Up To No Good

11 Poções


Notas iniciais
Boa leitura!

De volta a Hogwarts, depois dos piores dias de sua vida, Charlotte finalmente se sentia bem. Os corredores da escola não tinham sido sua primeira escolha na hora de pensar em seu futuro, mas estranhamente tinham se tornado o lar de Charlotte. As paredes foram suas companheiras nos últimos quatro anos, os fantasmas eram como seus parentes e o dormitório da Sonserina, um quarto muito mais ligado á garota do que o seu próprio na mansão em Londres. E era entre as paredes deste que ela escolhera guardar suas mágoas sobre o acontecimento do Natal.

Desde aquele jantar, Scorpius e Charlotte não tinham mais se falado direito. Ela não tinha puxado mais assuntos com ele, mas o rapaz falava apenas de Rose Weasley. Nos dias que se seguiram depois do jantar, o menino tentou ligar e até fez uma visita á casa da amiga, mas o trato com Elle, sua empregada, foi dizer que ela estava indisposta, no banho, ocupada com a lição, dormindo... Ela fez de tudo para evitar o contato com o menino, até a viagem de volta. Desde King’s Cross até Hogwarts ele simplesmente não parou de falar da ruiva. Ele parecia muito feliz por ter alguém com quem compartilhar sua paixão secreta, mas cada palavra sua era incrivelmente dolorosa para Charlotte que havia esperado anos para ouvir estas mesmas palavras se referindo a ela. A menina apenas conseguiu acenar com a cabeça e mostrar um sorriso fraco para tentar esconder o que sentia, sem sucesso. Scorpius percebeu diversas vezes o desânimo da amiga, mas não conseguiu descobrir o problema. Isso era algo que Charlotte jamais dividiria com ninguém além de sua coruja, Diana. Sua amiga seria a única a saber do vazio em seu coração. Ela não chorou, não gritou, não ficou na cama comendo chocolate. Levantou a cabeça e seguiu em frente, rumo a sua aula de Poções com o Prof. Severo Snape. Ótimo, tudo que eu precisava era uma aula com ele agora.

Foi a primeira a chegar na sala de aula, como sempre. O professor Snape já estava lá esperando os alunos para mais um tempo de uma sessão dolorosa – e para Charlotte, divertida – de tortura aos ignorantes que não conseguiam entender a matéria. De fato, Poções nunca foi a matéria favorita de Charlotte. Além, é claro, de Estudo dos Trouxas, essa era a única em que não tinha nenhum preparo. Nada em sua vida a proporcionou experiência em poções. Com a mãe jogadora profissional e o pai um homem de negócios, não tinha ninguém para lhe ensinar poções. Elle se tratava de um aborto, nunca tinha nem ido à escola de magia. Sabia tudo pelos livros, a teoria era fácil, mas colocar a mão na massa e fazer uma poção vingar não era simples. E o professor Snape não tornava o aprendizado mais simples. Por mais que ele e seu pai tivessem um bom relacionamento de ex-aluno e professor, o tirano não dava trégua.

Quando todos finalmente tinham chegado, a aula começou. Claro que foi o de sempre: Grifanos de um lado e Sonserinos do outro. Scorpius, ainda na tentativa de saber qual era o problema da amiga, sentou ao seu lado e tentou puxar conversa escrevendo no caderno.


O que houve, Char? Foi algo que eu fiz? :(


Charlotte leu e riu, não conseguindo mais dar gelo no amigo.


Nada não... Problemas pessoais.


No mundo daqueles dois, “problemas pessoais” só podia significar uma coisa: Briguei com meu pai. Na verdade não exatamente brigas, porque Charlotte e Scorpius eram disciplinados demais. Mas os dois sempre tinham pequenos desentendimentos com os pais que eram bastante desagradáveis. Tanto o Sr. Malfoy quanto o Sr. Benningham eram severos na educação dos filhos e não admitiam que eles tivessem qualquer tipo de opinião divergente da deles. Isso, é claro, geralmente causava um conflito. E quando tal coisa acontecia, eles não gostavam de conversar sobre.


Ah tá, tudo bem. Então pode me ajudar com uma coisa?


Ela acenou que sim com a cabeça, sem saber o que esperar. Por um segundo passou por sua cabeça a ideia de que talvez o amigo pedisse ajuda com Rose. Mas ele não faria isso... Certo?


Eu queria ajuda com a Rose... Será que você pode ficar amiga dela? *-*


Charlotte se controlou para não pegar o caderno e bater na cara de Scorpius com ele. Tudo bem, ele nunca foi um gênio do raciocínio lógico, mas será possível que ele nunca tinha percebido que entre todas as pessoas por quem Charlotte tinha implicância, Rose era “especial”? O sentimento da menina pela ruiva era ainda mais intensamente ruim do que o que ela nutria pelos outros Weasley. Talvez porque, bem lá no fundo, Charlotte previa algo desse tipo acontecendo. Não conseguiu responder a frase do amigo por não saber o que dizer. Não queria dizer não, mas também não queria ajuda-lo a namorar sua inimiga mortal. Tentando agir naturalmente, fingiu estar interessada na aula. Por um segundo observou Rose, sentada no lado esquerdo – o lado “grifano” – da sala, duas fileiras à sua frente, prestando bastante atenção na aula. Aparentemente, a menina era ótima em Poções. Ela olhava atentamente a explicação que Charlotte e Scorpius perdiam do professor Snape sobre poções do amor e suas consequências. Poções... Do amor? Isso, poção do amor!


...


Mais tarde, horas depois do fim da aula, Charlotte subiu correndo as escadas da torre do corujal com um envelope na mão – uma carta endereçada ao anexo da sua mansão, em nome de Elle Lockwood, a empregada. No conteúdo da carta, uma explicação detalhada de como chegar ao Beco Diagonal e comprar alguns ingredientes de poções que Charlotte não conseguiria em Hogwarts sem se meter em encrenca. Ao chegar na porta, deu com a cara no peito de uma rapaz que também andava apressado e caiu no chão. Revoltada, olhou pro alto pronta para amaldiçoar a existência do garoto, mas viu que era Fred e pensou duas vezes antes de abrir a boca...