Unwritten

18 Capítulo Doze


Notas iniciais
Mais um capítulo, moças! Espero que gostem!

Edward POV.

Infelizmente, o final de semana, estendido devido ao feriado, logo acabou e Leah e Sam precisaram voltar para a cidade deles, já que ambos precisavam trabalhar. Eu não pude deixar de sorrir ao vê-los se despedindo da minha filha, fazendo questão de ficar com ela no colo — os dois brigando entre si para ver quem ficaria com ela mais tempo — até a hora de entrarem no carro. E Lily parecia estar gostando de toda aquela atenção que estava recebendo dos padrinhos, se as risadas que ela soltava indicavam alguma coisa.

– Vocês têm que nos visitar logo! — Leah disse, minha filha ainda nos seus braços. — Eu mal posso esperar para mostrá-la para os meus amigos.

Bella riu.

Estávamos parados diante do carro de Sam. A bagagem dos dois já tinha sido devidamente guardada. Geralmente, eles viajavam logo cedo, mas como queriam passar mais tempo com a sobrinha, decidiram partir logo após o almoço.

– Nós vamos. — Bella prometeu. — Marcaremos um final de semana, ok?

Lily logo começou a chorar e Bella mais uma vez despediu-se de sua irmã e cunhado, antes de entrar com a bebê para amamentá-la. Eu me despedi uma última vez de Sam e o observei entrar no carro, antes de me virar para Leah.

– Eu fico feliz por vocês estarem se ajeitando — ela sorriu. — Bella parece bem mais tranquila agora. É bom saber que ela tem alguém para ajudá-la.

Eu assenti. Abaixei a cabeça por um momento, de repente sério.

– Eu sei que cometi erros quando Bella estava grávida — comentei. Eu não sabia o porquê, mas me pareceu importante dizer aquilo para Leah. — Eu voltaria no tempo, se tivesse como. Mas como não é possível, farei tudo o que estiver ao meu alcance para que elas sejam felizes.

Leah sorriu.

– Eu sei que vai — ela disse. — E eu espero que os meus pais, assim como os seus, percebam o que estão perdendo um dia.

Eu apenas sorri e assenti, já que não tinha muito o que dizer quando se tratava desse assunto. Abracei-a uma última vez e assim que o carro deles entrou em movimento, entrei no prédio novamente.

Bella estava sentada na poltrona que havia no quarto de Lily, ainda a amamentando. Ela sorriu quando me viu parado na porta e moveu o corpo um pouco para o lado, um convite silencioso para eu me juntar a elas. Bella sabia o quanto eu gostava de assisti-la amamentar Lily.

– Ela está crescendo tanto. — Bella comentou, passando o seu dedo indicador pelo rosto da nossa filha. — Quase cinco meses…

Eu assenti. Sorri quando Lily abriu os olhos e abriu um sorriso quando me viu ali, esquecendo o seio de Bella e mexendo os bracinhos em minha direção. Eu a peguei e beijei o rosto dela, ganhando outro sorriso em troca.

Eu fiquei com ela enquanto Bella terminava um trabalho da faculdade. Quando Lily adormeceu, um tempo mais tarde, eu fui fazer minhas próprias tarefas, querendo adiantá-las o máximo que eu pudesse, já que geralmente meu dia a dia na faculdade era mais corrido.

Infelizmente, Bella e eu tivemos que voltar à nossa rotina da faculdade no dia seguinte, ambos cientes de que as próximas semanas seriam corridas — cheias de provas e trabalhos, já que o Natal se aproximava.

Lily logo completou cinco meses. Seu corpo ficou mais firme e ela conseguia sustentar o corpo um pouco — mesmo caindo logo em seguida. Ela sorria para todos que mexessem com ela na rua. Seus cabelos haviam crescido bastante e se assemelhavam aos meus quando eu tinha a idade dela — o que eu havia visto graças as minhas fotos de bebê que Kaure havia mostrado. Bella adorava comparar nós dois, pegando uma foto minha com cinco ou seis meses de idade e colocando perto de Lily. E eu amava dizer que os olhos dela eram totalmente da mãe, o que sempre me fazia sorrir toda vez que eu olhava para o rostinho dela.

