Unwritten

8 Capítulo Sete


Notas iniciais
Olá, meninas. Mais um capítulo para vocês! Espero que gostem (;

Bella POV.

Perplexa demais para dizer alguma coisa, eu só fiquei ali, sentada, fitando-o com atenção. Ele não esperou por uma resposta minha e se sentou à minha frente.

Por que ele parecia tão familiar?

– Hmmm, desculpe-me, mas não acho que eu te conheça — eu murmurei. — Embora você me pareça familiar…

Ele continuou a sorrir.

– Você não tem que se desculpar, Bella — disse. — E não quero te assustar, de verdade. Eu só… eu fiquei longe por muito tempo. Tenho te observado há alguns meses na verdade. E te encontrei, há alguns meses, chorando em uma praça.

Eu engoli em seco.

– Você se lembra, não é? — indagou. Eu apenas assenti. — Meu nome é Seth. Seth Clearwater. Eu moro aqui em Seattle há dois anos já.

Eu assenti.

– E-eu não sei o que dizer — sussurrei. — Lembro, sim, de você da praça, mas eu nunca o vi antes… Por que você está me seguindo? E-eu…

Comecei a me levantar, com medo demais para ficar perto de um estranho que me seguia há meses. Ele pareceu nervoso e, imediatamente, se levantou, segurando meu braço, de forma firme. Não forte o suficiente para me machucar, mas também não fraco o suficiente para eu conseguir me soltar.

– Sinto muito — ele murmurou. — Por favor, só me escute… E-eu não queria te atrapalhar, mas também não quero enrolar muito mais.

Eu parei por um momento.

– Estamos em um lugar público — ele disse. — Há várias pessoas aqui. Só… me escute, ok? Nem que seja por cinco minutos…

Eu o fitei durante alguns segundos, antes de assentir. Ele me soltou então e tornou a se sentar. Ainda meio insegura, eu o imitei, nunca tirando os meus olhos dele.

– Eu não queria te procurar, no começo — ele disse. — E não deveria ter te procurado, até porque você está grávida, mas… eu já tenho trinta e quatro anos… se eu não fizer isso agora, eu sei que não farei nunca…

Eu não estava entendendo nada, mas continuei calada. Seth parecia estar mais divagando do que conversando comigo, então deixei que ele continuasse a falar.

– Eu tenho um filho, sabe? — Um sorriso enorme tomou conta do rosto dele. — O nome dele é Harry e ele tem quase cinco anos… Ele foi uma surpresa para mim e para a minha esposa, porque achávamos que ela não podia engravidar, mas ele foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida…

Eu me vi sorrindo de volta para ele, enquanto acariciava a minha barriga suavemente. Eu não o conhecia, nem a sua esposa ou filho, mas eu conhecia aquele sorriso… Eu sabia que sorria da mesma maneira toda vez que pensava em minha filha.

– A minha mãe… — Ele parou por um momento, seus olhos finalmente se voltando para mim. — Ela viveu em Forks até 35 anos atrás…

Eu franzi a testa.

– O nome dela é Sue Clearwater — continuou. — Você provavelmente nunca ouviu falar dela, eu não espero isso. Mas ela foi namorada do filho do melhor advogado da cidade…

Eu arregalei os olhos. Não… não podia ser, certo? Seria coincidência demais…

– Meu avô? — Eu mal sussurrei. — Ela… ela namorou com o meu pai?

Seth sorriu.

– Ele tinha dezoito anos, ela, dezessete — murmurou. — Charlie Swan, o seu pai, tinha um futuro brilhante planejado pelo seu avô. Ele tinha notas boas, tinha sido aceito em diversas faculdades, excelentes, na verdade, tudo com o apoio do seu avô...

– E então a sua mãe ficou grávida — eu sussurrei, sem conseguir acreditar que eu tinha um… irmão.

Ele sorriu para mim, não um sorriso feliz, e assentiu.

