Unwritten

4 Capítulo Três


Notas iniciais
Oi, meninas, como vão? Explico a enorme demora na N/A, ok? Então, por favor, deem uma lida nela.

Bella POV.

Eu estou grávida.

Ninguém disse nada pelos próximos segundos, o que me levou a acreditar que Charlie e Renée não haviam escutado o que eu tinha falado. Eu abri a boca para repetir, embora estivesse mais nervosa do que nunca, mas quando olhei para cima e vi o rosto do meu pai ficar vermelho e o da minha mãe, branco, eu sabia que eles tinham.

– Você o quê? — Charlie gritou, seu rosto se tornando mais vermelho, o mesmo tom que tinha adquirido anos atrás, quando ele pensara que Leah estava grávida. — Eu acho que não escutei bem, Isabella, porque você acabou de…

– Eu estou grávida, pai — interrompi-o, lágrimas tomando conta dos meus olhos. — Não era para acontecer, mas eu estou e...

– Você vai abortar! — ele gritou novamente, me interrompendo. — Amanhã mesmo eu vou levá-la a um conhecido meu e nós vamos cuidar disso!

Eu arregalei os olhos, assustada, sem ter ideia do que falar. Encolhi-me contra o sofá, meus olhos indo para Leah, querendo que ela me ajudasse. Eu não tinha ideia do que fazer diante do que Charlie tinha acabado de dizer.

– Pai, se acalme. — A minha irmã disse, acolhendo-me em um abraço. — Bella e eu conversamos e ela quer ficar com o bebê. Ela decidiu que não vai abortar.

Meu pai ficou ainda mais vermelho — se é que isso era realmente possível -, seus olhos arregalados mudando de Leah para mim. Por um momento, tive medo de que ele tivesse um ataque.

– O quê? — ele tornou a gritar. — Você… você… Isabella! Você vai acordar amanhã cedo e eu a levarei até a clínica do meu conhecido. Você vai estragar o seu futuro se prosseguir com essa gravidez e não vou deixar isso acontecer!

Eu senti as lágrimas escorrendo pelo meu rosto e ergui as mãos para limpá-las.

– Não, pai — eu solucei. — Eu vou prosseguir com essa gravidez. Vai ser difícil, eu sei, mas pretendo prosseguir com a faculdade o máximo que eu puder e…

Charlie se colocou de pé, suas mãos fechadas em punho, e sua boca se abriu e fechou, mas nenhum som saiu de seus lábios. Sam, de repente, se levantou e pegou meu pai pelo braço, puxando-o para fora da sala. Mesmo um pouco longe, eu ainda pude escutá-lo dizer que eu teria que escolher entre o bebê e a família.

O que me fez só chorar ainda mais.

Escutei o barulho da porta se fechando e levantei a cabeça, vendo a minha mãe saindo da sala. Virei-me para Leah, meus olhos arregalados de desespero, sem nem saber o que pensar direito.

– Ele vai me expulsar — eu disse. — Eu sei que vai, Leah. Eu sei.

Ela se levantou e me levou com ela.

– Vamos dar uma volta — ela disse. — Sam vai conversar com ele e ele vai se acalmar. Vai tudo se resolver, Bella, você vai ver.

Mas não se resolveu.

Nós passamos o dia fora, passeando, embora não houvesse muitas possibilidades em Forks. Leah me obrigou a comer e me perguntou, várias vezes, se eu queria que ela ligasse para Edward, mas eu implorei para que ela não contasse para ele. Eu não queria estragar o seu tempo com seus pais.

Quando voltamos, o dia tinha se transformado e Charlie, meio bêbado, já tinha se deitado. Renée não disse nada para mim, o tempo todo fitando-me com os olhos cheios de preocupação e eu, com medo de ela gritar comigo, mantive distância, até que a hora de dormir chegou.

Custei um pouco a adormecer naquela noite, mas o cansaço logo tomou conta de mim e eu dormi, perguntando-me o que eu faria caso eu não tivesse apoio dos meus pais.

Eu sinceramente não tinha nenhuma ideia.