Os dias foram passando de forma rápida e logo a última semana de aula antes do recesso de inverno chegou. Era uma segunda e eu havia chegado mais cedo da faculdade — já que era apenas um dia com uma prova. Como eu estava bem tranquilo em relação à prova do dia seguinte, apenas revi a matéria e deixei que a babá saísse mais cedo. Eu fiquei um tempo na sala com Lily, apenas passando uma tempo com ela, até ela começar a demonstrar sinais de que estava sentindo fome.

Aqueci uma mamadeira para ela e a ninei, sabendo que estava na hora de ela tirar sua soneca da tarde. Bella iria ficar até tarde na faculdade, trabalhando em um projeto, então não queria esperar que ela chegasse para Lily poder amamentar.

– Bons sonhos, meu anjo — eu depositei um beijo na bochecha gordinha da minha filha, antes de colocá-la no berço e cobri-la.

Observei-a durante um tempo, como eu sempre gostava de fazer. Era difícil, às vezes, assimilar que ela era mesmo a minha filha. Sorrindo, ajeitei a coberta ao redor dela mais uma vez e peguei o monitor de bebê, antes de seguir para a sala. Revi mais uma vez a matéria para a prova e depois fui tomar um banho rápido. Eu estava terminando de me vestir quando escutei a campainha tocar, o que era estranho. Bella e eu não recebíamos muitas visitas dia de semana. Quando recebíamos, era de seu irmão e sua cunhada, mas eles sempre avisavam antes de vir.

Pensando que talvez ela tivesse esquecido a chave, corri até a porta antes que ela tivesse a chance de tocar outra vez; eu não queria que o barulho acordasse a minha filha. Ainda pensando que pudesse ser Bella, abri a porta sem nem conferir quem era antes.

E tomei uma surpresa quando vi meu pai parado ali, vestindo, como sempre, um terno caro e de marca. Seu cabelo estava perfeitamente penteado, como sempre, e ele estava sério.

– Edward. — Ele me cumprimentou rapidamente.

Eu engoli em seco.

– Pai — murmurei. — Está tudo bem?

Ele me observou durante um momento e tirou a mão do bolso, passando-a rapidamente pelos cabelos, um gesto que eu tinha adquirido dele.

– Posso entrar? — ele indagou.

Ainda meio confuso pelo motivo da visita dele, eu assenti. Dei espaço para que ele passasse e fechei a porta assim que ele entrou. Observei-o durante um minuto, sem saber o que falar, sem saber se devia falar alguma coisa ou se devia esperar que ele dissesse o motivo de estar ali. Ele estava observando o apartamento, eu notei. Havia alguns bichinhos de pelúcia pequenos no chão, sobre o tapete. Brinquedos que eu havia usado para distrair a minha filha há pouco tempo. Fora isso, e algumas toalhinhas de bebê dobradas em cima da poltrona, o apartamento estava em ordem. Não me desculpei pelas coisas fora de ordem, no entanto.

Eu estava no meu apartamento, afinal.

– Então… eu esperava que pudéssemos conversar. — Meu pai finalmente quebrou o silêncio. — Mas se você estiver ocupado…

Eu encolhi os ombros. Mesmo estando magoado com as coisas que ele e minha mãe haviam dito — e tudo o que eles fizeram (ou deixaram de fazer) ao longo desses anos -, eu sabia que era curioso demais para simplesmente deixá-lo ir embora sem falar o motivo de estar ali.

– Tudo bem — eu disse. — Se quiser se sentar…

Eu peguei as toalhinhas que a babá havia deixado ali mais cedo e pedi licença por um minuto. Guardei-as no armário que havia no corredor e voltei, juntando os bichinhos de pelúcia e os colocando em um canto. Sentei-me, então, e fitei o meu pai.

– Você queria conversar… — eu soltei. — Há algum problema? Está tudo bem com a minha mãe?

Ele assentiu.

– Está tudo ótimo — ele disse. — Acabamos de voltar de uma longa viagem de negócios… Ela já está em Forks, organizando tudo para um almoço que daremos para uns amigos depois de amnhã… Eu ainda tinha algumas coisas para resolver aqui, em Seattle, e achei que era hora de lhe fazer uma visita.

