Up To No Good

21 Nada Além da Verdade


Notas iniciais
Boa leitura!

Querida Charlotte,

Fui informado pelo diretor Longbottom que você deixou de comparecer a diversas aulas. Não é esse o tipo de comportamento que espero de um Benningham.

Anseio por suas explicações.

Att,

Duque de Benningham, Ministro da Magia.

Charlotte já estava acostumada com muitos tipos de represália vindas de seu pai, mas essa era nova. Aparentemente, os dias que ela havia ficado trancada no dormitório chorando por causa de Fred já eram de conhecimento de seu pai, o que era preocupante. O Duque pedia explicações e ela tinha que dar, mas como? O que ela diria pra seu pai? Ah, perdão por ter perdido as aulas, papai. Mas eu estava no meu quarto chorando porque o Weasley roubou meu primeiro beijo. Não se preocupe, está tudo bem agora. Inclusive estamos namorando sério e gostaríamos de pedir sua benção. Se o Duque não tivesse um ataque do coração, provavelmente teria um colapso nervoso e daria um jeito de internar sua filha em um hospício e trancafiar Fred em Azkaban. Mas apesar de tudo, era isso que Charlotte queria fazer. Ela não queria mentir pra seu pai, ela queria falar a verdade sobre tudo o que tinha acontecido. E ia fazer isso.

Charlotte pegou o primeiro pergaminho que viu em sua frente e começou a escrever. Contou tudo, desde o primeiro dia. Escreveu sobre as primeiras trocas de olhares no começo do ano, na estação 9 3/4 e no grande salão na cerimônia de abertura do ano. Sobre a breve conversa com Sr. Potter durante o jogo de quadribol entre Grifinória e Lufa-Lufa. Escreveu sobre a aula de Trato das Criaturas Mágicas e do voo no hipogrifo. Sobre o beijo, sobre chorar nos braços de Rose, sobre a nova amizade. Charlotte realmente abriu o coração para seu pai e falou tudo que tinha para falar. Com lágrimas nos olhos e um alívio no coração, ela dobrou a carta e a colocou no bolso. Depois de um longo suspiro, pegou outro pergaminho e começou a escrever a carta que iria de fato para seu pai. Pois a primeira nunca veria a luz do dia.

Estimado Duque,

Peço desculpas por minha imprudência irracional. Perdi aulas devido a uma gripe que me deixou de cama por alguns dias. Não fui até a enfermaria por não querer ser examinada pelo corpo médico incompetente de Hogwarts.

Att,

C. Benningham.

Uma resposta meio esnobe e suficientemente crível era o suficiente. Por mais que Charlotte tivesse vontade de contar tudo para seu pai, ela sabia que aquilo seria demais para o Duque. Pelo menos por enquanto, aquilo deveria permanecer em segredo.

No caminho até o corujal, Charlotte pode notar certa diferença. Enquanto caminhava pelos corredores de Hogwarts, era alvo de muitos olhares. Mas isso era comum, as pessoas costumavam observar a garota obscura filha do Duque de Benningham – agora Ministro da Magia – sempre que ela passava. Porém eles costumavam olhar com nojo, medo, indiferença, algo desse tipo. Dessa vez, elas olhavam de maneira particularmente amigável. Ela não era mais a garota assustadora. Eles a olhavam como igual. Charlotte já tinha se acostumado com Fred a olhando assim, afinal o rapaz tinha sido o primeiro a notar que ela não era tão assustadora assim. Mas ela definitivamente não estava pronta para que toda a escola a visse de maneira diferente. Ao passar por um grupo de alunos da Grifinória e receber um sorriso e um aceno de Rose, que recebeu olhares estranhos de seus amigos, ela saiu andando rápido e sem olhar pra trás. Rose provavelmente entendeu que Charlotte precisaria viver um dia de cada vez para aceitar aquela situação.

No corujal, Fred ainda não tinha chegado para mais um de seus encontros secretos. Então Charlotte aproveitou para enviar a carta a seu pai. Amarrou o envelope com o pergaminho que salvaria sua pele em Diana e soltou a coruja. No mesmo exato momento em que a viu voar, sentiu dois braços envolvendo sua cintura. A sensação era estranha e incomum, mas muito boa. O sussurro em seu ouvido tornou tudo ainda mais interessante.

– Juro que achei que você não vinha. – Charlotte se virou com um sorriso enorme, se virando para abraçar Fred. Eram estranhos e maravilhosos os sentimentos que Charlotte estava experimentando agora. E o fato de ele ser um Weasley, só aumentava a delícia desse namoro secreto. Imaginar que o Ministro poderia descobrir a qualquer momento fazia de tudo mais perigoso e atraente.

Fred a abraçou pela cintura e apertou bem forte, observando o quanto ela ficava desconfortável, porém feliz ali em seus braços. Para ele também era algo estranho. Ela ainda era a menina obscura de Hogwarts, aluna da Sonserina e anti-Weasley oficial que sua família jamais aprovaria. Não era só a menina que estava sob controle de uma família meio intrometida. Por mais que seus parentes fossem adorar a ideia de ele ter encontrado alguém para ser feliz ao seu lado, ela ainda era a filha do Ministro que colocou seu pai na rua. Mas não importava. Fred estava apaixonado e nada diminuiria seu sentimento, principalmente esse detalhe do sobrenome.

Após mais um dia feliz no corujal, abraçados juntos e felizes, Charlotte e Fred resolveram que já era hora de cada um voltar para seu salão comunal. Logo os alunos começariam a sentir falta de Fred e se descobrissem dos dois, o namoro se tornaria assunto de toda Hogwarts.

– Você não ia mandar uma carta?

– Já mandei antes de você chegar.

– E o que é isso?

Fred pegou do chão e mostrou para Charlotte uma carta. Provavelmente ela tinha deixado cair. Felizmente, aquela era a primeira carta que Charlotte tinha escrito, a carta que contava toda a verdade para seu pai. Uma carta que jamais deveria ver a luz do dia.

– Ah não, essa é outra carta. Uma que eu escrevi antes contando para o Ministro tudo sobre nós. Claro que ele nunca vai vê-la. – Charlotte riu com a carta na mão, imaginando o que aconteceria que tudo aquilo algum dia chegasse aos ouvidos de seu pai. Ainda achando graça, ela abriu o envelope para mostrar o que tinha escrito para Fred. – Nem posso imaginar no que ia dar se o Duque lesse tudo que eu...

Todo o corpo de Charlotte congelou e suas mãos começaram a tremer quando ela viu o conteúdo da carta em suas mãos. Ao seu lado, lendo a carta, Fred ficou sem entender. Ela não podia acreditar no que estava acontecendo. Não, não podia acontecer isso de jeito nenhum. O que meu pai vai dizer?

Estimado Duque,

Peço desculpas por minha imprudência irracional. Perdi aulas devido a uma gripe que me deixou de cama por alguns dias. Não fui até a enfermaria por não querer ser examinada pelo corpo médico incompetente de Hogwarts.

Att,

C. Benningham.