Up To No Good

6 Primeiro Contato


Notas iniciais
Boa leitura!

Como era de costume, Charlotte foi um dos primeiros alunos a chegar para a aula. Infelizmente, era a aula que ela mais detestava. Até mais do que Estudo dos Trouxas. Nem a vida dos trouxas consegue ser mais inútil do que Trato das Criaturas Mágicas. Não tem nada aqui que eu não possa aprender em casa, com meus livros. Aliás, eu já aprendi. E é claro que ela também detestava o fato de que o professor Rúbeo Hagrid era o puxa-saco oficial do combo Weasley-Potter. E ela detestava mais ainda ter que fazer essa aula com a Grifinória, a casa oficial deles. Nada deixaria seu dia mais cinza do que já estava, mas talvez alguma coisa pudesse melhorá-lo um pouco.

Lá longe no alto da colina que os alunos eram obrigados a descer para chegar na clareira onde era dada a aula, descia correndo um grupo de alunos de várias classes diferentes que Charlotte bem conhecia. Cinco rapazes e quatro meninas, todos de cabelos ruivos exceto um baixinho que fazia parte do time de quadribol. Eram eles, mas… todos eles. Nem metade daquele grupo era sequer do quinto ano, muito menos faziam aquela aula. Charlotte não gostava nem um pouco da ideia de tê-los por perto. Quando os viu cumprimentando o professor e se preparando para invadir sua aula (que estava longe de começar, pois ainda não tinha quase nenhum aluno) contestou. — Mas o que é isso? Têm alunos do quarto e do terceiro ano aqui! Essa aula devia ser só nossa, o senhor sabe que essas pessoas podem ser distração para nós e… — antes que pudesse terminar seu discurso, James Potter, o pior de todos eles a interrompeu empurrando-a e fazendo com que ela e seus materiais caíssem no chão. — Relaxa, comensal da morte mirim! Ninguém aqui tem a intenção de te distrair! — A ironia do rapaz encheu Charlotte de raiva, o que resultou na reação mais comum de todas para ela: puxou a varinha e apontou para o nariz do garoto.

Mais alunos estavam chegando e assim que se aproximavam paralisavam ao encarar a cena da menina obscura caída no chão com a varinha apontada no meio da cara de James que tremia de medo (afinal, toda a escola sabia que ninguém conjura um feitiço como Charlotte). — Vai rir de mim agora, Potter? Eu treinei esse feitiço com seu irmãozinho há dois anos e acho que ainda sei fazê-lo. — Quando começava a sussurrar o início do feitiço Alarte Ascendere (seu favorito) o professor Hagrid tomou a varinha de sua mão. — Não vai fazer isso na minha aula. — Charlotte o fitou com raiva. — Se tem algum problema com isso vai falar com Longbottom. — Ela ainda o olhava com um semblante de desafio quando ele se virou e a deixou lá no chão. James, ainda paralisado com a reação da garota, se afastou. De repente, uma mão forte segurou seu braço e a levantou do chão. Foram as mesmas mãos que recolheram seu material do chão e o entregou. Geralmente ela faria um escândalo e ameaçaria outro feitiço, mas não desta vez.

Charlotte conhecia todos aqueles que se juntaram a sua aula. Afinal, quem não conhecia? Eles eram os mais populares de Hogwarts. Molly Weasley II, 2º ano, Grifinória: Uma baixinha sem personalidade. Lucy Weasley, 1º ano, Grifinória: Ninguém tem certeza ainda se ela sabe falar. Roxanne Weasley, 4º ano, Sonserina: Capitã do time de quadribol a quem Charlotte detesta. Rose Weasley, 5º ano, Sonserina: Goleira do time de quadribol, uma desastrada que esbarrou em Charlotte umas duas vezes. Louis Weasley, 3º ano, Grifinória: Batedor medíocre do time de quadribol. James Potter, 6º ano, Grifinória: Artilheiro do time e motivo número um da enxaqueca de Charlotte. Hugo Weasley, 4º ano, Grifinória: Um idiota que vai mal em todas as matérias. Alvo Potter, 5º ano, Grifinória: Batedor do time a quem Charlotte enfeitiçou no 3º ano. E, é claro, o único de todos que era um pouco interessante: Fred Weasley II, 7º ano, Grifinória: apanhador, o único jogador realmente talentoso do time em sua opinião e o único rapaz em toda Hogwarts (além de Scorpius) que conseguia deixar Charlotte sem palavras.

