Unwritten
19 Capítulo Treze
Notas iniciais
Edward POV.
Parecia que fazia apenas alguns minutos que eu havia dormido quando escutei um choro suave vindo do monitor no pequeno móvel ao lado da cama. Já acostumado com aquele som, eu me sentei na cama e esfreguei as mãos no rosto, querendo realmente acordar. Levei alguns segundos para me lembrar do que havia acontecido na noite anterior.
E eu senti meu coração apertar contra o peito ao olhar para Bella, ainda completamente adormecida, ao meu lado na cama.
Eu queria ficar alguns minutos ali e apenas olhar para ela — já não conseguindo me lembrar a última vez que eu tinha feito isso. Mas eu sabia que o choro de Lily só pioraria e como não queria incomodar Bella — porque eu sabia que ela também tinha dormido mal na noite anterior -, levantei-me e fui cuidar da nossa filha.
Ela estava balançando as pernas e braços de forma frustrada quando entrei no quarto, o choro aumentando. Ela parou, no entanto, assim que me viu entrando, e eu soube que ela não estava com fome nem precisava de uma troca de fralda. Ela só queria um pouco de colo.
Sabendo que ela não voltaria a dormir, peguei-a no colo e a levei para o sofá na sala, onde me sentei. Ela se aconchegou no peito e levou o punho à boca, seus olhos castanhos me fitando com atenção.
Mesmo sendo muito cedo e mesmo com sono, eu amava esses momentos nossos, onde ela só queria um pouco de carinho meu ou de Bella. Eu não os trocaria por nada.
Conversei um pouco com ela, sabendo que ela gostava de ouvir a minha voz. Logo, ela demorou a abrir mais os olhos quando piscava, e eu sabia que logo ela estaria dormindo novamente.
Cansado demais para me levantar e colocá-la no berço, ajeitei-me de modo que o corpo de Lily estava virado para o encosto do sofá e meus braços estavam circundando-a. Ela se aconchegou mais no meu peito, sua cabeça quase encostando no meu pescoço, e bocejou de um jeito tão fofo que tive vontade de apertá-la. Contive-me, porém. Apenas beijei o topo da cabeça dela e fechei os olhos.
E logo estava dormindo novamente.
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Acordei duas horas mais tarde, na mesma posição que havia adormecido. Lily ainda estava deitada comigo, dormindo. Eu a olhei durante um tempo, um pequeno sorriso no rosto. Acariciei seu rosto com a ponta dos dedos, ainda sem conseguir acreditar que ela era mesmo minha filha.
– Ei — Bella murmurou, tirando-me de meus devaneios.
Com cuidado para que Lily não acordasse, virei-me um pouco, encontrando Bella parada próxima ao sofá, sorrindo para nós dois. Eu franzi a testa quando vi o rosto meio avermelhado dela e como ela parecia cansada. Eu estava certo, anteriormente; ela tinha dormido mal na noite anterior.
– Bom dia — eu sussurrei. — Está tudo bem?
Ela encolheu os ombros.
– Vou ficar — tornou a sorrir. — Lily logo vai querer mamar… Por que você não dorme um pouco no quarto? Ela deve ter te acordado cedo…
Ainda tomando cuidado para não acordar a minha filha, eu sentei no sofá, ajeitando o corpo dela e colocando uma almofada na frente, apenas para evitar que ela se mexesse e caísse no chão.
– Não, tudo bem — eu respondi. — Ela só queria um pouco de colo… Voltou a dormir assim que deitamos no sofá.
Bella assentiu.
Ainda meio preocupado com ela, levantei-me e a puxei para os meus braços, beijando o topo da sua cabeça. Não perguntei como ela estava novamente ou disse que ficaria tudo bem e que os pais dela talvez mudassem de ideia. Eu não sabia se isso aconteceria. Mas como eu tinha uma experiência similar, eu sabia como ela se sentia.
– Obrigada — ela murmurou, um pouco depois, sua cabeça apoiada em meu peito. — Por ter ficado comigo ontem…
Eu sorri.
– Eu disse que vou estar sempre aqui agora, Bella — murmurei. — E estava falando sério. Você não está mais sozinha.
