Unwritten
12 Capítulo Extra 04
Notas iniciais
Edward POV.
Eu pulei para fora do carro assim que Bree estacionou, deixando-a para trás. Praticamente corri pelo estacionamento, sabendo que eu só conseguiria me acalmar quando eu estivesse perto de Bella.
Mesmo Bree tendo dito que ainda demoraria, eu queria estar lá o quanto antes; não queria que Bella achasse que traria nossa filha ao mundo sozinha. E também não queria perder o nascimento dela. Afinal, eu já havia perdido muitas coisas.
Dessa vez, não parei para pedir informação como havia feito há alguns meses, e fui direto para o andar de obstetrícia. O elevador pareceu levar uma eternidade, e eu me vi apertando o mesmo botão três vezes, quase como se aquilo fosse fazer com que ele andasse mais rápido.
Minha filha nasceria em breve. Eu a veria logo.
Eu senti um sorriso nascer em meu rosto quando este pensamento surgiu, embora estivesse morrendo de medo. Eu havia feito muitas coisas por ela nesses últimos dias, sabia disso, mas, mesmo assim... e se ela me odiasse? E se eu fizesse algo errado?
Engoli em seco, e respirei fundo, porque eu sabia que não era hora de entrar em pânico. Bella precisava de mim, nossa filha precisava de mim. Eu não podia me acovardar logo naquele momento.
Soltei um suspiro de alívio quando me vi no andar correto, meus olhos imediatamente à procura de alguém que pudesse me dar alguma informação. Eu precisava saber em qual quarto Bella estava, precisava saber se a bebê já havia nascido — embora Bree tivesse afirmado que ainda demoraria algum tempo.
– Edward!
Virei-me e soltei uma risada nervosa quando vi Sam acenando para mim. Caminhei até ele, torcendo para que ele vão tivesse nenhuma notícia ruim para me dar.
– Onde está a Bella? — eu indaguei. — Está tudo bem?
Ele sorriu.
– Está tudo indo bem — ele respondeu. — Ela está no quarto 304, é só...
Não esperei que ele terminasse de falar, apenas murmurei um ‘obrigado’ e caminhei até o quarto. Um médico saía de lá naquele momento, então não me dei ao trabalho de bater. Entrei, e encontrei Bella meio sentada meio deitada na cama, sorrindo de forma amigável para a Dra. Lucy e para Leah. Elas se viraram quando me viram, mas não disseram nada durante alguns segundos.
– Você tem... tinta no cabelo? – Leah soltou.
Eu passei a mão pelos meus cabelos, um pouco envergonhado por não ter me limpado antes de vir para cá, mas não disse nada, apenas encolhi os ombros. Cumprimentei a médica rapidamente e por fim me virei para Bella.
– E-eu... eu não cheguei muito tarde, não é? – indaguei.
A médica sorriu gentilmente para mim.
– O anestesista acabou de sair daqui, Edward – ela disse. – Acredite em mim, ainda temos um bom tempo pela frente.
Eu soltei um suspiro de alívio e assenti, sorrindo um pouco. Para mostrar que eu não pretendia ir a lugar nenhum, puxei a cadeira e me sentei na cama ao lado de Bella.
– Você está se sentindo bem? – eu indaguei, olhando para ela.
Ela me fitou durante alguns segundos, provavelmente confusa, mas assentiu.
– O que você está fazendo aqui? – ela perguntou, alto o suficiente somente para eu ouvir.
Franzi a testa.
– Hmmm... eu nunca perderia o nascimento dela, Bella – respondi. – Sei que fiz muitas burradas ao longo desses meses, mas eu nunca faria isso.
Bella abriu a boca novamente, mas não disse nada. Ao invés disso, ela simplesmente suspirou e revirou os olhos, antes de se virar para a irmã e conversar com ela.
Nós ficamos horas no hospital. Em algum momento, Leah me expulsou, me mandando almoçar, dizendo que ficaria com a irmã até que eu voltasse. Sam se juntou a mim e nós conversamos um pouco, mas eu não conseguia me concentrar.
Quando voltei ao quarto, Bella estava na mesma posição de antes, conversando com uma enfermeira. Leah, assim que me viu, pediu licença e saiu do quarto, dizendo que voltaria logo.
E assim foi o resto do dia.
