Up To No Good
17 Certo e Errado
Notas iniciais
Boa leitura!
Ela ia se aproximando do local que aparentemente era especial para Fred. Tanto chão e ele tem essa necessidade de ir pro alto. Os momentos anteriores não saiam de sua cabeça. As investidas repentinas de Rose, o momento perigoso de aproximação dos dois na noite anterior, "Estou ansioso pra hoje a noite". O fato de Fred ter marcado aquele "encontro" novamente intrigava Charlotte. Ela não conseguia entender o porquê do interesso do garoto. Quando imaginou uma possível possibilidade, quis bater com a cabeça na parede. Não, não pode ser isso! Ele deve só querer me zoar como os outros... E eu estou deixando. Enquanto ela chegava a essa conclusão boba, Fred se aproximava em silêncio por trás. – Ei! – A menina tomou um susto com a chegada de surpresa. – Achei que você não vinha. Foi difícil encontrar a janela? – A torre do relógio ficava completamente fechada durante a noite, mas de algum jeito Fred tinha conseguido abrir uma janela e deixá-la lá para a chegada de Charlotte. Parece que ser amiguinho do diretor tem suas vantagens.
– Na verdade foi bem fácil. Eu conheço bem isto aqui, também fico passeando pelos prédios às vezes. – Ela lembrou daquele dia em que o seguiu até a torre só por curiosidade. Curiosidade que ainda não tinha passado. – E acho que você também.
– Sim, eu gosto de voar. E gosto desse prédio, sempre venho aqui quando preciso parar um pouco e ficar sozinho.
– Ah, então desculpa por aquele dia... – Abaixou a cabeça, sabendo que odeia quando alguém interrompe seus momentos de ficar sozinha.
– Tudo bem, foi legal. Se não fosse por aquele dia a gente não estaria aqui agora. – Não entendi, por que estamos aqui agora mesmo? – Vem aqui. – A cerca de uns 10 metros deles, Fred tinha preparado um cenário incrível. Não queria ficar no escuro absoluto dessa vez, então acendeu algumas velas em volta de um cobertor no chão. Cobertor da Grifinória, claro. Em cima do cobertor, uma cesta com algumas frutas, doces, etc. – Foi o que deu pra improvisar.
Charlotte se impressionou na maneira como o rapaz tinha arrumado tudo aquilo só pra mais uma conversa. E não foi só isso, ele também tinha se arrumado. Fred tinha penteado o cabelo, passado uma bela roupa pra usar e estava bastante perfumado. Enquanto Charlotte ainda usava o uniforme e o cabelo estava meio bagunçado, a trança quase se desfazendo. Ignorou isso e sentou ao lado dele no cobertor.
A noite foi agradável e durou bem mais que a anterior. Eles conversaram sobre diversos assuntos e Charlotte percebeu que estava mais solta perto do rapaz. Quase como era perto de Scorpius. Riu de várias coisas que Fred dizia, mesmo achando sem graça. O clima estava agradável e agora só podia ser melhorado. Certo?
