Unwritten

17 Capítulo Onze


Notas iniciais
Um capítulo de "Feliz Ano Novo" para vocês! Espero que gostem!

Edward POV.

Eu bocejei pela milésima vez naquele dia, precisando esfregar o rosto na mão diversas vezes apenas para conseguir me manter acordado. Não me importei, no entanto. Muito embora eu tivesse tido uma péssima noite de sono — já que passei praticamente acordado cuidando de Lily -, eu tinha um sorriso idiota no rosto.

Bella e Lily viriam morar comigo.

Nós estávamos, nesse momento, no apartamento dela, juntando todas as coisas. Ela não tinha assinado nenhum contrato com o dono, escolhendo apenas pagar o aluguel mês a mês, então não havia necessidade de esperar que o contrato acabasse. E como eu não queria perder tempo — e, se eu fosse sincero, para não dar tempo que ela mudasse de ideia -, me prontifiquei a ajudá-la naquele mesmo dia. Eu sabia que não terminaríamos a mudança naquele dia, mas queria que Bella e Lily se acomodassem no meu — agora nosso — apartamento o quanto antes.

Eu ainda não conseguia acreditar que eu poderia vê-las todos os dias, o dia todo. Ainda não conseguia acreditar que Bella havia me dado uma segunda chance e me permitido participar da vida de Lily. Agora, eu não precisava mais deixar a minha filha todas as noites, com medo das coisas que ela faria enquanto eu estivesse longe, com medo de perder mais algo da vida dela.

Eu sabia que nunca poderia recuperar o que eu havia perdido. Sabia que me arrependeria para sempre de ter perdido tanta coisa da minha filha de quando Bella estava grávida, por minha causa. Mas como eu não podia voltar e fazer tudo diferente, eu queria aproveitar agora. Lily ainda era pequena, mas ela havia crescido tanto desde o nascimento. Eu não queria perder nada mais da vida dela.

Eu soltei um suspiro e balancei a cabeça, saindo de meus devaneios. Continuei a guardar tudo o que Bella havia separado em uma caixa, vigiando Lily ao mesmo tempo. Ela estava deitada na cama de casal de Bella, mexendo as pernas e os braços e resmungando para si mesma. Eu sorri, parando de colocar uns livros na caixa e andei até ela, sentindo uma vontade imensa de apertá-la em um abraço e nunca mais deixá-la escapar. Incapaz de ficar mais tempo longe dela, ajoelhei-me na cama e apoiei os cotovelos ao lado do seu pequeno corpo, amando os pequenos barulhos que ela estava soltando.

– Oi, amor — eu sussurrei, chamando a atenção dela. Ela olhou para mim, um sorriso babado tomando conta do rosto dela. — Ah, aí está…

Eu beijei a barriga dela, curtindo-a durante um tempo. Ela estava quase completando quatro meses e já havia crescido tanto! Seus olhos tinham escurecido, se aproximando bastante do castanho de Bella — algo que eu, sinceramente, havia amado. Todos falavam que ela se parecia bastante comigo, o que eu tinha que concordar, mas eu sempre me lembrava de Bella quando eu olhava para os olhos dela. Lily já havia dado seu primeiro sorriso, sua primeira gargalhada… Seu corpinho já estava mais firme e ela até conseguia manter a cabeça firme. Coisas tão simples para as outras pessoas, mas tão especiais para a mãe dela e para mim…

Continuei brincando com ela durante um tempo e conversando, coisas que eu adorava fazer. Beijei sua barriga, somente para ouvir a gargalhada que ela soltava cada vez que eu fingia que iria mordê-la.

E fiquei fazendo isso durante um tempo, tanto tempo que até me assustei quando ouvi uma pequena batida à porta. Virei o rosto, encontrando Bella parada ali, sorrindo, os braços cruzados sobre o peito.

– Sei que os dois estão se divertindo — ela começou, não parecendo nem um pouco brava por eu não estar empacotando as coisas -, mas acho que deveríamos terminar por hoje e levar o que conseguimos guardar… Já está na hora dessa mocinha tomar um banho… e eu, sinceramente, prefiro dar banho na sua casa. Está começando a esfriar e não quero ficar saindo com ela lá fora depois de tomar um banho quente…

Eu concordei imediatamente com ela, não querendo que Lily adoecesse também. Rapidamente, terminei de empacotar os livros e, enquanto Bella ficava com a nossa filha, levei a maioria das coisas para o carro. Ainda havia algumas coisas que teriam de ser deixadas para o dia seguinte — e mais alguns dias, talvez -, mas para aquele dia, tinha sido o suficiente.