Permaneci ao lado de Bella durante todo o tempo, me sentindo mais ansioso a cada minuto que passava. A médica ia e vinha, ficava alguns minutos, mas logo saía. Já se passava das nove da noite, e eu já tinha certeza de que havia algo muito errado – por que não era normal demorar tanto assim, certo? -, quando a médica voltou, examinou Bella e disse que era hora de írmos para a sala de parto.
– Edward, por que você não segue a enfermeira e vai se trocar? – Dra. Lucy sorriu. – Depois ela vai te levar para o quarto onde Bella estará...
Eu olhei dela para Bella, sem saber o que fazer.
– Mas e... e se ela nascer antes e?... – comecei, inseguro demais, com medo demais.
E se algo desse errado? Deus! Eu ia ser pai dentro de algum tempo... E se... e se a bebê me odiasse?
– Vai, Edward. – Leah tirou-me de meus devaneios. – Você vai encontrá-las lá.
Sabendo que não adiantava discutir, eu assenti e segui a enfermeira. Troquei-me rapidamente e segui as instruções dela, fazendo tudo mais rápido do que o necessário, porque eu não queria que a minha filha nascesse e eu não estivesse lá.
Bella nunca me perdoaria.
Eu nunca me perdoaria caso isso acontecesse.
– Tudo pronto, querido? – A enfermeira perguntou. – Vamos lá?
Eu assenti, incapaz de dizer qualquer coisa.
Ela me guiou até uma sala não muito longe dali, que estava um pouco cheia. A médica estava conversando com Bella e havia algumas enfermeiras andando por ali, mas não consegui prestar atenção na conversa delas. Eu só conseguia olhar de Bella para a barriga e da barriga para Bella.
Eu ainda não conseguia acreditar que aquilo estava mesmo acontecendo.
Eu ia ser pai.
– Ok, pronta, Bella? – A médica terminou de colocar as luvas e se posicionou entre as pernas dela. – Quando uma contração vier, eu quero que você empurre com força, ok?
Sem saber o que fazer para ajudar, eu peguei a mão de Bella e fiquei olhando para ela, me sentindo mais nervoso a cada minuto que passava.
Daria tudo certo, não daria?
– Ok, vamos lá.
Eu abri a boca para fazer uma pergunta à médica, mas não tive essa oportunidade. Antes que eu dissesse algo, Bella apertou a minha mão com força.
– Isso, Bella, assim mesmo. – A médica continuava dizendo. – Empurra, força, vamos...
Bella continuou apertando a minha mão durante mais alguns segundos, mas logo parou. Ela desabou na cama e respirou de forma ofegante.
– Pronto, querida, agora respira... – Dra. Lucy continuou.
Não muito depois outra contração chegou e, novamente, Bella apertou a minha mão. Eu fiquei parado ao lado dela, sem ter a mínima ideia de que aquilo era o suficiente, sem saber se eu deveria dizer alguma coisa.
– Não consigo mais. – Bella ofegou, quando a terceira contração passou. – Não dá, Edward, eu... eu não consigo.
Eu apertei a mão dela gentilmente e sorri, incerto do que dizer.
– Estamos quase lá, Bella. – A médica disse. – Só preciso de mais alguns empurrões, ok?
Eu tornei a sorrir.
– Você consegue sim, Bella – murmurei. – Você tem sido tão forte... Estamos quase acabando, você ouviu a médica? Só... aperte a minha mão o quanto precisar.
Eu não sabia se havia dito a coisa certa e nem tive a chance de descobrir. Outra contração chegou e Bella apertou a minha mão, e nós continuamos assim durante algum tempo, até que eu ouvi a médica dizer mais um empurrão e, então, depois de alguns segundos, eu ouvi um choro.
Imediatamente, virei meu rosto para o som e senti meu coração bater mais rápido contra o meu peito. Eu não conseguia vê-la direito, nem conseguia ouvir o que todos estavam dizendo. Em um minuto eles estavam a limpando e, antes que eu me desse conta, estavam a colocando em meu colo.
E, por mais idiota que possa parecer, eu congelei naquele momento.
Ela era... linda.
Ela ainda estava chorando e balançava as suas pernas e braços, como se não estivesse nada feliz por terem tirado-a da barriga da mãe. Eu chorava e ria ao mesmo tempo, sem conseguir acreditar que tudo aquilo tinha acontecido.
Eu era um pai. Deus, eu tinha uma filha.
