Unwritten

16 Capítulo Dez


Notas iniciais
Mil desculpas, gente! Explico o motivo da demora na N/A, ok? Espero que não tenham abandonado a fanfic e espero que gostem do capítulo!

Anteriormente:

E nem tive a chance também. Lily acordou não muito depois, exigindo atenção. Edward a buscou e se sentou no sofá enquanto eu amamentava, nunca tirando os olhos de nós duas.

Foi bom tê-lo conosco. Foi reconfortante.

Foi familiar.

E eu realmente esperava que isso não mudasse.

–x-

Bella POV.

Os dias foram se passando rapidamente após a conversa que Edward e eu tivemos. Aos poucos, ele, Lily e eu fomos criando uma nova rotina. Embora eu ainda às vezes tivesse medo de que ele fosse mudar de ideia de repente e fosse nos deixar sozinhas — quebrando não só o meu coração no processo, mas o da nossa filha também -, eu não podia negar que me sentia muito mais relaxada ao redor dele agora. Ao invés de focarmos nossas atenções apenas para a nossa bebê, quebrando o silêncio apenas para fazermos perguntas a respeito dela — e todas geralmente muito rápidas -, nós agora éramos capazes de conversar. Nós voltamos a falar sobre o período que passamos longe um do outro, sobre a viagem dele a Forks…

Ainda era estranho conversar com ele sobre aquele assunto e, eu não podia mentir, ainda doía. Mas era extremamente bom conversar com ele novamente, como nos velhos tempos.

Nesse meio tempo, nós recebemos a visita de Alice, junto do seu namorado, Jasper, e a irmã dele, Rosalie. Eles não ficaram muito, já que haviam adiado a volta para casa mais do que deveriam, mas foi bom ter rostos novos.

E todos eles amaram Lily, é claro.

Infelizmente, o tempo passou rápido demais e logo estava quase na hora de retornarmos às aulas. Eu sentia falta da faculdade, de certa forma, e de ter o que estudar. Só que eu não queria deixar a minha filha sozinha… e não tinha ideia de como faria para cuidar dela e estudar ao mesmo tempo.

Edward e eu a levamos para uma visita ao pediatra pouco depois de ela completar um mês de idade, apenas para verificarmos como ela estava. Ela havia crescido tanto desde o dia de seu nascimento. Havia se passado apenas um mês, é claro, mas eu não conseguia deixar de me sentir dividida. Eu mal via a hora de vê-la crescer e aprender a andar, a falar… mas ao mesmo tempo não queria que ela crescesse.

A cada dia que passava ela se tornava mais parecida com o pai. Seus cabelos ainda eram pequenos, mas nem um pouco ralos. E a cor deles não havia mudado — eram exatamente como os de Edward quando ele era um bebê.

– Eu acho que deveríamos começar a pensar no que faremos com ela quando as aulas recomeçarem — eu disse em uma tarde, após amamentá-la. Edward a tinha contra o peito, a mão repousada nas costas, esperando que ela arrotasse. — Faltam apenas duas semanas e meia… Não quero deixar para resolver em cima da hora.

Ele fitou a nossa filha durante um tempo, antes de me responder.

– Eu sei — murmurou de volta. — Eu posso perguntar para a Kaure, ver se ela conhece alguém… Ela tinha dito que viria visitar um dia desses… Talvez ela dê uma ideia.

Eu assenti, um pequeno sorriso no rosto ao lembrar de Kaure. Eu sentia falta dela.

– Eu vou olhar com Seth também — comentei. — Talvez ele, a mãe ou Claire conheçam alguém.

Nós conversamos mais um pouco sobre isso, antes de Edward se levantar e levar Lily para trocar a fralda. Enquanto ele cuidava dela, levantei-me e comecei a separar as roupas dela das minhas para colocar para lavar. Eu estava terminando de colocar as roupas da minha filha na máquina quando Edward voltou, apoiando-se na porta da pequena área do apartamento.

– Ela dormiu — ele disse, sorrindo. — Precisa de ajuda aí?

