Up To No Good
12 Montanha Russa
Notas iniciais
O ruivo a encarava meio assustado, parecia não saber o que dizer. Na mão, também tinha uma carta com o envelope rasgado e em seu rosto o retrato de uma notícia no mínimo... Surpreendente. Quase com medo de Charlotte, estendeu a mão devagar pra ajudar a menina a levantar. O estranho disso tudo, era que Fred nunca tinha demonstrado ter medo dela, e agora ele simplesmente agia como todos os outros alunos da escola: como se Charlotte fosse mordê-lo. Ela adorava isso, mas por algum motivo estava odiando isso em Fred.
Ignorou a mão estendida a sua frente e levantou sozinha, bufando. Eu ainda tenho meu orgulho, afinal. Limpou a neve da sua roupa e encarou o rapaz, tentando entender o porquê daquele comportamento. Ele abriu a boca, mas nenhum som saiu por torturantes segundos, até que ele finalmente deu sinal de vida.
- Err... A... Digo, o corujal... Está escorregadio lá em cima, cuidado.
O que? Ele acabou de praticamente gaguejar na minha frente? Céus, o que está acontecendo? Charlotte já tinha entendido que Fred era um poço de confiança. Os sorrisos irônicos que a deixavam confusa, as frases feitas, o fato de ele sempre chegar nela sem medo e falar o que bem entende... Porém agora alguma coisa tinha mudado, mas o quê? Antes que ela pudesse perguntar, ele simplesmente saiu andando sem mais nem menos, deixando a garota lá sozinha no frio sem entender nada. Ela queria mesmo saber o motivo daquilo, mas não tinha tempo pra isso. Continuou seu caminho, pois tinha algo mais importante pra resolver.
Lá em cima, enviou sua carta por Diana, depois de alimentá-la bem. Esperava que Elle fizesse tudo certo, do jeito que ela havia explicado. Segundo o livro de Poções, qualquer mínima coisa errada no preparo da poção poderia causar um grande desastre, então ela precisava que tudo desse certo. Se sentia muito boba por estar realmente pensando em preparar uma poção do amor, mas o resultado valeria a pena. Tinha um plano elaborado que precisava de sua total dedicação e que, se desse certo, poderia fazer Scorpius finalmente olhar pra ela.
Voltou pro castelo ainda com o encontro com Fred na cabeça. A menina não conseguia entender o que estava acontecendo. Alguma coisa muito estranha devia ter acontecido pra Fred trata-la daquele jeito. Aliás, naqueles últimos dias, só coisas estranhas tinham acontecido. O próprio fato de ter conhecido Fred já era estranho. Scorpius lhe ter confessado o amor por alguém que ela odiava também era estranho e inesperado e outra coisa que ela não entendia era o porquê de sua mãe ter estado tão triste no jantar de Natal, que geralmente era uma época divertida pra ela, quando ela podia vestir-se bem e ostentar a beleza para a Sra. Malfoy, sua “rival” no mundo da alta sociedade bruxa. Era como se a vida de Charlotte tivesse entrado em uma montanha russa maluca de emoções e imprevistos detestáveis. E de tanto ficar nessa montanha russa, já estava enjoada e com vontade de vomitar. Imaginava se algo mais estranho ainda podia acontecer com ela. Aparentemente, podia sim.
No pátio de Hogwarts, teve uma sensação estranha. Como se estivesse sendo observada. Geralmente ela tinha essa sensação, porém de forma mais leve. Por onde ia, as pessoas realmente observavam, apontavam e sussurravam. Ela era sempre conhecida como “a filha do duque”, “a gótica estranha”, “a filha da ganhadora do prêmio de melhor jogadora do ano passado”, “garota sombria” e muitos outros apelidos ridículos. De vez em quando, mas muito de vez em quando mesmo, alguém a identificava como simplesmente Benningham. Mas dessa vez era diferente, porque não eram quaisquer idiotas apontando e sussurrando, era um grupo especial de idiotas. Eram os Weasley-Potter. Mas será que todos eles resolveram me intrigar hoje?
