Notas iniciais
Boa leitura!

Porcaria, todo mundo está em tempo vago? Charlotte entrou na sala de estudos lotada e automaticamente todos os olhares se voltaram pra ela. Muitos sussurros acompanharam os passos da moça em direção ás cabecinhas vermelhas. No fundo da sala, papeando com outros sonserinos, Scorpius viu a amiga e acenou, mas ela parou antes dele, em frente a uma mesa. Nela, Rose. Charlotte se perguntou o que diabos estava fazendo lá, mas o sorriso de Scorpius foi o suficiente para convencê-la a ficar. Era um sorriso puro e ingênuo, que pedia sua ajuda. Ela não queria de jeito nenhum desapontá-lo. E tratando de agradar o amigo, enquanto olhares de todos os lados a encaravam, ela se sentou na mesa com Rose. Todos sussurraram sobre isso, apontando assustados. Provavelmente estavam esperando uma série de gritos e ameaças vindas de Charlotte, mas ao invés disso ela se sentou com eles, deixando claro para toda a casa de Sonserina que agora existia uma trégua ali. O barulho da fofoca só diminuiu graças a um pedido nada educado de silêncio do professor Snape, que também parecia não entender a situação.

– E aí, tudo bem com você? – Rose continuava tentando ser amiga de Charlotte, mas ela não entendia por que.

– Vamos estudar ou não? – A morena abriu o enorme livro Astronomia III sobre a mesa e começou a ler sem interrupções. Rose ficou perplexa e parou tudo que estava fazendo, olhando pros lados como se seu plano não estivesse funcionando do jeito que gostaria. Ela queria conversar com Charlotte, mas esta realmente estava interessada em estudar. Scorpius, no fundo da sala, tentava se concentrar na conversa com os amigos, mas só conseguia pensar no que estava acontecendo na mesa perto dele: nada. Nadinha. Charlotte não fazia nem um pequeno movimento de inteiração com Rose e a ruiva também não sabia como agir. Cegamente, ela decidiu mudar a situação.

– Isso é matéria do sétimo ano, né? É difícil?

– Não pra quem é inteligente. – Charlotte nem levantou os olhos do livro. Não moveu um músculo da face, nem uma sobrancelha.

– Ah, sim você é muito inteligente mesmo... Eu também sou um pouco, sabe? Herdei da minha mãe. – Hermione Granger-Weasley, uma provável desempregada. – E o talento de quadribol do meu pai.

– Talento? – Rose fez uma cara feia. Charlotte percebeu que costumava reclamar da falta de humanidade do pai, mas estava ficando exatamente igual a ele. A garota admirava o Duque e não tinha problema nenhum em ser parecida com ele, mas não gostava de desapontar ninguém. E por mais que não tivesse intenção de ajudar Scorpius a conquistar Rose, ela precisava fazer o menino acreditar que ela faria isso. Tirou os olhos do livro pela primeira vez e tentou reparar o acontecido. – Sim, você joga bem. – Ela realmente não tinha jeito com palavras. – Quase tão bem quanto eu. – Mentira. Nem chega nem perto. Está abaixo do nível do Fred.

Fred... Era a primeira vez que pensava nele em bastante tempo. Lembrou que não falava com o rapaz desde aquela tarde confusa no corujal. Pensou no sorriso idiota que ele fazia de vez em quando, que dava raiva e ao mesmo tempo vontade de rir. Aí de repente lembrou da última vez em que o viu e também que naquela hora o sorriso não estava lá. No seu lugar havia tristeza, raiva, indignação. Sentimentos causados por seu pai e que todos atribuíam a ela. Na realidade, ela não sabia exatamente o que tinha acontecido. Era provável que alguém da família dele tivesse sido demitido injustamente, mas Charlotte não tinha certeza e esse tipo de coisa não saia nos jornais – pelo menos não no jornal que circulava em Hogwarts, onde o Duque tem voz ativa. Mas a oportunidade de descobrir estava bem na sua frente, tentando puxar assunto.

– Sobre aquilo do ministro...

– Não quero falar sobre isso. – Rose falou sério pela primeira vez desde que se conheceram.

– Mas eu gostaria de...

– Deixa pra lá. Não é importante. – Ela sorriu fraco, demarcando o final daquela conversa. – Ah droga, eu tenho aula. E... Você também. – Abriu um grande sorriso dessa vez, convidando a menina para a aula. Foram andando, mas Rose olhou pra trás e percebeu que o livro de Charlotte ficou na mesa. Correu lá, pegou e entregou para a garota. – Ó, não vai perder esse livro, hein!

Foi correndo junto com seus amigos e Charlotte continuou andando calmamente, segurando seu livro. Então percebeu que havia um pequeno papel dentro dele, que não estava ali antes. Puxou-o e viu que era um pedaço de pergaminho dobrado. Quando abriu, a mensagem lhe fez mostrar um sorriso inesperado.

DEPOIS DA SUA ÚLTIMA AULA, NO CORUJAL.

FRED.