Ela se afastou um pouco e sorriu para mim, o que me fez sorrir de volta. Não podemos ficar muito ali na nossa bolha, porém.,logo, Lily acordou, e pelos sons que ela fez quando viu Bella, ela estava com fome.
– Eu vou tomar um banho — eu disse, enquanto ela pegava a nossa filha e se sentava no sofá. — Depois vou fazer algo para comermos, ok?
Ela assentiu, sorrindo um pouco para mim, antes de voltar sua atenção para Lily, que já estava puxando a blusa da mãe.
Tomei um banho rápido, enquanto Bella cuidava de Lily. Quando saí, parti para a cozinha e fiz algo simples para nós dois — embora eu não fosse um cozinheiro ruim, eu não era um tão bom assim, sabia fazer apenas algumas coisas. Quando eu terminei, chamei Bella e, conosco alternando para comer e ficar com Lily no colo, comemos.
– Então, eu estava pensando… — comecei, segurando a barriga de Lily e impedindo que ela segurasse o meu garfo e o levasse para a boca (algo que ela vinha fazendo com mais frequência agora). — O que você acha de irmos passar o Ano Novo com Leah e Sam? Ele havia comentado isso comigo quando veio aqui…
Bella sorriu, seus olhos em Lily.
– Eu acho que seria bom — ela respondeu. — Nós sempre dizemos que vamos lá, mas nunca fomos…
Tornei a sorrir.
– Então, ok — disse. — Vamos passar o Ano Novo com a sua irmã e seu cunhado.
Nós fomos para a casa de Leah no dia 30. Como era uma viagem curta, não tivemos tantos problemas com Lily. E nossa filha foi roubada de nós assim que estacionamos em frente à casa de Sam.
– Leah deve chegar do serviço a qualquer momento — ele disse, com Lily no colo. Ela agarrou a gola da camisa dele e soltou um grito animado, o que nos fez sorrir. — Eu separei um quarto para vocês… Leah até montou um pequeno berço…
Ele nos levou até o quarto e nos mostrou onde tudo ficava, caso precisássemos de alguma coisa. Em nenhum momento, ele soltou Lily, insistindo que ele podia ficar com ela durante um tempo.
Ele logo a entregou, no entanto, quando ela começou a chorar e ficou claro que ela estava com fome — algo que somente Bella podia resolver no momento. Quando ela estava terminando de alimentar a nossa filha, Leah chegou, e foi a vez dela sequestrar Lily por um tempo.
Sam e eu nos oferecemos para fazer o jantar, deixando as garotas sozinhas na sala. Nós começamos a conversar sobre esportes, trabalho, faculdade, crianças…
– E quando vocês vão arrumar um primo ou prima para Lily? — eu indaguei, enquanto preparava a salada. — Se vocês providenciarem um agora, a diferença de idade não será tão grande assim.
Sam riu.
– Agora não dá, sinceramente — ele disse. — Leah e eu temos horas meio malucas de trabalho. Queremos esperar mais um pouco antes de começar a tentar… Talvez no próximo ano ou algo assim.
Eu assenti.
– Só não demore muito — brinquei. — Vou ensinar a Lily a pedir por um primo assim que ela começar a falar.
Sam riu e revirou os olhos, mas não disse nada. Rapidamente nós terminamos de preparar o jantar e eu saí da cozinha, indo chamar Bella e Leah. Assim que eu me aproximei da porta, porém, escutei o nome dos pais de Bella e, ainda preocupado com ela, parei.
– Eu só queria que eles entendessem, Leah. — Bella sussurrou. — Só queria que eles dessem uma chance… Conhecessem Lily e vissem que eu estou dando conta. Não desisti da faculdade, tenho Edward para me ajudar… por que é tão difícil assim?
Eu senti meu coração apertar em meu peito ao escutá-la dizendo essas coisas.
– Eu não sei, Bella — respondeu Leah. — Mamãe parece entender mais… mas papai… eu sinceramente não sei. Já tentei conversar com eles, mas…
Houve uma pausa, e logo Bella começou a falar novamente.
– E nós nunca falamos de Seth com ele ou a minha mãe… — ela disse. — Você acha que devia comentar alguma coisa?
