Unwritten

20 Capítulo Quatorze


Notas iniciais
Demorei, eu sei, mas finalmente mais um capítulo para vocês! Espero que gostem!

Bella POV.

Chegava a ser até engraçado o que uma simples frase podia fazer com alguém.

Eu me sentia mais leve depois de ter dito para Edward que o amava. Podia até ser bobeira mim ou algo assim, mas era como eu me sentia. Era bom estar com ele novamente, saber realmente que estávamos em um relacionamento e que não estávamos ali, morando juntos, por Lily.

Eu sentia falta dele, sentia falta de estar com ele

Eu sabia que nós precisávamos novamente de uma noite só para nós dois, sem termos que nos preocupar em tomar conta de Lily — se certificar que ela estava comendo, que a sua fralda estava limpa, que ela não precisasse de nada, que ela estava dormindo… Mas eu sabia que isso não era possível no momento, não quando não tínhamos ninguém de confiança que pudesse mantê-la durante a noite para nós dois.

E além disso, eu também tinha a cabeça em outras coisas. Como a conversa que Leah teria com o meu pai no próximo final de semana.

Exatamente por isso, eu me encontrava mais ansiosa a cada minuto que passava, me perguntando como seria a reação de Charlie…

Eu daria tudo para estar presente no momento que Leah contasse tudo para ele.

Eu suspirei pesadamente, meus olhos pregados no relógio que ficava no quarto que eu dividia com Edward. Nosso despertador tocaria dentro de meia hora, mais ou menos, mas como eu sabia que não iria conseguir dormir mais, levantei-me, tomando cuidado para não mexer demais, já que eu não queria acordar Edward.

Depois de dar uma olhada rápida no quarto ao lado e verificar que Lily estava dormindo, eu rapidamente tomei um banho, antes de seguir para a cozinha e começar a preparar o café da manhã — tanto o meu e de Edward quanto o de Lily. Eu estava terminando de amassar as frutas dela quando escutei um barulho de choro baixinho, vindo do monitor. Sabendo que Edward tinha aula um pouco mais tarde hoje e não querendo acordá-lo, eu rapidamente fui até o quarto.

– Bom dia, baby. — Lily abriu um sorriso gengival quando me viu; ela estava babando muito ultimamente, o que, de acordo com o pediatra, significava que sua dentição começaria em breve. — Você dormiu bem?

Ela levou suas mãos ao meu cabelo, puxando-os, algo que ela vinha fazendo muito ultimamente, e soltou uma das suas risadas que eu tanto amava. Eu rapidamente troquei a fralda dela, sempre conversando com ela — algo que eu sabia que ela gostava. Assim que ela estava limpa novamente, levei-a para a cozinha e a sentei na cadeirinha, correndo para terminar de preparar o seu café da manhã antes que ela começasse a reclamar.

– Quer dizer que as minhas garotas resolveram tomar o café da manhã sem mim hoje, é? — A voz de Edward soou de repente, me assustando.

Eu me virei para ele, o pratinho de Lily nas mãos, assim como a colher, e sorri. Ele sorriu de volta, indo até a nossa filha primeiro e pegando-a no colo.

– Bom dia, meu amor. — Ele depositou um beijo na bochecha gordinha dela, fazendo-a rir.

– Baaaa! — ela gritou, suas mãozinhas indo imediatamente para o cabelo dele, puxando-o.

Edward a afastou um pouco, tentando fazer uma cara séria. Lily tornou a rir. Eu ri baixinho também, sabendo que os puxões que ela dava realmente doíam, mas não consegui me conter. Eu amava ver os dois juntos. O modo que Edward cuidava da filha e a relação dos dois… era difícil acreditar que um dia ele tinha rejeitado-a.

Depois de beijá-la mais algumas vezes, ele a colocou de volta na cadeirinha e ela imediatamente começou a reclamar. Sabendo que ela estava com fome, eu andei em direção a ela, parando somente para cumprimentar Edward.

