e meu irmão a Bárbara.

- Mas e você, Luna? Eu soube que alguns garotos do basquete estão de olho em você! – disse Deborah.

- Ah, não. Um amigo já me convidou.

- Quem? – Bárbara quis saber.

- Eduardo Cullen.

- Eduardo Cullen? Aquele gato? – Sophia pulou no meu pescoço.

Parecia que ela ia me estrangular. Eu me benzei.

- Mentira! Me conta agora! – Sophia me pressionou contra a parede.

O sinal tocou. Salva pelo gongo.

Á tarde, a mãe da Deborah nos deixou no shopping para escolhermos os vestidos. Chamamos bastante atenção com os nossos looks descolados. Eu fui de bota e calça jeans. Bárbara estava usando um vestidinho de mangas curtas e sandália. Sophia vestia uma minissaia com sandália também. Já Deborah foi de capre e tênis converse all star.

Entramos em várias lojas, mas não encontramos nada de especial. Enquanto andávamos, vi de longe Alice Cullen numa sessão de vestidos de festas, numa loja que parecia ser bastante cara.

- Hummm... Meninas, vão andando. Eu encontro com vocês depois.

- Ok! Daqui a pouco eu ligo pro seu celular então. – Bárbara me assegurou.

Assim que entrei nessa loja, Alice me avistou e veio quase que correndo me abraçar.

- Luna! Que bom te ver aqui!

- Ai, Alice. Você esta me sufocando...

- Oh, desculpe. – ela me mostrou um largo sorriso.

Estava fofa usando um vestido sobretudo e uma legging curta, com uma sandália em forma de sapatilha. Seu cabelo curtinho fashion e sua face delicadamente angular me deixaram sem assunto.

- Você está sozinha? – ela me puxou pra dentro da loja.

- Não. Minhas amigas estão por aí. Nós viemos comprar vestidos pro baile.

- Ai, que ótimo! Como é o seu?

- Hãn... Eu não consegui achar ainda...

- Perfeito! Vamos! Vou te mostrar uns que eu vi por aqui!

Ela me mostrou vários vestidos. Um mais lindo do que o outro. E outros mais caros que os demais também.

- Eu acho esse lilás clarinho a sua cara! – ela tirou um vestido rodado, tomara-que-caia, de cetim e babados e me empurrou até o provador.

Quando eu vesti e saí da cabine para mostrá-la, Alice já o tinha pagado.

- Ficou deslumbrante! Vai ser esse mesmo! É de presente pra você!

- Ah... Alice, eu... – eu fiquei vermelha como um tomate.

- Que é isso, querida! Agora tira para poder mandar empacotar.

Enquanto saíamos da loja, ela me contou.

- Meu irmão, Eduardo, vai adorar ver você com esse vestido!

- Hummm... Mas os outros Cullens não devem estar nada satisfeitos com essa história, não é? – eu quase sussurrei.

Ela segurou na minha mão. Apesar de ela estar usando umas luvas chiques de couro fino, ainda senti-las frias. Sentamos próximas a um chafariz.

- Escuta. – ela começou. – Raqueli não é nenhuma princesa de contos de fada. Quanto ao Emanuel, ele pode não ter nada na cabeça, mas o meu Jonnatah tem. E você tem razão! Ele acha que isso pode ser um pouco perigoso... para nós. Mas isso está fora de cogitação!

- Ah... OK! – um monte de interrogações surgiu ao redor da minha cabeça.

Nesse instante meu celular tocou.

- Oh, é a Bárbara! Eu tenho que ir agora.

- Está bem... – nos levantamos.

- Mas, Alice, mas uma vez obrigada pelo vestido!

- Foi de coração! Até mais!

Despedi-me de Alice e fui até a praça de alimentação. Eu e as meninas saboreamos milk-shakes de chocolate.

BY: J. B.

Poucos dias depois eu soube através de Lucas que sua irmã já havia sido convidada. Tarde demais, Júnior Black!

Eu e meus amigos da reserva conseguimos alugar uns smokings simples pro baile. Eu convidei uma garota chamada Camila. Até que ela é legal, mas não chega nem aos pés de Luna Lovegood.

Duas noites antes da festa, o pai de Felipe farejou pela floresta o corpo de um homem já morto. Ele devia estar acampando próximo nas montanhas quando foi atacado. Sr. Goyle – o pai de Felipe – disse que no corpo do homem havia vestígios de mordidas e o sangue dele foi completamente drenado.

- Malditos vampiros! – meu pai se enraiveceu quando soube desse fato.

BY: L. L.

