Unwritten

13 Capítulo Extra 05


Notas iniciais
Último extra do Edward! Espero que gostem!

– Eu vou esperar — murmurei, por fim. — Tenho outras coisas para fazer aqui também, afinal.

Kaure apenas sorriu e assentiu, e eu suspirei, desejando, mais do que nunca, que as horas passassem rápido. Peguei o meu celular e, novamente, olhei para a foto das duas como meu descanso de tela, prometendo que eu estaria de volta a Seattle logo.

–x-

Edward POV.

Eu e Kaure passamos as próximas duas horas falando da minha filha, então. Embora ela ainda fosse nova, com apenas três dias de vida, já havia tanto o que falar. Depois disso, eu liguei para Bella, somente querendo saber como tudo estava por lá. Ela não sabia o que eu estava fazendo em Forks, pensava que era apenas uma visita, mas em breve ela saberia tudo. Eu contaria tudo a ela.

Leah atendeu ao telefone, no entanto, e disse-me que Bella havia acabado de dormir, assim como Lily.

– Ela não queria. — Eu quase podia ouvir o sorriso na voz dela. — Mas consegui convencê-la. As duas estão bem, Edward.

Eu suspirei.

– Eu vim aqui conversar com os meus pais, como eu havia te dito — murmurei. — Mas eles não estão, devem chegar dentro de dois dias...

Ela ficou calada por um momento, longo o suficiente para me deixar nervoso.

– Não estou tentando fugir de nada, Leah — acrescentei. — Acredite em mim quando eu digo que queria estar aí, com Bella e a minha filha, mais do que qualquer coisa no mundo, mas... eu preciso resolver algumas coisas aqui.

Ela suspirou.

– Tudo bem, Edward– respondeu. — As minhas férias logo acabam e, acredite, Bella vai precisar de você.

Assenti, embora ela não pudesse ver.

– Eu estarei aí — prometi. — Assim que eu resolver tudo aqui, eu estarei aí.

Ela ficou calada novamente e eu aproveitei para perguntar como tinha sido o dia. Depois que ela terminou de contar um pouco de Lily, eu me vi desejando ainda mais que o tempo passasse rápido e eu pudesse voltar logo.

– Você pode dizer a ela que eu a amo? — eu indaguei. — E que eu volto logo?

Ela ficou em silêncio durante alguns segundos.

– Para Bella ou para Lily? — perguntou.

E eu não disse nada, porque eu sabia que Bella já não acredita mais em minhas palavras. Despedi-me de Leah e a agradeci por tudo, antes de desligar. Voltei-me, então, para Kaure e contei a ela sobre o que eu faria. Ela sorriu, orgulhosa, e me desejou sorte.

Algumas horas mais tarde, eu estava parado em frente à casa dos Swan, com medo de tocar a campainha. E se eles não quisessem me escutar? E se eles insistissem em excluir Bella da vida deles?

Eu engoli em seco e sacudi a cabeça, tirando aqueles pensamentos da cabeça. Por fim, saí do carro e caminhei até a porta da frente. Antes que eu perdesse a coragem, toquei a campainha.

E não muito depois, Renee Swan abriu a porta.

– Edward! — Ela parecia nervosa, seus olhos parecendo procurar alguma coisa... Levou-me um momento ou dois para perceber que ela pensava que Bella estava ali comigo.

– Bella não está aqui, pode ficar tranqüila — eu disse. — Eu que queria conversar com a senhora, se for possível.

Ela pareceu... triste quando ouviu isso, mas assentiu. Um pouco confuso — porque, afinal, ela tinha escolhido tirar Bella da vida dela -, eu a segui, meio ansioso para falar tudo o que eu queria antes que eu me esquecesse. Ela apontou para o sofá e, depois que eu me sentei, acomodou-se na poltrona à frente, parecendo nervosa e tensa.

– Aconteceu alguma coisa com Bella? — ela indagou, e suas palavras saíram tremulas. — Ou com o... bebê?

Eu estreitei os olhos.

– Não, Renee, nada de ruim aconteceu — eu respondi. — Na verdade, eu vim aqui para te contar que a sua neta nasceu há três dias. É uma menina linda e saudável, apesar de eu ter quase certeza de que você não se importa muito com isso.

Ela olhou para as mãos durante algum tempo, antes de erguer a cabeça.

– U-uma menina? — indagou.

Eu assenti.