Eu assenti, mas não disse nada. Eu já tinha dito tudo o que podia para os meus pais, meses atrás.

– Edward… eu só queria… — Carlisle parecia um pouco desconfortável. — Eu sei que você mudou de curso, sei que você deixou bem claro que não quer seguir na carreira de engenheiro, mas… você tem certeza? Você é o nosso único herdeiro, o homem Cullen que deveria seguir nossos passos e cuidar do nosso bem…

Eu senti meu coração apertar e a esperança que havia começado a crescer em mim, morrer. Era claro que ele estava ali somente para tentar me convencer de algo que eu já havia deixado bem claro que não queria. Eu só tinha achado que ele teria mudado de ideia, que ele estava ali para pedir desculpas…

Novamente, eu havia me enganado. Eu já nem sabia mais porque esperava algo diferente quando se tratava dos meus pais.

– Pai, com todo o respeito… — comecei. — Não. Estou amando o curso que estou fazendo, um curso que eu queria desde que comecei a pesquisar carreiras na universidade. Eu sei que não é significante para você e nem para a mamãe, mas não. Por favor, não insista, ok? Eu já tomei a minha decisão.

Ele me observou durante um tempo, antes de soltar um suspiro e assentir.

– Se é isso mesmo que você quer… — ele disse. — Ok, então. Eu só…

Ele não teve a oportunidade de terminar, porém. Um choro de bebê soou na sala, através do monitor que se encontrava em cima da mesinha de centro.

– Eu só vou… — engoli em seco. Meu pai encarava o monitor com os olhos arregalados; ele não esperava que Lily estivesse ali, era óbvio. — Um minuto.

Eu andei até o quarto dela e abri a porta, vendo-a se debatendo no berço. Eu a peguei imediatamente e a trouxe para o meu peito, balançando-a um pouco e tentando acalmá-la.

E então entendi o motivo de ela estar chorando daquele jeito.

– Parece que alguém precisa de uma mudança de fralda… — eu murmurei.

Troquei-a rapidamente e tornei a vesti-la. Ela estava com os olhos castanhos bem abertos e um sorriso tomava conta de seu rosto, parecendo mais feliz agora que estava limpa novamente. Eu sabia que isso não duraria muito, porém. Pelo horário, eu sabia que ela logo choraria querendo alimentar.

Tentando ignorar o fato de que meu pai estava sentado na sala, esperando por mim, fui até a cozinha e, me virando com um bebê nos braços, preparei uma mamadeira.

Então, segurando Lily em meu braço esquerdo e carregando a mamadeira com a direita, fui até a sala.

– Eu só vou dar algo para ela comer e eu volto aqui, ok? — anunciei, fazendo todo o possível para ele não ver a minha filha.

Eu sabia que ele não estava interessado em conhecer a única neta, afinal.

– Não, tudo bem… — ele disse. — Pode se sentar aqui… eu vou ficar…

Estranhando, encolhi os ombros e me sentei na poltrona novamente. Ajeitei Lily nos braços e coloquei o bico da mamadeira nos seus lábios. Ela os abriu imediatamente e começou a sugar com força, como se não comesse há dias, ao invés de apenas horas.

– Meu Deus! — Meu pai exclamou. Eu levantei o rosto e o fitei. Ele não me olhava, porém; seus olhos estavam presos na minha filha. — Edward, ela é a sua cara…

Eu sorri um pouco, meu peito se enchendo de orgulho. Eu amava quando alguém dizia isso, mesmo não admitindo em voz alta.

– Eu sei — murmurei, meus olhos voltando para a minha filha. — Os olhos dela, porém…

– São iguais aos de Bella, eu notei — ele disse.

Ficamos em silêncio, então. Lily logo terminou de se alimentar e eu a repousei no meu peito, pronto para colocá-la para arrotar.

– E-eu… eu posso segurá-la? — Meu pai pediu, de repente, assustando-me um pouco.

Eu arregalei os olhos, sem saber o que fazer. Quando não consegui pensar em nenhuma desculpa plausível, apenas assenti. Terminei de enxugar sua boquinha e beijei sua testa, antes de me levantar e entregá-la para os braços do avô.