Finalmente sexta á noite. O ginásio do colégio estava todo enfeitado e cheio de holofotes. Lucas deixou o carro no estacionamento e me acompanhou até a entrada, onde de longe avistei Eduardo me esperando, ao lado da mesa de ingressos. Eu olhei para o espaço de dança; um espaço grande havia se aberto no espaço, onde dois casais rodopiavam graciosamente ao som da valsa dançante. Os outros dançarinos se empurravam nos lados para dar espaço á eles – ninguém queria contrastar com o brilho deles. Emanuel e Jonnatah estavam intimidantes e indefectíveis em seus smokings. Alice estava fabulosa num vestido preto e Raqueli glamorosa num vermelho decotado. Eduardo comprou nossos ingressos, e então me virou na direção da pista de dança. Eventualmente me arrastou pra onde a família dele estava rodopiando elegantemente – em um estilo que não se adequava nem um pouco á música que estava tocando agora.

- Eduardo... – minha garganta estava tão seca que eu quase não consegui sussurrar. – eu honestamente não sei dançar...

- Mas eu sei! – ele sussurrou de volta.

Senti como se várias borboletas embrulhassem meu estômago. Sinceramente, os Cullens eram inumanamente belos e atraentes. Sem falar nos seus lábios rubros. Rubro como a cereja... Como o vinho... Como o sangue!

Ele colocou meus braços ao redor do pescoço dele e me segurou firme pela cintura. E então estávamos rodopiando também.

- Eu me sinto como se tivesse cinco anos de idade. – eu sorri depois de alguns minutos de rodopio sem esforços.

- Você parece ter cinco anos de idade. – ele murmurou, me puxando mais pra perto.

Alice encontrou meu olhar numa volta e sorriu me encorajando – eu sorri de volta. De repente, vi Eduardo olhando furiosamente pra alguém. Eu segui a visão dele. Júnior estava andando em nossa direção quando se aproximou.

- Poderia me dar a honra de conceder a dama por um momento? – ele brincou formalmente.

As mãos de Eduardo hesitaram na minha cintura, mas ele logo cedeu. Ele foi pra um canto do salão, nos analisando de longe. A roupa de Júnior não era tão luxuosa como a dele, mas ninguém parecia se importar com isso.

- Belo vestido! – ele começou, dançando meio desengonçado.

- Obrigada! Quem é o seu par?

- Ah, eu convidei Camila Midgen. – ele olhou um pouco mais abaixo do meu colar de lua.

- E cadê ela?

- Ta ali atacando o buffet de salgadinhos.

Nós rimos. Mas depois eu me preocupei com a mão de Júnior que ia descendo pela seda do meu vestido. E também pela vigilância de Eduardo. A música logo acabou.

- Você não quer ir pra um lugar mais fresco? – ele me perguntou casualmente.

- Não, ela não quer. – Eduardo respondeu por mim.

Júnior se intimidou e em seguida voltou pra procurar por Camila. Os holofotes iluminaram um palco montado onde o coordenador subiu para prestar os agradecimentos e anunciar a princesa da festa – votação que apenas os garotos fazem. Entregaram na mão do coordenador um pequeno envelope e quando ele anunciou, eu quase tive um ataque-cardíaco!

- Luna Maria Lovegood!

Eu tentei me esconder na multidão. A cara da Sophia transbordava inveja.

- Vai garota! Que sorte! É você! Parabéns! – Bárbara me puxou pela mão até o palco. Eu subi as poucas escadas já tremendo. Colocaram uma fina tiara de princesa com stress na minha cabeça e eu recebi um lindo buquê de flores. Senti uma mão pesada me empurrar até o microfone no centro. Falei sem pensar num único sopro.

- Eu queria agradecer á todos pela homenagem e principalmente pros colaboradores e organizadores deste belíssimo evento!

A galera toda aplaudiu. Desci as escadas segurando o buquê e Deborah correu para tirar fotos comigo. A música da boate já ia começar quando Eduardo segurou a minha mão que estava livre e me levou até a saída. Vi seus irmãos entrarem num conversível vermelho para ir embora. Ele olhou bem intensamente nos meus olhos, sorrindo, e beijou a minha mão, num ato de despedida. Depois correu pela chuva e entrou no automóvel.

Foi tudo tão rápido, mas tão perfeito...

BY: E. C.

Foi uma noite magnífica! Conduzi pelo salão seu corpo formoso e lascivo. Cedi aos caprichos da sua face risonha e serena. Seus belos cabelos revoltos brincavam e seus grandes olhos aluados, azul-arroxeados me volveram loucamente ao som da valsa singela.