– Eu não vim aqui para julgar o que aconteceu há alguns meses — comecei. — Só vim dizer que, embora a senhora e Charlie tenham duvidado disso, Bella conseguiu. Nossa filha é saudável e incrível. E a sua filha conseguiu fechar o primeiro semestre da faculdade com grandes notas, mesmo tendo de lidar com uma gravidez não planejada.

Ela engoliu em seco.

– Olha, Renee, eu tive os meus próprios erros — continuei. — Erros que nunca serei capaz de esquecer, mas...

– Está tudo bem, eu entendo — interrompeu-me. — Eu contarei a Charlie, farei isso. Obrigada por ter vindo me contar, Edward. Eu realmente agradeço.

Eu assenti, então, sentindo que ela estava me dispensando de uma maneira educada. Levantei-me e peguei a foto da minha filha que eu havia imprimido antes de sair da casa dos meus pais e entreguei a ela.

– Essa é a sua neta — murmurei. — Tenha uma boa noite, Renee.

Eu não fiquei muito mais tempo ali depois disso. Eu tinha planejado dizer muitas coisas à mãe de Bella, mas não havia conseguido, simplesmente porque não esperava a reação dela. Eu achava que ela estaria indiferente em relação a escolha que tomara meses atrás, mas ela parecia... diferente. Triste, mais quieta...

Permaneci em silêncio enquanto Kaure me servia o jantar — algo que ela insistia em fazer, mesmo depois de eu insistir que já não havia necessidade mais -, perdido em meus pensamentos. Eu queria ter tido a oportunidade de conversar com Charlie também e talvez eu voltasse lá antes de ir embora para trocar algumas palavras com ele, embora isso me assustasse um pouco. Charlie nunca tinha sido muito um pai ciumento, mas eu tinha engravidado a filha dele...

Foi difícil dormir naquela noite. Acabei levantando cedo demais, antes mesmo de Kaure e as outras empregadas acordarem. Preparei algumas torradas e me sentei à bancada, pensando no que eu deveria fazer naquele dia. Meus pais só voltariam no dia seguinte e eu já havia conversado com Renee…

– Menino Edward!

Levantei a cabeça e sorri ao ver Kaure entrando na cozinha. Ela se aproximou de mim e depositou um beijo em minha bochecha, antes de estreitar os olhos para o meu prato.

– Só torradas, menino? — ela indagou. — Não, espere aí. Vou preparar uns ovos mexidos para você… Com bacon, certo?

Nós conversamos enquanto ela preparava, sobre nenhum assunto em particular. Ela se sentou comigo para comer, como sempre fazia, e eu me peguei rindo das histórias que ela contava de mim quando eu era um bebê.

– Não vejo a hora de conhecer a pequena Lily — sorriu. — Tudo bem se eu for para Seattle e passar alguns dias com você nas minhas próximas férias?

Meu sorriso cresceu ainda mais.

– Você será mais do que bem-vinda — eu respondi. — Mas não vou deixá-la trabalhar.

Ela revirou os olhos.

– Veremos — murmurou.

Eu ri.

Tirei aquele dia para dar uma olhada em todos os desenhos que eu tinha guardado ali, alguns de quando eu ainda era criança. Eu me peguei sorrindo quando vi de Bella, de quando ela tinha quatorze anos. Guardei alguns, outros coloquei em uma pasta para levar comigo para Seattle.

Novamente, foi um pouco difícil dormir, dessa vez devido à ansiedade, já que eu encontraria com os meus pais no dia seguinte.

Tornei a acordar cedo, mas não desci, com medo de eles já estarem lá em baixo. Enrolei o máximo que eu podia, até Kaure vir bater à minha porta.

– Seus pais acabaram de chegar — ela informou. — E eles trouxeram visitas.

Eu suspirei pesadamente.

– Colegas de trabalho? — indaguei, torcendo para que a resposta fosse não. Caso fosse sim… eu teria que esperar até que eles fossem embora para conversar com os meus pais.

Ela sorriu.

– Acho que você vai gostar dessas visitas… — respondeu. — Por que não desce? Estão todos esperando por você para tomarem café da manhã.

Eu abri a boca para perguntar, novamente, quem havia chegado junto de Carlisle e Esme, mas Kaure saiu antes que eu pudesse dizer algo. Revirando os olhos, eu me coloquei de pé e rapidamente cuidei da minha higiene matinal. Troquei-me, por fim, e desci, indo direto para a sala de jantar.

– Edward!