Como um bebê que adorava todos e quase nunca estranhava uma pessoa, Lily abriu um sorriso assim que viu o rosto de Carlisle. Ela esticou o braço e agarrou a gravata dele com força, antes de levá-la aos lábios para colocar na boca — algo que ela fazia muito ultimamente. Eu me movi, pronto para tirar a gravata da mão dela e me desculpar com o meu pai, mas ele me impediu.

– Pode deixar — ele disse, os olhos ainda na minha filha. — Não tem problema.

Observei, com espanto, Carlisle conversar com a neta, baixo demais para eu ouvir. Ele sorriu quando ela soltou uma pequena gargalhada e a levantou quando ela reclamou por estar deitada tempo demais.

O celular dele tocou, então, e ele soltou um resmungo baixo, parecendo saber quem era sem nem mesmo olhar.

– É sobre a reunião que terei hoje à noite… — ele murmurou. — Eu tenho que ir…

Sem explicar o comportamento dele, ele apenas me entregou Lily e se despediu, dizendo que ela era linda, antes de sair pela porta.

E eu fiquei ali, com Lily em meus braços, sem entender absolutamente nada.

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– Ele a carregou? — Bella indagou, parecendo tão surpresa quanto eu.

Eu assenti.

Ela havia chegado em casa há poucos minutos e, incapaz de me conter, contei logo a ela tudo o que havia acontecido. Ela escutou, calada, sua expressão surpresa.

Fiquei um pouco aliviado por não ter sido o único a achar a atitude de Carlisle estranha.

– Eu não queria muito que ele a conhecesse — admiti. — Pensei que ele nem iria se interessar e então, ele… Você se importa de ele ter pedido para carregá-la? Eu…

– Não, Edward! — Bella me interrompeu. — Não é isso, não tem problema. Eu só fiquei surpresa, só isso…

Eu assenti. Olhei para a minha filha, mamando avidamente no peito da mãe, e suspirei.

– Será que ele vai nos procurar novamente? — indaguei. — Eu nunca imaginei que ele fosse agir dessa maneira…

Bella encolheu os ombros.

– Não sei — ela disse. — Mas acho que teremos que esperar, não é? E lidar com isso quando a hora chegar. Se ela chegar.

Eu tornei a assentir, mas não disse nada. Ainda estava surpreso demais. Eu nunca havia visto meu pai agir daquela maneira perto de um bebê.

E, sinceramente, não sabia o que pensar.

Mas, exatamente como Bella havia sugerido, decidi esperar. Novamente, não pude deixar de conter a esperança — esperança de que meus pais mudassem -, por mais que eu tivesse tentado. E se conhecer Lily, ainda um bebê, tivesse o mudado um pouco?

Entretanto, com o passar dos dias — e com a proximidade do Natal -, quando eu não recebi nenhuma ligação, eu fui perdendo, aos poucos, as esperanças. Talvez Carlisle tivesse, sim, ficado encantado pela minha filha, mas quem garantiria que isso fosse mudar algo? O meu nascimento não foi o suficiente para fazer com que meus pais abrissem um pouco a mão quando se tratava da carreira… por que seria diferente com o nascimento da minha filha?

Tentei não parecer magoado a cada dia que passava e eu não recebia nenhuma ligação ou notícia. Liguei para Kaure mais vezes do que o normal naquela época, apenas para querer saber novidades.

Mas, aparentemente, nada havia mudado.

Então, eu simplesmente decidi deixar para lá.

Novamente, passaríamos um feriado junto da família de Seth. Dessa vez, porém, o feriado seria comemorado na casa dele, já que o meu apartamento, embora não fosse pequeno e coubesse todo mundo, tinha ficado um pouco cheio demais. Leah e Sam teriam que ir para Forks para passar o Natal com os pais deles, mas eles dariam um jeito de passarem na casa de Seth no dia 24, apenas para nos desejar um Feliz Natal.

– Edward! — Bella me chamou, gritando do quarto. — Estou entrando para o banho… Você pode ir arrumando a Lily?

Era dia 24, ainda de manhã, e estávamos partindo para a casa de Seth. Mesmo morando na mesma cidade que nós, ele havia insistido para que dormíssemos lá. Fazia mais sentido fazer isso, já que passaríamos o dia 25 lá também, então Bella tinha arrumado uma pequena mala para ela e para mim, e outra só para Lily — que tinha mais fraldas do que tudo.

