Up To No Good
19 Senti Sua Falta...
Notas iniciais
O QUE ACONTECEU?
FRED.
VOCÊ SUMIU, TO PREOCUPADO. É POR MINHA CAUSA?
FRED.
POR QUE VOCÊ NÃO QUER FALAR COMIGO? ME RESPONDE!!!
FRED.
Sentada na cama, Charlotte lia séria os inúmeros recados desesperados de Fred. O rapaz tinha deixado muitas mensagens em sua janela e quando Rose os entregou, deixou a menina sozinha para que pudesse ler em paz. Em alguns ela sentia vontade de chorar, em outros ela ria. Mas em todos sentiu saudade de Fred. A garota fez questão de ler todos os recados, e demorou um pouco pra conseguir. Quando finalmente estavam todos lidos e empilhados no criado-mudo, a pequena coruja-de-crista de Fred deixou mais um em sua janela.
ROSE ME CONTOU. DESCULPA :(
PRECISAMOS CONVERSAR.
FRED.
“Precisamos conversar”. Ele não marcou dia ou horário, só disse que precisavam conversar. Isso deu a Charlotte a correta impressão de que ele não iria pressioná-la a nada, ele esperaria o tempo da menina. Charlotte estava amando essa sensação do rapaz arrependido correndo atrás dela. Era algo novo e estranho, porém incrível. Ela poderia viver com essa sensação para sempre se isso não estivesse obviamente fazendo mal a Fred. Então com aquela cartinha de pedido de perdão na mão ela tomou uma decisão. Preciso encontrar ele!
Antes de deixar o quarto, aproveitou para ver sua poção que já estava assentando há dias embaixo de sua cama. Pra sua sorte, ela já estava pronta. Charlotte quase surtou quando Rose percebeu um cheiro estranho, mas bastou dar um pequeno ataque que a ruiva voltou sua atenção unicamente a ela. Nossa, nem sei o que eu faria se ela descobrisse. Mesmo depois de tudo que havia acontecido, Charlotte não tinha a menor intenção de desistir de Scorpius, mas agora estava pensando se não tinha exagerado com esse plano da poção do amor. O plano era simples: colocar a poção na bebida de Rose e fazer a menina se apaixonar pela primeira pessoa que visse. Mas agora não sabia mais se queria mesmo isso. Rose tinha se mostrado diferente do que Charlotte pensava e não merecia isso. Ainda sem saber o que fazer, pegou um pouco da poção e colocou em um frasco, por precaução. Talvez pudesse ser útil.
Nos jardins de Hogwarts já podia se ver algumas flores desabrochando, prontas para a bela primavera. Não havia mais neve alguma e o calor já começava a tomar conta. Tímido, o sol aparecia pouco a pouco saindo detrás de uma nuvem. Perto da casa do Prof. Hagrid, Fred tomava sol sentado na grama junto de James. Ao longe, Charlotte o viu e ficou parada esperando que o rapaz a visse também. Quando isso aconteceu, ele balançou a cabeça apontando para o lado de uma das torres ali perto, onde teriam privacidade. Charlotte foi pra lá imaginando se ele precisaria de uma boa desculpa para se livrar de James e falar com ela. Ficou rindo sozinha esperando pelo garoto. Já tinha começado a pensar de maneira diferente sobre o acontecido daquela noite no corujal. O sermão de Rose a fez reconsiderar todo aquele drama que estava fazendo. Scorpius não precisava saber do beijo, ninguém precisava saber. E ninguém jamais desconfiaria. Enquanto falava sem parar, Rose tinha dado uma pista que era útil pra Charlotte. A ruiva mencionou que é uma suspeita de todos que ela e Scorpius têm algum tipo de relação. Talvez eu possa tornar isso realidade. Talvez a poção... Não! Charlotte, você está mesmo considerando enfeitiçar Scorpius pra ele gostar de você? Ela sentiu nojo de si mesma por imaginar essa situação.
– Senti sua falta. – Fred se aproximou em silêncio e com uma certa hesitação. No seu rosto, vergonha e arrependimento. – Olha Benningham, eu... Me desculpa! Eu não sabia e você não falou nada... Eu to com tanta vergonha do que fiz. – Os olhos do rapaz se encheram d’água. – Eu estraguei tudo. Desculpa mesmo! – Ele fez menção de sair andando, mas Charlotte seguiu seu instinto e segurou o garoto, não deixando ele ir embora. Os dois ficaram cara a cara em silêncio por algum tempo.
– Tudo bem, não tem problema. – Fred olhava fixo pro rosto de Charlotte, sem nem piscar, deixando a garota mais nervosa. Mas mesmo assim ela fez questão de transparecer segurança na voz da maneira que pôde. – Só não conta pra ninguém, okay. Não é da conta de ninguém.
Os olhos de Fred brilharam e o rapaz soltou um meio sorriso ao ouvir as palavras da morena. Como se o apelo por silêncio significasse algo mais pra ele. Fred foi aproximando o rosto de Charlotte, que estava preste a entrar em desespero de novo sem saber como agir diante daquela situação.
– Eu não conto, prometo. – O sorriso irônico voltou aos seus lábios de repente. Ele não era mais o menino inseguro e chorão que tinha chegado lá, sua confiança havia sido restaurada. – Se você prometer que vamos fazer de novo um dia desses.
Sem reação, Charlotte não conseguiu responder à proposta dele. Como assim? O que isso significa? Antes que ela pudesse pensar no que fazer, os dois se assustaram ouvindo as vozes de James e Alvo se aproximando gritando o nome de Fred. Charlotte tentou se mover, mas Fred a segurou pelo braço. Chegou bem perto do ouvido da menina e sussurrou pra ela a data e local do próximo encontro dos dois. Ela não respondeu, não riu e nem pensou nada. Só se soltou e correu pra longe dali, pensando na humilhação pública de ser encontrada num canto isolado do castelo com Fred sussurrando algo em seu ouvido. Não pretendia ser flagrada com o rapaz de jeito nenhum, nunca. Por isso gostava das ideias dele de se encontrarem em lugares isolados, em horários que ninguém vai. E dessa vez ela estaria preparada para o que pudesse acontecer.
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