– Bom dia — eu sorri, sentindo minhas bochechas corarem. Às vezes eu me sentia como se estivéssemos começando uma relação e não retomando uma, quase como tinha sido quando começamos a realmente namorar anos atrás. — Dormiu bem?

Ele sorriu, dando-me um beijo demorado.

– Mais do que bem — respondeu. Ele pegou o prato de Lily das minhas mãos, empurrando-me em direção à bancada. — Por que você não vai tomando café enquanto eu alimento essa monstrinha aqui?

Eu ri.

Eu me sentei à mesa e comecei a tomar café da manhã, assistindo Edward alimentar Lily. Enquanto eu assistia os dois, voltei a pensar no que aconteceria muito em breve, dali a alguns dias: a conversa de Leah com o meu pai. Não pude deixar de me perguntar, novamente, como essa conversa seria.

Charlie aceitaria Seth? Voltaria atrás? Será que ele iria querer conhecer Lily?

Eu engoli em seco, fechando os olhos por um momento, não querendo começar a chorar ali. Eu sentia tanta falta dos meus pais, de nossos momentos juntos… E por mais que eu tentasse me conter, eu sempre acabava me perguntando se eles não sentiam a minha falta também.

Eu não conseguia me imaginar ficando meses e mais meses sem Lily, o que me deixava ainda mais confusa em relação a eles.

Remexi no meu prato, meio agradecida por Edward estar de costas para mim, ainda alimentando Lily. Eu estava tentando, com todas as minhas forças, não ter esperanças em relação aos meus pais. Porque se Charlie não aceitasse Seth… se Charlie não concordasse em conhecer o filho, nem que fosse aos poucos, eu sabia — de alguma forma, eu sabia — que ele nunca iria querer saber de mim novamente.

– Bella?

Eu balancei a cabeça e a levantei, vendo que Edward tinha terminado de alimentar Lily. Ela tinha o babador todo sujo, como sempre acontecia quando a gente a alimentava, e seu rostinho estava um pouco sujo também. Ela tornou a abrir aquele sorriso gengival quando me viu, batendo as mãozinhas na cadeirinha.

– Está tudo bem? — Edward indagou, colocando o prato e a colher na pia e pegando Lily no colo. — Você mal tocou no seu café da manhã…

Eu soltei um suspiro e encolhi os ombros, pegando Lily de seus braços, sabendo que ele precisava tomar seu café. Esperei que ele se sentasse, antes de começar a falar.

– Só estou meio preocupada, você sabe — encolhi os ombros. — Com Leah indo para Seattle nesse fim de semana, conversar com Charlie…

Edward suspirou.

– Eu sei — ele disse. — Eu queria poder te dizer que vai dar tudo certo, Bella, mas…

Eu sorri um pouco.

– Eu sei — suspirei. — Eu vou limpá-la, ok? Se a babá chegar, é só abrir a porta para ela… Tenho que sair de casa dentro de vinte minutos…

Edward não insistiu muito na conversa, sabendo que nós não tínhamos muito tempo. Ele ficou com Lily quando terminou de tomar seu café, me deixando terminar de arrumar. Como ele só tinha aula a partir das dez hoje — porque um professor havia ido para um congresso e, assim, cancelado as aulas daquela semana -, ele ficou com Lily enquanto a babá dela não chegava. Eu me despedi dos dois, então, e saí do apartamento.

_

A semana se passou basicamente da mesma forma. Não consegui dormir direito, preocupada. Os dias pareceram se arrastar, no entanto, o que eu estava odiando. Leah me ligou quase todos os dias, porque de alguma forma — e eu sabia que Edward estava envolvido nisso — ela sabia o quão nervosa e ansiosa eu estava.

– Eu vou te ligar assim que tiver conversado com os nossos pais. — Ela sempre dizia. — Não precisa se preocupar, Bella, vai dar tudo certo.

Eu não estava muito convencida disso, no entanto.

Na quinta feira, Edward me ligou na hora do almoço, entre os intervalos de nossas aulas, para me informar que Carlisle e Esme iriam dar uma passada no nosso apartamento naquela noite, e ele só queria que eu soubesse.