No entanto, um lobo tomou-a dos meus ávidos braços. Tomou a de mim. Sim, ele também queria o mesmo que eu. Mas eu não desistirei fácil.

Algum tempo depois, Alice teve uma visão. Há um outro vampiro por essas terras. Ele está só de passagem e não tem clã. Mas ele não é como nós – ele caça humanos.

BY: L. L.

Enfim, as últimas provas do semestre. O tempo passou tão depressa... Esforcei-me ao máximo tentando estudar enquanto meu irmão jogava vídeo-game.

- Lucas, você disse que iria me ajudar na matéria de história. Afinal, você já estudou isso ano passado. E a prova é amanhã!

- Sério! Eu não fazia idéia. Mas pra você vai ser moleza. Você se senta ao lado daquele hematófago CDF!

Sentei-me no sofá da sala, enquanto Lucas não virava o rosto da tela da televisão, concentrado no jogo.

- Ah, na verdade, nós não nos falamos mais depois do baile. O lance com ele é uma coisa física. — meu irmão riu. – Ele não é do tipo que fala muito, entende? Basicamente, fica me vendo de longe... É meio chato, sabe...

- Hum hum... – Lucas fez uma expressão maliciosa.

- Você vai hoje pro cemitério? – tentei mudar de assunto.

- Fazer o quê em cemitério? – ele pausou o game.

- Lucas! Hoje faz oito anos que a mamãe morreu!

- Ah, Luna, me desculpe. Mas papai nem se lembra mais dessa data e eu também não gosto de entrar em cemitérios.

- Mais que espécie de filho você é?

Levantei-me indignada e fui pra cozinha. Já que meu irmão não estava olhando, desci até o porão. Dentro de uma estante, trancada com vidro, tem um cálice dourado. Dentro dele, havia uma poção. Quando minha mão tomou dessa poção, deixou para trás três filhos e um marido.

Ao finalzinho da tarde, peguei o metrô Plataforma nove três quartos e fui até o único cemitério da cidade. Os altos jazigos e sepulturas mais pareciam um enorme labirinto. Tive um pouco de dificuldade para recordar o de minha mãe. A única rosa branca que eu trazia nas mãos, furou o meu dedo num espinho. Limpei o sangramento na blusa. O céu já estava escurecendo, com corvos voando por perto, e a névoa sob os meus pés me fez tropeçar nos pedregulhos do caminho. Arranjei alguns arranhões nas mãos. Ao me levantar para ir embora, vi um homem á poucos metros de distancia, me observando obscuramente.

- Ora, ora, o que temos aqui... Uma humana!

Suas vestes escuras não contrastavam muito com o tom da sua pele. Era pálido como um... vampiro! Ele começou a caminhar vagarosamente ao meu redor.

- Veio visitar o túmulo de algum ente querido? Não devia estar vestida de preto também? Eu estou de preto porque sempre morre alguém! – ele disse gargalhando.

Deve ter sentido o cheiro do meu sangue. Eu apertei com força o cabo da minha varinha, por dentro do casaco.

- Que pena! Uma moça tão jovem e tão saudável como você acabar assim. Talvez você só estivesse no lugar errado e na hora errada. Contudo, as circunstâncias são favoráveis. Se machucou um pouco, não foi? Tadinha! Posso ver seu corte? – ele parou de andar a minha volta e num flash já estava segurando o meu braço.

Tirei rapidamente minha varinha e apontei pro rosto dele.

- Atreva-te e o azar será todo teu! – eu tremi com a varinha na mão.

O vampiro desconhecido reagiu num espanto. Se afastou e ficou olhando a minha varinha.

- Feiticeira! Sabe que eu sou forte e rápido o bastante para tomar isto de suas mãos, não sabe?

Corri o mais rápido que pude por dentro do nevoeiro.

- Não dê as costas pra mim, humana! – ele ficou parado me vendo correr. – Quero que olhe pra mim quando matar você! Quero ver a luz deixar os seus olhos!

Descobri um mito falso: sugadores de sangue não têm medo de cruzes.

- Everte statum! – por detrás de uma lápide, joguei meu adversário para longe dando piruetas no ar.

Isso só fez piorar a situação. Ele se levantou e, ainda sorrindo e sedento, ficou estavelmente parado no mesmo lugar.

- Eu vou te matar depressa, eu prometo. Você não vai sentir nada. Serei misericordioso!

- Como queira! – saí de trás de uma sepultura. – Alarte ascendare!

Fiz ele ascender alguns metros acima do chão e cair com um estrondo. Mas ele parecia estar ainda mais competitivo.