Lily havia acabado de acordar de sua soneca matutina quando eu entrei no seu quarto e estava balbuciando para si mesma, mexendo suas perninhas freneticamente. Ela abriu um sorriso e fez uns barulhos engraçados e fofos quando me viu, o que fez com que eu sorrisse.

– Ora, bom dia, princesa. — Eu a peguei no colo e depositei um beijo demorado na sua bochecha gordinha, o que fez com que ela soltasse uma pequena gargalhada. — Hmmm… Vamos nos arrumar?

Tentando não fazer muita bagunça, preparei um banho para ela, colocando a pequena banheira no quarto mesmo, já que iríamos nos atrasar caso eu esperasse Bella sair do banho. Lily não ligou para isso, porém. Ela sempre gostava de bater as mãozinhas na água e de balançar as pernas, deixando claro que amava a hora do banho.

Mas isso também significava que ela molhava muita coisa ao seu redor.

– A sorte é que coloquei algumas toalhas aqui, huh? — Eu a embrulhei em uma de suas toalhas quando terminei de lavá-la. Ela protestou, é claro. — Não, nada disso… Vem, vamos ficar mais linda!

Antes que ela começasse a chorar por ter sido tirada do banho — algo que vinha acontecendo mais vezes agora -, eu coloquei as suas fraldas, antes de pegar a roupa de frio que Bella havia deixado separada para ela. No final, ela ficou bem empacotada, o que me fez rir. Assim que Bella ficou pronta, deixei Lily com ela e rapidamente limpei a bagunça do quarto da minha filha, antes de trocar de roupa. Lily havia me molhado bastante enquanto eu dava banho nela.

Depois — e após de Bella ter verificado se tínhamos tudo pronto para milésima vez -, nós finalmente saímos de casa. Já acostumada a andar de carro comigo — graças às visitas de rotina com o pediatra -, Lily permaneceu quieta na sua cadeirinha, se entretendo com ela mesma ou com os brinquedos que deixávamos por perto — apenas para o caso de ela resolver chorar, algo que só tinha acontecido nas primeiras vezes que ela havia ficado sozinha no banco de trás.

Sue abriu a porta, um sorriso enorme no rosto assim que percebeu que éramos nós. Ela mal nos cumprimentos antes de tirar a minha filha do meu colo, enchendo-a de beijos. Eu já não achava estranho quando ela fazia isso mais. Sue era mais avó de Lily do que meus pais e os pais de Bella jamais haviam sido. E eu sabia que, se todos nós voltássemos a ter uma relação assim, eu sempre faria questão de que Lily soubesse disso.

– Vamos, entrem, entrem. — Sue finalmente deu um espaço para nós dois entrarmos. — Por que vocês não me entregam as bolsas e vão para a área lá fora… Seth e Claire estão esperando por vocês!

Já conhecendo o caminho, nós dois obedecemos, deixando Sue ficar um tempo com Lily. Ela disse que só levaria as malas para o andar de cima e que logo se juntaria a nós. Seth e Claire nos abraçaram e foram logo perguntando por Lily, antes de nos guiar para perto das mesas que ficavam ali, onde se encontrava um Harry meio emburrado.

– O que aconteceu? — eu perguntei para Seth.

Ele suspirou.

– Ele está triste porque não pode nadar — revirou os olhos. — É meio difícil explicar para uma criança que está frio demais para usar a piscina, aparentemente.

Eu soltei uma risada, tentando imaginar como Lily seria nessa idade. Será que eu conseguiria dizer não para ela também? Porque só de pensar naqueles olhos castanhos me pedindo algo…

Eu não imaginava que seria capaz de negar algo a ela.

Sue logo se juntou a nós, carregando Lily. Isso pareceu animar Harry um pouco. Ele gostava de ouvir as risadas da prima e de tentar brincar com ela — mesmo ela não entendendo o que isso era ainda.

Logo, as três mulheres entraram na casa, dizendo que começariam a preparar o almoço de Natal, já que Sam e Leah logo estariam se juntando a nós. Eu e Seth ficamos do lado de fora durante um tempo, com Lily e Harry, antes de entrarmos, querendo assistir a um jogo ou algo assim.