– Richard Swan ficou… furioso, para não dizer outra coisa — ele continuou. — Ele ameaçou expulsar Charlie de casa, tirar todo o apoio que ele dava para o filho, todo o dinheiro que tinha investido nele… E Charlie sabia que não seria capaz de ir para a universidade e cuidar de um filho ao mesmo tempo. E Richard não lhe daria nenhum dinheiro, ele tinha dito. Então, ele teve que escolher…

– Entre o dinheiro e tudo isso, ou a sua mãe… e você — eu completei, lembrando-me de como Charlie tinha se comportado quando eu lhe contara que eu estava grávida…

Ele assentiu.

– Seu pai escolheu a primeira opção — disse. — E Richard deu uma certa quantia de dinheiro para a minha mãe abortar… Mas, ao invés disso, ela pegou o dinheiro, fugiu e me criou sozinha, da melhor maneira que ela pôde.

Eu engoli em seco.

– Você é meu irmão… — sussurrei.

Ele assentiu.

– Sim — respondeu, sorrindo. — E parece que ganharei um sobrinho, hein? Ou é uma sobrinha?

Eu acariciei a minha barriga.

– Uma sobrinha — murmurei. — Eu… eu… você tem alguma foto do seu filho? Eu posso ver?

Seth assentiu. Ele puxou uma carteira do bolso e retirou uma foto. Eu a peguei, minha mão trêmula demais, e olhei para o meu sobrinho pela primeira vez. Ele era extremamente parecido com Seth, mas havia alguns detalhes que pertenciam ao meu pai… Os olhos castanhos, os mesmo de Seth, os cachos…

– Ele é lindo — sussurrei.

Seth sorriu.

– Obrigado. — Ele pegou a foto de volta. — E é um ótimo garoto, também. Um pouco ativo demais, mas é um garoto muito doce. Você vai gostar de conhecê-lo.

Eu assenti.

– Certo, tudo bem — sussurrei. — Eu meio que… eu não sei o que dizer. Eu… eu não sei por que você veio atrás logo de mim…

– Eu quero, apesar de tudo, conhecer Charlie, Bella — ele cortou-me. — Quero perguntar o porquê de ele ter desistido de mim… Meu filho faz perguntas, sabia? Ele não entende como a minha mulher tem pai e mãe, mas eu só tenho mãe. Ele quer outro avô… e eu…

Ele não terminou de falar, mas não precisou. Eu entendi o que ele queria dizer.

– Não posso te ajudar com isso — sussurrei, sorrindo de forma triste. — Charlie me cortou da sua vida assim que decidi manter essa criança. Eu não converso com ele há meses. Eu não o vejo há meses…

Seth suspirou.

– Eu pensei que ele havia mudado — murmurou. — Aparentemente, não.

Eu encolhi os ombros.

– A minha mãe voltou, sabia? — ele suspirou. — Ela foi para Forks quando eu tinha cerca de dez anos, querendo contar para Charlie, querendo que ele me visse e mudasse de ideia. Mas aí ela viu o seu pai… com a sua mãe… e com a sua irmã… e ela mudou de ideia.

Eu engoli em seco.

– Ela custou a me contar tudo, mas fez isso há alguns anos — ele continuou. — E agora… eu realmente preciso da sua ajuda, Bella.

– Charlie me odeia — sussurrei. — Infelizmente, eu não posso te ajudar…

Ele assentiu.

– E-eu realmente preciso pensar em tudo o que você me disse — eu disse, antes que ele pudesse começar a falar de novo. — Será que você pode me dar o seu número? Eu te ligo em alguns dias… É só que… eu realmente não sei o que falar agora…

Ele tornou a assentir.

– Claro, Bella — sorriu. Ele tornou a pegar uma carteira e pegou um cartão. Eu sorri quando li a profissão dele: advogado, assim como meu pai e avô. — É, algumas coisas não se pode mudar.

