Up To No Good

23 Em Campo Inimigo


Notas iniciais
Está perto de acabar! Espero que todos os leitores estejam gostando. Boa leitura!

– Bem vinda ao humilde lar dos Weasley, querida.

Recebida pela Sra. Gina Weasley na entrada da casinha modesta, Charlotte realmente se sentiu como seu pai havia descrito anteriormente. Ela estava jogando em campo inimigo. Fred segurou sua mão e a guiou para dentro da casa. Depois de passar do olhar curioso da segunda melhor jogadora de quadribol do mundo – porque para Charlotte a primeira sempre seria sua mãe – ela foi obrigada a encarar muitos outros olhares. A Sra. Hermione Granger-Weasley pelo visto, jogava nela a culpa por ter sido rebaixada de seu ótimo emprego no Ministério já que a olhava friamente. Em contrapartida, o Sr. Weasley exibia um olhar mais terno e acolhedor. Outros membros da família a receberam de braços abertos ou com o pé atrás. Mesmo que ela recebesse todos os olhares simpáticos do mundo, Charlotte nunca poderia ficar confortável sabendo que estava ali, pronta para um jantar com a família Weasley, sendo apresentada como namorada de Fred, sem o consentimento de seu pai. Ela sabia que era injusto esconder coisas dele agora que ele tinha provado ser tão compreensivo com a menina, mas Charlotte imaginou que aquilo já seria demais para o Duque. Um dia de cada vez. Pelo menos a culpa foi diminuída pela diversão de uma viagem de pó de flú clandestina dentro de Hogwarts, bem debaixo do nariz do todos. Pelo visto havia certas vantagens em ter pais e tios que foram amigos do diretor em sua época como aluno de Hogwarts.

À mesa do jantar, todos os presentes olhavam para a menina, observando minuciosamente cada movimento seu. Era desconfortável, mas toda vez que ela fazia menção de sair correndo dali Fred dava um jeito segurar sua mão por baixo da mesa e deixa-la a vontade de novo. A presença do rapaz ainda a deixava um pouco insegura, mas era uma insegurança a qual Charlotte adorava voltar. Era algo que ela já estava aprendendo a amar.

– Então, Charlotte. – O sangue ferveu. Por mais que agora eles fossem ter mais proximidade, ainda assim ela não gostava de ser chamada pelo primeiro nome por pessoas que mal conhecia. Só seus familiares, Scorpius, Sr. Malfoy e Fred a chamavam assim. Nem mesmo Rose tinha o direito ainda. Quando seu namorado notou uma veia saltando em sua testa, apertou sua mão e sussurrou algo como “Fique calma, eles não sabem...”. Ela respirou fundo e voltou ao normal. Já tinha passado da hora de perder esse hábito. – Como vai a vida na alta cúpula do ministério? Pergunto isso apenas porque eu não tenho mais como saber, é claro.

A Sra. Hermione Granger-Weasley realmente parecia inconformada com a atual situação de sua carreira no Ministério da Magia e muito menos com a atual realidade do ministro. Mas alfinetar Charlotte como ela estava fazendo era irracional.

– Eu tenho muito menos meios de saber do que a senhora. – Todos olharam para a menina, pois não esperavam que ela fosse responder à provocação. – Não faço ideia do que acontece no Ministério. Provavelmente vocês souberam sobre a posse do Ministro antes de mim.

– Isso é verdade. Quando eu recebi a carta do tio Harry, ela ainda não fazia ideia. – Fred interferiu para ajudar Charlotte a quebrar o clima ruim. A morena notou que a Sra. Hermione baixou a cabeça, séria. Claro que ela não pediria desculpas, mas sabia que estava errada. Isso para Charlotte era mais do que suficiente. – Inclusive me pediu desculpas.

Pelo sorriso no rosto da mãe de Fred, Charlotte pôde notar que a Sra. Angelina Weasley ficou bem satisfeita com o que ouviu. Charlotte gostou do fato de ter sido bem recebida por alguém conhecida como quem foi uma das melhores jogadoras de quadribol da história de Hogwarts. Diversas vezes ela já foi comparada à senhora Weasley em sua juventude, que na época era Angelina Johnson. Ela sorriu para o casal e começou a servir o jantar, que foi recebido animadamente pela enorme família. Até os mais jovens da família Weasley a receberam bem. O maior problema seriam os Potter. A resposta óbvia para uma possível pergunta sobre porque eles seriam um problema, era James Potter. O primo de Fred que detestava a morena. Além dele, Alvo e Lilian, os outros filhos do Sr. Potter, também jamais a receberiam bem. Por que aceitei esse namoro mesmo?

– Você é amiga de toda a família, Charlotte? – Fred apertou mais sua mão quando seu pai, Jorge, se dirigiu à sua namorada pelo primeiro nome. Ele sabia que ela deve ter se roído por dentro.

– Creio que o senhor já sabe a resposta. – Todos na mesa riram. Assim como a menina tinha uma ligeira implicância com os ruivos, eles tinham com ela. A Sra. Gina Weasley estava à mesa, mas nenhum de seus filhos havia comparecido. É claro que existia um motivo para isso. – Espero que as coisas possam mudar daqui pra frente.

Todos, absolutamente todos sorriram e a encararam, inclusive a deixando com um pouco de medo. Fred sorriu e a olhou nos olhos, derretendo Charlotte com o vislumbre de seus lindos olhos verdes. Ele se aproximou de seu ouvido e sussurrou “Agora você acertou!”. Era isso que a família de Fred queria ouvir, que a menina estava disposta a mudar por ele. Isso sim era uma prova de amor. Assim como o Duque, Charlotte estava com a mente aberta para qualquer tipo de mudança positiva. Como sempre, ela seguia fielmente os passos do pai.