Up To No Good

24 Com Unhas e Dentes


Notas iniciais
O próximo capítulo é o último, quem está preparado?
Boa leitura!

De volta à Hogwarts, Charlotte mal podia acreditar no que tinha acabado de acontecer. Ela estava voltando de um jantar em família amigável na casa dos Weasley. No começo daquele mesmo ano, aquilo seria impensável. Mas agora tudo havia mudado, a situação era completamente diferente. Ela era a namorada de Fred. E não dava mais para esconder isso de ninguém.

Na tarde do dia seguinte, ela saiu de sua aula de Poções, animada com a possibilidade de aquele namoro dar certo. A família do rapaz já tinha aceitado e seu pai aprovava meio que às tortas, mas aprovava. Isso era o mais importante para Charlotte, a opinião do Duque. Ela não se importaria com nenhuma opinião senão a do Duque. Bom, pelo menos era isso que ela achava.

Todos a olhavam fixamente. Por onde Charlotte passava, os fofoqueiros observavam. Em cada corredor, em cada sala, em cada canto de Hogwarts. Isso vinha acontecendo com mais frequência ultimamente, quando notaram que a menina agora era amiga dos Weasley, mas agora algo estava diferente. Eles não olhavam com curiosidade, olhavam com certeza. Eles tinham algum material para falar, mas qual?

Ao passar perto dos jardins a caminho da biblioteca, ela ouviu uma gritaria. Não conseguia entender o que estava acontecendo, pois esse tipo de coisa não era comum em Hogwarts. Viu diversos alunos comentando sobre e indo na direção do barulho. Traída pela curiosidade, prestou atenção na conversa de um grupo e ouviu um nome conhecido. Fred Weasley.

Charlotte correu até o som da gritaria se tornar estridente. Ela estava de frente com algo que jamais imaginaria ver. Fred, seu namorado tão calmo, divertido e ponderado que vivia pensando no futuro e em sua reputação estava brigando com outro aluno da Grifinória. E não era qualquer aluno, era seu primo e melhor amigo: James Potter. Os rapazes se enrolavam numa briga muito equilibrada e violenta, enquanto alunos de todas as casas gritavam e se divertiam com aquele absurdo. Mas Charlotte não estava se divertindo, na verdade ela estava horrorizada e não conseguia imaginar porque aquilo estava acontecendo, até que uma luz acendeu em sua cabeça e ela descobriu de quem era a culpa. Era sua.

Rose se aproximou com um semblante preocupado. A ruiva falava alto e mais rapidamente do que todos estavam acostumados, Charlotte não entendeu uma palavra. Ela segurou a menina pelos braços e olhou em seus olhos, tentando fazê-la parar e respirar. Rose suspirou e Charlotte viu que ela estava a ponto de chorar.

– Rose, o que está acontecendo?

– Eu não sei, eles estavam conversando perto dos arbustos como sempre fazem e começaram a gritar e brigar do nada. Ninguém sabe porque eles estão brigando!

– E ninguém vai fazer nada?

– Várias pessoas já tentaram apartar e não conseguiram.

Charlotte revirou os olhos e se perguntou como estudava numa escola de magia e ninguém tinha pensado em apartar a briga com um feitiço. Ela sabia que não podia fazer isso, mas era melhor que ela cometesse essa pequena falta do que Filch finalmente chegar lá e ver aquele grande alvoroço. Desembainhou sua varinha e apontou na direção dos primos que se atracavam.

– Petrificus totalus!

Fred e James pairaram no ar por um décimo de segundo e depois caíram imóveis no chão, congelados pelo feitiço de Charlotte. Rapidamente, ela lançou o contrafeitiço e os dois rapazes foram segurados por amigos para que não voltassem a brigar. Foi quando eles se afastaram que ela viu os estragos. James tinha o supercílio sangrando e um lado do rosto inchado. Fred tinha um olho roxo e sua boca estava sangrando. Ela sentiu vontade de correr até ele e cuidar de seu namorado, mas na verdade ainda tinha medo das opiniões de seus colegas. E Fred também tinha, certo? Por isso se encontravam escondidos sempre... Certo?

Rose correu até o primo e o ruivo se levantou antes que ela pudesse ampará-lo. Uma troca rápida de olhares foi o suficiente para Rose se tocar e se afastar. Fred encarava James que, debaixo dos olhares curiosos de toda Hogwarts, limpava o sangue da cara.

– Isso é pra você saber que não pode mais falar esse tipo de coisa. Da próxima vez, ninguém vai apartar! – Os fofoqueiros em volta dos primos não entendiam nada, mas Charlotte entendia. Ela já sabia exatamente o que se passava. – E isso é pra todos vocês saberem que não podem mais falar o que querem sobre os outros!

Quando o ruivo se dirigiu a todos os presentes, o corpo de Charlotte tremeu. Não, ele não vai fazer isso!

– Os boatos são verdadeiros! Nós estamos juntos! E quem não gostar vai acabar igual a ele.

Fred apontou para James no chão, mas todos os olhares se voltaram para Charlotte. Eles esperavam alguma reação da menina. Talvez um escândalo, um ataque de fúria, Alarte Ascendere... Mas ela apenas ficou paralisada observando a situação e ponderando se estava pronta para aquilo. Era como se o feitiço petrificus totallus estivesse nela agora.

– Ela é minha namorada e eu vou defende-la com unhas e dentes de qualquer um. – Ele olhou fixamente para James, com uma pontada de tristeza nos olhos. – Até da minha família.

Fred parou de falar e andou em direção à Charlotte. Mancando, ele foi até sua namorada e parou em sua frente olhando em seus olhos. Uma nuvem de expectativa no ar. Ela não sabia o que queria fazer, estava apavorada com o fato de que agora toda a escola sabia. Mas Fred tinha provado seus sentimentos por ela e era hora de Charlotte provar os seus.

Ao som do absoluto silêncio, ela segurou a mão de Fred e os dois se foram em direção ao castelo.

Querida Charlotte,

Espero sua presença na festa que darei no Ministério para celebrar minha posse como Ministro. Já conversei com o Diretor Longbottom. Haverá um carro voador esperando por você e por Scorpius na estação de trem, no dia vinte às dezenove horas.

Mande lembranças ao Severo.

Att,

Duque de Benningham, Ministro da Magia.

Uma festa no ministério, onde provavelmente todos os funcionários eram convidados. Uma festa onde haveria presenças ilustres, tal qual como a família Weasley. E a família Potter. E seu pai. E Fred.

Quem disse que não dá pra piorar?