Eu me coloquei de pé e apertei a mão dele, meio sem jeito. Ele continuava sorrindo, mesmo depois de eu o ter dispensando.

– Eu vou ver se converso com Leah sobre tudo isso — eu disse a ele. — Ela ainda conversa com Charlie. Talvez ela possa te ajudar mais do que eu.

Ele assentiu.

– Obrigado por me ouvir e desculpe-me por qualquer coisa — murmurou. — E… parabéns pela bebê. Tenho certeza de que você vai ser uma ótima mãe.

Eu acenei para ele e me afastei, sem nem saber o que pensar. Distraída demais, nem vi como consegui chegar ao apartamento sem que algo de ruim tenha acontecido. Quando vi, encontrava-me parada no meio da sala, completamente perdida.

Eu tinha um irmão…

E isso explicava tanta coisa!

Explicava o comportamento de Charlie. Richard, meu avô, havia agido da mesma maneira que ele, só que, diferente de mim, ele optou por desistir da criança, do próprio filho… E, assim como o pai esperava, Charlie se saiu bem. Ele se formou, ele se tornou um ótimo advogado, assumiu os negócios do pai…

Mas Sue desistiu de tudo pelo seu filho, quase como eu tinha feito, sem ninguém para ajudá-la e conseguiu criá-lo. Conseguiu fazer dele um homem, um advogado…

Eu sorri um pouco ao pensar nisso. Talvez eu conseguisse também. Talvez eu conseguisse criar a minha filha sozinha, talvez ela não me odiasse quando ela crescesse… Talvez houvesse esperança, afinal…

Mas e quanto a Seth? Como será que ele tinha se sentido quando a mãe contara tudo para ele? Ele tinha odiado o meu pai? Ele… ele tinha me seguido por meses porque queria chegar até Charlie, porque precisava da minha ajuda…

Isso não era atitude de alguém que odiava. Talvez ele sempre tivesse sentido falta de uma figura paterna em sua vida…

Tal como a minha filha sentiria…

Porque eu ainda não sabia se Edward iria querer ser um pai para ela…

Cansada demais para continuar pensando naquilo, eu sacudi a cabeça. Tomei um banho longo e demorado, mas nunca consegui esquecer das palavras de Seth, ou da feição dele… Ele se parecia com Charlie, ele se parecia comigo e com Leah… Mais com Leah, eu achava. Deus! Era tudo tão confuso, tão demais…

E eu mal dormi naquela noite, justamente por causa disso. E nos próximos dias que se passaram, eu mal consegui parar de pensar naquilo.

– Bella? — Bree tirou-me de meus devaneios. — Está tudo bem?

Eu balancei a cabeça e a fitei, demorando um pouco para assimilar o que ela havia dito.

– O quê? — indaguei. — Oh, sim, sim… É que Leah me ligou, ontem à noite. Ela vai vir para cá nesse final de semana… E eu ainda não contei para ela que… você sabe… tudo sobre mim e Edward.

Ela assentiu.

– Ah, certo — murmurou. — Bem, ela provavelmente vai querer matá-lo. Diga a ela que se precisar de ajuda, é só me chamar. Eu farei isso com prazer.

Eu ri, embora fosse uma risada forçada.

Mal consegui prestar atenção naquelas últimas aulas, antes da última semana de provas e, então, férias. Sabia que deveria ter tentado, mas… como? Tudo o que eu conseguia pensar era na conversa de Seth…

E no fato de que Leah descobriria tudo sobre isso e sobre eu e Edward no final de semana.

Por isso, quando ele chegou, eu mal aguentava ficar quieta. Minhas costas doíam, as minhas pernas também, e eu deveria estar descansando, muito provavelmente, mas não conseguia.

Senti meu celular vibrar em meu bolso e o peguei, um suspiro escapando de meus lábios quando vi uma mensagem de Leah perguntando por que eu não estava atendendo a campainha do apartamento.