- Ok, ok, a brincadeira acabou! – ele chegou tão rápido que eu logo enfiei minha varinha no bolso detrás da calça pra ele não pegar. – Não estou entre os humanos porque não sou ser vivo, mas também não estou morto!

Ele ergueu o meu frágil braço e mordeu um lado do meu pulso, sugando minha seiva vital. A dor era insuportavelmente torturante. E então, do nada, vi Jonnatah e Emanuel Cullen agarrarem-no e uma briga de animais começou. Meus olhos se fecharam e não quiseram mais abrir. Caí quase desmaiada no chão.

- Ah, não, Luna, não! – senti a voz de Eduardo do meu lado soluçar um choro sem lágrimas. – Luna, me ouça, por favor, Luna, por favor! – ele implorava.

- Ela perdeu muito sangue, mas a mordida no pulso não é funda! – uma voz calma informou.

Uma dor escaldante no meu braço se espalhava rapidamente pelo meu corpo, fazendo minha cabeça latejar e queimar. Senti algo me cutucando por dentro e puxando o meu couro cabeludo.

- Eduardo, você tem que fazer isso. – era a voz de Alice, perto da minha cabeça.

Dedos frios limparam a umidade dos meus olhos.

- Temos que sugar o veneno pra fora. – enquanto eu apenas ouvia Dr. Cullen falar, eu podia sentir uma pressão maior na minha cabeça.

Parecia que ia explodir ou até estourar!

- Eu não sei se consigo fazer isso! Não sei se vou poder parar! – Eduardo continuava desesperado.

- Você tem que agir depressa, antes que seja tarde demais! – a voz tranqüila do Dr. Cullen o aconselhava.

Senti os dedos frios e fortes de Eduardo segurarem o meu braço. E então, sua mandíbula se pressionou na minha pele. Eu gritei e me contorci contra as mãos geladas que me seguravam no lugar. Eu ouvi a voz de Alice tentando me acalmar. Senti minha consciência sumindo enquanto a dor se estabilizava em um pequeno ponto. E então eu adormeci.

Acordei – acho que no dia seguinte. – com um barulho irritante de bip ao meu lado. Provavelmente eu estava no hospital. Havia uns fios pregados no meu rosto, ligados até minhas narinas. Aquilo era desconfortável. Quando tentei arrancar, uma voz me parou.

- Boa tarde, filha. Presente de seus admiradores? – era meu pai.

Olhei pra uma mesa no final da cama hospitalar cheia de doces.

- Admiradores? – eu perguntei, me ajeitando um pouco.

- O que aconteceu ontem com você é segredo absoluto. Por isso, naturalmente, muita gente já sabe! – ele se aproximou rindo. – Vejo que seu irmão lhe poupou o trabalho de abrir os chocolates.

- Lucas esteve aqui? Cadê ele?

- Relaxe, filha. Ele está lá em baixo.

Meu pai ofegou meus cabelos e então ficou sério.

- Nenhum feitiço pode ressuscitar os mortos. Acho que sabe disso. Tempos difíceis nos aguardam. E em breve, teremos que escolher entre o que é certo e o que é fácil. Mas lembre-se: você não está sozinha.

Ele deu um beijo na minha testa e saiu da sala. Meu corpo estava tão cansado que eu acabei adormecendo de novo.

BY: A. C.

Tive uma outra visão. Vi Luna Lovegood morrendo em um cemitério atacada por um vampiro. O mesmo viajante que eu vi nas minhas visões alguns dias atrás. Eduardo se desesperou! Eliza e Raqueli ficaram em casa. Quando chegamos ao cemitério, a pobre garota gritava agonizada de dor. Emanuel – com sua força fenomenal – e Jonnatah logo deram um jeito nele. Torceram a cabeça e esconderam o corpo.

Carlos disse que a morfina já estava reagindo e se demorássemos Luna morreria. Deixamos por conta de Eduardo. Sabemos que ele a ama platonicamente.

Ele limpou o sangue dela, mas o instinto foi mais forte. Tivemos que segurá-lo para não secá-la. Realmente o cheiro era apetitoso. Carlos levou Luna para o hospital e enrolou a mordida. A família dela foi avisada. Ele inventou uma história e tudo acabou bem. Quer dizer... quase tudo.

Nas tão sonhadas férias de julho, Luna viajou com seu irmão para São Paulo. Parece que vão ficar um tempo com uma tia de parte materna. O agente de polícia, Sr. Lovegood não viajou. Eles foram sozinhos. Enchi a caixa de e-mail dela, perguntando por notícias. Luna só me respondeu uma única vez:

“Alice, minha fada madrinha...

Retornarei ao findar do sétimo mês.

Saudades... L. L.”