Up To No Good

13 Aproximação


Notas iniciais
Boa leitura!

Sim, seu pai tinha realmente feito isso. O Duque era uma pessoa realmente difícil de lidar, mas era inexplicável a falta de humanidade em sua pessoa. Desde a primeira vez em que pôs os pés no Ministério da Magia, sua vontade era ser o ministro, disso todos sabiam. O nobre tinha trabalhado duro nisso e merecia a vitória, mas não dessa maneira. Aparentemente, ao saber da renúncia do antigo ministro por problemas de saúde ele se candidatou ao cargo, e quando foi eleito pelo parlamento, ficou tão feliz que esqueceu de comunicar sua família. Ou pelo menos sua filha. Isso com certeza explicaria a infelicidade da Duquesa no jantar de Natal: ela detestava a ideia, pois sabia que isso o faria ainda mais ausente da família. Explicaria também a alegria do Duque e do Sr. Malfoy naquela noite. Os dois eram colegas de trabalho no Ministério e provavelmente se candidataram ao cargo juntos, mas Benningham triunfou. E segundo a matéria de Rita Skeeter, Malfoy também tinha se dado bem.

Depois de longas horas de deliberação, o parlamento finalmente se decidiu por Benningham como o novo ministro da magia. O resultado já era o esperado, mas mesmo assim o nobre comemorou junto de seu melhor e mais fiel amigo de infância, Draco Malfoy (seu novo conselheiro chefe), fazendo promessas de mudança a plenos pulmões para quem quisesse ouvir. O cultíssimo e ético pai de família já começou a trabalhar no mesmo dia, colocando em prática a mais polêmica de suas ideias: o corte orçamental. Todos os funcionários que, segundo Benningham, eram “um peso para o ministério” foram dispensados de seus empregos no mesmo dia com nada mais, nada menos que o coração na mão e lágrimas nos olhos.

Ético, aham. Ao lado do texto exagerado da jornalista sensacionalista, uma foto do Duque/Ministro ostentando uma pose digna de um cultíssimo pai de família, comemorando a vitória ao lado do Sr. Malfoy, com enormes sorrisos no rosto. Charlotte custava a acreditar que o pai tinha mesmo feito isso. Era realmente incabível que ela tivesse que saber de uma coisa dessa pelo jornal. E ele não só escondeu isso, como também escondeu sua campanha sólida cheia de grandes ideias elaboradas, como o corte orçamental. Espera, corte orçamental? Como assim corte? Charlotte leu a expressão usada pelo pai e percebeu que esta era familiar. “Um peso para o ministério”. Sempre que tinha problemas com algum de seus inimigos políticos, ele o chamava de um peso para o ministério. Sempre que discutia com alguém, este alguém se tornava um peso para o ministério. Quando tinha problemas com sua maior dor de cabeça no trabalho, Hermione Granger-Weasley, ele chegava em casa gritando que a moça era um peso para o... Ai, caramba. Olhou pra trás de novo e na expressão de Fred e sua família ela finalmente entendeu. Agora a frase de James na tarde anterior fazia sentido. “Vai mandar o Ministério da Magia demitir minha família inteira?”. Pois é, seu querido pai já tinha tratado de começar isso. Provavelmente era isso que Fred tinha lido na carta do dia anterior. E Charlotte sabia que por causa disso, agora sua vida em Hogwarts seria ainda mais insuportável.

Apenas se levantou e saiu dali, andando calmamente, quando por dentro tinha vontade de sair correndo para o mais longe possível. Queria compartilhar da animação de Scorpius e ficar feliz por seu pai, mas não conseguia. Toda vez que lembrava do grande feito do Duque, o rosto de Fred desapontado e triste vinha em sua mente, apavorando-a. Ela não sabia porque, mas não gostou nem um pouco do olhar de desaprovação dele. Começou a pensar no que poderia ter acontecido e o jornal não disse. Quase toda a família dele trabalhava lá. Será que o Duque colocou todo mundo na rua? Isso era uma atitude que não surpreenderia Charlotte. Em outros tempos ela bateria palmas pra essa atitude, mas agora algo tinha mudado e ela não queria que um desastre como esse atingisse a família do ruivinho. Droga Charlotte, o que você tem na cabeça? Dane-se os Weasley, azar o deles! Se forçou a guardar esse pensamento na cabeça nos próximos dias. Mas mesmo assim a sensação não era boa. Os olhares e sussurros ficaram mais intensos, mas agora todos usavam apenas um apelido: a filha do ministro. E odiando isso, Charlotte começou a se trancar no quarto antes e depois de todas as aulas lendo livros e tentando ocupar a mente com qualquer coisa. Faltou até os treinos de quadribol. A única pessoa que sabia dela era Scorpius, que mandava sua coruja com recadinhos pra amiga todas as noites e os dois ficavam trocando pequenas cartinhas, muitas vezes sobre Rose, o que dava a Charlotte ainda mais vontade de ficar no quarto.

