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2 Capítulo 2 - Erros Contínuos
Notas iniciais
Fiquei muito feliz com os reviews, e irei respondê-los assim que essa semana de provas acabar ♥
Em todo caso, aqui está, o segundo ~
Já havia se passado mais ou menos um mês desde aquela vez. Nos primeiros dias, Kai realmente havia se surpreendido em como o loiro havia supostamente ‘’mudado’’. Perguntava a si mesmo quanto tempo aquilo duraria, e embora Ruki insistisse em dizer para esquecê-lo, que aquilo estava sendo uma ilusão, Kai se recusara a dar ouvidos ao amigo. Sempre levava os conselhos do baixinho a sério, mas desta vez seu grande coração iludido e inocente havia gritado mais alto.
E como sempre, Takanori estava correto. Amargamente correto. As coisas haviam voltado àquela patética rotina. Haviam voltado àquela patética e humilhante normalidade. Mas iam ser diferentes, dessa vez.
O som da chave na fechadura, a porta aberta com descaso. Dessa vez, uma mala recepcionava Kouyou na porta, depois de dois dias fora, outra vez. O loiro adentrou o apartamento, com uma das sobrancelhas erguidas.
- Kai, o que essa mala faz na porta? – perguntou, apontando para o objeto detrás de si. Ainda não havia reparado no rosto do menor, que finalmente decidira tomar uma atitude decente quanto ao fato de Uruha insistir em tratá-lo como um brinquedo. Nos primeiros dias Kouyou havia se saído muito bem quando o assunto era fingir, havia o enganado perfeitamente, e Kai não era exatamente o tipo de pessoa que caía em mentiras tão facilmente. Podia ser inocente, ingênuo, não perceber a maldade no coração das pessoas, mas sabia quando estas estavam a mentir. E Kouyou o havia enganado direitinho. Isso acontecia porque o amava ou porque simplesmente era ainda mais idiota do que já pensava ser?
Não importava mais, na verdade.
Os olhos continuavam um pouco inchados, conseqüências de um choro ridículo e que Kouyou definitivamente não era digno. Kai havia finalmente percebido. Chegara a vez do loiro.
O moreninho levantou-se do sofá, guardando o celular em um dos bolsos da calça. Deu uma última olhada na sala, com um pequeno sorriso melancólico nos lábios. Seria lindo, se a mágoa não estivesse tão visível em seus olhos. Respirou fundo. Sabia que o táxi já estava praticamente na frente do prédio, e mais nada ali o prendia. Nada além de Kouyou.
- Eu desisto. – disse, sorrindo, visivelmente esgotado. O loiro continuava sem entender nada, mas quando entendesse, talvez preferisse ter ficado sem entender. Suas mãos passearam pelo rosto de Kouyou, acariciando-o pela ultima vez. Tocou seus lábios nos dele, por uma ultima vez. Seu peito apertava. Muito. Mas aquela dor lhe seria boa. Aquela dor era para seu próprio bem. – Eu amo você, Shima. Você sabe disso, não sabe? – não lhe deu chance de responder. – Sabe, sabe sim. Mas eu não mereço isso. Eu não... – sua voz falhou, e por pouco não conseguiu controlar um soluço. Não ia chorar. Prometera a si mesmo que não iria derrubar uma lágrima que fosse. -... Eu cansei, Kou. E isso vai ser melhor pra mim e pra você. Eu aprendi a dar um pouco de valor a mim mesmo, e talvez agora você aprenda a dar valor para as pessoas, para que um dia você seja feliz com alguém que te mereça e que você mereça.
Kouyou continuava encarando-o, visivelmente confuso. Tudo que Kai dizia fazia e não fazia sentido ao mesmo tempo. Suas palavras chegavam claras e formavam frases coesas em sua mente, mas algo ali não fazia sentido.
- Você vai fazer o quê? – perguntou, sem perder a típica pose, por mais que por dentro estivesse confuso. – Ir embora?
Realmente não quis acreditar na resposta do moreno.
- É. – respondeu, com um de canto. – Vou embora. – e passou pelo outro, pegando a mala e tocando a mão na maçaneta, hesitando por uma fração de segundo. Piscou, respirando fundo. – Tchau, Shima. Eu amo você.
A porta se fechou lentamente, em um ‘’clic’’. Silêncio. Silêncio ensurdecedor. Kouyou ainda mastigava as palavras de Kai, com os olhos um pouco arregalados. Não esboçara uma única reação diante do menor, e internamente gritava.