Eu balancei a cabeça de forma negativa, enquanto ajeitava o restante das roupas.

– Não precisa — sorri. — É bem rápido. Só tenho que esperar essas roupas terminarem de lavar e colocar as próximas. Não tem muito mistério.

Ele sorriu.

Terminei de ajeitar tudo na área e segui para a cozinha, onde comecei a preparar um lanche para nós dois. Edward logo estava ao meu lado, pegando as coisas antes mesmo que eu pensasse em precisar delas e me ajudando a preparar tudo. Nós comemos em meio a risadas, lembrando de coisas de nossa infância.

Mas logo o assunto ficou sério demais.

Edward de repente ficou sério, me olhando atentamente. Eu engoli em seco, sem entender a mudança brusca de humor dele, até que ele esticou a mão e pegou a minha, acariciando-a suavemente.

– E-edward? — murmurei. — Algum problema?

Ele sorriu um pouco, mas o sorriso não alcançou seus olhos.

– Eu sei que a gente já conversou sobre tudo — ele começou -, mas eu realmente queria que você soubesse quão orgulhoso estou de você, Bella…

Eu senti minhas bochechas esquentarem.

– Você sentindo orgulho de mim? — indaguei. — Por quê?

Ele encolheu os ombros.

– Por você não ter desistido da nossa filha, por ter enfrentado os seus e a mim por ela — ele murmurou. — Por tudo o que você faz… Você faz tudo aqui sozinha e ainda cuida dela… Eu sei que não é fácil… Sei que não ajudo muito, mas eu…

Eu apertei a sua mão de volta, cortando-o.

– Eu sei — disse. — Mas realmente não há muito o que você possa fazer. Eu preciso amamentá-la, não é? E é realmente bom tê-lo aqui durante o dia…

Ele assentiu e me deu um meio sorriso, mas não disse mais nada. Apesar disso, eu sentia que ele queria dizer mais alguma coisa. Como eu não queria forçar, resolvi encerrar o assunto, torcendo para que ele viesse falar comigo quando estivesse pronto.

O medo apareceu naquele instante, mas eu resolvi ignorá-lo, embora as perguntas estivessem martelando em minha mente. E se ele decidisse que era demais e nos deixasse sozinhas novamente? Deus, o que eu faria?

Ele permaneceu mais quieto no resto da noite, saindo mais tarde do que o costume. Quando eu o acompanhei até a porta, após ele trocar a fralda da nossa filha e tornar a colocá-la para dormir, ele se virou e me puxou para um abraço, depositando um beijo demorado no topo da minha cabeça antes de sair.

Não consegui vencer o medo durante a noite, por mais que eu tentasse. Edward havia me machucado, e muito, e feito com que eu perdesse a confiança que eu tinha nele, mas eu, por mais que tivesse tentado me livrar desse sentimento, ainda o amava — e muito.

Eu só não queria ser machucada novamente.

Quando o dia amanheceu e Lily acordou para a sua primeira alimentação do dia, eu já estava acordada. Sabendo que não conseguiria dormir mais, aproveitei para dar uma limpada na casa e guardar as roupas que eu havia levado no dia anterior. Liguei para a minha irmã e para o meu irmão — embora ainda fosse estranho chamá-lo assim — e conversei com eles durante um tempo. Quando Edward chegou, pouco depois das nove da manhã, Lily estava acabando de acordar, seu pequeno punho na boca, os olhos — ainda sem cor definida — não parando quietos em uma direção.

Como ela estava chorando um pouco, peguei-a no colo e a levei para abrir a porta. Edward abriu um sorriso enorme assim que nos viu.

– Bom dia — eu sorri para ele, já estendendo nossa bebê. — Ela acabou de acordar…

Edward me pegou de surpresa, puxando-me para um abraço com Lily ainda no meu colo. Eu o abracei de volta, ainda meio surpresa. Quando nos separamos, ele pegou Lily, beijando o rosto dela suavemente e desejando bom dia contra a bochecha dela.

Tal cena me fez sorrir.