Três semanas depois do ocorrido, ela finalmente tomou coragem e saiu para um passeio ao sol depois de uma aula de Astronomia. Decidiu passear pelos campos atrás do castelo, onde poucos alunos iam – apenas para namorar escondidos, mas isso não era perigo àquela hora da manhã. Foi difícil driblar as pedras escorregadias cheias de neve derretida. Estavam no meio de fevereiro e o inverno já não castigava mais tanto, quase no fim. Mas ainda estava frio e ela precisava tomar cuidado. Um pequeno descuido e... Ai! Caiu com tudo de costas no chão, deixando seu material cair e se espalhar todo. Uma pessoa se aproximou saindo do nada e recolheu suas coisas, mas não era quem ela desejava encontrar.

– Oi, Benningham. – Rose estendeu a mão pra ajuda-la. Pelo menos ela não me chamou de Charlotte. – Parece que você deixou umas coisas caírem. – A menina riu sozinha da piada boba. Parecia uma das piadas ruins da Duquesa. Charlotte se levantou, se recusando a pegar na mão da rival. Tomou seus livros dos braços de Rose, deu as costas pra ela e saiu andando, mas pelo visto a ruiva queria conversar. – Então... Foi boa a aula de Astronomia, né? É uma das minhas aulas favoritas. – Charlotte não entendeu. Ela está puxando assunto comigo? Um tempinho atrás ela tremia quando me via e agora quer ser minha amiga? Quanto tempo eu fiquei no quarto? Continuou andando e a ruiva continuou a seguindo, com um sorriso meio nervoso no rosto, forçando uma aproximação incomum. – Pena que a professora é meio pirada, isso tira minha concentração. Mas eu vi que não tira a sua, você é ótima nessa matéria... Eu soube que você já está lendo Astronomia III. Impressionante! – Ah, sabia que tinha alguma coisa errada. Charlotte se lembrou da primeira vez que Fred falou com ela, na aula de Trato das Criaturas Mágicas quando pegou seu material do chão e viu o livro de Astronomia III que era usado nas aulas do sétimo ano. Presumiu que Fred tinha contado sobre isso e muitas coisas mais para Rose e agora a menina queria ter algum tipo de aproximação, achando que já a conhecia.

– Pois é. Eu sou mesmo impressionante. – Apertou o passo pra ver se a ruiva desistia de se aproximar, mas isso não aconteceu. Rose começou a falar sobre qualquer coisa que Charlotte não estava interessada. E a menina falava muito rápido, atropelando as palavras como se estivesse desesperada ou muito nervosa. Quando perceberam, já estavam dentro do castelo de novo.

– Mas e aí, quer ir estudar comigo na sala de estudos nesse tempo vago? Podemos estudar Astronomia. – Ela tinha agora um grande sorriso, que intrigava Charlotte. Caramba, além de um cabeção ela também tem um sorriso gigante.

– Não. – Saiu andando sem olhar pra trás, na esperança de que Rose não a seguiria. Ao longe, perto das masmorras, avistou Scorpius e sua coruja, olhando pras duas meninas. Ele parecia sorrir, um grande sorriso. Provavelmente o menino achava que ela estava fazendo o que ele pediu e ficando amiga de Rose. Dane-se, eu não vou fazer isso e ponto. Continuou andando pelos corredores do castelo, sem rumo. De repente, uma bela coruja veio voando em sua direção, com uma cartinha amarrada nela. Era a coruja de Scorpius e a carta também. Nela, só uma palavra.

OBRIGADA! :D

Ai, droga. Ela sabia onde isso ia terminar. Na sala de estudos durante o tempo vago, estudando Astronomia.