Mas ele ia voltar. Ele sempre voltava. Sempre estava ali. Ele o amava, não é mesmo? Ele ia voltar, não ia?
Esperou um minuto.
Dois.
Três.
Quatro.
Cinco.
Seis.
Sete.
Oito.
Nove.
Dez.
‘’O quê?’’ gritou internamente, depois de dar-se conta de que Kai estava falando sério. Os olhos estavam fixados na porta, e Kouyou estava bastante chocado com a atitude do moreno. Muito chocado, na verdade. Mais chocado do que nunca. Tratava-se de Kai. Ele sempre fora uma pessoa paciente, e mesmo em seus surtos de raiva, acalmava-se e logo voltava a sua personalidade doce de sempre. Mais do que isso. Kai sempre voltava para ele. E desta vez as coisas estavam sendo diferentes, porque jamais havia visto tanta determinação nos olhos de seu moreninho. ‘’Seu’’ porque ele sempre voltava, e se sempre voltava, era porque lhe pertencia. E agora, estava deixando-o.
Também não entendia a razão pela qual seu peito apertara tanto quando Kai lhe dissera que ia embora. Não era como se amasse Kai, não era como se aquilo fosse lhe importar. Não era como se o moreno fosse fazer tanta falta. Definitivamente, não era como se ele nutrisse algum sentimento por ele. Não era como se ele nutrisse algum sentimento desse tipo por alguém.
Era?
XXXXXXXXXXXXXXXXX.
A porta se fechou. Vacilou por um segundo. Pensou em dar meia-volta. Encostou-se nesta, suspirando pesadamente e passando uma das mãos pelo rosto. Não podia voltar. Não podia. Não podia correr atrás dele de novo.
Não houve perguntas. Não precisou fingir que não dava a mínima. Kouyou sabia que estava magoado. Sempre soubera, na verdade. E desta vez não haveriam aqueles falsos pedidos de desculpa. Não presenciaria aquela ceninha tão conhecida. As coisas eram diferentes agora.
O celular vibrou em seu bolso. Ruki lhe mandara uma mensagem dizendo que ele o táxi já haviam chegado. Certo. Hora de ir. Olhou para a porta mais uma vez, como que tentando ver Kouyou através desta. Um adeus mudo e saiu correndo, sem olhar para trás.
- Nee, Kai-chan, — disse Ruki, assim que o amigo sentou-se à seu lado no carro. – pensei que ia desistir. Sinceramente, estou orgulhoso de você.
Kai retribuiu o pequeno sorriso do pequeno, mesmo que por dentro estivesse qualquer coisa menos feliz. Na verdade, com o tempo, aprendera à sorrir em qualquer situação. Vivia com Kouyou, afinal.
Suspirou, tentando conter aquele lençol de lágrimas que se formava em seus olhos. Os pequenos dedos de Ruki acariciaram seu rosto e seus cabelos, para depois abraçá-lo ternamente.
- Eu sei que está doendo. – murmurou. Não gostava de ver seu melhor amigo triste daquele jeito, ainda mais por causa de Uruha, que, embora fosse seu amigo, não merecia o amor que Kai lhe depositava. Na verdade, Takanori se perguntava se existia alguém no mundo que fosse digno de Kai. As pessoas eram tão sujas, tão cruéis, e Kai era tão inocente, doce, meigo. Precisava de alguém à altura, não de um filho da puta feito Uruha, disso tinha certeza. – Olha, você não quer voltar pra ele, Kai. Você não quer continuar na mão desse idiota.
- Eu gosto dele, Taka. – soluçou, quebrando toda e qualquer promessa que havia feito sobre não derrubar uma lágrima que fosse. – Eu amo ele, demais. Eu amo tanto o Kouyou que dói . – outro soluço, e desta vez não tentou controlá-los. Se não pudesse chorar no ombro de Ruki, choraria no ombro de quem? Mesmo com as lágrimas, deixou que um sorriso melancólico surgisse em seu rosto. – Eu sou muito idiota por isso?
O baixinho retribuiu o sorriso triste, apoiando a cabeça no ombro do amigo.
- É. – respondeu, baixinho, olhando de relance para fora do vidro do táxi. Já haviam se afastado consideravelmente do prédio. Uruha precisava aprender uma lição, e desta vez sim Ruki se empenhara para ajudar à ensiná-lo. Lá fora, um chuvisco depressivo caía, combinando com o ânimo geral. O pequeno sorriso brotou em seus lábios novamente. – O maior de todos.
Notas finais
[/risca/] e reviews sempre serão aceitos e bem-vindos, ok? /apanha [/risca/]
See ya! ~
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