Eu senti alguém colidir em meu peito, antes que pudesse reconhecer a pessoa. Levou-me alguns segundos para perceber que a pessoa era pequena demais, assim como os cabelos, e um sorriso nasceu em meu rosto.

– Alice! — Eu retribuí ao abraço, beijando os cabelos da minha prima. — Quanto tempo!

Ela riu e se afastou, analisando-me rapidamente. Depois puxou-me para perto da mesa e apresentou-me a duas pessoas: Jasper, seu namorado, e Rosalie, a irmã dele.

– Seus pais não sabiam que você estava aqui — ela disse, puxando-me para uma cadeira, após as devidas apresentações. — Eu ia amanhã para Seattle para fazer uma visita… Mas Kaure nos contou que você chegou há dois dias…

Eu sorri.

– Sim, mas não devo ficar muito — eu disse. — Preciso voltar para Seattle.

Ela franziu a testa.

– Eu pensei que você passasse mais tempo aqui nas férias de verão… — respondeu. — Por que só dois dias?

Eu dei uma olhada rápida em Jasper e Rosalie, antes de fitar a minha prima.

– Não posso ficar muito tempo aqui — eu disse, não querendo que ela soubesse da minha filha antes que eu conversasse com os meus pais. — Preciso estar em Seattle.

Ela me fitou durante algum tempo, antes de assentir.

– Certo — murmurou. — Bem, tudo bem então… Quando você vai embora?

– Amanhã, eu acho — respondi. Agradeci mentalmente por ela não ter insistido. — Assim que eu conseguir conversar com os meus pais.

Alice continuou me fitando de forma curiosa, mas não teve a oportunidade de fazer mais nenhuma pergunta, porque Carlisle e Esme escolheram aquele momento para aparecer. Eles se sentaram, após me cumprimentarem, e começaram a conversar com a minha prima sobre a faculdade e os planos dela.

Eu ouvi com atenção, já que não costumava vê-la freqüentemente. Ela era sobrinha da minha mãe, filha da única irmã que Esme tinha — e que não era tão próxima da família assim. Ou isso, ou então era porque Esme realmente não tinha tempo para mais nada, graças a todas as viagens que ela e o meu pai faziam semanalmente.

– E você, querido? — Ela tirou-me dos meus devaneios, atraindo a atenção de todos na mesa para mim. — Como foi esse semestre na faculdade? Ansioso para o próximo.

Eu sorri, lembrando-me de que em breve começaria a fazer algo que eu realmente gostava.

– Oh, estou muito ansioso — disse. — Mal posso esperar pelo final de agosto.

Meus pais me fitaram de forma estranha, já que eu nunca havia demonstrado tanto entusiasmo com engenharia antes, mas não disseram nada, o que eu agradeci.

Eles começaram a conversar com Jasper e Rosalie, então, e eu aproveitei esses minutos de paz.

Em breve, muito em breve, eu contaria a eles que havia desistido do curso, que começaria outro e que não me dobraria às vontades deles mais. Eu os amava, e muito, mas não queria passar o resto da minha vida fazendo algo que eu não gostava só porque eles queriam. Eu não queria esse tipo de vida para mim, cheio de viagens, mal tendo tempo para a minha filha. Eu queria passar um tempo com ela, queria estar presente em seus aniversários...

Eu quase podia adivinhar o que eles diriam, no entanto. Palavras piores do que aquelas que eles haviam dito quando eu contei, meses atrás, que Bella estava grávida.

Voltei a minha atenção para a conversa, afastando tais pensamentos momentaneamente, não querendo que eles notassem que a minha mente estava longe dali. Quando todos terminaram de tomar café — e só então eu percebi que mal tinha tocado no meu -, eu pedi licença e caminhei até a varanda, precisando de um momento para mim, antes de ir conversar com meus pais.

– Edward?

Eu me virei e sorri um pouco ao ver Kaure ali.

– Seus pais estão querendo falar com você — ela disse. — Eles estão te esperando no escritório.

Eu suspirei.

– Deseje-me sorte — murmurei.

Ela riu.

– Vá logo — empurrou-me. — Lembre-se que você tem que voltar para Bella e Lily.

Eu sorri.

Segui para o escritório, então, meu coração batendo a todo vapor. Bati à porta e entrei assim que ouvi a voz da minha mãe. Ela e Carlisle estavam sentados, sérios.

– Eu recebi uma ligação do reitor da sua faculdade. — Carlisle me informou, seu tom frio, como sempre. Havia algo por trás, porém. Como se ele estivesse tentando controlar a raiva. — Ele me disse que você trancou a matrícula... Diga-me, Edward, que tipo de brincadeira é essa?