Ainda sem saber o que dizer, eu a levei até Bella, embora não quisesse que ela saísse do meu colo. Coloquei-a no peito da mãe e fiquei olhando as duas, juntas, se vendo pela primeira vez.
E eu me odiei mais do que tudo naquele momento.
Porque eu havia perdido muito. Sim, eu estive lá no começo, mas depois tinha sido um completo imbecil. Eu nunca a sentiria chutar contra a minha mão, não tinha ideia se Bella tinha tido desejos estranhos durante o final da gestação...
Bella nunca me perdoaria.
Deus, eu nunca me perdoaria.
Nós não pudemos ficar muito com ela, já que tinham que levá-la para aquecer , limpar e examinar. Eles logo a levariam para nós dois, foi o que a médica disse, enquanto terminava com Bella. Novamente, a enfermeira me levou para me limpar e me trocar, e algum tempo depois, eu pude voltar para o quarto que Bella estava quando cheguei aqui, mais de doze horas atrás.
Ela já estava ali, parecendo completamente exausta. Seus olhos se arregalaram quando eu entrei, mas logo ela relaxou. Ela devia estar tão ansiosa para ver a nossa garota quanto eu.
– Eles ainda estão com ela? – eu indaguei.
Bella assentiu, mas não disse nada.
Ela parecia exausta.
– Por que você não dorme um pouco? – eu indaguei. – Eles podem demorar um pouco com ela... Eu te chamo quando chegarem.
Ela negou imediatamente.
– Eu preciso vê-la – murmurou. – Depois, eu posso dormir.
O quarto mergulhou, então, em um silêncio desconfortável, que demorou um pouco. Cerca de meia hora depois, escutamos uma batida à porta e a enfermeira entrou, empurrando um carrinho.
– Olá, papais – ela sorriu. – Tudo certo com essa garotinha. Ela está dormindo, mas pensei que vocês quisessem vê-la um pouco.
Eu andei até o carrinho e sorri quando a vi. Ela estava enrolada em uma manta amarela e havia uma touca cobrindo a sua cabeça. Com cuidado, peguei-a no colo e a aninhei nos braços, me perguntando se eu havia realmente contribuído para a criação de algo tão pequeno e... perfeito.
Novamente, eu a levei para Bella, que parecia cada vez mais ansiosa. Coloquei-a nos braços dela e fiquei observando as duas durante algum tempo. Bella parecia a cada minuto mais exausta, mas não bocejou nem uma vez, nem desviou os olhos da pequena que estava em seus braços. Sem que ela percebesse, eu puxei o celular do bolso e tirei uma foto das duas. Eu nunca iria querer tirar aquela imagem da cabeça.
– Ela está se mexendo – Bella sorriu. – Hmmm... Quando eu vou poder amamentá-la’?
A enfermeira sorriu e se aproximou.
– Por que não tentamos agora?
Enquanto a enfermeira explicava para Bella tudo sobre o colostro, eu peguei a nossa filha no colo e fui a acordando aos poucos, como a enfermeira havia me dito. Mexi em suas pernas e braços, até que ela abriu os olhos e soltou um choro fraco.
Devolvi-a para Bella e assisti quando a enfermeira ajeitou a bebê no mamilo de Bella, mesmo tendo tentado desviar os olhos, já que ela havia corado um pouco.
– Ai – Bella gemeu quando a bebê começou a sugar. – Dói.
A enfermeira sorriu.
– É normal, querida – ela disse. – Até o leite descer, você vai demorar um pouco para se acostumar.
Novamente, eu tirei uma foto das duas dessa maneira. A enfermeira ficou conosco até que a nossa filha largou o peito de Bella. Depois que ela tentou oferecer o outro e a bebê recusou, ela ficou conosco só durante mais alguns minutos, antes de a enfermeira nos ensinar como colocá-la para arrotar e a deitou em um pequeno berço que estava próximo à cama de Bella.
– Eu estarei de volta amanhã de manhã. — A enfermeira sorriu. — Se precisarem de algo durante a noite, é só nos chamar, ok?
Eu apenas assenti, incapaz de desviar os olhos do berço. Nossa menina ainda não havia dormido, mas estava quase lá. Seus olhos estavam fechados, suas pequenas mãos se abriam e fechavam, e ela remexia um pouco as pernas, quase como se tentasse encontrar uma posição confortável para dormir.
– Nós precisamos escolher um nome – eu murmurei, assim que a enfermeira saiu.
Bella assentiu.