– A minha última aula hoje termina às duas– ele me disse. — Eles disseram que devem chegar por volta das quatro e que queriam nos levar para sair… Você acha que está tudo bem?

Eu sorri, mesmo ele não podendo ver, feliz que um de nós estava se dando bem com os pais. Para ser sincera, eu não queria sair muito, mas acabei aceitando o convite, porque pensei que talvez isso fosse me ajuda a distrair.

Por isso, assim que a minha última aula terminou, eu corri para o apartamento, sabendo que eu chegaria um pouco antes que Edward. Dispensei a babá, sabendo que os serviços dela não seriam mais necessários naquele dia, e brinquei um pouco com Lily, até Edward chegar. Pensei em dar um banho nela, mas deixei para dar quando estivéssemos mais próximos do horário de sair, porque em breve ela iria sentir fome e eu sabia que o risco de ela sujar a roupa era grande.

Edward e eu ficamos mais ou menos prontos, porém, porque não queríamos atrasar os pais dele. A campainha tocou pouco antes de quatro da tarde, mas nenhum de nós se importou. Edward estava ocupado, trocando a fralda da Lily, então eu abri a porta, encontrando Esme, Carlisle e algumas sacolas bem coloridas.

Esme sorriu um pouco quando viu meu olhar assustado.

– Nós queríamos trazer um presentinho para a nossa neta — ela riu. — Mas eu acho que me empolguei um pouco.

Eu ri de volta, meio nervosa, e os cumprimentei com um sorriso rápido, antes de me afastar para deixá-los entrar.

– Edward está trocando a fralda de Lily — eu disse, enquanto os convidava para se sentarem. — Ele deve estar quase terminando…

Ansiosa demais para esperar o filho aparecer, Esme foi abrindo as sacolas e tirando os presentes de lá de dentro, deixando todos espalhados no carpete da sala. Carlisle permaneceu sentando, observando a mulher, um sorriso no rosto. Como eu havia dito, Edward não demorou muito para aparecer, com Lily em seu colo.

Logo, a minha filha estava no colo do avô, e vários presentes foram passando pelo colo dela. Ela pareceu mais interessada nos embrulhos, suas mãozinhas apertando e puxando aquelas coisas brilhantes. Esme tentou chamar a atenção dela para alguns brinquedos, mas a atenção dela durava apenas alguns segundos neles, antes de puxar mais um embrulho, o que nos fez rir.

Esme insistiu em me ajudar a alimentar Lily, então eu peguei a minha filha do colo de Carlisle e a levei até a cozinha, com Esme me seguindo. Lily ainda amamentava, embora tivesse diminuído bastante. E como eu não me sentia exatamente confortável em apenas levantar a minha blusa e amamentá-la na frente de Esme, optei por preparar uma papinha mesmo.

E é claro que Esme insistiu em ficar com Lily no colo enquanto eu preparava.

– Sabe de uma coisa? — Esme tinha um sorriso no rosto, enquanto, minutos mais tarde, dava papinha para Lily. — Você e Edward estão se saindo realmente bem. Muito melhor do que eu e Carlisle.

Eu sorri, sem saber muito bem o que dizer, então apenas assenti. O que ela gostaria que eu dissesse? Que eu achava que eles tinham errado em darem mais atenção para a empresa do que para o próprio filho? Mesmo achando isso, eu nunca teria coragem de dizer.

E, ao que tudo indicava, Carlisle e Esme sabiam muito bem o que eles haviam feito.

– Eu vou dar um banho rápido nela, antes de sairmos. — Eu peguei Lily da cadeirinha, assim que Esme terminou de alimentá-la. — Você quer vir ajudar?

Ela insistiu em dar banho em Lily, mas eu acabei comentando que era melhor não, sabendo que minha filha costumava ser bem agitada durante o banho e que eu sairia com a roupa toda molhada. Esme pareceu entender alguns minutos mais tarde, pegando Lily de mim e indo vesti-la, enquanto eu corria até o meu quarto e o de Edward para me trocar.