Mas isso não foi possível, já que Harry viu um desenho que gostava — e que curiosamente chamou a atenção do meu bebê de 5 meses de idade — e não nos deixou mudar de canal.

Nós ficamos ali assistindo com eles, então. Harry se sentou no tapete, suas risadas tomando conta da sala. Lily sempre gargalhava logo após ele gargalhar, o que me fazia sorrir. Ela estava sentada no meu colo, as costas contra o meu peito.

– Então… — Seth começou, algum tempo depois. — Eu sei que pode ser estranho eu perguntar isso, mas… como estão as coisas entre você e Bella?

Eu sorri um pouco para Seth, tranquilizando-o. Nós não éramos melhores amigos ou algo assim, mas já tivemos boas conversas. E eu sabia que ele só se preocupava com o bem da irmã, mesmo não conhecendo-a por muito tempo.

– Está tudo ótimo. — Não pude deixar de sorrir novamente. — Estamos retornando devagar, sabe? Aprendendo a ser pais e nós dois ao mesmo tempo.

Ele assentiu.

– Eu fico feliz por isso — ele disse. — Espero que tudo dê certo agora.

– Eu também — respondi, antes de voltar a minha atenção para Lily, que continuava com os olhos grudados no desenho que passava.

Depois do nosso primeiro encontro — depois que ela decidiu me dar mais uma chance, é claro -, Bella e eu tivemos poucas oportunidades de sair novamente, já que conciliar a faculdade e uma filha era bem difícil — conseguir arrumar tempo para sair era difícil, além do fato de que tínhamos que arrumar alguém para ficar com Lily. Mas nós conseguíamos um tempinho para a gente, nem que fosse já à noite, um pouco antes de dormirmos. Nada demais tinha acontecido e Bella ainda não havia dito que me amava, mas eu sabia que chegaríamos lá.

Eu tinha confiança nisso, pelo menos.

Cerca de vinte minutos depois, Sam e Leah chegaram. Novamente, a minha filha foi roubada de mim — o que ela não gostou muito. Ela chorou quando Sam pegou-a no colo, sua mãozinha se esticando em minha direção e seus lábios tremendo, o que me fez sorrir.

– Desculpe, Sam — eu disse, rindo. — Ela só quer ficar com o pai dela, não é, amor?

Ela agarrou a minha camisa, o que eu entendi como um sim.

Nós almoçamos juntos, o que foi ótimo, exatamente como tinha sido no feriado de Ação de Graças. Leah e Sam ficaram o máximo que podiam, mas logo partiram para Forks.

– Nós passamos na sua casa amanhâ à noite, ok? — Minha cunhada disse. — Daí podemos trocar alguns presentes.

Foi ótimo passar o Natal com a família de Seth. Eu fiz o possível para torná-lo um Natal ótimo para Bella e Lily também — muito embora a minha filha ainda não entendesse o conceito de Natal -, principalmente porque ano passado, por minha causa, não tinha sido o melhor de todos.

E pelo sorriso de Bella quando todos começaram a se ajeitar para dormir, ela gostara daquele dia.

– Eu, hmmm… — Claire começou, quando nos levou até o quarto. — Eu não sabia se vocês iriam querer, mas preparei apenas um quarto para vocês, junto com um lugar para Lily… Não é muito, mas… eu posso preparar outro se vocês quiserem.

Eu passei a mão pelos cabelos, meio nervoso. O meu relacionamento com Bella havia, sim, progredido, mas nós ainda não partilhávamos a mesma cama. Eu a fitei, sem saber o que dizer.

– Está tudo bem, Claire — ela sorriu. — Não há problema algum. Obrigada por preparar tudo para a gente.

E depois de desejarmos boa noite para todos, entramos no quarto, Lily, já adormecida, no meu colo.

– Eu posso dormir no sofá — eu anunciei. Eu não via a hora de poder voltar a dormir na mesma cama que Bella, mas só não queria deixá-la desconfortável; queria que tudo fosse feito nos seus termos. — É só uma noite…

Bella revirou os olhos.