Ele parecia mais animado hoje, embora às vezes eu o pegava encarando a mim ou a Lily de forma séria. Várias vezes ele abria a boca, como se quisesse me perguntar algo, mas acabava a fechando logo em seguida.

– Então… — ele começou, quando chegou a hora do banho de Lily. Ele mantinha a mão esquerda a segurando de forma firme, enquanto a direita a molhava. — Eu conversei com Kaure ontem… ela me deu o nome de uma amiga dela que mora aqui e que costuma cuidar de bebês…

Lily soltou um grito e sacudiu as pernas, molhando Edward no processo. Nós dois soltamos uma risada.

– Ela me passou o número — ele continuou. — Talvez a gente possa ligar para ela hoje e marcamos uma reunião, se você quiser…

Eu assenti, sorrindo.

– Podemos fazer isso assim que Lily tirar um cochilo — eu respondi. Soltei um suspiro, então, olhando para a nossa filha. — Para ser sincera, eu preferia ficar aqui com ela… mas como a gente tem que voltar para a faculdade…

Edward tornou a me olhar de um modo estranho, antes de assentir.

– Está tudo bem? — eu indaguei. — Você parece que quer dizer algo…

Ele engoliu em seco.

– Não é nada — ele forçou um sorriso. — Só não quero que as aulas voltem… Por mais que eu esteja animado com o curso, não quero ter que deixá-la, não agora…

Eu abri a boca para dizer algo, mas não consegui pensar em algo inteligente o suficiente para dizer, então só permaneci calada. Observei-o terminando o banho de Lily e a envolvi na toalha, já à espera, quando ele a ergueu para mim. Ela reclamou um pouco quando a tiramos da água, como vinha acontecendo com mais frequência agora, mas logo estava bocejando e fechando os olhos. O banho morno tendia a deixá-la sonolenta.

Depois de colocá-la no berço e conferir se o monitor estava ligado, eu e Edward fomos para a sala, onde pegamos o telefone e ligamos para a Sarah, amiga de Kaure. Nós conversamos com ela durante um tempo. Ela infelizmente só poderia nos ajudar durante alguns meses — três, no máximo — já que logo iria se mudar para ajudar a filha e o genro com o bebê. Como precisávamos de alguém e não conhecíamos outra pessoa, decidimos aceitar a ajuda dela por enquanto.

Ela apareceu no meu apartamento no dia seguinte e nós fizemos um entrevista com ela. Sarah ficaria no meu apartamento durante o tempo que eu estivesse na faculdade, no máximo oito horas por dia. Edward se propôs a pagar pelo tempo dela, dizendo que eu já fazia muito por nossa filha e que ele acabava não tendo muitos gastos. Eu lutei um pouco, mas acabei cedendo quando percebi o quão importante aquilo era para ele. Quando passamos por esse ponto, eu me voltei para Sarah e conversei sobre a amamentação, exatamente como eu tinha feito com o pediatra dela na última visita.

– Não é problema algum — ela disse, sorrindo para mim de forma gentil. — Vários bebês sabem conciliar a mamadeira com o peito, se você estiver com medo de perder esse contato com a sua filha logo cedo. Você pode tirar leite o suficiente para durar durante o período que ficarei com ela, tenho certeza. E pode amamentá-la antes de ir para a faculdade, se isso for mantê-la mais tranquila. Acredite em mim, muitas mães já passaram por essa situação.

Eu me senti um pouco melhor depois dessa conversa. Nós marcamos para Sarah começar a trabalhar uma semana antes das aulas começarem, dessa forma Lily se acostumaria com ela e não estranharia tanto a presença de alguém que não fosse a mãe — não que isso tivesse acontecido nas vezes que ela havia recebido a visita dos tios, mas eu preferia não arriscar.

O problema com a babá tendo sido resolvido, eu comecei a aprender a tirar leite e a ensinar Lily a aceitar a mamadeira. Com medo de ela acabar negando o meu peito depois, comecei a dar mamadeira apenas uma vez por dia, geralmente quando Edward estava por perto. Eu não podia negar que amava o sorriso que tomava conta do rosto dele quando ele a alimentava.