Nervosa, eu respondi, dizendo que estava em outro lugar e passando o endereço para ela. Decidi me preparar, por fim, e fiquei próxima a porta. Eu sabia que ela não demoraria a chegar.

Dito e feito, ela e Sam apareceram menos de vinte minutos depois.

– Bella? — Ela ergueu a sobrancelha, parecendo confusa. — O que você está fazendo aqui?

Eu engoli em seco.

– Por que vocês não entram? — Eu me afastei da porta para que eles pudessem passar. — Eu tenho algo para contar a vocês…

Minha irmã ainda parecia confusa, mas assentiu. Sam sorriu e me deu um abraço rápido, antes de soltar duas malas no chão — o que eu achei estranho, já que ele ficariam aqui somente durante dois dias.

– Então? — Leah indagou. — Pode me contar o que está acontecendo? Por que você está aqui?

E eu contei. Pela primeira vez em meses, eu contei a alguém tudo o que estava acontecendo. O sumiço de Edward, as festas, as brigas, a noite que eu passei no hospital… absolutamente tudo. Nenhum deles me interrompeu, por algum milagre.

E quando eu acabei, Sam teve que segurar a minha irmã, para impedir que ela fosse até o apartamento de Edward e o matasse — exatamente o que Bree tinha dito que ela iria querer fazer.

Demorou um pouco, mas eu consegui convencê-la de que eu estava bem e que esse tempo estava sendo bom para nós. Que ele estava ligando mais, que ia a todas as consultas, que ligava para saber se eu estava bem…

– Não é o suficiente. — Ela estreitou os olhos. — Eu vou ter uma conversa com ele…

Eu suspirei.

– Leah…

– Não, Bella — ela me cortou. — Eu irei. Pode não ser hoje, mas eu irei.

– Certo — suspirei. — Agora… por que duas malas? Você não trouxe presentes para a minha filha, não é? Porque Leah, eu sei que você vai ser a madrinha dela, mas… ela ainda nem nasceu… Não a mime, por favor.

Minha irmã riu.

– Sam voltará amanhã para casa, mas eu ficarei aqui até o próximo domingo — revirou os olhos. — Vou ajudá-la a preparar um enxoval, talvez fazer um chá de bebê… Precisaremos de muita coisa, querida irmã…

Eu abri a boca para prostetar, mas me lembrei que havia algo mais que eu tinha para conversar com Sam e Leah.

– O que foi? — Meu cunhado perguntou. — Está tudo bem?

Eu os fitei por um momento, incerta de como começar. Por fim, respirei fundo e comecei a contar tudo sobre Seth que eu sabia. Inclusive o fato de que ele era o nosso irmão.

– Espere, o quê? — Leah me interrompeu. — Nós… nós temos um irmão?

Eu continuei a contar tudo o que ele havia me contado, inclusive sobre o seu filho, Harry. Por fim, peguei o cartão que ele havia me passado e mostrei à minha irmã. Eu realmente precisava da opinião dela agora, porque, sinceramente, não tinha ideia do que fazer.

– Nós temos um irmão? — ela indagou novamente, encarando o cartão meio incrédula. — Então… é por isso que Charlie quis que você abortasse… é por isso que ele te expulsou e…

Eu suspirei.

– Sim, é — murmurei. — Eu acho que nós devemos procurá-lo, mas eu… é muito Lee… não posso fazer isso sozinha.

Ela ficou calada durante algum tempo, antes de respirar fundo e assenti. Eu a vi trocar um olhar com Sam e apertar a mão dele, quase como se estivesse em busca de apoio, antes de se colocar de pé e me puxar para um abraço.

– Eu estarei aqui, Bell — murmurou. — Nós vamos resolver isso juntas, você vai ver.

E eu sorri verdadeiramente pela primeira vez em dias, porque eu sabia que ela estaria comigo.