_

Eu resmunguei baixinho quando senti alguém tocar o meu ombro, balançando o meu corpo de forma nada gentil. Eu rolei na cama e fechei os olhos, sabendo, de alguma forma, que era cedo demais para eu me levantar. A pessoa, porém, tinha outros planos.

Fechei os olhos e suspirei, sentindo o sono tomar conta de mim novamente, até que senti alguém puxando a minha coberta.

– Isabella! — A voz de Charlie despertou-me. — Vamos, levante-se!

Eu me sentei imediatamente e levei a mão aos olhos, esfregando-os, tentando acordar. Fitei-o, meu coração de repente batendo acelerado contra o meu peito, enquanto eu me lembrava do que havia acontecido no dia anterior.

– Pai? — eu murmurei, sem saber o que dizer. — O que foi?

– Vamos — ele resmungou, já se virando em direção à porta do meu quarto. — Temos uma consulta agendada dentro de uma hora.

Eu engoli em seco, meus olhos ainda o observando. Ele não estava dizendo o que eu achava que estava, certo? Eu tinha que estar enganada…

– Consulta? — eu indaguei, com medo de confirmar as minhas suspeitas, mas também precisando saber se eu estava certa.

Charlie ergueu as sobrancelhas.

– Não se faça de boba, Bella — ele disse, por fim. — Vamos cuidar dessa sua gravidez e, depois, conversaremos. Estou te esperando lá na cozinha. Você tem meia hora.

Eu fiquei parada na cama durante alguns instantes, ainda sem conseguir acreditar no que eu havia escutado. Eu não acreditava que Charlie iria aceitar a gravidez tão rapidamente, mas também não achava que ele me obrigaria ir até uma clínica abortar.

Eu tremi ao pensar na palavra.

Quando eu vi que cinco minutos haviam se passado e que eu continuava acordada — o que mostrava que eu não tinha tido um pesadelo -, eu pulei da cama, sabendo que Charlie falara sério e que ele pretendia, de fato, me fazer abortar. Eu corri para o banheiro, fiz minha higiene matinal às pressas e me vesti o mais rápido possível, antes de correr até o quarto de Leah e bater à porta com certo desespero.

– Bella? — Ela resmungou quando abriu a porta. — O que foi?

– Charlie! — eu disse, tomando cuidado para não elevar muito a minha voz. — Ele quer me arrastar para uma clínica para abortar.

A minha irmã abriu os olhos completamente e me fitou durante alguns segundos, provavelmente querendo ver se eu falava sério. Quando eu não comecei a rir ou desmenti, ela resmungou algo — baixo demais para eu ouvir — e correu até a cama, onde começar a chamar Sam.

Não me passou despercebido o fato de que eles não tinham ido para a casa dos pais de Sam na noite anterior, como tinham planejado. Algo me dizia que isso tinha a ver com a novidade que eu soltara na noite anterior e a reação de Charlie.

Depois de Leah e Sam estarem devidamente vestidos, eles me acompanharam até a cozinha onde Charlie aguardava, parecendo completamente impaciente. Ele resmungou quando viu que eu tinha companhia, fitando-me com os olhos cheios de raiva.

– Pronta? — ele indagou.

Eu suspirei, e me abracei. Era hora de dizer a ele que eu nunca estive disposta a fazer um aborto e que nada que ele fizesse iria me levar até aquela clínica. Eu era maior, afinal, e podia tomar as minhas próprias decisões.

– Eu não farei um aborto, pai — eu disse, firme. — Eu vou cuidar desse bebê, com o seu apoio ou não.

Ele abriu e fechou a boca diversas vezes, seu rosto ficando vermelho novamente. Por fim, ele fechou os olhos e respirou fundo durante algum tempo, antes de abri-los e me fitar.

– Veja bem, Bella — ele começou -, eu não queria dizer isso, não queria chegar a esse ponto, mas acredito que, eventualmente, você vai entender que essa é a melhor decisão para você.

Eu esperei, meu coração batendo a cada minuto mais forte. Eu procurei manter as minhas mãos escondidas, não querendo que ele visse quão trêmulas elas estavam.