Sarah apareceu exatamente uma semana antes das aulas retornarem, ficando comigo das oito às duas, como período inicial. Foi estranho tê-la por perto nos primeiros dias, principalmente porque Edward fazia questão de estar sempre lá, mas foi bom, de certa forma. Edward aproveitou e me levou para almoçar um dia, alegando que estava um dia lindo e que fazia um tempo que eu não tinha um momento só meu.

Eu não consegui classificar aquela saída nossa como um encontro, mais por medo do que por qualquer outra coisa. Ele parecia querer estar envolvido em nossas vidas de alguma forma, mas nós nunca tínhamos discutido se seríamos um casal novamente algum dia ou não — e eu também não sabia se conseguia confiar nele o suficiente para dar outra chance. Entretanto, não podia negar que foi bom sair com ele. Sinceramente, eu não conseguia me lembrar exatamente quando tinha sido a última vez que tínhamos saído juntos.

Nós não ficamos longe muito tempo, apenas cerca de uma ou duas horas. Era estranho sair e me focar em outras coisas quando eu tinha uma bebê me esperando em casa. Mas quando nós chegamos, encontramos uma Lily, muito calma, dormindo em seu berço, enquanto Sarah lia algo na cadeira de balanço próxima da minha cama.

Quando o último dia de férias chegou, eu mal consegui dormir. Sarah não veio naquele dia, dando espaço para que Edward e eu ficássemos com a nossa filha. Eu sabia que dali para a frente minha vida seria uma loucura e me perguntei, por um momento, se eu seria mesmo capaz de ficar longe da minha filha por horas e se eu conseguiria me focar na faculdade — e se eu conseguiria lidar com a faculdade e cuidar dela ao mesmo tempo.

Edward e eu ficamos grudados com Lily naquele dia e à noite, quando chegou a hora dele ir embora, parecia que ele não queria ir. Ele a segurou durante mais tempo que o necessário e beijou a testa dela de forma demorada, antes de sair.

– Eu venho vê-las assim que as minhas aulas acabarem, ok? — ele me informou, parado na porta. — Eu não sei como amanhã vai ser, já que é o primeiro dia, em uma faculdade nova, em um novo curso, mas… por favor, me mantenha informado?

Eu prometi e pela primeira vez desde que tínhamos voltado a, de fato, conversar, tomei a iniciativa e lhe dei um abraço. Eu corei um pouco, mas valeu totalmente à pena quando vi o sorriso no rosto dele.

Dormir foi um pouco difícil naquela noite, mas eu eventualmente consegui. Acordei com o som do despertador pela primeira vez em semanas. Arrumei-me para a faculdade e tomei um café, antes de acordar Lily e amamentá-la. Eu estava terminando quando Sarah chegou e praticamente me expulsou do apartamento, dizendo que tudo ficaria bem e que ela ligaria se fosse necessário.

Voltar para a faculdade foi… estranho. Foi bom, de certa forma, mas não algo que eu totalmente esperava. Eu acabei ligando para Sarah entre todas as aulas, apenas para checar Lily. E pelo o que ela me disse, Edward havia ligado também. Tal coisa me fez sorrir.

Eu praticamente corri para casa assim que as aulas acabaram, agradecendo pelo fato de meu apartamento ser perto. Lily tinha acabado de tomar a mamadeira assim que eu cheguei e estava quase dormindo. Com cuidado, eu a peguei do colo de Sarah e a abracei, fechando os olhos e aspirando seu cheiro bom de bebê. Beijei seus cabelos iguais aos do pai e a mantive perto de mim. Era a primeira vez que eu tinha ficado tão longe dela e eu não tinha gostado nem um pouco da sensação.

Infelizmente, era algo que eu tinha que me acostumar.

Edward chegou não muito tempo depois e foi a vez dele a pegar no colo e ficar um bom tempo com ela. Nós nos despedimos de Sarah, agradecendo-a por tudo, e depois ficamos por conta de Lily. Perguntei-me, quando fomos dar o banho dela, como eu faria aquilo todos os dias.