James e Alvo Potter estavam jogando futebol quando ela chegou perto. Os irmãos pararam de jogar de repente e James a encarou descaradamente. Alvo, ainda medroso, tentou não fazer contato visual. Sentada assistindo o jogo, Roxanne Weasley também olhava pra ela um pouco intimidada. No fundo do pátio, Rose também a olhava enquanto conversava com Fred, que permanecia de cabeça baixa encarando o chão com uma expressão não muito boa. O que há com ele? Perdeu a concentração no rapaz cabisbaixo quando a bola que os meninos jogavam voou em sua direção, quase a derrubando no chão. Ela cambaleou e encarou Alvo cheia de raiva se lembrando do balaço de dois anos atrás, mas ele não era o culpado.
– Fui eu, Mortícia. – James se aproximava peitando Charlotte. Ela procurou sacar a varinha, mas esta não estava no bolso interno do uniforme como de costume. Droga, esqueci no dormitório! – Esqueceu a arma secreta no quarto? Vai fazer o que agora, metidinha? Vai mandar o Ministério da Magia demitir minha família inteira? – James avançou na direção de Charlotte com outra bola na mão. Sim, ele pretendia machucar a garota e esta não sabia o que fazer. Não conseguiu pensar em nenhum feitiço no momento e começou a entrar em pânico com a possibilidade de se meter em uma briga física com alguém. Isso nunca tinha acontecido e o olhar de raiva de James começava a dar medo na garota. Quando James estava a menos de dez passos dela, uma mão interveio e impediu os planos do garoto, segurando a bola. – Que droga é essa, Fred? – O ruivo tomou a bola da mão do primo, encarando o garoto com seriedade. Deu uma leve olhada pra Charlotte, com uma expressão dura. Voltou ao lugar onde estava sentado conversando com Rose que observava a cena espantada. Charlotte simplesmente saiu andando, com a cabeça girando graças à montanha russa.
Na manhã seguinte, durante o café da manhã, todos – sim, não apenas aquela família em especial, mas todos – olhavam pra ela. Os alunos das outras casas olhavam curiosos, fazendo comentários e disfarçando quando ela olhava. O sonserinos estavam estranhamente mais interativos com a garota naquela manhã. Alguns sorriam falsamente, outros viravam a cara com inveja ou soltavam risadinhas em tom de desdém. Os Weasley e Potter, sentados um pouco perto dela na outra mesa, comiam de cabeça baixa, desanimados. Eles eram os únicos que não ligavam pra presença de Charlotte. Scorpius chegou e sentou ao seu lado com um sorriso, já falando com a menina.
– Por que você não me contou? Eu tive que saber pelos outros! – Ele parecia animado e indignado.
– Como assim? Do que você está falando? – Ela realmente não entendia o que estava acontecendo, mas tinha a impressão de que a animação do amigo tinha algo a ver com o desânimo de todos.
– Você... Não sabe? Sério? Caramba, isso é complicado... – Ela franziu a testa observando a expressão preocupada do amigo. Virou o rosto pro lado e viu que agora Fred também olhava pra ela com a expressão um pouco triste e desapontada. Mas o que está acontecendo? A pergunta logo foi respondida, quando James viu o contato visual dos dois e se levantou, com raiva, jogando um exemplar do Profeta Diário na frente da menina.
– Parabéns, monstrinha. – A manchete assustou a garota que não esperava por algo assim.
DUQUE DE BENNINGHAM É ELEITO O NOVO MINISTRO DA MAGIA
Ah... Meu... Deus! Mas que diabos...?! E a manchete não era o mais surpreendente e sim o subtítulo da matéria de capa.
O burguês assumiu o cargo na tarde de ontem, já colocando em prática seus planos de cortes orçamentais, deixando alguns bruxos e bruxas sem emprego.
Ai pai, mas que droga!
Fale com o autor