– Você tem duas opções — ele continuou, quando viu que nenhum de nós iria dizer nada, seus olhos nunca deixando os meus. — Você pode me deixar levá-la à clínica e nós resolveremos esse problema, assim podemos seguir em frente e tudo ficará esquecido. Ou… ou você pode decidir manter essa gravidez e cortaremos todas as relações.

Eu senti as lágrimas encherem os meus olhos, mas obriguei-me a não chorar, porque eu não queria que ele visse, não queria que ele percebesse o quão aquelas palavras estavam me machucando. Como meu próprio pai podia estar fazendo isso comigo?

– Vou manter essa gravidez. — Minha voz era firme, não revelando como eu me sentia por dentro. — Quero ter esse bebê. Eu vou cuidar dele.

Charlie assentiu, seu rosto ainda sério.

– Quando eu digo cortar as relações, eu digo todas, Bella — ele resmungou. — Não vou mais pagar a sua faculdade, não vou mandar apoio financeiro nenhum. Não quero saber dessa gravidez, não quero saber de você.

Senti uma pontada no coração, mas somente assenti, mantendo-me firme.

– Nada de telefonas, nada de visitas — ele continuou, agora fitando a janela. — E eu agradeceria se você pudesse ir embora ainda hoje.

Não consegui dizer nada, não consegui concordar. Aonde estava o meu pai amoroso e protetor? Aonde estava aquele Charlie que me segurou nos braços quando eu quebrei meu braço e quando eu tinha pesadelos e pedia para dormir com ele à noite?

Eu não conseguia reconhecer o meu próprio pai agora, não conseguia acreditar que ele estava fazendo isso comigo. Eu sabia que ele iria surtar, que ele iria brigar…

Mas nunca tinha imaginado, nem uma vez, que ele poderia dizer aquilo, que ele poderia ser tão frio e desejar a morte do próprio neto dessa maneira.

– Ok — eu disse, por fim, quebrando o tenso silêncio da cozinha. Não tive coragem de olhar para Sam e Leah; eu sabia que logo iria me render à vontade de chorar, mas queria evitar aquilo o máximo que eu pudesse. — Vou arrumar as minhas coisas agora mesmo. E não precisa se preocupar, eu não pretendo procurá-los ou pedir ajuda. Sei que, se eu quiser, eu posso me virar.

Virei-me para sair da cozinha, não querendo mais escutar nada que Charlie tivesse a dizer. Entretanto, antes que eu pudesse chegar ao corredor, ele falou novamente, suas palavras tornando a me machucar.

– Sinta-se à vontade para nos procurar caso você se livre desse… bebê– ele disse. — Estaremos aqui.

Ainda incapaz de acreditar que aquele homem frio, parado diante da janela da cozinha, era o meu pai, aquele homem que me criara e me ensinara grande parte dos valores que eu tinha hoje, eu corri para o meu quarto, finalmente deixando que as lágrimas caíssem.

Peguei a minha mala e comecei a jogar todas as roupas que eu tinha organizado na cômoda na quinta, não querendo ficar ali mais do que o necessário. Eu me belisquei algumas vezes, esperando que esse pesadelo acabasse e que nada daquilo tivesse acontecido.

Mas era real. Muito real.

– Bella…

Eu não olhei para cima, porque sabia que Leah estava ali, querendo dizer que tudo ficaria bem, mas ambas sabíamos que não era verdade. Charlie tinha tomado a sua decisão.

E eu só precisava sair daquela casa o quanto antes.

– Bella… — ela tornou a me chamar. — Sam está conversando com Charlie. Espere um pouco, talvez ele mude de ideia…

Eu soltei uma risada nada feliz enquanto fechava a minha mala. Eu só queria ir embora logo dali.

– Ele não vai — murmurei, correndo até os meus tênis e os pegando, antes de me sentar e começar a calçá-los. — Você sabe disso. É melhor eu ir embora. Vou ter muito o que fazer daqui para frente…

A minha irmã parou na porta do quarto, os braços cruzados sobre o peito, seu olhar preocupado. Ela me observou terminar de me ajeitar e pegar a minha mala, antes de seguir em direção à porta.