Mas eu sabia que não tinha jeito, sabia que tinha que ser dessa maneira.

O tempo começou a passar mais rápido e logo Lily estava com dois meses e meio. O meu aniversário aconteceu não muito depois, mas eu fiz Edward prometer que nós não faríamos nada demais. Então foi apenas um jantar com a família — incluindo Leah e Sam que aproveitaram para visitar a sobrinha — e nada mais. Quanto ao presente, Edward disse que estava planejando e que demoraria um pouco mais do que ele esperava para eu poder recebê-lo, mas logo eu ficaria sabendo. No final de setembro, a faculdade começou a ficar mais apertada e o sono da minha filha começou a piorar. Ela começou a ter cólicas horríveis, que faziam com que ela chorasse por horas antes de se render ao sono. Mesmo com Sarah chegando um pouco mais cedo — para que assim eu pudesse tentar dormir um pouco mais — eu estava dormindo muito mal e cheia de trabalhos e provas da faculdade.

E quando eu pensei que não podia piorar, recebi a notícia de que Sarah teria que nos deixar em breve. A filha dela teve um problema na gestação e teria que passar o restante dela na cama.

E isso fez com que eu chorasse uma noite toda, porque eu não tinha ideia do que iria fazer.

Edward também estava ocupado com a faculdade, então eu não conseguia ficar pedindo muitas coisas para ele, não querendo atrapalhá-lo. No fundo, eu também estava com medo de que ele começasse a agir da mesma maneira de quando eu estava grávida, começando a fugir e ir para festas e tudo o mais. Por isso, quando ele estava comigo no apartamento, logo após Sarah ir embora, eu omitia as cólicas que Lily vinha tendo à noite. E quando começamos a ver o que faríamos sobre a situação de Sarah, eu apenas o informei que Claire e Seth ajudariam.

Mas não era bem assim. Eles poderiam ficar só durante um tempo, até eu achar alguém. Mas por mais que eu procurasse, não conseguia achar ninguém em quem eu confiasse.

Em meio a provas, trabalhos, as crises de cólica de Lily e as noites mal dormidas, eu sentia que estava me transformando em um zumbi. Claire me ajudava no que ela podia, mas eu não conseguia pedir muito a ela, já que ela tinha a casa dela, o filho e o marido para cuidar. Harry era um amor e era bom tê-lo por perto também.

Deus, mas eu estava tão cansada. E eu sinceramente não via a hora das férias chegarem.

No final de outubro, eu já tinha chegado ao meu limite quando Lily começou a chorar sem parar quando o relógio marcou sete da noite. Edward havia acabado de ir embora para terminar um trabalho da faculdade e eu estava cheia de coisas para fazer.

Mas toda vez que eu colocava a minha filha no berço, ela começava a chorar. Eu tentei seguir as instruções do pediatra, tentei fazer massagem na barriga de Lily, mas nada adiantava. Quando ela acalmou um pouco e dormiu, eu finalmente pensei que poderia estudar e terminar um trabalho que eu tinha que entregar naquela semana. Entretanto, tais planos foram arruinados quando, nem quarenta minutos depois, minha filha começou a chorar novamente.

E não parou.

Quando o relógio marcou uma da manhã, eu pensei que a minha cabeça iria explodir. Em um momento de desespero, peguei o celular e liguei para Leah, na esperança de que ela me dissesse o que fazer — já que o pediatra de Lily estava em uma conferência e só voltaria na semana que vem.

Eu só não estava pronta para receber uma bronca da minha irmã.

– Eu espero que você tenha ligado para Edward. — Ela disse quando contei que as crises de Lily continuavam e que eu não tinha ideia do que fazer. Quando eu fiquei em silêncio, Leah já sabia que Edward não estava ciente que as crises de cólica da nossa filha estavam tão ruins. — Bell! Ele está se esforçando tanto… ele tem o direito de saber que isso está acontecendo e tem que ajudar… Como você espera que ele prove que mudou e que está nessa com você 100% se você não permite que ele ajude?