– Eu pensei em alguns, mas... – encolheu os ombros. – Agora que ela está aqui, eu não sei...
– Por que você dorme um pouco? – sugeri. – Eu vou comprar um livro de nomes e amanhã nós decidimos, ok? Vou avisar a Sam e Leah que tudo está bem e voltarei em breve.
Bella me olhou durante algum tempo, parecendo extremamente confusa, mas não disse nada. Apenas assentiu e suspirou. Fazendo uma careta aqui e ali, ela se ajeitou na cama e fechou os olhos. E não demorou muito para que ela estivesse dormindo.
Suspirei pesadamente, e me aproximei. Com cuidado para não acordá-la, levantei o dedo e acariciei o seu rosto, sentindo as lágrimas chegarem.
– Eu sinto muito – sussurrei. – Mais do que você jamais saberá.
Abaixei-me e depositei um beijo demorado em sua testa.
– Amo você, Bella – continuei. – Obrigado pelo melhor presente que você poderia me dar.
Permaneci ali durante mais algum tempo, antes de sair do quarto e seguir até a recepção.
Sam e Leah levantaram da cadeira quando me viram e sorriram quando viram o tamanho do meu sorriso.
– Ela nasceu – eu respondi. – Ela é... perfeita...
Contei a eles mais ou menos tudo, prometendo que no dia seguinte eles conheceriam a nossa filha. Eu queria levá-los até o quarto para que eles a visse, mas não queria arriscar acordar Bella e a bebê. Elas mereciam ter o seu descanso. Depois que eles se despediram, prometendo voltar cedo no dia seguinte, eu voltei para o quarto, e, após algumas fotos, saí novamente e peguei o meu celular.
– Menino Edward? – Kaure atendeu no terceiro toque, sua voz sonolenta. – Está tudo bem?
Eu sorri ainda mais.
– Ela nasceu, Kaure – eu respondi. – Ela... ela está aqui e...
Novamente, comecei a rir e chorar ao mesmo tempo, enquanto tentava contar a Kaure tudo o que havia acontecido. Eu logo desliguei e mandei algumas fotos para ela, somente para receber uma ligação dela alguns segundos depois, porque ela havia achado a minha garota linda e precisava falar comigo.
Quando finalizei a ligação, segui para o quarto de Bella e a encontrei ainda dormindo. Verifiquei a bebê também e a encontrei tão adormecida quanto a mãe, tao quieta que precisei colocar minhas mãos nela, apenas para verificar se ela estava respirando. Finalmente, exausto, eu peguei o meu celular e me joguei no sofá, me ajeitando ali mesmo. Olhei para a foto de Bella com a nossa garota por horas, talvez, até que o cansaço e sono, finalmente, tomaram conta de mim.
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Quando acordei, algumas horas mais tarde, o dia já havia amanhecido. Confuso, me sentei e passei as mãos pelo rosto, tentando me acordar. Levantei a cabeça, por fim, e encontrei Bella sentada na cama, conversando com Leah.
– Bom dia, Edward. – Leah sorriu para mim. – Eu e Sam trouxemos algumas coisas para você se limpar... Por que não faz isso? A enfermeira levou a pequena para mais uma visita rápida ao pediatra, mas vai trazê-la de volta em alguns minutos…
Eu rapidamente murmurei um bom dia, antes de fazer isso. Fiz a minha higiene pessoal o mais rápido que pude e quando saí, soltei um suspiro de alívio quando vi que a minha filha ainda não havia chegado. A Dra. Lucy estava ali, porém, conversando com Bella, e, após cumprimentá-la, aproveitei que Bella estava acompanhada para trocar algumas palavras com Leah.
– Leah? – eu chamei. – Posso falar com você rapidinho?
Ela assentiu. Seguimos para fora do quarto, mas não nos afastamos muito. Eu rapidamente contei a ela os meus planos para os próximos dias, algo que eu vinha pensando há algum tempo já. Ela não disse muito, mas eu sabia que ela tinha gostado do que eu havia dito. Se tudo continuasse a dar certo, Bella e a nossa filha muito provavelmente iriam ser liberadas do hospital em breve, e já que Leah iria poder ficar com ela até as suas férias acabarem... eu ia poder ir até Forks e conversar com os meus pais.
O quanto antes, melhor.