_

Eu liguei para Seth na manhã seguinte, para perguntar se poderíamos nos encontrar naquele dia. Eu contei que havia explicado tudo à minha irmã e ao meu cunhado.

E ele pediu que fôssemos até a casa deles.

Nervosa, eu me contorci contra o banco do táxi, enquanto acariciava a minha barriga. A bebê não parava quieta há quase meia hora, provavelmente devido à minha ansiedade. Eu tentei acalmá-la um pouco com carícias, mas não achava que estava adiantando muito.

O táxi parou diante de uma casa muito bonita, de dois andares, pintada em um tom creme. Os portões e a porta eram brancos, assim como as janelas e alguns outros detalhes. Sam agradeceu ao táxista e pagou, antes de abrir a porta para Leah descer. Depois, ele se voltou para mim e me ajudou — eu tinha chegado a uma fase da gravidez que levantar sem ajuda era praticamente impossível.

– Prontas? — Ele perguntou a mim e à esposa.

E embora eu não estivesse, eu assenti.

Nós tocamos a campainha e ouvimos passos, não muito depois. Eu sorri um pouco quando vi Seth ali, usando jeans e uma camisa verde, sorrindo para nós de forma gentil. Ele me cumprimentou com um abraço rápido — algo que me pegou de surpresa — e logo se virou para Leah e Sam.

– Sou Seth Clearwater — disse. — Vocês devem ser Sam e Leah Uley, certo?

Eles assentiram.

– Bem, entrem. — Ele se afastou um pouco para que pudéssemos passar. — A minha esposa está terminando o almoço…

Ele nos levou até uma cozinha espaçosa, onde estava uma mulher baixinha, mas muito bonita. Ela secou a mão em uma toalha quando nos viu, um sorriso enorme tomando conta de seu rosto. Seus cabelos eram claros, quase loiros, e seus olhos eram escuros, mas não consegui identificar muito bem a cor exata deles.

– Bem, pessoal, essa é a minha esposa, Claire. — Ele a abraçou pela cintura. — Amor, esse é Sam, e essas são as minhas irmãs, Leah e Bella.

Ela nos envolveu em um abraço e pediu que sentássemos, enquanto servia suco para mim e para Leah e uma cerveja para Sam e Seth. Nós começamos a conversar sobre tudo, faculdade, família, trabalho… E logo Claire se sentou ao meu lado e começou a conversar um pouco sobre gravidez e bebês.

– Onde está o seu filho? — eu indaguei.

Ela sorriu.

– Ele saiu com a avó, Sue — respondeu. — Achamos que seria melhor se ele chegasse aqui quando todos nós já tivéssemos nos conhecido.

Eu assenti.

– Eu quero muito conhecê-lo — eu respondi. — Embora eu não saiba dizer se sou muito boa com crianças…

Ela riu.

– Ele é um doce, você vai ver — disse. — E vai adorar vocês. Ele sempre quis uma família grande…

Nós continuamos a conversar durante algum tempo, até que escutamos passos. Menos de um minuto depois, um menino completamente sujo entrou na cozinha, pulando nas pernas do pai. Atrás dele, vinha uma mulher mais velha, mas ainda extremamente bonita, parecendo completamente exausta.

– Harry! — Claire o repreendeu. — Querido… você se sujou todo.

Ele imeditamente fez beicinho, o que me fez sorrir.

– Mas eu queria brincar, mamãe! — ele disse. — E a vovó deixou.

Sue arregalou os olhos, levantando as mãos, mas eu pude ver um sorriso brincando em seus lábios. Claire logo pediu licença e levou o filho da cozinha, enquanto Seth cuidava das apresentações. Eu sorri para Sue gentilmente, e engoli um pouco em seco quando vi que ela fitou a minha barriga por mais tempo do que o necessário.

Antes que eu pudesse dizer ou fazer algo, no entanto, Claire voltou para cozinha, seu filho agora limpo, e o apresentou para nós, apenas dizendo que éramos amigos do papai.