Eu me aproximei um pouco da porta e vi Leah encolhendo os ombros. Lily estava deitada no colo da mãe, mamando.
– Seth quase nunca toca no assunto — minha cunhada respondeu. — Eu vejo que ele quer conhecer o meu pai, conversar com ele, mas eu sinceramente não sei como vai ser isso… Eu estava pensando em conversar com Sue um dia desses, ver o que ela acha… e depois, talvez, sentar para conversar com o meu pai…
Bella assentiu.
– Só… me mantenha informada, ok? — ela suspirou. — Eu sei que não vou poder fazer nada para ajudar, já que eles não conversam comigo, mas eu gostaria de saber como foi a conversa e se Charlie vai querer conhecer o filho e o neto…
Escutei um pigarro atrás de mim e dei um pulo, virando-me, a mão no peito. Sam estava ali, os braços cruzados, um pequeno sorriso nos lábios.
– Nunca te falaram que escutar uma conversa é errado? — ele indagou.
Eu engoli em seco, sentindo-me um pouco envergonhado.
– Eu sei — murmurei. — Eu só… eu me preocupo com ela, sabe? Quando Leah contou como havia sido o Natal na casa dos Swan… ela não dormiu bem, Sam, ela chorou… e eu só queria…
Encolhi os ombros, sem saber mais o que dizer.
Ele assentiu.
– Eu sei — respondeu. — Leah sofre com isso também. Eu tento não me meter muito, embora tenha tentado conversar com Charlie, mas… ele não parece que vai mudar de ideia tão cedo, Edward.
Eu suspirei.
– É, eu sei — murmurei.
Não podemos continuar nossa conversa, porém. Leah apareceu na porta, perguntando se o jantar estava pronto. E eu, não querendo que Bella soubesse naquele momento que eu tinha escutado a conversa dela com a irmã — ou parte dela, pelo menos -, disse que sim, dizendo que estávamos indo chamá-las para jantar.
Eu conversaria com Bella sobre isso mais tarde, quando estivéssemos sozinhos e depois que Lily tivesse dormido.
Eu sorri quando vi Bella caminhando até a mim, Lily em seu colo. Minha filha estava com o punho na boca, soltando sons alegres, seus olhos castanhos observando tudo ao redor. Ela ficava mais curiosa à medida que ia envelhecendo e isso era adorável.
Eu a peguei no colo após depositar um beijo na bochecha de Bella, levando-a até a sala de jantar. Embora meus cunhados tentam tentado roubá-la de mim enquanto eu jantava, insisti em ficar com ela no colo. Ela tentou roubar meu garfo várias vezes, assim como minha água. Eu dei um pouco para ela, como fazia às vezes, e sorri com a cara de felicidade que ela fez.
Depois do jantar, Sam e Leah insistiram em limpar tudo, dizendo que estávamos com cara de cansados. Então, após combinarmos de fazer alguma coisa no dia seguinte, eu levei as minhas garotas para cima.
– Por que você não toma um banho enquanto eu preparo Lily para dormir? — eu sugeri para Bella. — Ela acordou cedo hoje e não dormiu muito… acho que não vai demorar para dormir.
Enquanto Bella tomava um banho, eu troquei a fralda de Lily e as suas roupas, colocando-a no meu colo para niná-la logo em seguida. Não demorou muito para ela dormir e, assim que Bella saiu do banho, eu rapidamente tomei o meu, caindo na cama logo em seguida.
E como Bella estava ainda estava acordada, achei que aquele era um bom momento para conversarmos.
Eu a puxei para os meus braços, um sorriso aparecendo no meu rosto quando ela se aconchegou no meu peito, o lugar que ela sempre dizia ser o seu favorito. Beijei o topo da sua cabeça e acariciei suas costas, pensando em como começar a conversa.
Mas não precisei. Antes que eu pudesse dizer algo, Bella me contou sobre a conversa que ela havia tido com Leah e como ela se sentia sobre isso. Eu esperei que ela terminasse de falar, antes de admitir que eu tinha escutado uma parte da conversa.
– Eu não vou mentir… — comecei. — Escutei uma parte da conversa quando fui chamar vocês para jantar… Sam acabou me vendo e disse que tentou conversar com Charlie e que não parecia que ele iria mudar de ideia tão cedo…
Ela assentiu, seu aperto em mim aumentando.