Nós saímos por volta das sete, para um restaurante italiano não muito longe do nosso apartamento, que Carlisle havia reservado. Nós comemos, conversamos… Edward parecia meio reservado, mas eu sabia que era porque ele tinha medo dos pais decepcioná-lo novamente. Ele parecia mais tranquilo hoje do que na primeira vez que os dois tinham aparecido, no entanto, e eu levei isso como um bom sinal.

– Então… — Carlisle começou, tomando um gole da taça de vinho. Lily se encontrava nos braços do pai, parecendo mais dormindo do que acordada. Eu sabia que ela acordaria chorando, em breve, porém, já que eu não havia amamentado-a naquele dia. — Nós temos uma surpresa para vocês dois.

Eu senti Edward enrijecer ao meu lado e imediatamente levei a minha mão à dele, apertando-a suavemente.

– Nós sabemos como você e Kaure são próximos, Edward… — Carlisle continuou, parecendo não ter notado a reação do filho as suas palavras. — Por isso, e também porque nós a contratamos justamente para ajudar a cuidar de você e você não precisa mais, que decidimos que… bem, ela amou a ideia, de ela vir morar perto de vocês e ajudar vocês com a Lily.

Eu imediatamente sorri, olhando para Edward, sabendo que ele amaria essa ideia. Eu sabia que ele sentia falta da mulher que tinha sido contratada para ser sua babá, mas que se tornara muito mais do que isso.

– E ela concordou? — ele indagou, não querendo parecer animado demais.

Esme sorriu.

– Ela apareceu muito animada, na verdade — ela disse. — Queria te ligar imediatamente e contar, mas nós achamos melhor vir contar pessoalmente. Estamos olhando alguns apartamentos próximos aqui e vamos levar para ela ver e escolher. E então, ela pode ajudar vocês com a Lily.

Edward sorriu, então, um dos primeiros sorrisos verdadeiros que eu o tinha visto dar para os pais naquele dia.

– Obrigado — ele finalmente disse. — Vocês não têm ideia do que isso significa para mim.

Eu gostaria de ter ficado mais e conversado mais com Esme e Carlisle, mas, exatamente como eu esperava, Lily não demorou muito a acordar — e não parecia nada feliz. Por isso, nós rapidamente nos despedimos dos pais de Edward e voltamos para o apartamento, o choro de Lily aumentando. Eu a levei para o seu quarto assim que entramos, desabotoando minha blusa e meu sutiã rapidamente, sabendo que ela se acalmaria uma vez que mamasse.

Dito e feito, ela parou de chorar assim que encostei sua boca em meu seio, puxando com tanta força que cheguei a sentir dor.

– Calma, meu amor — eu sussurrei. — Pronto, pronto…

Ela não demorou muito para dormir depois de ter sido alimentada e de eu ter trocado a sua roupa, colocando um pijama quentinho. Edward logo entrou, apenas para desejar boa noite para a filha e me puxar para seus braços, descansando sua cabeça no topo da minha.

– Está tudo bem? — eu indaguei, apoiando minha cabeça no seu peito. — Você pareceu tão quieto hoje…

Ele suspirou.

– Só não quero ficar criando muitas esperanças, sabe? — ele murmurou. — Ainda não consigo acreditar que eles estão mesmo vindo aqui, que estão viajando menos… parece surreal.

Eu sorri de forma triste. Edward parecia agora estar conseguindo dos pais tudo o que sempre quis… e parecia estar tendo dificuldades para acreditar.

Eu conseguia entendê-lo perfeitamente.

– Vai ficar tudo bem — eu murmurei. — Eles estão tentando, baby. Eu sei que é difícil, mas…

Encolhi os ombros, então, incerta do que dizer. Edward soltou uma risada amarga.

– Formamos um par e tanto, huh? — ele soltou. — Nós dois com problemas com nossos pais… Mas eu nunca estive tão feliz, amor. Contanto que eu tenha você e a Lily, eu sei que vai ficar tudo bem.