Eu suspirei pesadamente, me encostando na parede e cruzando os braços.

– Não é nenhuma brincadeira, pai — eu respondi. — Tranquei a minha matrícula, sim, e não pretendo voltar. Já até mesmo me matriculei em outra faculdade.

Ele fechou os olhos por um momento e respirou fundo.

– Em outra faculdade? — indagou. — Posso saber em qual curso?

Eu sorri um pouco.

– Em design gráfico — respondi. — Na mesma universidade em que me inscrevi há pouco mais de dois anos. Começo no final de agosto.

Novamente, Carlisle fechou os olhos. Ele parecia estar ficando um pouco vermelho, algo que eu não me lembrava de já ter visto.

– Design gráfico... — Ele pareceu estar lutando contra as palavras. — E eu posso saber quem vai arcar com essa palhaçada?

Foi a minha vez de respirar fundo, tentando me controlar antes que eu dissesse alguma besteira.

– Eu mesmo — respondi. — Algum problema?

Ele revirou os olhos. Eu rapidamente olhei para Esme, querendo ver a reação dela, mas ela parecia... calma e calada demais.

– E você acha que eu vou te dar dinheiro para isso? — ele sibilou. — Eu não fiz isso há dois anos, por que faria agora?

Tornei a sorrir.

– Porque eu tenho 21 anos — respondi. — E tenho acesso ao meu fundo de garantia. Vocês não podem fazer nada em relação a isso.

Ele arregalou os olhos, quase como se não tivesse pensado nisso.

– Edward, querido... — Esme começou. — E a empresa? Você não pode querer brincar de desenhar para sempre, filho. Seu pai e eu trabalhamos duro para que, um dia, você possa assumir o lugar que é seu por direito, algo que você sempre quis e...

– Na verdade, mãe, eu nunca quis — interrompi-a. — Vocês dois sempre quiseram, mas nunca perguntaram o que eu queria. Deixe-me contar a vocês, então: não quero cuidar de uma empresa, não quero passar a minha vida toda viajando. Sinto muito, mas não posso fazer isso.

Eles me fitavam, sérios, não parecendo acreditar que eu estava dizendo aquilo. Nós já tínhamos brigado antes, é claro, mas eu nunca tinha ido tão contra às ideias deles como estava fazendo naquele momento.

– Não quero perder a vida da minha filha, os aniversários dela, ou os Natais... — continuei. — Mas vocês não se importam com isso, não é mesmo? Aposto que passaram toda a gravidez de Bella esperando que algo desse errado. Mas não deu. A minha filha é linda e saudável. Não que isso faça diferença para vocês, é claro.

Esme se colocou de pé e caminhou em minha direção.

– É claro que nos importamos, Edward, mas...

– Não, mãe, por favor — eu disse. — Eu fiz questão de vir aqui e falar com vocês sobre a minha decisão, mas é só isso. Nada vai mudar a minha opinião. Agora, amanhã estarei voltando para Seattle. Bella e a minha filha precisam de mim, e eu quero estar por perto tanto quanto eu puder. Já cometi muitos erros e não quero que ela se sinta da mesma maneira que eu me sinto agora, daqui alguns anos, quando olhar para mim.

Incapaz de ficar ali por mais um minuto que fosse, eu saí do escritório e subi as escadas. Eu não conseguia acreditar que eu tinha dito tudo aquilo. Doía, sim, mas ao mesmo tempo... a sensação de alívio era tão grande...

Tranquei-me em meu quarto, não querendo enfrentar a ira deles naquele momento. Talvez eles tentassem me convencer de que eu estava enganado, que eu iria me arrepender. Na verdade, eu tinha quase certeza disso. E não queria escutá-los dizer que eu estava desistindo do meu sonho, quando ele nunca tinha sido meu.

E finalmente, mesmo tendo se passado 21 anos, eu tinha criado coragem para falar.

Arrumei a pequena mochila que eu havia trazido, querendo deixar tudo pronto para partir no dia seguinte bem cedo.

Terminei de arrumar as duas caixas com as coisas que eu havia separado, inclusive um ursinho de pelúcia verde, já meio velho, que Kaure havia me dado quando eu tinha uns três ou quatro anos. Eu queria que a minha Lily tivesse aquilo.