– Eu só queria que eles entendessem, Edward — ela murmurou. — Eu sinto tanto a falta deles… será que eles não sentem nenhum pouco a minha?
Ela chorou um pouco, como tinha acontecido há alguns dias, e sem ter ideia do que dizer para fazer com que ela se sentisse melhor, apenas murmurei algumas palavras de consolo.
– Eu não sei como vai ser quando Leah conversar com o meu pai sobre Seth… — ela sussurrou. — Eu espero que ele não vire as costas para outro filho, espero que ele mude de ideia, então.
– Eu espero também, baby — murmurei. — Eu realmente espero.
Como nenhum de nós conseguiria dormir naquele momento, ficamos na cama conversando até um pouco mais tarde. Lily já não acordava com tanta frequência a noite mais, às vezes dormindo a noite toda, então conseguimos dormir umas boas sete horas antes de escutarmos o choro dela.
Depois de Bella amamentá-la e eu trocar a fralda dela, nós rapidamente nos trocamos e fizemos nossa higiene matinal, antes de descermos. Sam e Leah já estavam acordados e, assim que nos viram, pegaram Lily de nós.
Nós ficamos na casa de Sam e Leah até o dia primeiro. Participamos de uma festa de Ano Novo na casa de uns amigos dele, e, exatamente como tinha dito, minha cunhada apresentou Lily para todos, gabando-se de sua sobrinha. Ela nos fez prometer voltar assim que possível e prometeu entrar em contato com Bella assim que conversasse com Sue e Seth.
Infelizmente, os nossos últimos dias de férias passaram rapidamente e logo Bella e eu voltamos à nossa rotina na faculdade. Seguimos com a nossa vida da forma mais normal possível. Eu deixei de dormir no sofá e voltei a dividir a cama com Bella. Nós trocamos pequenos beijos, mas nada mais do que isso. Eu sabia que ela ainda não confiava completamente em mim e, embora doesse pensar nisso, sabia que teria que ser paciente e esperar.
Por mais que eu ficasse mais ansioso a cada dia que passava.
Leah ainda não havia conversado com Seth e Sue, mas eu sabia que isso não demoraria muito. Ela também seria a responsável por conversar com Charlie e contar para ele que ele tinha um filho, se Seth concordasse. E eu somente torcia para que tudo desse certo. Não tinha ideia de como Charlie reagiria, mas talvez saber que Sue não interrompeu a gravidez e conseguiu criar o filho sozinha, fosse amolecer o coração dele.
Eu sabia que Bella sentia falta dos pais. E mesmo que ela não fosse perdoá-los de imediato, eu também sabia que ela ficaria muito mais feliz com eles nas nossas vidas.
Saindo de meus devaneios, eu balancei a cabeça e bocejei, esfregando os olhos. Fechei meu caderno de desenhos, tendo terminado um trabalho que um dos professores tinha pedido. Após guardar e conferir se estava tudo certo, eu fui para a cozinha, um sorriso no meu rosto quando eu vi Lily sentada na cadeirinha dela, enquanto Bella preparava seu jantar.
Lily havia completado seis meses há alguns dias e nós já havíamos introduzido o primeiro alimento para ela — mesmo que não tivesse passado de uma banana amassada. Eu tinha feito questão de gravar o momento, mal conseguindo segurar um sorriso quando Bella colocou a colher pela primeira vez na boca dela. Ela havia simplesmente amado e, embora a gente já tivesse dado outras coisas para ela comer, banana amassada parecia ser seu alimento favorito.
Eu caminhei até a minha filha e a peguei no colo, rindo para os pequenos gritos que ela soltava — algo que ela sempre fazia quando nos via. Ela me deu um sorriso gengival e puxou minhas orelhas, plantando um beijo molhado em meu nariz.
– Oi, meu amor. — Eu beijei a bochecha dela. — Você ficou com saudades do papai?
Ela soltou outro grito, o que me fez rir novamente.
– Vou tomar isso como um sim.
