Up To No Good
1 Prólogo
Notas iniciais
Ela acordou desanimada como se fosse uma manhã qualquer, mas não era. Ah é, hoje é o dia..., pensou. Levantou da cama para se arrumar pra mais um ano em Hogwarts. Por sorte, uma de suas empregadas já tinha limpado a gaiola de sua coruja albina e a alimentado para a viagem. — Pronta pra tudo de novo, Diana? — se dirigiu à mascote que tinha sido sua melhor amiga nos últimos quatro anos. O cabelo castanho enorme todo desarrumado, os olhos castanho-escuros ainda sonolentos... Tomou um banho, fez sua longa trança de lado e se vestiu com calma, pois ainda tinha muito tempo. Uma das características mais marcantes de Charlotte Benningham era sua incrível — e exagerada — pontualidade. Enquanto se vestia, percebeu que o robe da Sonserina estava quase no meio das canelas. Cresci... Que incomum. Seu tamanho havia sido motivo de piada por tantos anos que ela nem ligava mais. Mas já estava na hora de crescer, todas as outras garotas de quinze anos já tinham quase o dobro de sua altura. Ninguém está vendo, então... Um simples feitiço com as mãos cuidou do assunto e aumentou a barra do robe até os tornozelos, como ela gostava. As outras garotas podiam ser mais altas, mas quase nenhuma tinha a inteligência e a aptidão para magia de Charlotte.
Ao descer as escadas encontrou com sua mãe, Duquesa Michelle Benningham, correndo apressada para o treino dos Puddlemere United. — Atrasada? — Questionou. — Devia acordar mais cedo. — Charlotte tinha muito orgulho de ter herdado a pontualidade e a precisão do pai. — Você sabe como é a temporada de campeonatos… Boa sorte hoje em Hogwarts, tente não bater em nenhum primeiranista. — respondeu sua mãe bancando a engraçada pouco antes de sair correndo para o carro que a esperava na entrada. A menina também se orgulhava de não ter herdado o senso de humor da mãe.
Tomou café com seu pai, calados como sempre. O Duque de Benningham sempre lia seus jornais na mesa do café: primeiro o Financial Times, depois o The Observer e enfim o Daily Prophet. Sua leitura era tão intensa que o nobre jamais conversava durante a refeição matinal. No máximo, deixava escapar um "Bom dia". Era como Charlotte e sua mãe sabiam que as coisas iam bem no Ministério da Magia. Tudo pronto, ela se levantou para sair da mesa quando seu pai a chamou. — Charlotte, espere. Eu espero que tudo dê certo pra você esse ano. Tenho certeza de que vai me dar muito orgulho de novo. — Charlotte amava seu pai, mas a pressão que ele fazia sobre ela era simplesmente… injusta. — Mande lembranças ao Severo. — E ele ser amigo de seu professor mais exigente não ajudava em nada a relaxar.
Chegando em King’s Cross sentiu o mesmo de todos os anos: raiva das crianças confusas perguntando aos guardas sobre a plataforma 9 3/4. Um dia a magia vai ser descoberta por todos os trouxas graças aos primeiranistas. Passou ao lado de um grupo de novos alunos que viram a coruja e uma Firebolt em sua bagagem e a seguiram. Além é claro do uniforme da Sonserina, que a garota fazia questão de vestir ainda em casa. Ela sentia um enorme orgulho de ostentar as cores de sua casa para quem quisesse ver desde cedo. Pôde sentir os olhares curiosos quando parou entre o vão das plataformas 9 e 10. Atravessou o portal e seguiu para entrar no seu trem e pegar o melhor lugar — que era na cabine número cinco, ponto de encontro comum com seu melhor amigo que sempre a acompanhava na viagem. Estava adiantada, como sempre. Poucos alunos já haviam chegado à plataforma. Alguns sonserinos com quem ela trocava poucos "oi" e "tchau", grifanos e corvinos detestáveis e o time de quadribol lufano quase inteiro. É incrível como eles estão sempre juntos. Antes de despachar sua bagagem e subir no trem, deu uma última olhada para checar se seu amigo ainda não tinha chegado, mas não o encontrou. Porém não conseguiu subir, pois seu olhar a prendeu nos olhos verdes de um certo ruivo há alguns metros de distância...
...
Ali perto, brincando e rindo com seus amigos, ele percebeu a olhada nada discreta da aluna da Sonserina que ele nem conhecia, mas com certeza já tinha ouvido falar... Ela não jogava quadribol? Logo seus companheiros perceberam a distração dele e tomaram sua atenção de volta. Mas não importava o que se falava ao seu redor, ele não parava de pensar nos olhos castanhos que o fitaram por alguns segundos. Esse ano vai mesmo ser muito bom!
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