Up To No Good

2 A Caminho


Notas iniciais
Boa leitura!

Dentro do trem estava tudo calmo, muito diferente da bagunça do lado de fora. Quase ninguém havia entrado e os poucos que o fizeram esse ano não tentaram invadir a cabine número cinco, que era quase "propriedade" de Charlotte. Tudo está indo bem, a caminho de um ano sem perturbações... Pelo menos assim ela queria.

Não demorou muito, a bagunça do corredor começou. Sua porta estava fechada, mas ela podia ouvir claramente os gritos e risadas dos outros alunos que ela considerava medíocres. Dentre estes, um grupo especial. Aqueles que ela não suportava nem imaginar seus rostos, aqueles que eram os mais populares de Hogwarts e que agiam como se merecessem esse título, aqueles cujas cabeças eram — majoritariamente — ruivas. Todos aqueles com os sobrenomes Weasley e Potter, além de seus amigos. Charlotte não era muito social, não tinha muitos amigos — na verdade só tinha um — e não fazia questão de conhecer pessoas novas. Todos tinham medo da morena e nunca se aproximavam. Uma vez ou outra, quando alguém tentava, era tão mal recebido que desistia logo. E isso acabou dando uma certa fama à garota. Porém, apesar de tudo, ela não realmente odiava as pessoas, só não as queria por perto. A única exceção dessa regra eram os irmãos e primos dessa enorme família famosa. Quem tivesse esses sobrenomes, era naturalmente inimigo de Charlotte. E o sangue fervia quando ela via algum deles, especialmente no trem quando eles chegavam todos juntos fazendo bagunça. A correria e gritaria no corredor significava que eles estavam entrando. Mas não era suficiente que eles chegassem, tinham que invadir seu espaço.

Num baque, a porta da cabine número cinco abriu violentamente e uma mala enorme foi invadindo o local. Atrás dela, uma ruiva por quem Charlotte nutria uma implicância especial. Rose Weasley, também aluna do quinto ano da Sonserina entrava com toda a sua bagagem na cabine de Charlotte, sem nem olhar onde pisava. Mas bastou um olhar de reprovação da morena que a fez parar e perceber onde estava.

– Ah meu De... O-o-oi Char... errr Benningham. — Algo que ela não suportava era ser chamada pelos colegas por seu primeiro nome. Era um privilégio que apenas um aluno de Hogwarts tinha. E é claro que Rose sabia disso.

– O que faz em minha cabine, Weasley?

– Ah desculpa, eu não vi que era a cinco... — Era óbvio que Rose não sabia onde enfiar a cara diante do olhar de Charlotte querendo assassiná-la. — O Scorpius não está aqui?

– Sai daqui, Weasley! — Charlotte se levantou e colocou todas as malas de Rose pra fora num só movimento, também empurrando a garota que caiu no chão no meio do corredor. Fez menção de que ia sacar sua varinha e finalizar seu ato de violência mas percebeu que ao seu redor, todos os Weasley e Potter observavam a cena — inclusive a monitora e capitã do time de quadribol da Sonserina, Roxanne Weasley. Deixou pra lá e pronta para fechar a porta da cabine bruscamente, percebeu que mais alguém também estava presente. Frágil e delicado, o rapaz loirinho de 15 anos mais parecia ter 12. Scorpius Malfoy era o único e melhor amigo de Charlotte, que a conheceu graças à proximidade de suas famílias desde os tempos em que os pais eram colegas em Hogwarts. O menino assistiu a cena imóvel, mas já estava acostumado com os momentos de raiva da amiga — ele era basicamente a única pessoa que nunca fora atingida por eles. Ajudou Rose a levantar, resultando num risinho tímido da menina. É claro que o momento foi interrompido por Charlotte.

– Scorpius... Bom dia. — Abriu um belo sorriso que logo se desfez. Não gostava de demonstrar suas emoções na frente das pessoas, especialmente essas. O menino não respondeu apenas entrou na cabine e respondeu ao sorriso, como se não ligasse para o que ela fez. Ele já tinha aprendido a ignorar. Entrando também, ela deu uma última olhada intimidadora aos presentes e percebeu que aquele mesmo ruivo da plataforma se aproximava do grupo com um olhar curioso, provavelmente se perguntando porque todos estavam parados ali. Qual é mesmo o nome dele? Ted... Ed... – Charlotte? — Scorpius a chamou de dentro da cabine e a fez parar de encarar o rapaz, que provavelmente já havia notado a inconveniência. Entrou e se sentou com Scorpius, para uma longa e divertida conversa, como sempre faziam na viagem de ida para a escola. Porém, por mais que Charlotte gostasse da companhia do loiro, era no ruivo que sua mente se concentrava naquela tarde...