– Não tem problema algum, Edward — ela disse, pegando a mala que Sue deixara ali e separando uma fralda e roupa para Lily. — Vamos nos ajeitar e dormir, ok? O dia amanhã será longo…

Ela trocou a fralda de Lily e a roupa, tomando cuidado para não acordá-la. Eu aproveitei para usar o banheiro e quando saí, a minha filha já estava acomodada e Bella estava com seu pijama e escova de dentes nas mãos.

– Eu já volto — ela murmurou, me dando um selinho rápido antes de entrar no banheiro.

Eu verifiquei se estava tudo certo com Lily, antes de me deitar na cama. Eu sorri quando Bella saiu do banheiro, já usando pijamas, e fez o mesmo que eu. Ela se deitou ao meu lado e sorriu.

– Boa noite, Edward — ela murmurou.

Eu sorri de volta para ela.

– Boa noite, Bella.

Eu tentei ficar acordado o máximo de tempo que eu podia, ainda sem conseguir acreditar que Bella havia concordado em dormir na mesma cama que eu. Poderia parecer idiota, eu sabia, mas não consegui conter a felicidade que tomou conta de mim. Eu me ajeitei na cama de maneira que meu corpo estava virado para o de Bella e finalmente fechei os olhos, deixando que o sono tomasse conta de mim.

Quando acordei no dia seguinte, com Lily chorando baixinho, Bella estava com a cabeça apoiada no meu peito, seu braço esquerdo me abraçando, o direito descansando na cama. Eu sorri um pouco ao notar que ela ainda estava adormecida e, tomando cuidado para não acordá-la, movi-me na cama e me levantei.

– Bom dia, princesa — murmurei baixinho. Ela parou de chorar assim que me viu. — Você dormiu bem, huh?

Eu troquei a fralda dela e a roupa, antes de correr até o banheiro e fazer rapidamente a minha higiene matinal, torcendo para Lily não voltasse a chorar. Depois, levei-a para o andar de baixo e preparei uma mamadeira para ela, algo que tanto Seth quanto Claire disseram que eu e Bella podíamos fazer a vontade, sem preocupar em chamá-los.

Ainda era cedo, mas eu sabia que não conseguiria voltar a dormir, por isso levei Lily e a mamadeira para a sala e me acomodei no sofá. Não pude deixar de sorrir quando vi a quantidade de presentes que estavam debaixo da árvore, algo que Seth e Claire deveriam ter feito depois de Harry ter ido dormir.

Coloquei a mamadeira na mesa de centro e apoiei Lily contra o meu peito, esfregando as costas dela suavemente para que ela arrotasse. Depois, apenas a ninei novamente, mas ela não dormiu. Seus olhinhos observaram com atenção tudo ao seu redor, principalmente os enfeites de Natal, então fiquei ali, conversando com ela e fazendo sorrir e gargalhar, até que todos da casa acordaram.

Novamente, não pude deixar de imaginar como Lily seria quando crescesse e entendesse o que o Natal é quando vi o quão animado Harry ficara com a quantidade de presentes de Natal debaixo da árvore. Havia alguns para nós, adultos, e uma quantidade boa para Lily, mas ela não deu muita atenção para eles. Ela ficou mais fascinada com os papéis de presente do que com os presentes em si.

Ficamos o dia todo na casa de Seth. Ceiamos, brincamos com Harry, minha filha foi passada de colo em colo, até que anoiteceu e Bella e eu nos despedimos de todos, agradecendo por tudo.

Seth e Leah, como prometeram, passaram no nosso apartamento e nós trocamos os presentes. Eles não ficaram muito, já que não queriam chegar em casa tarde, e logo estávamos nos despedindo.

Dei um pouco de privacidade para Bella quando ela foi se despedir de Leah, me ausentando da sala. Aproveitei para colocar Lily para dormir e fiquei no quarto dela até que Bella se juntou a mim.

Ela não disse nada por um tempo, o que me deixou um pouco preocupado. Eu a observei durante um tempo, esperando que ela fosse falar alguma coisa. Quando ela não disse, alguns minutos mais tarde, eu simplesmente não consegui me conter mais.

– Bella? — eu chamei. Ela não tirava os olhos de nossa filha, já adormecida, no berço. — Está tudo bem?