Assim que chegamos ao meu apartamento, eu me encarreguei do banho de Lily, enquanto Bella guardava as coisas dela. Eu nunca havia mexido em nada desde que ela tinha mudado daqui — a não ser no quarto que eu havia preparado para Lily -, então não precisei abrir nenhum espaço para ela. Metade do closet ainda se encontrava vazio, algo que Bella não comentou, assim como outros lugares do apartamento, onde ela costumava guardar as coisas dela.

Embora cansado, foi ótimo passar aquele dia em família. Lily ainda teve algumas crises de cólica naquele dia, mas ela parecia bem melhor. Ainda precisei acordar mais algumas vezes naquela noite — já que eu quis dar um descanso para Bella -, mas bem menos se eu comparasse com a noite anterior.

Foi difícil deixar Lily com a cunhada de Bella quando fomos para a faculdade, mas algo necessário. Assim que chegamos da aula e liberamos Claire dos cuidados de Lily, eu e Bella começamos a procurar uma babá integral que pudesse passar algumas horas diárias com a nossa filha.

Mas não estávamos conseguindo nenhuma.

Novamente, eu liguei para Kaure, querendo saber se ela tinha mais alguma recomendação.

– Sarah já se mudou? — ela indagou, parecendo surpresa. — Eu pensei que ela ficaria mais tempo…

Eu suspirei, passando a mão pelos meus cabelos.

– Sim… — respondi. — Ela precisou ir ficar com a filha mais cedo… Disse que ligaria para a senhora para avisar…

Kaure ficou calada durante algum tempo, antes de soltar um suspiro.

– Eu não consigo pensar em ninguém agora, menino Edward– ela disse, finalmente. — Mas… bem… eu acho que posso ajudar…

Eu senti um sorriso nascendo em meu rosto.

– Sério? — indaguei. — Como?

Ela soltou uma risada.

– Você ficará sabendo em breve – respondeu. — Apenas aguarde, ok?

Sem saber quanto tempo demoraria para Kaure nos dar uma resposta, eu e Bella continuamos procurando alguém para ficar com Lily. Entrevistamos algumas pessoas, desde adolescentes até mulheres mais experientes, mas simplesmente não conseguíamos confiar em ninguém. Claire não estava nos apressando nem nada e parecia até amar cuidar da nossa filha, mas Bella e eu simplesmente não queríamos ficar abusando…

Nós só precisávamos achar alguém logo.

_

A resposta de Kaure chegou na semana seguinte.

Bella e eu tínhamos acabado de entrevistar uma jovem senhora e estávamos discutindo se iríamos chamá-la para trabalhar ou não — já que, até agora, ela tinha sido a única que havíamos gostado -, quando a campainha tocou.

– Nós marcamos alguma entrevista hoje? — Bella indagou, sua mão direita acariciando as costas de Lily suavemente; ela havia acabado de amamentar. — Não me lembrava…

Franzindo a testa, eu encolhi os ombros e caminhei até a porta. Um sorriso enorme surgiu em meu rosto assim que eu a abri.

– Kaure! — eu disse, animado, puxando-a para um abraço.

A mulher que foi muito mais do que uma babá para mim largou as duas malas que carregava e as colocou no chão, retribuindo ao meu abraço. Ele não durou muito, no entanto. Logo, ela estava me empurrando para o lado e entrando no meu apartamento, alegando que estava louca para conhecer a minha filha.

– Kaure! — Um sorriso enorme nasceu no rosto de Bella. Ela ainda estava carregando a nossa filha no colo e a mesma repousava a cabeça no ombro da mãe. — Meu Deus, quanto tempo! Eu senti a sua falta, sabia?

As duas trocaram um rápido abraço, já que Lily ainda se encontrava nos braços da mãe, antes de Kaure roubá-la para ela. Eu não consegui conter o sorriso quando vi Kaure balbuciar para a minha bebê, os olhos cheios de lágrimas.

– Oh, você é um bebê lindo — ela sussurrou. — E se parece tanto com o pai! Edward, querido, ela é a sua cara!