Corri até uma livraria ali perto para comprar o livro que eu havia dito a Bella, então, enquanto a médica terminava de conversar com ela e a bebê ainda não chegava. Quando voltei, a enfermeira tinha acabado de entrar no quarto, e Leah estava pegando a sobrinha no colo.
– Oh, Bella, ela é tão linda – ela riu. – Tão pequena!
Bella sorriu.
– Ela se parece com você, cara. – Sam disse, apertando os meus ombros.
Eu sorri.
– Eu, sinceramente, acho que ela puxou a mãe – respondi, me aproximando.
– Não – Leah riu. – Olha os cabelos! Ruivos!
Eu me aproximei e sorri ainda mais quando vi os fios realmente meio ruivos despontando da touca que ela usava.
Depois de alguns minutos, Leah entregou a bebê a Sam. Deixei que ele ficasse com a sobrinha durante um tempo, antes de pegá-la e abraçá-la um pouco.
– Por que você não a entrega à mamãe, papai? – a enfermeira sorriu gentilmente para mim. – Ela estava chorando um pouco, deve estar faminta.
Bella corou novamente, exatamente como na noite anterior, quando a enfermeira ajeitou a nossa filha em seu mamilo, mas não consegui não olhar.
– Hmmm... – Bella reclamou. – Ainda dói...
Naquele dia, nossa filha ficou mais conosco, o que eu agradeci. Ela mamava em intervalos pequenos e dependia muito de Bella nesse aspecto. Depois que Bella e eu aprendemos como fazer para ela amamentar e, depois, para ela arrotar, conseguimos ficar um pouco sozinhos.
– Então... – Eu puxei o livro que havia comprado. – Vamos?
Bella, ainda com a nossa filha no colo, assentiu.
Nós começamos pelos nomes que ela havia pensado, mas a maioria foi descartado, porque nada parecia combinar com a bebê. Por mim, começamos a soltar nomes que gostávamos, até que eu e ela achamos um em comum.
– Lily – sussurrei, olhando para a página do livro. – No latim, significa lírico, poético. Significa pura, inocente...
Eu olhei para Bella e sorri, antes de fitar a nossa filha. Lily. Lily Cullen.
– É perfeito – ela sussurrou. – Pura, inocente...
Eu assenti.
– Lily, então? – indaguei. – Eu acho que combina.
Ela sorriu para mim pela primeira vez desde que eu havia chegado ali, no dia anterior.
– Como eu disse, acho que é perfeito.
Depois de termos decidido pelo primeiro nome, começamos a procurar o segundo, o que eu achei ainda mais difícil.
– Maggie? – eu sugeri. – Significa criança de luz, pérola, joia...
Então, assim ficou decidido: Lily Maggie Cullen.
No dia seguinte, Bella e Lily foram liberadas pela Dra. Lucy e pelo pediatra do hospital, mais ou menos depois do almoço. Eu fiquei assustado, porque agora não teríamos médicos e enfermeiros por perto a qualquer minuto do dia. Caso algo acontecesse, teríamos que lidar com isso sozinhos.
Leah falou com Bella para ir dormir um pouco assim que chegamos ao apartamento dela, já que Lily estava dormindo também. Quando ambas sumiram no quarto, deixando somente Leah, Sam e eu sozinhos na sala, eu pensei em desistir de viajar para Forks no dia seguinte, porque eu não queria que Bella pensasse que eu estava abandonando as duas.
Leah, no entanto, me disse que tudo ficaria bem e que eu deveria fazer aquilo o quanto antes, e eu finalmente concordei.
Naquela noite, fiquei ali o máximo que eu podia, aprendendo a trocar fraldas, carregando Lily de um lado para o outro, já morrendo de saudade das minhas duas garotas sem nem ter saído ainda. Por fim, eu fui até o meu apartamento, mas pareceu tão errado... tão vazio.
Imediatamente, eu quis voltar.
Forcei, no entanto, a ficar, embora ligasse sempre para saber como tudo estava. Arrumei algumas roupas para levar para Forks – poucas, já que não pretendia ficar muito tempo – e tentei dormir, mas não obtive muito sucesso.
No dia seguinte, antes de viajar, passei no apartamento de Bella, apenas para explicar que eu iria para Forks para visitar os meus pais, mas que estaria de volta o mais rápido possível. Fiquei com a nossa filha um pouco e disse que ligaria, antes de seguir viagem.
Mesmo não querendo, eu sabia que aquilo era necessário.