Eu sorri novamente, depositando um beijo no peito dele e fechando os olhos. Eu também sabia disso. Enquanto eu tivesse os dois, tudo ficaria bem.

_

Felizmente — ou infelizmente — o sábado logo chegou. Eu me vi, assim como tinha acontecido nos outros dias, acordando mais cedo do que precisava, mesmo não precisando. Por isso, fiquei deitada na cama, esperando Lily acordar.

A uma hora dessas, Leah e Sam deviam estar seguindo para Forks.

Hoje, Charlie ficaria sabendo da existência de um filho que ele pensou que nem tinha nascido.

E eu não tinha ideia de como ele reagiria.

Tentei reagir da forma mais normal possível, fazendo tudo o que geralmente fazia no sábado. Alimentei Lily e brinquei um pouco com ela, antes de tornar a colocá-la para dormir. Estudei, almocei, fiquei um pouco com Edward, e então com Lily… o tempo todo olhando para o celular, esperando Leah me ligar e me contar as novidades.

Não foi até as oito da noite — quando eu estava prestes a ter um ataque cardíaco — que meu celular tocou.

E era ela, Leah.

– Lee? — eu murmurei, meio nervosa.

Ela suspirou.

– Eu conversei com nosso pai, Bella– ela disse.

Mas não disse nada.

Leah POV.

Sabendo que tínhamos um longo dia pela frente, Sam e eu saímos de casa por volta das sete da manhã, não querendo chegar muito tarde em Forks. Ele foi dirigindo, insistindo que eu dormisse um pouco no carro, já que eu tinha trabalhado até tarde na noite anterior.

– Tem certeza? — eu indaguei. — Eu posso dirigir um pouquinho…

Ele pegou a minha mão e a beijou suavemente, antes de colocá-la em seu colo.

– Tenho, baby — disse. — Eu te acordo quando estivermos chegando, ok?

Sabendo que eu não venceria, apenas assenti, antes de me ajeitar melhor no banco e fechar os olhos, me entregando ao sono.

Como prometido, Sam me acordou pouco antes de chegarmos à rua dos meus pais. Eu esfreguei as mãos no rosto, querendo realmente me acordar. Peguei a garrafinha de água e tomei um gole, antes de falar com ele.

– E então… — comecei. — Esperamos depois do almoço para conversar com os dois, não é?

Sam assentiu.

– E eu acho que devemos conversar com os dois juntos — ele disse. — A sua mãe deve saber de tudo, acredito eu. Que seu pai engravidou a namorada e que seu avô fez com que ela abortasse e tudo o mais, é claro, não a parte que Sue não abortou realmente e que você tem um irmão…

Eu soltou uma risada amarga.

– Parece meio… — encolhi os ombros. — Coisa de novela mexicana, não é?

Ele riu, assentindo.

Nós conversamos mais um pouco até ele parar em frente à casa dos meus pais. Eu tentei, exatamente como havia combinado com Sam, evitar falar sobre Bella, Lily e Seth até depois do almoço, mantendo uma conversa neutra com meus pais. Eles não estavam estranhando a minha visita, já que eu costumava ir visitá-los em alguns finais de semana, passando um tempo com eles, antes de ir para a casa dos pais de Sam.

Dessa vez, porém, ao invés de, depois do almoço, meu pai ir assistir a um programa de TV qualquer com Sam e eu ir conversar ou fazer algo com a minha mãe, eu chamei os meus pais para a sala, dizendo que precisava conversar com eles.

Entretanto, assim que me vi sentada diante deles, eu simplesmente fiquei calada, porque não sabia por onde começar.

– Aconteceu alguma coisa, Leah? — minha mãe indagou, quando pareceu que eu havia ficado muito tempo calada. Ela lançou, então, um olhar meio nervoso para o meu pai, antes de me olhar novamente. — É alguma coisa com a sua irmã?