Quando aquele rapaz ruivo, alto e esbelto a fitou nos olhos e entregou seu material um arrepio subiu na espinha de Charlotte. Algo naqueles olhos verdes profundos a deixava paralisada. O rapaz deu uma olhava em seus livros antes de entregar e encontrou um curioso. — Astronomia III? É o que eu uso nas minhas aulas. Não é um pouco avançado pra você? — Charlotte estava surpresa de aquele rapaz estar falando com ela sem nenhum tipo de grosseria. É verdade que ele nunca zombou dela como seus familiares e também é verdade que aquela era a primeira vez que eles se falavam, mas mesmo assim a consideração lógica era de que ele seria um idiota como os outros. Ela tomou o livro de sua mão e tentou afastá-lo com o olhar maligno que sempre usa com todos, mas com este não funcionou. Ele sorriu timidamente e se afastou. Todos os presentes (até o professor) ficaram surpresos com a interação dos dois. A ausência de hostilidade de ambas as partes foi notada. Fred nunca foi mesmo um rapaz cruel como James, ele era só um brincalhão. Mas Charlotte não ter gritado com ele ou tentado fazer feitiço com as mãos para afastá-lo, isso sim foi estranho. Tinha algo muito esquisito acontecendo…

Todos os alunos que não eram daquela aula se ausentaram com Hagrid e voltaram alguns instantes depois trazendo um hipogrifo com eles. Hipogrifos? Meu pai me levou pra conhecer um quando eu tinha sete anos. Como essa aula é inútil… Os ajudantes de Hagrid conduziam o hipogrifo para perto de todos os alunos para que estes pudessem ter a experiência de olhar nos olhos do animal. Quando todos já tinham sido apresentados, Hagrid teve a grande ideia de permitir que um de seus ajudantes montasse no animal. É claro que Fred Weasley, um amante das criaturas mágicas, foi o primeiro a se candidatar. Ele se aproximou, se curvou diante do animal que respondeu seu gesto solene e o montou. Algo naquele rapaz especialmente lindo atraia Charlotte de uma forma inexplicável, mas ela nunca se aproximaria dele. É uma pena que ele seja um deles.

O rapaz a olhou de novo e sorriu da mesma forma que antes, deixando a garota confusa. Por que diabos ele está me olhando tanto hoje? Antes que ela pudesse chegar a uma conclusão racional o professor gritou: — E então, quem vai ser o primeiro a montar no hipogrifo com o Fred? — Um pânico tomou conta de Charlotte quando viu Fred abrir um sorriso em sua direção e chamar Hagrid. Depois de algumas palavras sussurradas no ouvido do professor este tomou sua decisão. — Charlotte! Você que se diz tão boa em tudo, vamos ver o que sabe fazer. — Ela hesitou por alguns segundos, mas não podia evitar a verdade: ela queria montar no hipogrifo com ele. Não tinha medo do animal, muito menos do rapaz. Mas estava receosa por causa de sua estranha atitude naquele dia e também pelo acontecimento no dia do jogo de quadribol. Finalmente respirou fundo e deu um passo a frente. Hagrid deu a mão para que montasse, mas ela recusou. Ora essa, eu não sou amadora. Subiu rapidamente no animal e permaneceram durante alguns segundos parados enquanto o professor explicava algo irrelevante. De repente, Fred se dirigiu a ela num sussurro: — Quer ver um lugar bem legal? — Ele deu sinal pro animal que partiu a galope e depois subiu sumindo no céu de Hogwarts. Ele é ainda mais louco do que os outros.