– Nós estamos indo para a casa dos pais do Sam — ela sussurrou. — Você sabe que eles te adoram e que você será bem vinda lá… Por que você não vem conosco?

Eu abri a boca para protestar, mas Leah ergueu a mão, impedindo-me.

– Você provavelmente não vai querer “estragar” o feriado de Edward e chamá-lo para ir embora — ela revirou os olhos, sorrindo um pouco. Eu sorri de volta, apesar da situação, porque sabia que ela estava certa. — E eu não posso deixá-la ir embora sozinha. Você não tem nem uma carona, Bella!

– Eu posso me virar — encolhi os ombros. Depois acrescentei, com certa tristeza: — Acho que vou ter que me acostumar, não é?

Ela suspirou.

– A gente vai dar um jeito, ok? — ela disse. — Mesmo que o papai não mude de ideia, o que acho que ele vai mudar, quando perceber que você não vai mudar de ideia, nós estaremos aqui… Eu, Sam, Edward…

Eu assenti.

– Agora vamos — ela murmurou. — Espere por nós no carro, tudo bem? Estaremos lá dentro de alguns instantes.

Sam e Leah se uniram a mim algum tempo depois, ambos vestidos e com as suas malas. Eu procurei por minha mãe, precisando, mais do que nunca, do apoio dela, mas não consegui encontrá-la. Eu sabia o que isso significava.

Ela tinha ficado ao lado de Charlie.

Tentei me distrair o máximo que pude no resto do final de semana, mas as palavras de Charlie estavam lá toda vez que eu tentava esquecer.

Os pais de Sam pareciam alheios aos meus problemas, embora eu pudesse vê-los lançando certos olhares a mim de vez em quando. Sam e Leah tentaram me distrair, também, mas não acho que eles obtiveram sucesso.

E logo o domingo chegou. E, com ele, a hora de voltar para Seattle.

Edward e eu tínhamos conversado algumas vezes por mensagem, mas não mencíonamos nada sobre nossos pais. Provavelmente os dele tinham surtado também — eu sabia que Carlisle e Esme gostavam de ter tudo sob o controle deles — e eu não queria que, além de ter que se preocupar com ele, ele tivesse que lidar com os meus problemas também.

Ele não estranhou quando eu disse que ele tinha que me pegar na reserva nem fez nenhuma pergunta. Logo após o almoço ele estava ali, e foi bom sentir seus braços ao meu redor, ouvir seu coração batendo.

– Eu senti a sua falta — eu murmurei.

Edward sorriu contra o meu cabelo.

– Eu também, Bella — ele murmurou de volta. — Eu também.

Eu me despedi de Leah e Sam, agradecendo aos dois por tudo o que eles haviam feito por mim. Obviamente, eles não quiseram ouvir isso.

– Me liga, ok? — ela murmurou. — Nós ainda vamos ficar aqui até amanhã… Eu vou passar na casa dos nossos pais, conversar com eles, ver se Charlie se acalmou… Se precisar de alguma coisa, qualquer coisa, é só falar.

Eu a abracei novamente, mais apertado do que antes, e me afastei, sorrindo levemente para ela.

– Vou visitá-la em breve! — Ela gritou quando eu já estava dentro do carro. — Prepare um quarto para mim!

Edward riu baixinho ao meu lado, antes de acenar e arrancar o carro. Nós ficamos em silêncio durante algum tempo, o que eu estranhei, já que a conversa entre Edward e eu sempre vinha de forma fácil. Entretanto, tudo o que eu conseguia pensar agora era nas palavras duras de Charlie.

Eu não queria soltar tudo em Edward assim.

E eu também precisava saber como os pais dele tinham reagido.

Eventualmente, ele e eu começamos a conversar, mas sobre a faculdade. O assunto Ação de Graças não surgiu e eu agradeci. Eu não queria que Edward soubesse das palavras vergonhosas que Charlie tinha falado, não queria que ele preocupasse com isso. Não queria, também, que ele soubesse que, a partir de agora, eu teria de me virar na faculdade, com as contas…

Eu tremia só de pensar nisso.