Eu soltei uma risada e encolhi os ombros, não podendo dizer muita coisa quanto a isso. Eu a observei conversar mais um pouco com a minha filha, baixo demais para ouvir, sem conseguir parar de sorrir, antes de me aproximar.

– Não é que eu não esteja feliz, mas… — Eu dei uma olhada rápida para as duas malas que eu havia trazido para dentro. — Você vai nos visitar por quanto tempo?

Kaure sorriu.

– Bem… um mês parece muito? — ela indagou. — Eu entrei de férias hoje e, como não queria ficar em Forks, achei que você e Bella pudessem precisar da minha ajuda.

Eu tornei a sorrir.

– Você pode ficar o tempo que quiser, Kaure — eu respondi. — Você sabe disso.

Nós conversamos durante um tempo, enquanto Bella ia preparar o jantar. Foi ótimo passar um tempo com Kaure daquele jeito, o que me fez lembrar de quando meus pais viajavam e ela me fazia companhia, para que eu não me sentisse assim tão sozinho. Ela continuou carregando Lily até a minha filha adormecer e, juntos, fomos até o quarto dela.

– Oh, Edward! — ela murmurou, enquanto eu ajeitava Lily no berço. — Você que preparou tudo?

Eu assenti, um sorriso envergonhado no rosto.

E então eu fiquei sério, porque mesmo não conversando com os meus pais há alguns meses e mesmo depois de tudo o que eu havia dito a eles…

Eu ainda tinha esperanças de que eles fossem mudar de ideia e que eles fossem mudar — algo que eu esperava desde que eu era criança. Era inútil e provavelmente nunca iria acontecer, eu sabia disso, mas… como eu podia mudar a forma que me sentia?

– Kaure… — eu engoli em seco. — Eu… eu posso te fazer uma pergunta?

Ela parou de observar o quarto, seu rosto imediatamente se tornando sério. Ela sabia o que eu perguntaria, ela sempre sabia. Afinal, não era a primeira vez que eu perguntava sobre eles.

– Seus pais viajaram hoje cedo — ela começou, antes que eu pudesse, de fato, fazer uma pergunta. — Eles estão… bem, um pouco estranhos desde que você partiu. Ouvi sua mãe conversando com o seu pai sobre algumas coisas e… parece que eles estavam, no começo, esperando que você mudasse de ideia, mas agora, não sei bem… Sua mãe tem conversado muito com o seu pai sobre você e eu a peguei observando seu álbum de fotos alguma vezes, mas não sei dizer, Edward…

Ela me olhava com a feição triste, o que fez com que eu virasse o rosto. Eu tentei não ter esperanças ao ouvi-la dizer tudo aquilo, porque eu sabia que dificilmente meus pais viriam atrás de mim e mudariam.

Mas, Deus, era tão difícil.

– Está tudo bem, mesmo — encolhi os ombros. — Eu nunca deveria ter começado um curso que eu não queria, nunca deveria ter adiado tanto… Estou feliz onde estou, Kaure, de verdade. Eu tenho Lily comigo todos os dias, e eu quero muito conseguir uma segunda chance com Bella novamente…

Ela sorriu, ainda parecendo meio triste, e assentiu.

– Estou tão orgulhosa de você, menino Edward — ela sussurrou, se aproximando. — De verdade. Espero que seus pais possam ver o homem que você se tornou um dia. E espero que não seja tarde demais quando isso acontecer.

Eu queria muito dizer mais algumas coisas para ela, mas não era necessário. Apenas a abracei e beijei o topo da sua cabeça, agradecendo, através daquele gesto, por tudo o que ela havia feito por mim a vida toda.

Bella nos chamou para jantar não muito depois. Nós conversamos, rimos e matamos saudades enquanto comíamos. Era ótimo ver as duas juntas; fazia com que eu me lembrasse de quando éramos adolescentes e Bella ia para a minha casa depois das aulas.

Kaure sempre dava um jeito de passar um tempo com a gente, então.

Quando chegou a hora de dormir, ela se despediu, dizendo que havia preferido reservar um hotel a poucos minutos dali, já que não queria invadir o nosso espaço. Insisti em levá-la e ela prometeu voltar no dia seguinte, cedo, para ficar com a minha filha enquanto estivéssemos na faculdade.

– Não adianta falar algo, menino Edward. — Ela apontou o dedo para mim. — Será um prazer cuidar dela enquanto eu estiver aqui, ok? Posso até tentar ajudá-los a encontrar alguém, se quiserem.