Ela falou mais algumas coisas, antes de desligar. Eu encarei o telefone durante um pouco, Lily ainda chorando em meus braços, sem saber o que fazer. Eu sabia que Edward viria para cá se eu ligasse para ele, mas… eu tinha tanto medo… Eu não queria depender dele dessa forma, eu não queria descobrir que ele estava em uma festa. Eu não queria que ele achasse que tudo estava muito difícil e nos deixasse.

Era irracional, eu sabia disso, mas… eu sentia tanto medo.

– Por favor, filha… — Eu a balancei gentilmente, sentindo que minha cabeça ia explodir a qualquer momento. — Por favor… shhhh…

Continuei a tentar acalmá-la durante os próximos vinte minutos, prometendo a mim mesma que contaria a Edward o que estava acontecendo mais tarde naquele dia. Eu senti meus olhos enchendo de lágrimas quando olhei para a pilha de papéis da faculdade à minha espera em cima da mesa, sabendo que nunca conseguiria terminar todos a tempo. Não se Lily continuasse assim.

Eu estava tão envolvida no choro da minha filha e na dor de cabeça que estava se tornando insuportável a cada minuto que passava, que me surpreendi quando ouvi uma batida à porta. Achando que era algum vizinho querendo reclamar do choro da minha filha, respirei fundo e caminhei até a porta. Olhei o olho-mágico, meus olhos arregalando quando eu vi Edward parado ali, seus cabelos mais bagunçados do que o normal.

– Bella! — Ele soltou um suspiro quando me viu, puxando-me para os seus braços assim que abri a porta. Lily estava resmungando baixinho, cansada demais para chorar. — Leah me ligou, me contou o que estava acontecendo… Bella! Por que você não me disse?

Eu apenas balancei a cabeça e funguei, incapaz de dizer algo nesse momento.

– Venha, vamos. — Ele me empurrou para dentro do apartamento de forma gentil e fechou a porta. — Eu vou cuidar de vocês, ok?

Eu assenti, incapaz de dizer algo. Vi-o andando pelo apartamento, Lily ainda nos meus braços, sem entender muito bem o que ele estava fazendo até ele chegar com uma bolsa que eu conhecia muito bem.

– O q-que… — comecei. — Nós vamos sair?

Ele assentiu, colocando a alça da bolsa no ombro e pegando uma Lily dos meus braços.

– Você precisa dormir — ele disse. — Nós vamos para o meu apartamento e você vai dormir, enquanto eu cuido de Lily. Aqui isso vai ser impossível, já que o berço dela fica no seu quarto… Por que você não pega as coisas da faculdade que precisa para amanhã enquanto eu tento acalmá-la?

Em piloto automático, eu fiz o que ele disse, jogando as folhas em uma pasta antes de me arrastar até a porta. Em um momento de devaneio, pensei onde Lily iria dormir. Edward disse que aqui o berço dela ficava no meu quarto… Ela tinha um berço no apartamento dele?

– Mas… onde ela vai dormir no seu apartamento? — eu consegui soltar. — Não tem lugar…

Ele sorriu suavemente, caminhando para fora do apartamento.

– Confie em mim — foi tudo o que ele disse. — Ela tem lugar.

Eu meio que adormeci no caminho para o apartamento dele, cansada demais para manter os olhos abertos. Acordei sentindo alguém me tirando do colo, mas não consegui abrir os olhos muito bem.

– E-eu… Lily… — consegui murmurar.

Senti Edward sorrir contra o meu rosto.

– Já levei Lily para cima — ele murmurou. — Durma, amor. Amanhã você vai se sentir melhor.

Eu tentei dizer mais alguma coisa, tentei perguntar onde Lily dormiria, mas o cansaço e o sono venceram e, antes que eu me desse conta, eu já estava dormindo.