Eu disse para Bella ir tomar um banho enquanto alimentava Lily. Quando terminei, limpei a bagunça o máximo que pude, já que ela tinha decidido que não queria mais ficar confinada na cadeirinha. Eu estava terminando de tirar o babador dela quando a campainha tocou. Como Bella ainda não havia saído do banho, levei-a comigo para abrir a porta.
E fiquei paralisado durante um tempo quando vi os meus pais parados ali.
Carlisle estava vestido de forma casual, algo que eu quase não via. Ele sorriu assim que viu uma Lily muito animada em meus braços, tentado puxar meus cabelos, mas não disse nada.
Esme, ao contrário dele, não conseguia se conter. Ela tinha lágrimas nos olhos e não sabia para quem olhar; seus olhos dançavam de mim para Lily e dela para mim. Ela abriu a boca diversas vezes, mas nenhum som saiu.
– Hmmm… oi? — eu finalmente disse, quebrando o silêncio desconfortável.
– Baaaa! — Lily gritou, finalmente conseguindo fechar sua pequena mão nos meus cabelos. — Ba!
Minha mãe soltou uma risada, as lágrimas escorrendo pelo seu rosto.
– Oh, Edward. — Ela finalmente disse. — Ela é a sua cara quando você era pequeno!
Eu engoli em seco, fechando os olhos por um momento antes de tornar a abri-los, mas meus pais continuavam ali, então não devia ser um sonho…
– Edward? — A voz de Bella soou pela sala, mas não consegui me mover e nem responder. — Quem era na porta?’
Meus pais continuavam parados na porta, sem dizer algo, quase como se esperassem que eu os convidasse para entrar. Mas o que eles poderiam querer comigo? Será que eles ainda tentariam me convencer a voltar para o meu antigo curso e começar a estagiar na empresa?
Finalmente conseguindo sair de meus devaneios, eu voltei-me para Bella, vendo-a passar a toalha nos cabelos. Os olhos da minha namorada se arregalaram quando ela viu quem estava na porta e, vendo o meu estado, ela rapidamente pegou Lily do meu colo e após trocar um rápido olhar comigo, convidou os dois para entrar.
Eu apenas os segui até o sofá, jogando-me de qualquer jeito na poltrona, ainda sem acreditar que eles estavam ali. Carlisle havia se comportado de maneira estranha quando eu o havia visto no mês passado e por muitos dias esperei que ele voltasse, mas já havia, sinceramente, perdido as esperanças. Eu não imaginava que ele fosse voltar, quanto mais trazer Esme junto com ele.
Os dois se sentaram no sofá e Bella, após livrar-se da toalha, sentou-se no braço da poltrona, Lily ainda em seu colo. A minha filha tinha um brinquedo nas mãos e por ora parecia contente em mastigá-lo — porque, ultimamente, tudo parecia ir parar na boca dela.
– Oh, Bella, ela é linda! — Esme sorriu gentilmente para nós. — Carlisle disse que ela era a cara de Edward, mas eu não imaginava que ela fosse tão parecida assim…
Bella sorriu.
– Obrigada — ela disse.
Carlisle limpou a garganta, passando a mão pelos cabelos, um gesto nervoso — algo que eu havia adquirido dele. Ele nos deu um pequeno sorriso, antes de voltar a fitar a neta.
– Eu queria pedir desculpas, Edward — ele finalmente disse. — Depois daquele dia, eu cheguei em casa e conversei com a sua mãe… Nós conversamos com Kaure e ela nos contou umas coisas… Eu sinto muito que tenhamos ficado tanto tempo fora de sua vida, meu filho.
Eu arregalei os olhos, sentindo-me extremamente confuso, sem conseguir acreditar que ele estava mesmo dizendo aquilo.
– A empresa sempre tomou boa parte de nosso tempo e nós simplesmente nos perdemos — ele continuou. — Sei que pode ser tarde demais, mas queríamos conhecê-los, aos poucos…
Engoli em seco, fitando Bella. Ela sorriu para mim gentilmente, pegando a minha mão e apertando-a. Eu encolhi os ombros para os meus pais, mas não disse nada. Eu não conseguia acreditar que eles fossem mudar de um dia para o outro, apenas com uma visita… Então, ele tinha decidido que estava errado após conhecer Lily, mas e se mudasse de ideia? E se ele voltasse a insistir que eu tomasse conta da empresa quando eles se aposentassem ou algo assim? E, pior, se eles sumissem novamente?