Nós chegamos em Seattle um pouco mais cedo, por volta de seis e meia. Edward levou as nossas malas para dentro depois de estacionar e disse que tinha que ligar para uns amigos para olhar algo sobre o trabalho que eles tinham entregado na quarta. Eu aproveitei e corri para o banho, querendo ficar um pouco sozinha.

Eu tinha muito o que pensar, afinal.

Por sorte, vovó Marie, mãe do meu pai, deixou um fundo para Leah e para mim, e eu nunca tinha precisado tocar no dinheiro antes. Eu sabia que tinha um bom valor lá, o suficiente para pagar o resto da minha faculdade — e provavelmente ainda sobraria um pouco -, mas eu não queria usar todo ele. Eu tinha alguém em quem pensar agora, um bebê, uma criança que precisaria de mim pelos próximos anos.

Por isso, pensei nas bolsas que a faculdade disponibilizava. Eu sabia que poderia me candidatar para algumas e que tinha nota para conseguir. Caso eu conseguisse, eu ficaria mais folgada. Teria, provavelmente, que arrumar um trabalho de meio período ou algo assim, pelo menos até o bebê nascer.

Depois… depois eu descobriria o que eu iria fazer.

Edward estava deitado no sofá quando eu saí do banho, parecendo extremamente pensativo. Ele sorriu quando me viu, mas eu sabia que não era um sorriso feliz. As coisas com os pais dele não tinham dado certo…

– Tudo bem? — ele indagou.

Eu suspirei.

– Nada deu muito certo nesse feriado, não é? — eu murmurei. — Você não parece feliz…

Ele encolheu os ombros.

– Você sabe como os meus pais são — ele sussurrou. — Eu acho que, eventualmente, eles vão perceber que estamos fazendo o que é certo.

Eu tremi um pouco quando notei o seu tom de voz. Ele não parecia acreditar no que estava dizendo e não me olhava… O que tinha acontecido nesse final de semana na casa dos Cullen?

– E você? — ele indagou, antes que eu pudesse perguntar algo. — Como foi na casa dos seus pais?

Eu abri a boca, pronta para lhe contar tudo, mas não consegui. Edward parecia tão abatido e preocupado… eu não queria adicionar mais nada à pilha.

– O mesmo — eu menti, fitando as minhas mãos. — Leah acha que eles vão voltar atrás…

Eu o vi, pelo canto do olho, assentir, mas não disse nada e eu também não quis fazer perguntas ou dizer algo.

Deitei a cabeça em seu ombro e fechei os olhos, sentindo uma distância em nós que não existia outrora. Eu não tinha ideia do que havia acontecido na casa dos Cullen durante esses quatro dias, mas tinha certeza de que não era nada bom.

Foi difícil dormir naquela noite e eu acordei não me sentindo muito bem, mas me esforcei a ir à faculdade. Eu precisava, afinal, resolver alguns assuntos.

Conversei com o reitor e, após alguns conselhos, eu entrei com um pedido de bolsa. Demoraria cerca de duas semanas para eu receber a resposta, mas ele estava confiante. Eu só precisava manter as minhas notas, que tudo daria certo.

A semana foi tão corrida, já que os meus trabalhos e provas estavam começando, que eu mal tive tempo para descansar. Às vezes eu chegava em casa tão tarde que já encontrava Edward adormecido. Em outras, ele havia saído com alguns colegas e eu que não conseguia esperá-lo acordado. Estávamos nos desencontrando.

E eu meio que estava odiando essa pequena distância entre nós.

Quando a sexta chegou, eu me arrastei, morta, para o apartamento, somente para encontrá-lo vazio. Cansada, caminhei até o banheiro e enchi a banheira.

Eu estava merecendo ficar mergulhada durante algum tempo.

Quando entrei, já cercada por bolhas, eu deixei as lágrimas escorrerem pelo meu rosto pela primeira vez desde o sábado passado, quando eu tinha escutado aquelas palavras horríveis do meu próprio pai. Permiti-me desabafar um pouco, desejando que Edward estivesse ali, mesmo que fosse um pouco egoísta da minha parte querer isso.

Quando saí do banho, sentindo-me um pouco mais calma, eu finalmente tive a chance de ligar para Leah e conversar com ela um pouco.