_

Eu não sei dizer quanto tempo dormi. Quando eu acordei o dia já estava claro. Eu sentei na cama, me sentindo meio confusa, e esfreguei as mãos no rosto, demorando um pouco para me lembrar o que tinha acontecido. Eu olhei ao redor do quarto, meu coração acelerando quando percebi que me encontrava no quarto que eu dividi com Edward durante alguns meses. Engolindo em seco, levantei-me e, após usar rapidamente e banheiro e me certificar que eu estava parecendo gente novamente, saí do quarto, me perguntando onde Lily poderia estar.

Encontrei Edward na cozinha, servindo o café da manhã, o que fez com que meu coração acelerasse. Ele sorriu quando me viu.

– Bom dia — cumprimentou-me. — Dormiu bem?

Ainda sem entender muito bem o que tinha acontecido, assenti.

– Lily, eu… — comecei. Balancei a cabeça, então, tentando clarear meus pensamentos. — Onde Lily está? Ela dormiu bem? E onde ela ficou, exatamente?

Edward sorriu.

– Ela lutou um pouco para dormir, confesso — ele disse, caminhando em minha direção. — Mas eu consegui falar com o pediatra dela e ele me falou o nome de um remédio que aliviaria a dor dela… Ela dormiu feito um anjo, então, e ainda não acordou. Quanto ao lugar que ela dormiu, venha… vou te mostrar o quarto que eu preparei para ela…

Eu apenas assenti, sem conseguir dizer nada. Edward havia preparado um quarto para ela? Mas… quando?

Ele me levou ao quarto que ficava ao lado daquele que costumávamos compartilhar. A porta estava encostada. Ele a empurrou e me puxou para dentro, fazendo que eu perdesse o fôlego. O quarto era… lindo.

As cortinas estavam fechadas, impedindo que eu visse muito, mas o pouco que a iluminação do corredor permitia que eu visse era o suficiente. As paredes pintadas, os desenhos de Pooh… Todos os detalhes… O berço e o restante dos móveis eram brancos, combinando perfeitamente com o quarto. Eu me aproximei do berço, um sorriso nascendo em meu rosto quando eu vi Lily deitada ali, parecendo profundamente adormecida.

– Edward… — eu sussurrei. — É lindo…

Ele pareceu um pouco envergonhado, mas sorriu, erguendo a mão e atrapalhando os seus cabelos um pouco mais.

– Obrigado — ele respondeu. — E-eu mesmo preparei tudo…

Ele parecia envergonhado em falar aquilo, quase como esperasse que eu colocasse algum defeito. Isso só fez com que meu coração acelerasse ainda mais. Ele não prepararia um quarto se estivesse pensando em fugir, certo?

– É perfeito — eu sorri para ele, pegando a mão dele a apertando. — Quando?

Ele respirou fundo, sorrindo um pouco, parecendo nervoso.

– Eu o terminei no dia que você entrou em trabalho de parto — respondeu. — Foi por isso que atrasei… Eu passei a madrugada terminando tudo e acabei apagando… Foi por isso…

– Que você chegou sujo de tinta — completei. — Edward, é lindo. Eu sabia que você era talentoso, mas… uau.

Ele tornou a sorrir.

– Será que a gente pode conversar um pouco? — ele perguntou. — Eu não quero acordar Lily…

Eu assenti, seguindo-o novamente para a cozinha. Nós nos sentamos, mas nenhum de nós encostou no café da manhã. Eu esperei que Edward dissesse algo, me perguntando se ele finalmente falaria o motivo de ficar tão sério às vezes durante esses meses.

– Eu fiquei acordado uma parte da noite e consegui meio que imaginar o que aconteceu — ele disse. — Eu sei que errei muito e que você ainda tem medo de que eu vá me afastar novamente, mas eu não vou, Bella. Eu sei que ainda não te dei tempo o suficiente, sei que você talvez nunca mais confie em mim, mas… Lily é nossa filha, Bella. Eu vou ajudar no que eu puder. Você devia ter me falado sobre as crises dela. Eu nunca te deixaria ficar acordada a noite toda, cuidando dela…

Eu assenti, me sentindo meio envergonhada.