– Eu sei que é difícil acreditar — minha mãe começou, quando ficou claro que eu não falaria nada. — Mas nós já vínhamos conversando sobre nosso relacionamento com você há algum tempo, desde quando você apareceu em casa para contar do nascimento do bebê, quando ficou claro que você não iria mudar de ideia… Nós achamos no começo que você fosse querer voltar, Edward, que você veria que tinha optado pelo curso certo e que se daria bem cuidando da empresa, mas…
Ela parou por um momento.
– Quando ficou claro para nós dois que você não voltaria e que não mudaria de ideia — continuou -, Carlisle apareceu aqui, querendo conversar com você uma última vez… E então ele conheceu a bebê e… eu sinto tanto, filho!
Eu continuei parado e calado, sem saber o que devia fazer ou dizer. Eu sempre quiz que eles falassem aquilo, desde quando era pequeno e comecei a perceber que eles não estavam presentes nos momentos que eu mais queria. E agora que estava acontecendo… parecia ser bom demais para ser verdade.
– Você precisa de um tempo, a gente entende. — Carlisle completou. — Só queríamos saber se podíamos visitar de vez em quando? Acompanhar o crescimento da nossa neta?
Após olhar para Bella rapidamente, eu assenti e murmurei um ‘ok’, ainda sem saber o que falar. Então, eles pediram para carregá-la um pouco antes de irem embora. Eles não ficaram muito mais, apenas cerca de quinze ou vinte minutos, e depois saíram.
E eu continuei ali, sentado, sem acreditar que aquilo tinha mesmo acontecido.
– Ei… — Bella apareceu, carregando Lily, que estava quase dormindo, em seu colo. — Está tudo bem? Você quer conversar?
Eu assenti.
– Eu vou só colocar Lily para dormir e nós conversaremos, ok? — ela sorriu.
Assentindo novamente, coloquei-me de pé e depositei um beijo no topo da cabeça da minha filha, sussurrando que a amava. Caminhei até a pequena varanda que nós tínhamos e fiquei ali, parado, sem nem saber o que pensar direito. Alguns minutos depois, Bella apareceu e eu a puxei para os meus braços, sabendo que eu me sentiria melhor com ela ali.
Algum tempo depois, comecei a falar com ela sobre o que eu pensava. Comentei que achava que eles iriam mudar de ideia, que eu tinha esperado por aquilo por muito tempo, que era difícil de acreditar. Ela escutou em silêncio, seus olhos nunca deixando o meu rosto. E ela só falou quando eu acabei, sorrindo um pouco.
– Eu não sei o que dizer, sinceramente — ela disse. — Não posso prometer que eles vão mesmo mudar, que eles não vão tentar mudar a sua ideia novamente, que eles não virarão as costas para você e sumirão, mas… que tal se você apenas levar um dia de cada vez? Eles disseram que voltarão daqui uns dias, então… leve um encontro de cada vez. Se eles continuarem a aparecer e não sumirem novamente, bem, você saberá que eles mudaram, então.
Sabendo que ela estava certa, eu apenas assenti, puxando-a para os meus braços outra vez. Eu beijei o topo da cabeça dela e fiquei ali durante um tempo, esperando até eu me acalmar totalmente.
Como haviam prometido, meus pais voltaram a aparecer, apenas oito dias após a primeira visita. Eles ficaram mais um pouco, dessa vez. Fizeram questão de jantar com a gente e minha mãe até mesmo alimentou Lily, antes de irem embora, prometendo voltar assim que tivessem uma folga na empresa.
Àquela altura, eu já tinha ficado esperançoso novamente. Não podia deixar de me sentir feliz quando eles ligavam ou mandavam uma mensagem… eu sabia que ainda demoraria para confiar neles e perdoá-los completamente — se é que isso realmente aconteceria algum dia -, mas não podia deixar de me sentir bem por eles estarem por perto, por saber que eles realmente se importavam.