Eu balancei a cabeça, negando imediatamente. Eu vi meu pai engolir em seco e parecer meio tenso. Eu sabia que ele sentia a falta de Bella, o que me fazia me sentir mais confusa ainda sobre toda a situação. Por que continuar ignorando a filha? Bella não desistiria de Lily, ele já devia ter notado isso a essa altura.

– Não, mãe — eu respondi. — Bella está ótima. Está tudo bem. Eu só…

Respirei fundo, sem saber exatamente como dizer aquilo. Sam apertou a minha mão, sorrindo de forma encorajadora para mim.

– Eu acredito que você provavelmente se lembre, pai — eu disse. — Mas… eu… Bem, alguns meses atrás, antes de a Bella ter o bebê, uma pessoa entrou em contato com ela e…

Parei novamente, tentando encontrar as palavras certas.

– Ele se apresentou como Seth — continuei. — O… o nosso irmão. Você tem um filho, pai.

Parei de falar, então, simplesmente porque não sabia exatamente o que mais eu poderia dizer. Esperei que os dois processassem essas palavras, o rosto do meu pai ficando muito pálido de repente.

– Um filho? — ele indagou. — Mas… como?

Suspirei.

– Ele é o seu filho com Sue — murmurei, ignorando a pergunta do como. — Ela não fez um aborto, como o avô queria. E bem, o Seth se aproximou da Bella, querendo nos conhecer, te conhecer…

Ele assentiu.

– Um filho? — repetiu. — Meu Deus, Sue… Eu… eu preciso de um momento. Com licença.

Meu pai se levantou do sofá de repente e saiu da sala, deixando minha mãe para trás, parecendo ainda mais perplexa do que ele.

– Mãe? — eu chamei. — Está tudo bem?

Ela me deu um sorriso meio forçado, parecendo estar à beira das lágrimas. Ela me fitou durante um tempo, sem dizer nada, antes de finalmente suspirar e balançar a cabeça.

– Vai ficar tudo bem, Leah — ela murmurou, parecendo querer mais convencer a si mesma do que a mim. — Vai ficar tudo bem.

Ela também se levantou e saiu da sala, deixando Sam e eu para trás. Eu o fitei, meio confusa. O que tinha acabado de acontecer?

_

Permaneci com Sam na sala durante mais algum tempo, sem saber exatamente o que fazer. Eu não esperava que o meu pai fosse pular de alegria ou algo assim, mas também não esperava que ele fosse ficar tão sem reação.

– O que eu faço? — eu perguntei, me sentindo meio confusa. — Será que eu vou atrás do meu pai ou da minha mãe? Ou dos dois?

Sam sorriu de forma triste para mim.

– Eu acho que eles precisam só de um tempo — respondeu. — Não deve ser fácil digerir algo assim. Charlie pensou, por vários anos, que Sue havia abortado. Dê um tempo para ele. Ele, uma hora ou outra, vai ter que falar alguma coisa.

O problema era que esse "uma hora ou outra" só foi aconteceu mais tarde, já à noite, perto da hora do jantar. Não querendo me intrometer muito no caminho dos meus pais, eu e Sam ficamos o tempo todo na sala, tentando nos distrair com a televisão. Em algum momento, meus pais entraram novamente, ainda parecendo meio assustados e tensos, se sentando no mesmo lugar de outrora.

– Eu… bem… Conversei com a sua mãe e tive um tempo para pensar. — Meu pai começou. — Tenho muitas perguntas no momento e eu sei que muitas delas vocês dois não vão ser capazes de responder. Então…

Ele parou por um momento, olhando para a minha mãe, que lhe deu um sorriso encorajador, e voltou a nos fitar.

– Eu decidi que entrarei em contato com Sue — ele disse. — Não por telefone ou algo assim, porque acho que esse tipo de conversa deve ser feito pessoalmente, mas… antes de eu tomar qualquer decisão, preciso fazer isso. Então… será que vocês podem me passar o número dela?

Eu sorri um pouco para o meu pai, feliz por ele estar tomando aquele passo, enquanto torcia para que aquilo servisse para abrir seus olhos.