– Ei, Leah — murmurei, sorrindo. Eu já estava deitada na minha cama, pronta para dormir. Sabia que Edward só chegaria de madrugada, assim como sabia que não iria conseguir esperar por ele. — Tudo bem?

Ela suspirou.

– Tentei falar com você por dias, mas Edward disse que você estava ocupada com trabalhos e provas– ela murmurou. — Está tudo bem? Com você e com o bebê?

Eu levei a minha mão à minha barriga ao escutá-la mencionar o bebê. Eu gostaria, às vezes, de dizer que era fácil esquecer que ele estava ali, mas não era. Eu me lembrava disso todos os dias da minha vida.

– Estamos bem — eu respondi. — Tenho uma consulta com a minha médica daqui a duas semanas, acho. Vou levar os resultados de exame para ela…

Leah tornou a suspirar.

– Sobre isso… — ela começou. — Papai te tirou do seguro médico… Eu pensei que ele se acalmaria com o tempo ou algo assim, mas ele estava convicto… Ligou-me ontem para me contar a novidade…

Eu engoli em seco, sem conseguir acreditar naquilo. Esforcei-me para não chorar, no entanto. Ultimamente parecia que eu só fazia isso e eu sinceramente estava tão cansada de me entregar às lágrimas…

– Está tudo bem — eu murmurei, tão baixo que duvidei, por um momento, que ela tivesse escutado. — Eu pedi uma bolsa na faculdade, terei a resposta dentro de alguns dias… Vai complicar um pouco os meus planos, mas eu vou conseguir. Tenho certeza disso.

Leah ficou calada durante alguns momentos.

– Eu e Sam vamos ajudá-la, Bella– ela respondeu, por fim. — Nós moramos relativamente perto, duas horas não é muita coisa. Sempre que precisar, é só telefonar, ok? Não tenha vergonha disso…

Eu sorri.

– E eu vou colocá-la em meu seguro– ela continuou, antes que eu pudesse agradecer. — E não discuta. É o mesmo do papai, afinal.

– Leah, você não precisa fazer isso — eu disse. — Eu posso pagar um para mim, sério. Talvez as próximas consultas eu tenha que pagar, mas…

– Não– ela me cortou. — Eu e Sam já combinamos tudo, ok? Deixe-me fazer isso, Bella, por favor, deixe-me ajudar… Você é a minha irmã caçula… eu prometi sempre cuidar de você.

Eu sorri novamente ao escutar isso, feliz por saber que eu podia contar com a minha irmã e o meu cunhado. Dessa vez, deixei que as lágrimas escorressem pelo meu rosto, mas não era um choro triste.

– Obrigada — eu murmurei. — De verdade. Você não sabe como isso significa para mim…

Nós conversamos durante algum tempo, até que ela teve que desligar — já que daria um plantão no dia seguinte. Eu a agradeci mais algumas vezes, até Leah me xingar e pedir, do jeito gentil dela de sempre, para que eu calasse a boca.

– Mande um beijo para o meu cunhado! — ela gritou, antes de desligar.

E, novamente, o apartamento ficou silencioso.

Agora desperta, eu me coloquei de pé e caminhei até a sala. Talvez assistir a algum filme ou programa me ajudaria a dormir. Deitei-me no sofá e puxei a manta, me cobrindo. Mudei de canal algumas vezes, mas nenhum filme que passava ali estava me interessando. Eu estava prestes a desistir e voltar para cama, quando ouvi o barulho de chaves e, logo em seguida, a porta da frente se abrindo. Eu levantei, um sorriso nascendo em meus lábios quando eu vi Edward ali, parecendo muito mais descansado e… tranquilo. O sorriso que ele me deu foi verdadeiro.

– Ei — eu sorri. — Pensei que você ficaria na rua até tarde…

Ele revirou os olhos e andou até o sofá, jogando-se nele, antes de me puxar para os seus braços. Eu me aconcheguei de bom grado ali. Não conseguia me recordar a última vez que havíamos feito isso

– Jacob e Andrew me chamaram para ir a uma festa com eles, mas eu recusei — ele respondeu. — Eu sabia que você faria a sua prova hoje e eu estava sentindo falta da minha garota… Então, apenas joguei um pouco com eles no apartamento e resolvi vir embora.