Então, os dias se seguiram dessa forma. Kaure chegava cedo e passava um tempo conosco, tomando café e conversando enquanto nos ajeitávamos para ir para a faculdade. Depois, ela ficava com Lily para a gente e até entrevistava algumas pessoas para nós dois.

Infelizmente, no entanto, nenhum de nós estava satisfeito com nenhuma das candidatas. Ou elas eram muito novas ou tinham pouca experiência. E não conseguíamos confiar em alguém com essas características. Não com a nossa bebê de quatro meses.

Uma semana antes de Kaure partir, quando Bella e eu havíamos terminado uma série de provas na faculdade, eu cheguei para a minha antiga babá e pedi um grande favor — algo que eu vinha pensando durante um tempo, mas não tive a oportunidade, já que não havia alguém para cuidar de Lily. Kaure aceitou imediatamente e, juntos, planejamos tudo, antes de eu finalmente deixar Bella saber meus planos.

– Nós vamos sair — eu disse casualmente um dia, pouco depois de Kaure ir embora e Lily dormir. — E nem tente, senhorita, dizer não.

Ela secou as mãos na toalha e ergueu a sobrancelha para mim, cruzando os braços sobre o peito, um pequeno sorriso no rosto.

– Ah, é? — indagou. — E eu posso saber para onde, como e quem vai cuidar da sua filha, Sr. Cullen?

Eu sorri.

– Já combinei tudo com Kaure — comentei. — Sexta feira ela vai ficar com a nossa filha até um pouco mais tarde e nós dois vamos a um encontro.

Bella engoliu em seco.

– Um encontro? — tornou a indagar.

Eu assenti. Sabendo que não havíamos falado muito sobre o nosso relacionamento e com medo de ela me rejeitar, me aproximei dela, colocando as minhas mãos no seu rosto.

– Eu sei que nós não falamos muito sobre isso — murmurei -, mas eu realmente quero ter outra chance com você, Bella, quero provar que não vou a lugar nenhum e mostrar que sinto muito por tudo o que te fiz passar durante a gravidez, mesmo que essas duas palavras nunca sejam suficientes.

Ela assentiu.

Eu sorri.

– Então, sexta — comentei. — Nós vamos jantar e passear… e apenas curtir, ok?

E assim foi. Eu a levei a um restaurante não muito longe de casa, sabendo que ela ainda ficava um pouco ansiosa quando ficava muito tempo longe de Lily.

Não falamos sobre nada sério naquela noite, mas curtimos bastante. Foi bom poder sair com ela e rir, relembrar histórias e, confesso, falar sobre a nossa filha também.

Afinal, ela era o centro das nossas vidas agora.

Não fomos para casa assim que saímos do restaurante, preferindo fazer uma caminhada. Nós andamos em silêncio durante alguns minutos, antes de retornarmos a nossa conversa. Caminhamos de mãos dadas durante um tempo, e em um momento de devaneio me perguntei qual tinha sido a última vez que tínhamos feito tudo isso — mãos dadas, essa tranquilidade… No começo do namoro, talvez?

Não demoramos muito, porém, já que tínhamos que liberar Kaure do serviço de babá. Andamos de volta para o carro e eu dirigi até o prédio. Antes que entrássemos no elevador, no entanto, puxei Bella para fazer, sentindo-me de repente nervoso.

Deus, eu havia sentido tanta falta dela.

– Bella… — comecei. — Será que eu posso… posso te beijar?

Ela mordeu o lábio inferior e corou um pouco, antes de assentir de forma tímida. Sorrindo, envolvi-a nos meus braços e inclinei meu rosto na direção do dela, encostando meus lábios de leve nos dela.

Foi um beijo doce e não durou muito, mas fez com que meu coração acelerasse e eu me apaixonasse ainda mais por ela. E quando nos separamos, ambos respirando de forma ofegante, eu soltei aquelas palavras.

Simplesmente porque não conseguia segurá-las mais.

– Eu amo você — murmurei. — Eu sei que ainda tenho muito a provar, mas não se esqueça disso, ok? Eu realmente amo você.

Bella sorriu. Ela abriu a boca para dizer algo, mas eu coloquei o meu dedo sobre ela, com medo de que ela não fosse dizer essas palavras de volta.