Era estranho dirigir de volta para Forks, especialmente sem ter Bella ao meu lado. A viagem pareceu mais longa e solitária, mas eu procurei ignorar tal coisa. Em breve, tudo acabaria. Em breve, eu teria conversado com os meus pais.
E então eu iria poder voltar para Bella e para a nossa filha... Lily.
Eu senti um sorriso ao pensar nela, já sentindo saudades, embora eu a tivesse visto há poucas horas. Minhas mãos coçaram, querendo pegar o meu celular e olhar para as fotos que eu tinha tirado dela. Mais fotos do que eu imaginara... mas como eu podia olhar para ela, para aquele rostinho de anjo, e não querer tirar mil fotos?
Ela era tão linda, tão pequena... Eu me perguntava, agora, como eu tinha sequer pensado que seria capaz de ficar longe dela. Tudo o que eu mais queria era resolver os meus problemas o quanto antes e ser o pai que a minha Lily merecia.
Pai... Deus, era realmente difícil acreditar que eu era um pai.
Lembrei-me do jeito que ela bocejou quando eu a peguei no colo e adormeceu logo em seguida, parecendo tão segura, como se soubesse que eu era o pai dela. Lembrei-me do sentimento bom que tomou conta de mim, da vontade de tê-la em meus braços sempre e nunca deixá-la ir.
Minha filha...
Eu ainda sorria quando estacionei em frente à casa dos meus pais, sabendo que Kaure iria ver mais fotos da minha bebê dentro de minutos. Ela ficaria feliz, ela agiria como se tivesse acabado de se tornar uma avó, eu tinha certeza disso.
Meus pais, por outro lado...
Suspirando, eu desci do carro e andei até a porta, torcendo para que Carlisle e Esme estivessem em casa — embora eu duvidasse disso. Toquei a campainha e, não muito depois, escutei passos. Um sorriso enorme rompeu em meu rosto quando Kaure abriu a porta.
– Menino Edward! — Ela me puxou para os seus braços, o que me fez rir. Antigamente, eu tinha que me colocar nas pontas dos pés, caso quisesse alcançar o seu pescoço. Hoje, eu precisava abaixar para envolvê-la em meus braços. — Você é um papai!
Eu ri.
– Sim, Kaure. — Eu deixei que ela me guiasse para dentro. — Não é inacreditável?
Ela me levou à cozinha, como sempre fazia quando eu vinha visitá-la, mas não me serviu nada. Ao invés disso, bateu palmas, animada, o que me fez rir.
– Vamos, me mostre — pediu. — Eu quero ver mais fotos da pequena Lily!
Ainda rindo, eu tirei o meu celular do bolso e o desbloqueei, antes de abrir o álbum da minha filha e entregá-lo a ela.
– Oh, menino Edward! — exclamou, um enorme sorriso no rosto e lágrimas nos olhos. — Ela lembra tanto você!
Eu sorri.
– Eu não acho — respondi, parando ao seu lado para poder admirar a minha filha também. — Sinceramente, acho que ela é a cara de Bella.
Kaure revirou os olhos.
– Pois está muito enganado — disse. — Ela tem algo de vocês dois, mas se parece mais com você! Ela vai ser tão linda... Como vou ser capaz de negar algum doce para esse rostinho?
Eu tornei a rir.
Nós conversamos durante algum tempo, nenhum de nós mencionando os meus pais. Eventualmente, porém, a conversa foi morrendo e eu sabia que não podia adiar aquilo mais.
– Meus pais saíram? — perguntei.
Ela suspirou.
– Eu imaginei que você viria conversar com eles logo — disse. — Mas não, eles não estão. Voltam daqui a dois dias, no entanto, se você quiser esperar.
Eu quis dizer a ela que não podia, que eu não queria ficar longe da minha filha muito tempo — e nem que Bella pensasse que eu não queria estar perto delas -, mas eu sabia que enrolaria caso fosse embora naquele momento. Eu já havia adiado demais, precisava conversar com os meus pais.
E precisava conversar com os pais de Bella também, embora ela não tivesse ideia de que eu faria isso.
– Eu vou esperar — murmurei, por fim. — Tenho outras coisas para fazer aqui também, afinal.
Kaure apenas sorriu e assentiu, e eu suspirei, desejando, mais do que nunca, que as horas passassem rápido. Peguei o meu celular e, novamente, olhei para a foto das duas como meu descanso de tela, prometendo que eu estaria de volta a Seattle logo.
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