Logo nós começamos a almoçar, mas eu não consegui comer muito. Sam tinha passado o braço sobre o ombro de Leah e eles riam e compartilhavam coisas de casais com Claire e Seth. Sue cuidava do neto, um sorriso enorme no rosto enquanto tentava convencê-lo a comer todos os vegetais.

– Hmmm, com licença. — Eu me virei para Claire. — Pode me mostrar o banheiro?

Ela sorriu gentilmente e se levantou, pedindo licença. Apoiei-me na mesa e fiz o mesmo, passando rapidamente por todos eles.

Eu queria que Edward estivesse aqui.

Eu queria que ele estivesse conhecendo meu irmão comigo, passando por esse dia junto comigo. Eu queria que ele sentisse os chutes fortes que a nossa filha estava dando… eu queria tanto não me sentir tão sozinha naquele momento, em meio a dois casais felizes…

– Está tudo bem, Bella? — Claire indagou. — É aqui o banheiro…

Eu forcei um sorriso para fora do rosto.

– Não é nada… — eu disse. — Apenas uma criança pressionando a minha bexiga.

Ela riu.

– Oh, sim, eu me lembro como é isso — respondeu.

Eu pedi licença e entrei no banheiro. Após aliviar a minha bexiga e lavar as mãos, eu me fitei durante um momento no espelho, me perguntando se, daqui a alguns anos, a minha vida seria como a de Sue. Com um filho único, vivendo com o filho, a nora e o neto… E o pai do meu filho longe, vivendo a sua vida com uma mulher e outros filhos, como se nada tivesse acontecido.

Não… eu não conseguia nem pensar nisso.

Pensar em Edward com outra mulher era demais.

Eu lavei o rosto com água fria, querendo tirar aqueles pensamentos da minha cabeça, e abri a porta do banheiro. Eu levei a mão ao peito e arfei quando vi Sue parada ali.

– Oh, me desculpe, querida, eu não queria assustá-la — ela disse. — Será que… podemos trocar uma palavra?

Eu assenti. Ela apontou para uma varanda e eu a segui. Ela me guiou até uma poltrona que parecia extremamente confortável e me ajudou a sentar. Eu soltei um suspiro de alívio quando senti a almofada macia contra as minhas costas.

Sue riu.

– Ah, eu me lembro da dor nas costas — disse. — Você está bem, Bella? Parecia um pouco tensa ali…

Eu sorri para ela.

– Não, está tudo bem, eu só estou um pouco… — Eu parei por um momento, procurando pela palavra certa. — Emotiva, eu acho. E cansada. Deus, estou tão cansada…

Ela sorriu para mim de forma gentil, como se soubesse exatamente do que eu estava falando. Por fim, puxou uma cadeira para mais perto e se sentou.

– Desculpe por ter encarado a sua barriga mais cedo, eu sei que você percebeu — ela começou. — Seth nos contou que você estava grávida há alguns meses… quando a sua barriga começou a aparecer… Eu custei a acreditar, desculpe-me. Não imaginei que isso voltaria a acontecer na vida de Charlie Swan.

Eu sorri para ela.

– É, eu sei. — Acariciei a minha barriga. — Mas aconteceu. E eu estou feliz por ter decidido continuar com a gravidez. Embora esteja um pouco nervosa.

Ela assentiu.

– Eu te entendo — suspirou. — Te entendo muito bem.

Um silêncio um pouco desagradável tomou conta do local, mas não me incomodei muito. Eu fechei os olhos e respirei fundo, enquanto passeava a mão por meu estômago completamente arredondado.

Até que Sue falou novamente.

– Eu e Seth ajudamos uma instituição aqui em Seattle — ela murmurou -, para mulheres grávidas que não têm quem ajudá-las. Dá um pouco de trabalho, mas é algo que faço com muito carinho.