– Não precisa dizer nada — continuei. — Quando você confiar em mim novamente, quando tiver certeza de que é isso o que você quer… você me diz, ok? Só me dê essa chance de provar que eu não vou estragar tudo novamente e não vou deixar vocês novamente.

Ela pareceu pensar por um momento, antes de assentir. Beijei-a novamente, dessa vez prolongando o beijo o tanto quanto eu pude, e só então fomos para o nosso apartamento, onde encontramos uma Lily acordada, deitada no colo de Kaure.

– Ela acabou de acordar — Kaure nos disse, sorrindo. Bella correu até nossa filha e a pegou no colo, enchendo-a de beijos, o que me fez sorrir. — Eu já ia preparar uma mamadeira para ela…

– Não precisa, Kaure. — Bella sorriu, sentando-se no sofá. — Vou amamentá-la. Você pode ir descansar. Muito obrigada por ter ficado com ela esta noite, viu? Você não sabe como está nos ajudando.

Kaure sorriu e encolheu os ombros.

– Não é nada — levantou-se do sofá — É um prazer cuidar de vocês.

Eu passei meu braço pelos ombros dela e beijei o topo da sua cabeça.

– Amanhã você virá almoçar conosco — eu informei — e depois iremos passear, nós quatro, que tal? Sei que faz muito tempo que você não vem a Seattle… Vou te mostrar alguns lugares que eu sei que você vai gostar.

Insisti em acompanhar Kaure até o hotel, mesmo sendo a apenas dois quarteirões do apartamento. Quando voltei, Lily já havia sido alimentada e estava quase dormindo novamente, mas seus olhinhos castanhos se arregalaram quando ela me viu.

– Oi, amor. — Eu a peguei do colo de Bella. — Você sentiu saudades do papai?

Eu conversei com ela durante algum tempo, antes de ela apagar completamente. Depois, virei-me para Bella e, não querendo que a noite terminasse ainda, convidei:

– Que tal um filme? — eu indaguei.

Nada além de beijos aconteceu naquela noite, mas foi ótimo poder passar um tempo com Bella. Quando ela entrou no quarto para dormir, eu me ajeitei no sofá e soltei um suspiro, feliz por estar tendo essa segunda chance.

E eu não a estragaria.

Por nada desse mundo.

Bella POV.

Infelizmente, o dia de Kaure voltar para Forks chegou, algo que nenhum de nós queria. Era fácil ver no rosto dela o quanto ela queria ficar, já que ela adiou a viagem mais vezes do que deveria.

– Vou sentir saudades de vocês — ela comentou. — Prometo tentar visitá-los o mais rápido possível. Assim que eu conseguir uma folga.

Eu assenti, sentindo um nó na garganta. Nós já havíamos conseguido uma babá para assumir Kaure e ela começaria na segunda, mas não havia uma pessoa que eu confiava mais com a minha filha do que Kaure.

– Nós vamos sentir saudades — eu a abracei uma última vez. — Muita.

Nos próximos dias, fomos nos acostumando com a nossa rotina com a nova babá. Ela era ótima e Lily parecia gostar dela, mas, ainda assim, eu preferiria que Kaure continuasse aqui.

Conforme os dias foram passando, porém, e certa data foi se aproximando, eu fui ficando mais nervosa e ansiosa. Há quase um ano minha vida tinha mudado completamente. Há quase um ano eu havia perdido contato com os meus pais. Há quase um ano eu havia descoberto que estava grávida.

O feriado de Ação de Graças estava se aproximando.

Como havia acontecido no último Natal, Sam e Leah dividiriam seu feriado comigo e com meus pais e os pais de Sam em Forks. Eles ficariam o dia de Ação de Graças com os meus pais e os de Sam e depois ficariam dois dias comigo e Edward.

O que significava que Edward e eu passaríamos esse feriado sozinhos.

Eu comecei a cozinhar bem cedo, assim que coloquei Lily para dormir após a primeira alimentação do dia dela. Eu sabia que era muito cedo ainda, mas também sabia que ficaria louca caso não me mantivesse ocupada. Edward ainda se encontrava completamente adormecido no sofá, então fiz o máximo de silêncio possível para não acordá-lo.

Ele só acordou duas horas mais tarde, quando grande parte da pequena ceia que eu estava preparando para mim e para ele estava pronta. Ele parou na porta da cozinha por um momento, antes de suspirar e se aproximar, retirando a vasilha que eu segurava e a colocando no balcão, antes de me puxar para seus braços.