Eu sorri novamente.

– Obrigada por isso — eu disse. — Eu também senti a sua falta…

Edward puxou meu rosto para perto do dele e nossos lábios se encontraram. O beijo começou calmo, apenas nossos lábios se tocando, mas logo nós nos tornamos afoitos. Edward nos rolou gentilmente no sofá, separando minhas pernas com as dele e deitou ali, seus lábios nunca deixando os meus. Quando eu quebrei o beijo, arfando por ar, ele começou a beijar e mordiscar o meu pescoço e foi descendo, fazendo-me gemer.

Eu realmente tinha sentido a falta dele.

Ansiosa, eu levei as minhas mão até a sua camisa e a desabotoei, retirando-a e jogando no chão. A minha seguiu logo em seguida, assim como meu short e a calça de Edward.

– Porra, Bella — ele gemeu quando o acariciei por cima da cueca, fazendo-me sorrir, presunçosa. Ele se afastou um pouco quando senti meu sorriso contra a pele do seu pescoço e ergueu a sobrancelha. — Posso saber por que está sorrindo, senhorita?

Eu ri, baixinho.

– Nada — eu disse.

Ele estreitou os olhos.

– Hmmmm… — Lentamente, Edward levou as mãos aos meus seios, já livres do sutiã, e beliscou meus mamilos, fazendo-me gemer. — Acho que você gosta disso…

Ele me provocou durante algum tempo, levando-me ao limite algumas vezes, até que eu não estava aguentando mais esperar. Agradecendo mentalmente ao fato de o nosso sofá ser espaçoso e confortável, eu nos girei novamente, ficando por cima dele. Livrei-me de nossas duas últimas peças e o guiei para dentro de mim, sentando-me nele de uma vez só.

– Porra! — Edward sibilou, jogando a cabeça para traz, fazendo-me sorrir novamente.

Fiquei parada em seu colo durante alguns segundos, querendo provocá-lo, até ele levar as mãos aos meus quadris e começar a me mover, a príncipio lentamente, mas logo acelerando, deixando que o desejo tomasse conta de nós.

Logo, eu estava gemendo e me contorcendo em seu colo, fechando os olhos com força. Eu senti Edward se libertar em mim logo após eu me acalmar um pouco, e, exausta demais, caí em cima dele.

– Uau — ele sussurrou, algum tempo depois. — Isso foi...

Eu ri.

– É — respondi, mesmo que ele não tivesse feito nenhuma pergunta. — Uau.

Nós ligamos a televisão e colocamos alguma roupa algum tempo depois — ele com a boxer e a calça de moletom, e eu com a sua camisa e uma calcinha -, embora eu tivesse certeza de que elas não durariam muito. Preparei algo para comermos — porque ultimamente eu estava me sentindo faminta sempre — e ele escolheu um filme para vermos. Foi uma noite calma, boa. Não conversamos sobre o bebê, não falamos sobre os nossos pais, mas aquela distância do dia em que voltamos não estava ali.

Depois que terminamos de comer, eu me aconcheguei nos seus braços novamente, permitindo-me relaxar nos braços dele, sentindo-me segura, bem e feliz, pela primeira vez em dias, com a sensação de que, enquanto eu tivesse Edward, meus dias seriam tão bons e cheios de paz quanto aquela noite havia sido.

Notas finais
N/A: Olá, novamente. Desculpem-me pela demora, mas eu resolvi me dar umas férias de internet durante um tempo e tal. E também aconteceram algumas coisas nos últimos dias que tomaram o meu tempo, mas enfim... Espero que tenham gostado do capítulo. O próximo já está pronto e betado, então só depende de vocês. Deixem reviews! Até lá xx N/B: Não precisam perder tempo xingando a Deh, eu mesma já fiz isso. Gente!!!! Que família é essa? E essa mãe mais omissa? Nunca imaginei uma Renée assim, mas…. Vamos ver o que vai rolar. Bjs, Lu.