Eu sorri e assenti, embora não conseguisse entender por que Sue estava falando aquilo logo comigo. Como ela podia não me odiar? Ou a Leah? Era para ela ter essa vida… com o meu pai…

– Eu odiei o seu pai por muito tempo, Bella, não vou negar… — continuou, e a mudança brusca de assunto me confundiu. — Mas eu encontrei um lugar em meu coração para perdoá-lo. Você encontrará também, querida. Você vai ver.

Depois de ter falado isso, ela se levantou e saiu, deixando-me ali, perdida em pensamentos, sem conseguir entender por que ela estava falando aquilo.

Fiquei ali durante mais algum tempo, antes de voltar para a cozinha. Nós só saímos dali já à noite, já que Sam tinha que ir embora, com a promessa de que voltaríamos muito em breve.

_

Como prometido, Leah ficou comigo a semana toda. Graças a isso, pude dedicar meu tempo para estudar e estudar. Ela se certificava que eu tinha comida pronta e roupa lavada, e quando eu disse que não precisava fazer isso por mim, ela quase me chutou — e tenho certeza de que não fez isso porque eu estava carregando a sua sobrinha.

Nós nos aproximamos muito de Seth, Claire e Harry naquela semana, também. Nós saímos para jantar umas duas vezes e passeamos em uma tarde juntos. Claire foi de grande ajuda. Porque enquanto Leah era enfermeira e pudesse me ajudar muito com esse estágio final da gravidez e com coisas de bebê, Claire tinha vivido isso em casa, quando não havia ninguém para ajudar e ela precisava saber diferenciar o choro do bebê — isso depois de não ter dormido bem na noite anterior.

Edward me ligou algumas vezes, encontrou-se comigo em outras, assim como compareceu a minha consulta — que agora eram semanais. Tudo estava certo, a bebê estava quase pronta para nascer — o que me deixou ansiosa e nervosa, tudo ao mesmo tempo. Depois de ouvir isso, Edward passou a ligar pelo menos duas vezes ao dia, querendo saber se eu achava que a bebê iria nascer antes da hora. Honestamente, as ações dele só me confundiam.

Leah continuava a querer ir conversar com ele, mas consegui adiar isso o máximo possível. Até um sábado, quando ela saiu de casa me dizendo aonde estava indo.

– Claire vai vir ficar com você, já liguei para ela — informou-me. — E não adianta dizer não. Já passou da hora de eu ter uma conversa com Edward. Encontro-me com vocês em breve.

Eu acabei passando uma tarde muito agradável com a minha cunhada, embora estivesse preocupada com Leah e Edward juntos. Quando ela apareceu, horas mais tarde, estava sorrindo, mas não quis me contar sobre a conversa.

E, sinceramente, não achei que ela resolveu muita coisa. Edward nunca comentou nada quando me ligava e nem tinha me procurado.

Ele não tinha mudado de ideia, aparentemente.

Eu não tive tempo para me preocupar com isso, porém. As provas começaram, as finais, e eu estava completamente exausta quando saía da faculdade. Quando eu terminei com a última prova do semestre, na sexta, tudo o que eu queria era ir para casa e dormir durante uma semana.

Mas dormir tinha se tornado uma tarefa quase impossível. As contrações leves, que a médica tinha garantido que eram normais e que estavam apenas me preparando para o parto, não doíam, mas incomodavam um pouco. E, além disso, encontrar uma posição confortável para dormir era impossível. E eu também acordava várias vezes, seja durante a noite ou durante o dia, porque a minha filha achava divertido brincar com a minha bexiga.

E então o aniversário de Edward chegou. Eu havia comprado uma lembrança para ele e entreguei, meio sem jeito, embora não fosse lá muita coisa. Eu achei que dar uma fotografia de uma imagem da nossa filha, em 3D, fosse um bom presente. Mas embora ele tenha dito que havia gostado, eu não tinha tanta certeza assim.