– É um dia tenso, não é? — ele indagou, seus dedos acariciando as minhas costas de forma suave.

Eu assenti.

Ele me observou durante um tempo, antes de tornar a suspirar.

– Vamos criar lembranças novas, ok? — murmurou. — Como uma pequena família. Eu, você e Lily… Não que ela vá poder comer nenhuma dessas maravilhas que você está preparando…

Eu ri.

– É estranho, não é? — soltei. — Ao mesmo tempo que quero que ela cresça e faça novas coisas, me pego desejando que ela permaneça pequenina para sempre…

Ele sorriu.

– Eu entendo, entendo muito bem — comentou.

O clima se tornou mais leve depois dessa nossa pequena conversa, muito embora eu me pegava lembrando das palavras de Charlie no último feriado de Ação de Graças e de como tudo tinha mudado completamente desde então, enquanto descascava as batatas. Só de pensar que fazia um ano que eu não via meus pais, que eles não me procuraram para dizer que haviam mudado de ideia…

– Agora, antes que eu me esqueça… — Edward tirou-me de meus devaneios, dez minutos mais tarde. — Eu tenho uma pequena surpresa para você…

Eu me virei para ele, um pequeno sorriso no rosto.

– Ah, é? — indaguei. — Posso saber o quê?

A campainha tocou, porém, antes que ele pudesse responder, o que fez com que ele sorrisse. Eu o fitei, confusa. Nenhum de nós dois estava esperando ninguém.

– Alguém ligou a pouco… — ele comentou. — Por que você não vai abrir a porta?

Eu caminhei até a sala e abri a porta, um sorriso enorme nascendo em meu rosto quando eu vi quem estava ali. Seth, Claire, Sue e Harry.

Eu acabei tendo de cozinhar mais depois da chegada dos quatro, mas não liguei muito para isso. Sue e Claire se juntaram a mim na cozinha, assim como o pequeno Harry — porque, de acordo com ele, ele iria ajudar -, e juntas preparamos tudo, juntando com aquilo que elas haviam trazido de casa.

Eu precisei parar algumas vezes para amamentar Lily. Edward a pegou nas duas vezes depois que eu a amamentei, dizendo que cuidaria do resto. Eu não pude deixar de sorrir quando vi ele e Seth babando na minha filha, algo que eu nunca imaginaria que poderia acontecer.

Era estranho, ainda, às vezes, imaginar que eu tinha um irmão.

Um irmão que Charlie não sabia que existia.

A tarde se extendeu para a noite. O apartamento parecia pequeno demais para aquela quantidade de gente, mas foi maravilhoso. Lily não parou quieta no berço nenhum minuto depois que acordou e decidiu que não iria dormir mais. Quando ela não estava no meu colo ou de Edward, Sue, Claire e Seth roubavam a minha menina, declarando que sentiam saudade de ter uma criança pequena em casa.

Eles só foram embora tarde da noite, depois de se certificarem que tudo estava limpo — porque eles nos ajudaram a limpar toda a bagunça também. Quando eu me deitei naquela noite, sentia-me completamente exausta, mas feliz.

Porque o feriado de Ação de Graças pode ter acontecido de uma forma diferente com a qual estava acostumada e longe dos meus pais, irmã e cunhado, mas eu a passei com a minha família.

E foi ótimo.

Notas finais
N/A: Oi, meninas. Dois capítulos em menos de um mês, huh? Nem eu acredito que consegui isso! Foi um capítulo mais levinho, com a Kaure conhecendo a fofa da Lily e com o Edward e a Bella reiniciando seu relacionamento. Eu ia acrescentar mais algumas coisas nele, mas gostei de como terminei, então deixei para o próximo. E gostei deles passando o feriado de Ação de Graças com o Seth, a Claire, o Harry e a Sue. No próximo capítulo algum dos pais deles aparecerá... Em quem vocês apostam? Charlie, Renee, Carlisle ou Esme? Vamos ver, vamos ver. Estou trabalhando no próximo capítulo da Daylight, mas, assim que eu terminar, já escrevo o próximo dessa aqui, ok? Enfim, Feliz Ano Novo para todas vocês! Espero que tenham gostado do presente! Até o próximo xx N/B: Achei muito fofa essa nova lembrança que eles criaram. Quero muito que eles tenham um novo recomeço e também quero que os pais deles aprendam a perdoar. Será? Bjus, Lu.