Up To No Good
25 Nada de Bom
Durante toda a viagem no carro voador, Charlotte permaneceu calada. Scorpius não fez o mínimo esforço para procurar conversa, pois ainda estava chateado por não ter sido informado sobre o relacionamento da amiga antes que toda a escola soubesse. A menina tinha tentado explicar, mas ele não queria ouvir nada. Charlotte se sentia muito mal por não ter contado nada quando as coisas começaram a acontecer, mas ela ainda gostava de Scorpius naquela época e não fazia ideia de que tudo acabaria dessa maneira. Depois as coisas foram acontecendo e acontecendo, o namoro passou a existir de fato, mas era segredo e agora todos sabiam. Inclusive Scorpius, que soube por terceiros. Por mais que Charlotte estivesse feliz com Fred, ela ainda se sentia mal por Scorpius. Desde o começo ela soube, que mesmo se tornando uma pessoa completamente diferente ao lado de Fred, na vida normal ela continuava sendo alguém que não inspirava nada de bom.
No Ministério, o clima era de comemoração, bem diferente do clima dentro do carro. A primeira pessoa que Charlotte viu foi o Sr. Malfoy. Ele sorria pela felicidade do amigo de infância e não parecia nada descontente por ter perdido a chance de ser o novo Ministro da Magia. Scorpius foi até ele para algumas fotos de família e deixou Charlotte sozinha. Ela foi procurar seu pai e pensou bem onde ele estaria. Se a família Malfoy estava sob alguns holofotes, então é claro que a família Benningham estaria sob o triplo de flashes.
Como sempre, ela estava certa. Quando o Duque a viu, abriu um enorme sorriso diplomático e a trouxe para junto da duquesa, que sorria fracamente para as fotos. É claro que a Sra. Benningham não gostava de seu marido ter o triplo de trabalho e ficar cada vez menos em casa graças ao novo cargo, mas isso não era algo que ela diria. Ela não estava acostumada a dizer o que sentia com muita frequência e Charlotte estava tentando perder o hábito que havia herdado da mãe.
Ao fim de dezenas de fotos, ela os viu. Vestidos de maneira simples, porém elegante, os Weasley-Potter chegaram na festa com a cabeça erguida. Charlotte notou que, dos filhos, apenas Rose e Fred estavam presentes na comemoração. O Duque, ao perceber o interesse da filha nos convidados, falou no ouvido de Charlotte com sua voz sempre firme.
– Peço que sejam discretos esta noite enquanto a imprensa estiver aqui. – É claro que ela seria discreta, mas seu pai precisava reforçar isso para intimidá-la, como sempre fazia. – E quanto ao emprego do pai do rapaz, pode ficar tranquila.
Como sempre, ela queria mais e mais ser parecida com seu pai. Ela estava errada antes, o Duque não era tão frio e ele tinha coração. Agora Charlotte podia enxergar isso.
A menina pensou em conversar com Rose sobre o que seu pai havia dito, assim o assunto chegaria diretamente nos ouvidos de Fred, mas ela notou que a menina havia sumido. Charlotte procurou e procurou por muito tempo, até que a encontrou num canto afastado, sorridente e conversando com Scorpius. Foi engraçado vê-los ali e Charlotte não sentiu raiva, na verdade ela adorou ter visto aquilo. Ela desejava ver mais cenas como aquela entre os dois. Pela primeira vez, ela torcia pela felicidade de Rose e Scorpius.
Rose se afastou de Scorpius sem graça e o menino se foi rindo. Antes de se afastar muito, ele se virou para Charlotte e piscou para a amiga. Ela não entendeu muito bem, já que até pouco mais cedo ele não falava mais com ela.
– Vi que vocês estavam tendo uma boa conversa...
– Pois é, acho que as coisas estão indo bem entre nós. – Rose sorria como uma boba. Aparentemente os sentimentos de Scorpius por ela eram mesmo recíprocos. – Quer dizer, tudo graças a você Char... Benningham.
– Já pode me chamar de Charlotte, Rose.
– Finalmente! E quando vou poder te chamar de Lotte?
– Nunca.
Primeiro Rose riu, mas quando notou que não era brincadeira abaixou a cabeça e ficou quieta. Aquela ainda era a menina obscura de Hogwarts.
– Mas e então, acha que vocês dois vão progredir?
– Talvez... Quando contei a ele sobre a sua ajuda, as coisas fluíram mais facilmente.
Charlotte congelou. Como assim contou a ele?
– Você contou pra ele sobre tudo que eu fiz e falei?
Rose entortou a boca e deu um passo para trás, com medo de apanhar ali mesmo.
– ...Não era pra contar?
Antes que Charlotte pudesse responder com alguma grosseria, ela foi puxada pelo braço para o mesmo canto onde Rose e Scorpius estavam há poucos minutos. Fred a levava lá para uma conversa rápida. O ruivo passou a mão por seu rosto e o acariciou de leve, antes de dar-lhe um rápido e intenso beijo.
– Não posso demorar. Meus pais pediram pra que eu fosse discreto essa noite. – Era incrível como a divertida família Weasley e a tradicional família Benningham podiam ser tão parecidas às vezes. – Mas eu precisava te dar uma coisa.
Fred parecia animado demais para uma festa daquelas e ele nem sabia que seu pai receberia seu emprego de volta ainda. Aí vem coisa!
O rapaz retirou do bolso um lenço de seda branco dobrado e o colocou entre eles. Charlotte não estava entendendo absolutamente nada. O que aquele lenço significava?
– Custou a minha mesada dos últimos meses, mas é por uma boa causa. – Ele desembrulhou o lenço que quando aberto revelou dois anéis finos de ouro branco. – Não é nada demais, mas eu queria selar o nosso compromisso de algum jeito.
Lágrimas invadiram os olhos de Charlotte, que se segurou para não deixa-las escapar. Aparecer com a maquiagem borrada no meio da festa não era exatamente um exemplo de discrição.
– Fred, eu nem sei o que...
– Então não precisa dizer nada. Só coloca o anel. – Charlotte pegou um dos anéis de compromisso e quando fez menção de vesti-lo, Fred a interrompeu. – Espere! Existe uma frase na minha família, que na verdade eu não entendo muito bem, mas é usada para fechar qualquer selar qualquer tipo de acordo. E eu queria usar para fechar essa questão de qualquer dúvida que exista entre nós.
– E qual é?
Ele hesitou por um momento, meio sem jeito com a frase.
– "Juro solenemente não fazer nada de bom."
Charlotte riu.
– Mas que tipo de frase é essa?
– É uma coisa da minha família... Depois pergunto pro meu tio Harry.
– Juntos?
Fred pegou o outro anel e o posicionou. Os corações dos dois batiam fortes e felizes. Esse era o primeiro dia do resto de suas vidas.
– Juro solenemente não fazer nada de bom!
Fale com o autor