Senti um sorriso nascer em meu rosto ao pensar nela, já morrendo de saudades e louco para vê-la. Saquei o meu celular, um suspiro escapando dos meus lábios quando eu vi a foto que havia tirado algumas horas depois do nascimento dela, de Bella com ela no colo.

O sorriso de Bella era... palavras não podiam descrevê-lo. Ela parecia exausta, mas estava tão linda... E ali, com a nossa pequena nos braços...

Eu tinha certeza que guardaria essa foto para sempre. Havia muitas minhas com Lily também, é claro, mas essa era a minha favorita de todas. Minhas garotas...

Querendo saber notícias das duas, eu disquei o número do celular de Bella, ansioso para ouvir a voz dela, ansioso para saber como elas estavam.

– Hmmm... Sim? — Bella atendeu ao terceiro toque. — Edward?

Parecia que ela havia acabado de acordar.

– Oi... — respondi, sorrindo um pouco, embora ela não pudesse me ver. — Desculpe, eu te acordei? Porque eu só queria saber como você está, como a Lily está.

Bella ficou calada durante alguns segundos.

– Está tudo bem – respondeu. — Eu acabei de colocá-la para dormir, na verdade.

Eu sorri, pensando em minha pequena.

– Certo — murmurei. — E você? Tem conseguido dormir direito?

– Leah tem me ajudado muito, então acho que sim– disse. Ela parecia tão séria e tão… distante, como se não quisesse falar dela. — Eu acordo, no entanto, sempre que a Lily começa a chorar. Ela acorda de três em três horas, querendo mamar.

Eu suspirei, desejando, mais do que tudo, que eu pudesse estar ao lado de Bella, ajudando-a durante à noite. Eu só podia imaginar quão difícil devia ser seguir o relógio biológico de uma recém nascida.

Mas eu sabia que não tinha o direito de reclamar. Era culpa minha o fato de eu estar aqui, conversando com os meus pais — algo que eu já devia ter feito há muito tempo — e não ao lado delas quando elas precisavam tanto de mim.

– Eu estou voltando amanhã de manhã para Seattle, ok? — avisei. — E-eu… eu posso ir para aí assim que eu chegar? Eu… eu estou com saudades…

Bella tornou a ficar calada, e eu me perguntei o que estava passando pela cabeça dela.

– Você não precisar pedir permissão para vir ver a sua filha, Edward – ela disse. — Você pode vir quanto você quiser, sempre que sentir falta dela.

Mas eu sinto a sua falta também, baby, pensei.

– Ok — engoli em seco. — Eu estarei aí na hora do almoço, ok? Posso levar algo? Assim você não precisa se preocupar com comida…

Pela terceira vez, Bella ficou calada.

– Isso seria muito gentil, Edward– ela respondeu, por fim. — Chinês?

Eu sorri. Algumas coisas não mudavam.

– Perfeito — respondi. — Eu te vejo amanhã… Dê um beijo na nossa filha por mim, ok?

– Eu farei isso– ela murmurou. — Até amanhã, Edward.

Eu desliguei, então, desejando que eu não tivesse falado que voltaria amanhã, mas sim hoje. Respirei fundo, sabendo que eu podia esperar até o dia seguinte. Terminei de ajeitar tudo o que eu tinha para levar e desci com as duas caixas, colocando-as no carro.

– Edward?

Eu me virei e sorri quando vi Kaure ali, secando as mãos em um pano. Ela deu uma olhada rápida para trás, provavelmente para verificar se os meus pais estavam à vista, e caminhou até a mim, parecendo preocupada.

– A conversa não foi muito bem, não é?

Eu encolhi os ombros.

– Não imaginei que seria — comentei. — Mas eu disse tudo o que eu tenho a dizer. Amanhã voltarei para Seattle. Bella precisa de mim.

Ela sorriu.

– Eles vão mudar de opinião, você vai ver — comentou. — Vai dar tudo certo.

Eu a envolvi em meus braços e depositei um beijo em sua testa.

– Eu espero que sim — disse. — Eu realmente espero que sim, Kaure.

Depois de deixar praticamente tudo pronto para partir na manhã seguinte, eu passei o resto do dia no meu quarto, desenhando. Tomei um banho e comi meu lanche ali mesmo, não querendo enfrentar os meus pais. Eu sabia que Alice deveria estar se perguntando onde eu estava e por que eu não tinha ficado lá embaixo durante o dia e sabia que ela logo viria aqui para conversar comigo.

Dito e feito, a minha prima apareceu pouco antes do jantar, um olhar preocupado no rosto.