– Obrigado pelo presente, Bella. — Ele me abraçou e beijou a minha bochecha de forma demorada. — Eu amei.

Eu corei um pouco e assenti, partindo logo em seguida. Mesmo depois desses quatro meses, ele ainda tinha os mesmos efeitos em mim.

Logo em seguida, Leah e Claire inventaram de fazer um chá de bebê para mim. Não haviam muitas pessoas, mas foi divertido. E até Edward esteve lá. E pela primeira vez, eu realmente senti que ele queria aquilo.

E então julho chegou.

E o dia marcado para o nascimento da minha menina também.

Eu fui me deitar na noite anterior mais cedo, mas custei umas três horas para dormir. Leah havia chegado alguns dias antes, dessa vez para ficar quase um mês. Esses dias até a minha filha nascer e mais uns vinte depois que ela nascesse, para me ajudar com tudo.

Edward ligou várias vezes. Leah me perguntou diversas vezes se eu estava bem.

Mas eu estava. Além da dor na costas, eu estava ótima.

E eu me sentia exatamente assim quando acordei no dia seguinte, por volta das oito da manhã, para ir ao banheiro mais uma vez. Eu me levantei da cama, ainda morrendo de sono, e comecei a andar em direção ao banheiro. Nada diferente teria acontecido se não fosse pelo o que aconteceu a seguir. Eu iria ao banheiro, esvaziaria a bexiga e, depois, voltaria a dormir.

Se eu não sentisse um líquido escorrendo pelas as minhas pernas e caindo no chão.

Eu arregalei os olhos e ofeguei, segurando a minha barriga, olhando para o piso molhado, quase como se esperasse que a minha bebê saísse dali naquele momento. Depois, sabendo que eu tinha que fazer algo, eu gritei o nome da minha irmã.

E ela apareceu cinco segundos depois, e um sorriso enorme nasceu em seu rosto quando ela viu o que tinha acabado de acontecer.

– Está com dores? — ela indagou, me guiando até a cama e fazendo com que eu sentasse. Depois correu até o closet e puxou um vestido. — Sente algo?

Eu neguei.

– Não, não, eu… — engoli em seco. — Eu tenho que ligar para a médica. E para Edward. E para Seth e…

– Shhh, eu ligo para a médica, você, para Edward — ela disse, me ajudando a me vestir. — E, depois, no caminho, ligamos para Seth. Respire, Bella, vai dar tudo certo.

Eu puxei meu celular e disquei para o celular de Edward. Uma, duas, três vezes. E ele nunca atendia. Tentei até quando estávamos no táxi, somente para desistir assim que a primeira contração tomou conta de mim.

Aparentemente, eu traria a minha filha ao mundo sozinha.

Exatamente como tinha passado boa parte da gravidez.

Notas finais
N/A: Nem acredito que o dia de postar esse capítulo chegou! Eu venho querendo contar sobre o Seth há tanto tempo hahaha. Então, a Bella e a Leah têm um meio irmão! O que acham disso? Conseguem, agora, entender a reação do Charlie (embora isso não seja desculpa nenhuma e eu sei que muitas querem socá-lo haha)? E agora? Vamos ver o que acontece. Bem, quanto a esse final... Não se preocupem, apenas confiem em mim. Logo logo vocês vão saber o porquê do Edward não ter atendido ao telefone. Falando nele, finalmente o próximo capítulo será o primeiro de quatro extras. Não sera a continuação desse capítulo, ainda. Primeiro, vamos descobrir umas coisas sobre esse menino Cullen. Espero que tenham gostado! A gente se fala em breve, ok? xx N/B: OMG OMG OMG OMG A bolsa rompeu!!!! Já já Bella vai ver a carinha dessa princezinha. Onde o Edward está? Será possível que ele não vai estar com Bella na hora do parto? Não pode isso produção!!! Bjs, Lu.