– Eu venho pensando em algo nos últimos meses e eu quero que você me escute, ok? — ele indagou. Eu tornei a assentir, mas não disse nada, esperando que ele completasse os seus pensamentos. — Eu odeio isso, Bella. Odeio ter que me despedir de vocês todas as noites e odeio o fato de que eu posso perder algo durante as noites… Eu sei que a culpa é minha e que não deveria ter feito tanta merda ao ponto de você se mudar, mas…

Ele parou durante um momento, quase como se estivesse recuperando o fôlego.

– Eu quero estar presente — ele continuou. — Eu quero estar por perto durante o primeiro sorriso dela, para as mamadeiras da noite, para as crises de cólica que ela vai ter… Eu não quero perder mais nada… Eu sei que estraguei tudo, sei que a probabilidade de voltarmos a ser um casal é pequena, mas… por favor, Bella… e-eu quero que vocês se mudem para cá e…

Ele parou quando viu a minha expressão.

– Me escute primeiro, ok? — pediu. — Eu vou dormir na sala e você vai ficar no quarto. Você sabe que o sofá é grande e confortável o suficiente para me abrigar… Lily terá o quarto dela e, o mais importante, terá a nós dois… Eu só quero realmente ajudar, Bella… quero estar presente para tudo, então, por favor… Só pense, ok?

Eu pensei durante um tempo, sabendo que ele estava certo. Não era uma situação que eu amava, não era algo que eu tinha certeza que daria certo, mas… a gente podia tentar, não é? E eu ainda o amava — e muito. Talvez, um dia, a gente pudesse voltar a dividir o quarto novamente.

– Ok — eu respondi, antes que eu mudasse de ideia.

Ele sorriu.

– Certo — respondeu. — Me diga assim que você decidir, sem pressa, ok? Enquanto isso, nós podemos ficar…

– Não, Edward, você não entendeu — interrompi-o. — Eu vou me mudar. Eu e Lily vamos morar com você.

Eu não sabia se daria certo, não sabia se seríamos um casal mesmo novamente algum dia, mas o sorriso que tomou conta do rosto dele naquele momento e o abraço que ele me deu no segundo seguinte, como se eu acabasse de dar a melhor notícia do mundo para ele…

Valeu totalmente à pena.

Notas finais
N/A: Oi, meninas! Eu sei que são quase quatro meses sem postar a fic, mas quero deixar bem claro aqui que não pretendia demorar tanto assim. Nunca gostei de demorar para atualizar, mas, infelizmente, não tive muita escolha quanto a isso. As aulas voltaram em agosto, o que já diminuiria o meu tempo, já que passo o dia todo na faculdade e fiquei cheia de coisas para estudar e etc. Comecei a escrever o capítulo aos poucos, quando tive tempo, mas sofri um trauma no pulso esquerdo em setembro e, desde então, estou usando uma tala, o que dificulta escrever (além da dor que sofro quando tento forçar). Para ser sincera, ainda sinto muita dor, mas a vontade de escrever e o fato de eu ter demorado me fizeram superá-la um pouco. Tenho mais 15 sessões de fisioterapia pela frente e estou melhorando aos poucos, então tenham paciência, ok? Estou de férias e não preciso preocupar com a faculdade até março, vocês me verão muito nessas férias. Quanto ao capítulo, finalmente a Bella conheceu o quarto e voltou para a casa do Edward! E então, o que acharam? Ainda tenho algumas coisas sobre esses dois para contar, mas acredito que já passamos da metade da fanfic. Talvez tenhamos mais uns 8 capítulos pela frente. Mais uma vez, desculpem-me pela demora, não optei por isso. Vou tentar postar outro capítulo ainda esse mês, cruzem os dedos! E por favor, deixem reviews. Quero saber se vocês ainda se interessam pela história ou não. No mais, até o próximo! xx PS: o capítulo da Daylight foi concluído e já enviei para a beta. Assim que ela mandar, postarei, ok? N/B: Saudades desses três. A Deh está com um probleminha de saúde e não pode estar escrevendo. Vamos mostrar a ela o nosso carinho. Comente. Boa semana, bjus, LU.