– A gente pode conversar? — ela indagou, quando eu abri a porta.

Eu sorri.

– Claro — respondi. — Por que você não entra?

Sentei-me na minha cadeira e cruzei os braços, observando-a dando uma olhada no quarto, antes de se sentar na cama, voltada para mim. Ela suspirou, parecendo estar organizando os seus pensamentos, e sorriu um pouco.

– O que está acontecendo, Edward? — ela indagou. — Seus pais estão meio… estranhos… E você não desceu o dia todo.

Eu respirei fundo.

– Eu… eu tenho uma filha, Alice — soltei. A minha prima arregalou os olhos. — Bella acabou de dar à luz a uma menina, Lily. Meus pais… bem, eles não queriam que ela prosseguisse com essa gravidez.

Ela abriu a boca e fechou diversas vezes, como se não soubesse o que dizer. Eu ri.

– Está tudo bem, é sério — continuei. — Fiz algumas merdas durante esses meses, coisas que eu sei que vou me arrepender pelo resto da minha vida, mas, embora assustado, estou animado. Mal vejo a hora de voltar para Seattle e ver a minha filha. Ela é tão linda, Allie… Você tem que ver.

Ansioso para mostrá-la , eu peguei o meu celular e, depois de desbloqueá-lo e abrir o álbum, entreguei-o para ela. Alice abriu algumas fotos e, após algum tempo, sorriu.

– Ela é linda, Edward — disse. — Meu Deus, não consigo acreditar que você é pai!

Nós começamos a conversar, então, eu contando a ela algumas coisas, mas deixando outras de fora. Não queria que ela soubesse o que eu havia feito com Bella, envergonhado demais para isso. Não sei quanto tempo fiquei ali, conversando com ela sobre tudo, até Kaure vir avisar que o jantar estava pronto e todos estavam à mesa, esperando por nós.

Inicialmente, eu não quis descer, ainda não querendo encarar Esme e Carlisle, mas decidi ficar um pouco. Foi estranho estar ali, fazendo de tudo para ignorar os meus pais, mas eu fiquei até o final. Depois, pedi desculpas aos nossos convidados, e expliquei que viajaria na manhã seguinte e, por isso, tinha que ir me deitar um pouco mais cedo. Despedi-me deles de uma vez, sabendo que todos estariam dormindo quando eu partisse no dia seguinte.

– Eu vou dar uma passada em Seattle antes de voltar para casa. — Alice me informou, quando a abracei. — Quero conversar um pouco com Bella. E estou louca para conhecer a sua bebê.

Eu ri e assenti, antes de acenar e ir para o meu quarto.

Ansioso pela manhã seguinte, eu não consegui dormir muito bem e estava de pé antes mesmo do celular despertar. Arrumei-me e joguei as minhas roupas na minha mochila, antes de descer para a cozinha.

Kaure estava ali, fritando dois ovos.

– Bom dia. — Eu beijei o topo da sua cabeça. — Você não precisava fazer isso, Kaure.

Ela sorriu.

– Eu só quero que você se alimente bem antes de ir embora — disse. — Por que você não se senta, Edward?

Nós conversamos um pouco, mas eu não fiquei muito tempo ali. Ela comentou que ligaria em breve para avisar quando iria passar um tempo comigo, e, depois do café, eu a abracei mais uma vez e me despedi, correndo para fora de casa antes que os meus pais acordassem.

Entrei no meu carro e dei partida, um sorriso nascendo em meu rosto quando comecei a dirigir em direção à saída de Forks.

Era hora de voltar para as minhas garotas.

Notas finais
N/A: Carlisle e Esme ridículos como sempre, novos personagens... Edward completamente apaixonado pela filha. E a Renee? Vamos ver no que vai dar tudo isso tudo. Kaure e Leah personagens que todos amam hahaha. E agora Edward voltará para Seattle. Vamos ver tudo o que acontece agora. Consegui terminar o próximo capítulo quinta e ele está com a beta. Não prometo postar semana que vem porque não sei quando vou conseguir escrever mais dela. Quero me dedicar ao próximo capítulo da Daylight, já que ando demorando muito para conclui-los. Mas estarei de volta em quinze dias, ok? Espero que tenham gostado! xx N/B: Agora Edward está voltando para casa. Voltando para as mulheres dele. Só que ele vai ter que ralar um bocadinho para ter o coração de uma certa morena, de volta. Não é Deh? Bjs, Lu.