Em meio a tudo isso com meu pai, Leah ligou para Bella alguns dias depois da segunda visita de Carlisle e Esme, dizendo que havia conversado com Seth. Bella estava esperando por mim quando cheguei da faculdade, parecendo meio ansiosa.
– O que foi? — eu indaguei, pegando Lily do colo dela e cumprimentando-a. Minha filha soltou seus gritos de felicidade e balbuciou, fazendo-me sorrir. — Está tudo bem?
Bella engoliu em seco.
– Leah conversou com Seth — ela disse. — Ela não me disse exatamente quais palavras foram trocadas, mas… ele concordou em contar para Charlie a verdade.
Sabendo que Bella precisava que eu a acalmasse naquele momento, eu coloquei Lily em seu pequeno cercadinho, entregando alguns brinquedos para ela se manter entretida. Puxei-a para os meus braços, então, enquanto dizia que tudo ficaria bem.
– Ela vai para Forks assim que puder, contar tudo para ele — ela continuou. — Estou com medo, Edward… Não sei bem explicar o porquê, mas… se ele negar Seth novamente, eu sei, de alguma forma, que ele nunca vai querer me ver novamente… sei que ele nunca vai querer conhecer a neta…
Ela soltou um soluço baixo e eu engoli em seco, sabendo que ela provavelmente estava certa.
– Vai dar tudo certo — eu disse, o mais firme que pude. — Eu estou aqui, Lily também. E prometo, Bella, nós não vamos a lugar nenhum.
Ela se afastou um pouco e sorriu para mim. Antes que eu tivesse a chance de dizer mais alguma coisa, ela aproximou seu rosto do meu, beijando-me suavemente.
– Obrigada — ela sussurrou, seus lábios ainda contra os meus. — Por tudo. Eu não sei o que faria se você não estivesse aqui.
Sorri.
– Eu vou sempre estar aqui, baby — murmurei. — Eu te amo, esqueceu? Amo você, amo nossa filha. Vocês duas são as coisas mais preciosas que tenho. Não pretendo abrir mão de nenhuma de vocês.
Ela tornou a sorrir antes de me abraçar novamente.
Eu a apertei mais em meu abraço e beijei o topo da sua cabeça, desejando poder ficar daquela forma para sempre. Bella se aconchegou mais em meus braços, sua cabeça ainda repousada no meu peito. Ela não ficou muito tempo naquela posição, porém. Logo se afastou novamente, apenas um pouco — não o suficiente para sair do meu abraço — e levantou a cabeça, seu rosto de repente sério. Seus olhos estavam me fitando com tanta intensidade que eu senti meu coração bater violentamente contra o meu peito.
– Edward? — ela murmurou, quase como se quisesse se assegurar de que eu estava mesmo ouvindo.
Eu engoli em seco.
Deus, como eu queria beijá-la novamente, sem precisar me conter, com medo de atravessar algum limite...
– Sim? — respondi, minha voz saindo meio seca.
Ela sorriu um pouco, mas logo ficou séria novamente.
– Você se lembra quando me disse — ela começou -, no nosso primeiro encontro desde quando voltamos, por assim dizer, que você disse que me amava e que eu não precisava dizer nada? Que era para eu dizer quando eu confiasse em você…
Eu tornei a engolir em seco e assenti, não confiando muito nas palavras naquele momento. Eu me lembrava… eu me lembrava com perfeição daquela noite. E eu vinha torcendo, mesmo que secretamente, que ela dissesse aquelas palavras logo… que ela confiasse em mim.
Bella moveu os braços das minhas costas, se afastando um pouco mais do meu abraço, apenas para colocar as mãos no meu rosto. Eu tentei não deixar que a esperança crescesse em mim, mas então percebi que já era tarde demais.
Ela se colocou na ponta dos pés, diminuindo a nossa diferença de altura. Nossos lábios ficaram a centímetros de distância.
– Eu amo você — ela sussurrou, colocando seus lábios nos meus antes que eu pudesse responder.
Eu senti um sorriso nascer em meu rosto e precisei quebrar o beijo. Apoiei minha testa na dela e repeti, uma, duas, três vezes, que a amava.
Bella confiava em mim. Ela estava nos dando, verdadeiramente, outra chance.
E eu faria de tudo para não magoá-la novamente.
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