Up To No Good

22 Feliz Incidente


Notas iniciais
Boa leitura!

– Srta. Benningham, você é esperada na sala do diretor Longbottom.

A voz da Profa. McGonaghal tirando Charlotte da aula de Poções deixou claro o recado que queria passar: Problemas. Charlotte saiu da sala debaixo dos olhares de todo o quinto ano e foi junto da professora a caminho da sala do diretor, tentando imaginar o que poderia ter acontecido. Era muito estranho que Charlotte se metesse em encrencas. Mesmo que seus encontros com Fred se tornassem de conhecimento da diretoria, eles não estavam fazendo nada de errado. Respeitavam os horários e as limitações do colégio. Charlotte chegou a imaginar se Longbottom estava chamando-a para uma conversa amigável, como costumava fazer com os Weasley e Potter. Era realmente só o que faltava. Além desse absurdo, não via outros motivos para ser chamada à sala da diretoria a não ser... Ai, meu Deus! A carta!

No gabinete de Longbotton, ela não encontrou do diretor. Mas encontrou uma figura de autoridade muito mais absoluta e assustadora. Sentado na poltrona de couro que decorava a sala, o Duque de Benningham ostentava sua superioridade perante tudo e todos. Seu blazer preto muito bem alinhado o fazia ainda mais intimidador e a maneira como ele via as horas em seu relógio de bolso só mostrava quanta sofisticação sua vida tinha. É claro que no momento em que Charlotte o viu, cada parte de seu corpo tremeu.

– Filha, – A voz do Duque ainda era fria e autoritária, como Charlotte se lembrava. – eu recebi sua carta.

Charlotte não pôde acreditar no que estava acontecendo. Era como se seu mundo estivesse desabando sobre sua cabeça. No fundo ela tinha esperanças de que Diana tivesse ficado louca e entregue a carta numa lanchonete, mas a sorte não lhe sorriu desta vez. Seu pai sabia de tudo, cada mínimo detalhe de sua relação com Fred.

– Eu devo admitir que fiquei surpreso. Especialmente pela maneira como eu soube. – O Duque parecia perplexo. Isso era novo. – Foi muita coragem sua mandar essa carta.

Coragem? Seu pai estava a elogiando? Isso não era novo, mas era algo que o Duque de Benningham não fazia todos os dias.

– Eu conversei com sua mãe, – O que nas palavras dele significava falar sem parar enquanto a outra pessoa escuta. – e concordamos que você merece um voto de confiança por esse gesto.

Charlotte não estava entendendo o que se passava. Será que tinha ouvido direito? O Duque estava aceitando sua relação com o Weasley?

– Admito que não foi o tipo de futuro que imaginei para um Benningham. Sempre achei que você merecia alguém no nível de Scorpius e passou pela minha cabeça proibir este... namoro. – Charlotte pôde sentir o pesar na voz do pai quando pronunciou a palavra “namoro”. Ele estava indo contra todos os seus princípios, mas ela não entendia o porquê. – Mas que tipo de homem eu seria se pregasse em minha campanha política a liberdade de escolha de cada bruxo ou bruxa e não respeitasse esse credo em minha própria família? – Ele se levantou e foi andando até Charlotte, que ainda estava intimidada pela presença do pai e não conseguia se mexer ou falar qualquer coisa. O Duque pôs a mão no cabelo da filha, um gesto de carinho que não acontecia há tempos entre os dois. Quando ele voltou a falar, Charlotte até teve a impressão de ver um leve esboço de sorriso em seu rosto. – Minha filhinha, jogando em campo inimigo... Quem poderia imaginar?

Depois de um breve segundo de troca de olhares entre pai e filha, o Duque tirou sua mão do cabelo de Charlotte e voltou à pose sisuda e dura de sempre. Ele voltou a falar com aquele tom que dava arrepios na espinha de sua filha, mas dessa vez ela não sentiu nada. Ainda estava chocada com o que tinha acabado de acontecer.

– Mas não pense que vou relaxar em minhas exigências. As notas deverão continuar como estão e os treinos de quadribol devem ser respeitados. Se eu souber de mais alguma ausência nas aulas, voltarei para uma conversa não tão amigável. – O Duque foi andando em direção à saída, sem olhar para trás. Charlotte imaginou se aquela conversa tinha sido tão difícil para ele quanto foi para ela. Só Deus sabe com o Duque não gostava de dar o braço a torcer. – Nos vemos em alguns meses. Mande lembranças ao Severo.

– Pai! – Ele parou exatamente onde estava. Charlotte o tinha chamado de pai em sua frente, o que não era comum. A própria menina não gostava de fazê-lo. Ela via seu pai como uma figura de autoridade tão superior e absoluta que sentia que precisava chama-lo por seu título hierárquico. – Por que...?

Ele se virou e olhou no fundo dos olhos de sua filha, que implorava por uma resposta para entender a mudança de tratamento repentina.

– Por você, Charlotte.

O Duque se foi, deixando a menina menos confusa no meio do gabinete vazio do diretor Longbottom. Ela finalmente tinha entendido. O Duque estava disposto a mudar sua mentalidade por ela. Durante todo esse tempo ela teve medo do que poderia acontecer se ele descobrisse, de como ele pensaria nela e na verdade o errado acabou se tornando o certo e estava tudo dentro de sua cabeça. O que ela achava ser o pior dos acontecimentos, não passou de um feliz incidente. O namoro que era um erro acabou sendo aceito como nada além de um namoro normal. A carta errada acabou sendo a certa. Naquele dia, mais do que nunca, Charlotte agradecia a Deus por sua capacidade de cometer erros.