E que, em breve, todos nós — incluindo Bella, Lily, Edward, Seth, Claire, Harry e Sue — pudéssemos ser uma família novamente.

Edward POV.

Eu estava terminando de trocar a fralda da Lily quando Bella entrou, sorrindo de forma meio hesitante para mim. Eu peguei a nossa filha no colo e andei até ela.

– Leah ligou? — eu indaguei.

Bella assentiu.

– Charlie vai ligar para Sue e marcar um dia para ele vir aqui e os dois conversarem — ela murmurou. — Eu só… eu não esperava isso, sabe? Eu quase estava esperando que ele dissesse que era impossível, que não queria nem saber ou algo assim, sabe?

Eu beijei o topo da cabeça dela, sem saber exatamente o que dizer nesse caso. Eu queria muito poder confortá-la e dizer palavras que fossem tirar qualquer dúvida que ela tivesse, mas, infelizmente, isso não era algo que eu podia fazer. Então, apenas esperei que ela dissesse tudo o que ela tinha para dizer, sabendo que alguns momentos o melhor era isso mesmo, esperar que ela desabafasse. Eu sabia ser um bom ouvinte.

– Mas eu também não quero criar muitas esperanças — ela continuou, acariciando as costas de Lily. — Não quero acreditar que ele vai mudar de ideia de repente e nos aceitar, sabe? Então… eu acho que tudo o que resta para eu fazer é isso… esperar. Por mais que eu odeie essa ideia.

Puxei-a para mais perto de mim, abraçando as minhas duas garotas, e tornei a beijar o topo da cabeça de Bella.

– Vai dar tudo certo, baby — eu murmurei, por fim. — Enquanto nós três estivermos juntos, vai ficar tudo bem.

E, com a cabeça apoiada em meu peito, Bella apenas assentiu, sorrindo um pouco.

Parecia meio estranho que tudo isso estava acontecendo agora. Meus pais se aproximando, Kaure vindo morar perto da gente, nós dois realmente juntos de novo, os pais de Bella descobrindo sobre Seth… parecia que tudo estava entrando nos trilhos novamente, mas com novas adições.

E eu só torci para que eu estivesse certo… e que tudo realmente ficasse bem.

Notas finais
N/A: Olá! Como vão? Já começo a nota pedindo desculpas pela demora, mas, como expliquei quando postei o capítulo da Daylight, esse semestre que passou foi uma loucura e não tive tempo quase nenhum de fazer algo que não fosse estudar. Mas agora estou de férias e aqui está o capítulo! Sobre ele... inicialmente, não escreveria um POV da Leah, mas achei legal colocar algo sobre a conversa com Charlie e a reação dele. Achei que seria mais interessante do que simplesmente e Leah contar para Bella pelo telefone, não é? No próximo capítulo terá a conversa do Charlie com a Sue, então gostaria de saber de vocês... vocês gostariam de um POV do Charlie? Vamos ver haha. Kaure também aparece no próximo capítulo e terá uma conversa com o Edward. E eu sei que vocês estão loucos para um momento da Bella e do Edward, e eu prometo que está chegando. Só preciso fechar essas pontas antes e tudo o mais, ok? Não garanto que vá acontecer no próximo capítulo, mas já dei o primeiro passo para acontecer: a Kaure vindo morar por perto e podendo oferecer para cuidar da Lily por uma noite, hmmmm. Só aguardem, por favor! Vou tentar postar mais um capítulo em cada fanfic ainda nessas férias e escrever mais uns dois de cada para postar durante as aulas, assim não fico muito tempo sem postar. Mas eu não garanto, ok? Então... cruzem os dedos! Até o próximo! xx PS: E me contem o que acharam da reação do Charlie! N/B: Uhuuuuuu!!!!! Charlie descobriu sobre Seth. Tem mais alguém ai ansioso por este encontro?????Espero muito que Charlie coloque a cabeça no lugar, mas não sei se vou perdoar Renee. Bju, Lu.