Ela suspirou.

– Aparentemente, houve uma conversa na casa dos meus pais que dizia respeito a mim. — Os olhos dela encheram de lágrimas. — Eu sinto tanta saudades dos meus pais, Edward… Será que eles não sentem nem um pouco a minha?

Eu senti um aperto no peito assim que seus olhos se voltaram para mim, cheios de lágrimas. Sem conseguir me conter, puxei-a para meus braços e beijei o topo da sua cabeça.

– Sinto muito, baby — eu sussurrei, sem ter ideia de como confortá-la; eu não tinha o melhor exemplo de pais também. — Eu queria poder te ajudar de alguma forma.

Ela negou contra o meu peito, mas não levantou a cabeça para me olhar.

– Não, está tudo bem — ela murmurou de volta. — Só de saber que você está aqui… é o suficiente.

Eu sorri um pouco, mesmo ela não podendo ver. Deixei que ela se acalmasse um pouco, antes de tentar novamente.

– Você quer falar sobre isso? — eu indaguei.

Ela suspirou.

– Leah disse que a minha mãe parecia curiosa — ela começou. — Quis saber, longe do meu pai, de Lily e perguntou se estava tudo bem, mas não disse se tinha intenção de vir aqui ou algo assim… Meu pai apenas disse que um dia eu perceberia que ele estava certo o tempo todo…

Ela se afastou novamente, e eu sabia que ela estava magoada só olhando para os seus olhos.

– Que tipo de pai faz isso? — ela soluçou. — Que tipo de pai vira as costas para a namorada grávida e para a filha grávida?

Eu abri a boca para dizer alguma coisa, mas não havia nada que eu pudesse dizer. Eu apenas a abracei e deixei que ela chorasse o tempo todo que ela quizesse.

– Eles vão se arrepender um dia, Bella — eu murmurei, tentando parecer confiante. — E se eles não se arrependerem, a perda é toda deles. A Lily é a melhor coisa que já aconteceu com a gente e é eles é quem vão perder por não terem conhecido a neta.

Naquela noite, eu tornei a dormir na cama de Bella, mas não consegui dormir muito. Ela acordava sempre, às vezes chorando, às vezes apenas querendo me abraçar e conversar comigo. Eu sabia que acordaria no dia seguinte caindo de sono e completamente cansado, mas não liguei para isso. Confortei-a o máximo que podia, desejando, com toda as forças que eu tinha, que Renee e Charlie, assim como os meus pais, acordassem logo.

Mas enquanto isso não acontecia, deixei bem claro para Bella que eu estava ali e que não iria a lugar nenhum.

E enquanto eu a abraçava e a confortava, torci para que ela acreditasse em mim.

Notas finais
N/A: Ai, a Bella nesse final de capítulo foi de cortar o coração, hein? E quanto ao Carlisle? Hmmm... Alguém aí acha que ele aparecerá novamente? Demorei um pouco mais do que eu previa, mas lutei um pouco com o final. Havia mais duas cenas que eu queria que acontecessem neste capítulo, mas achei que ficaria muito corrido e grande, então deixei para o próximo. Estou trabalhando agora no próximo capítulo da Daylight, mas logo logo já devo começar o próximo dessa aqui. E por falar nela... acho que estamos caminhando para a reta final. Originalmente, a fanfic teria apenas uns 12 capítulos, mas como fui mudando-a aos poucos, tendo mais ideias (e resolvi colocar extras do Edward), tive que aumentá-la. Acredito eu que haverá mais uns 6/8 capítulos. Vamos ver. Tentarei adiantá-la o máximo que puder antes das férias acabarem, mas não sei se vai dar. Tenho a Daylight, afinal. Queria ter adiantado mais nesse mês, mas fui visitar meu pai e daqui uns dias devo viajar de novo, então... tentarei postar ao menos mais uns dois nesse mês de fevereiro (cruzem os dedos!). Enfim, espero que tenham gostado. E deixem reviews, por favor! Até próximo xx N/B: Juro que achei que Carlislie fosse se quebrar e se render, mas pelo visto, é turrão mesmo. Não vejo a hora dessa família se arrepender. Bjs, Lu.