– Sabe Benningham, se eu quiser ser um auror, eu preciso ter boas companhias, uma esposa forte e compreensiva e muita coragem. Não é a taça das casas que vai mudar isso. – Fred olhava pro teto, mas de repente voltou o olhar para a menina e a encarou bem no fundo dos olhos. Ficou alguns momentos quieto, despertando a curiosidade e raiva dela. – Onde quer chegar com isso? – Ele riu deixando ela louca de raiva. Esse sorriso é lindo, mas sempre vem acompanhado de um desastre não tão lindo assim. – Responde! Fica fazendo esses joguinhos, começou a falar comigo de repente… Nenhum dos seus irmãos ou primos gosta de mim, por que você decidiu falar comigo assim do nada? O que quer comigo? – Fred ainda ria do efeito que causava na menina. Ele se virou totalmente pra ela e foi aproximando o rosto lentamente olhando bem no fundo dos grandes olhos castanhos da moça. – Eu acho que você sabe do que eu estou falando… – A centímetro que ele se aproximava, Charlotte estremecia. Tinha medo do que ele faria quando a alcançasse. — Eu estou disposto a deixar esse negócio de sobrenome pra trás se você estiver também. – Ele chegava cada vez mais perto e Charlotte, paralisada, apenas o olhava tentando entender aquele momento. Fred colocou a mão direita no rosto da garota que fechou os olhos por um segundo apreciando o toque da mão quente do rapaz. – Eu sei que você quer isso também, não precisa ficar resistindo. – Ela se afastava na medida que ele se aproximava até que encostou o corpo numa das paredes e não teve para onde fugir. Fred usou o braço esquerdo que o apoiava no chão para segurar na cintura dela apertando com força, garantindo que ela não iria a lugar nenhum, enquanto o direito acariciava seu rosto com carinho. Charlotte mordeu os lábios apreciando a melhor sensação que já experimentara antes. – O que você está fazendo? – Ela sussurrou ainda de olhos fechados. – Eu te chamei aqui pra te contar a verdade, Benningham. E a verdade é que eu não paro de pensar em você desde aquele dia em King's Cross. Eu sinto algo forte por você e sei que você também sente por mim. – Os rostos se tocaram levemente e em um momento extremamente raro de intimidade dos dois. – Fred, não… – Ela abriu os olhos e encarou aquele olhar apaixonado vindo do rapaz. Ele ajeitou o cabelo da menina para trás da orelha, fez uma pequena pausa em seus movimentos e finalmente a beijou. Seus lábios se tocaram lentamente trazendo um mundo de emoções novas para os dois. Para Fred era incrível, pois era a primeira vez que ficava com uma menina por quem estava apaixonado. E para Charlotte era um dos momentos mais importantes de sua vida, pois era a primeira vez que ficava com alguém.
Aquele momento que mudaria vidas se estendeu por alguns minutos, e os dois ficavam cada vez mais íntimos, aprendendo aos poucos o gosto e a preferência de cada um. Charlotte se sentia muito bem, pois estava beijando seu príncipe encantado de Hogwarts. Aos poucos percebeu que não queria mais resistir e envolveu o pescoço do rapaz com seus braços, brincando com o cabelo dele e fazendo cócegas na nuca. O beijo ficou ainda mais intenso e nenhum dos dois pretendia quebrá-lo. Charlotte adorava o momento, não queria sair dos braços de Fred nunca mais e aproveitava cada segundo de intimidade entre os dois... Até que finalmente se deu conta do que fazia. Afastou o rapaz com um empurrão e ele ficou sem entender o que se passava. Tentou chegar perto de novo, mas Charlotte não deixou de forma alguma. Pegou sua vassoura e saiu rapidamente dali, deixando Fred lá sozinho se perguntando o que tinha feito de errado.
Ela aterrissou no pátio principal que estava deserto e assustador no meio da madrugada. Sabia que se fosse pega teria um grande problema, mas não importava naquele momento. Apenas saiu correndo direto para o salão comunal sem se preocupar com barulho. Sabia que ali, na sua casa, onde sempre se sentia bem, ela teria como colocar os pensamentos no lugar depois de um acontecimento tão incomum. Adentrou correndo no salão em direção aos dormitórios quando de repente foi retida por alguém que a derrubou. Era Rose esbarrando nela como sempre. O que ela menos precisava era encontrar a prima do rapaz que acabara de estragar tudo pra ela. Ao tentar se recompor e sair o mais rápido possível dali Rose percebeu que Charlotte tinha lágrimas nos olhos. Algo surpreendente, pois até então ninguém sabia que ela tinha sentimentos. – Benningham, você está bem? O que aconteceu? – Charlotte levou em consideração a pergunta e tentou entender o que aconteceu com ela. Pensou no que seu pai diria se soubesse disso, pensou em como chegou a dar confiança para um Weasley, pensou em como estava guardando aquele beijo tão fielmente para Scorpius. Não pôde evitar, deitou a cabeça no ombro da garota que detestava e começou a chorar como nunca tinha chorado antes.
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