Up To No Good
5 Perdão...?
Notas iniciais
– Perdão... O que quer dizer com isso? — Charlotte não conseguiu entender a frase de Potter logo de cara, mas depois percebeu o sentido da brincadeira e não gostou nem um pouco. — Se for que seu sobrinho está pronto e ansioso para ser derrotado por mim, eu posso entender. Esse tipo de masoquismo arrogante é comum em alunos da Grifinória.
– Ser derrotado por você? — Potter parecia inabalável, não ia discutir com uma adolescente. Ainda mais uma que tivesse esse pensamento. — Eu pensei que eram sete jogadores.
Mas só eu sou relevante. Charlotte estava pronta para jogar todas as suas conquistas em cima de Potter, além é claro do legado da mãe como jogadora profissional. A garota sabia que devia respeito a ele, não só por ser um adulto, mas também pela história dele. Porém ele tinha tocado em um ponto que não a agradava e foi na frente do Sr Malfoy. Como ele pode insinuar que eu...
– Calminha, Charlotte. — Malfoy segurou seu braço, sutilmente. — Não precisa fazer um escândalo por tudo.
Ela se acalmou ao perceber que aquela pessoa que tanto admirava não gostaria de presenciar um desentendimento seu. Tudo bem, provavelmente ele não vale a pena mesmo. Deu as costas para Potter e se surpreendeu com o que havia acabado de acontecer. Lá longe, do outro lado do campo, algo incrível — e digamos, um pouco raro — chamou a atenção de todos. O rapaz, Fred Weasley, segurava o pomo de ouro na mão direita e o mostrava para todos os presentes. O time da Lufa-Lufa, decepcionado, já estava quase todo no chão enquanto os jogadores de uniforme vermelho vibravam no ar e davam voltas pelo campo gritando e urrando como um bando de selvagens. Charlotte teve raiva do momento, mas ficou feliz ao saber que Sonserina iria tirar essa felicidade deles com sua ajuda em apenas uma semana.
Desceu da arquibancada e fez seu caminho para as masmorras, mas não conseguiu chegar lá. Enquanto andava, percebeu uma vassoura passando por sua cabeça em direção à torre do relógio. Sobre a vassoura, um jogador de quadribol ruivo que preferiu ir sozinho àquele lugar ao invés de comemorar sua vitória com seu número surpreendentemente grande de amigos. Curiosa, ela só pensou em uma coisa: subir lá e desvendar o mistério. Correu em seu quarto e pegou sua vassoura. Não fazia ideia do por que, apenas subiu em direção ao refúgio do rapaz. Talvez ele estivesse fazendo algo ilícito, como um encontro secreto com alguma namorada. Se fosse o caso, Charlotte pelo menos poderia denunciá-lo para a Profa. McGonaghal. Se não... Preciso saber o que Potter quis dizer com aquela história ele estar interessado em mim... Digo, em jogar contra mim.
No alto da torre, o rapaz tinha deixado a vassoura bem ao lado do grande relógio. Charlotte optou por ir voando e fazer a mesma trajetória que ele. Talvez se subisse as escadas, fosse descoberta cedo demais. Ela entrou bem devagar no prédio e deixou a vassoura perto da dele. Tomou cuidado em cada passo que dava para não fazer nenhum barulho. Não tinha muitos lugares para se esconder na torre caso ele a ouvisse, então teve uma cautela extrema. Avançando devagar, finalmente viu o rapaz num canto isolado parado olhando para o nada. Ela não conseguia ver direito, mas ele parecia sorrir. Como se estivesse comemorando sua vitória sozinho. Charlotte admirou isso. Ela também não gostava de um grande grupo de pessoas em sua volta celebrando uma vitória que — provavelmente — era só dela. Tentou chegar mais perto para ver melhor, mas foi um grande erro.
– Quem está aí? — Ele se virou bruscamente já sacando a varinha. O reflexo de Charlotte foi pegar a sua que guardava dentro da bota, construindo um impasse mexicano. Geralmente quando isso acontecia, a outra pessoa saia correndo, pois ninguém conjurava um feitiço com a maestria de Charlotte. Pelo menos não tão rápido. Mas Fred permaneceu a postos. — Charlotte Benningham? — Como ele sabe meu nome? — Por que está me espionando?
– Eu... Eu só... — Estranhamente, ela perdeu as palavras. Isso raramente acontecia com Charlotte. Mas também eram raras as ocasiões em que tão belos olhos a fitavam diretamente.
– Fala logo, o que quer? — Ela abaixou a varinha e começou a andar rapidamente em sua direção. Ela, sem saber o que fazer, apenas recuou. Recuou o quanto pôde até bater as costas numa parede. E então, saiu correndo, pegou sua vassoura e se foi voando pelos céus. Fred ficou lá, olhando-a enquanto a garota fugia assustada. Aparentemente, o rapaz a deixava sem palavras e essa era uma sensação desconhecida para Charlotte, que a deixava desesperada. Sem entender o que estava acontecendo, só conseguiu fugir. Ela só queria saber se continuaria fugindo ou se algum dia conseguiria encarar seus olhos verdes e dizer-lhes alguma coisa...
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