Unwritten
9 Capítulo Extra 01
Notas iniciais
Edward POV.
Eu suspirei pesadamente enquanto dava partida no carro, seguindo em direção à casa dos meus pais, que ficava um pouco distante dali — meio afastada da cidade. Dirigi o mais devagar que pude, porque eu não queria enfrentá-los. Eu e Bella tínhamos combinado de contar a novidade somente na sexta, mas mesmo assim…
Eu realmente não queria olhar nos olhos de Carlisle e Esme e contar a eles que eles seriam avós.
Eles… sempre querendo tudo sob controle, sempre achando que o dinheiro resolvia tudo.
Eu tinha certeza de que eles não ficariam felizes com a notícia de que seriam avós dentro de alguns meses.
Eu apertei o volante do carro com um pouco mais de força do que necessário quando a casa entrou em meu campo de visão. Eu tinha dirigido abaixo do limite durante todo o tempo e, mesmo assim, tinha chegado mais rápido do que esperava. Estacionei atrás do carro do meu pai e fiquei parado ali durante alguns minutos, criando coragem para entrar. Por fim, sabendo que não podia enrolar para sempre, eu saí do carro e me dirigi até a porta da frente, após pegar a minha pequena mala. Respirei fundo e, após alguns minutos, toquei a campainha.
Eu sabia que eles estavam em casa, já que o carro do meu pai e da minha mãe estavam ali, assim como o do motorista deles, mas peguei-me desejando que eles não estivessem em casa, porque, sinceramente, eu não estava pronto para enfrentá-los.
Ouvi o barulho de sapatos e de vozes, e, menos de um minuto depois, a porta se abriu. Sorri imensa e verdadeiramente quando eu vi Kaure ali.
– Menino Edward! — ela gritou, puxando-me para os seus braços. Eu larguei a mala, deixando-a cair no chão, e a abracei, sem parar de sorrir. — Eu senti a sua falta!
– Oi, Kaure. — Beijei a sua bochecha. — Eu também senti saudades.
Ela me puxou para dentro, levando-me direto para a cozinha, ignorando meus protestos. Sentou-me à mesa e começou a andar de um lado para o outro na cozinha, enquanto preparava algo para eu comer. Um sorriso imenso nasceu em meu rosto assim que vi que ela estava fazendo meu sanduíche favorito.
Ela sempre fazia quando eu vinha visitar.
Depois de ter terminar de prepará-lo, ela veio se sentar ao meu lado e me observou comer, sempre sorrindo. Ela perguntou sobre a faculdade, se eu estava gostando… Fez, também, perguntas sobre Bella, o que me fez lembrar da notícia que eu daria na sexta. Procurei disfarçar e, milagrosamente, Kaure não fez nenhuma pergunta. Ela me conhecia bem demais, já que ela tinha sido a minha babá desde que eu nascera e me conhecia melhor do que ninguém. Se ela tinha percebido que eu tinha ficado estranho quando ela perguntara sobre a minha namorada, ela não comentou nada.
– Os meus pais saíram? — eu indaguei, quando terminei de comer. Limpei a minha boca com o guardanapo e tomei o restante do refrigerante, sentindo-me completamente satisfeito. — Eu vi os carros lá fora…
Ela sorriu.
– Eles estão com alguns amigos no escritório — respondeu. — Pediram que eu o alimentasse quando você chegasse e disse que encontrariam você pela manhã… Disseram que era uma reunião importante…
Eu virei o rosto, não querendo que Kaure visse a decepção em meus olhos. Eu não via os meus pais desde agosto e eles não faziam questão de interromper uma reunião por cinco minutos, nem para me dar um abraço…
Kaure, no entanto, me conhecia demais. Ela pegou a minha mão e deu um aperto tranquilizador, sorrindo de forma triste. Deitei a cabeça em seu ombro e suspirei. Talvez fosse melhor assim…
– E agora, conte-me o que há de errado com você e Bella. — Ela disse. Eu arregalei os olhos, fazendo-a rir. — Eu te conheço melhor do que você pensa, menino Edward. Você sabe disso…
Eu olhei em seus olhos, pronto para inventar uma desculpa, mas eu sabia que Kaure não me julgaria. Ela poderia ficar um pouco surpresa, no começo, mas ela, de fato, me conhecia melhor do que ninguém.
– Qual é o problema? — ela insistiu, de repente séria. — Vocês brigaram? Vocês… vocês não terminaram, não é?
Eu neguei imediatamente.
– Não, não é nada disso — eu respondi. — É só que…
Parei novamente, meus olhos disparando até a porta da cozinha. Eu só contaria a novidade para Carlisle e Esme na sexta, mas… Kaure poderia ficar sabendo agora, não é?
– Bella está grávida — eu sussurrei, baixo o suficiente só para ela ouvir. — Nós descobrimos na segunda.
Kaure arregalou os olhos e abriu e fechou a boca diversas vezes, quase como se não soubesse o que ela deveria dizer. Eu sorri, sabendo exatamente como ela se sentia.
– É, eu sei — murmurei. — Estou nervoso, Kaure. Não acho que serei um bom pai. Na verdade, acho que essa criança vai me odiar…
Ela me parou, colocando a mão na minha boca, fitando-me com os olhos severos. Eu a olhei, meus olhos arregalados de medo e cheio de lágrimas querendo cair, e quando dei por mim, estava nos braços dela.
– Oh, menino Edward — ela sussurrou. — Vai ficar tudo bem. É cedo, muito cedo, mas você tem a Bella, tem a mim… Vai dar tudo certo…
Eu queria, mais do que tudo, acreditar nas palavras dela, mas não era fácil. Deixei-me ser envolvido pelo calor dos seus braços e fechei os olhos, desejando poder voltar a ser criança nem que fosse por alguns minutos. Bella e eu tínhamos descoberto que ela estava esperando um filho meu há poucos dias e eu já estava me sentindo exausto — tanto física quanto psicologicamente. Eu não queria nem imaginar como seria daqui a alguns meses.
– Agora vamos… — Ela se levantou. — Você vai deitar, dormir um pouco, porque amanhã… você sabe. Seus pais amam o dia de Ação de Graças e aqui vai estar cheio o tempo todo…
Eu fiz uma careta.
– Obrigado pelas palavras e pelo abraço, Kaure — eu disse a ela. — Significou muito para mim.
Ela sorriu.
– Daqui a alguns meses eu vou segurar o seu bebê com orgulho nos braços, menino Edward. — Ela bagunçou os meus cabelos. — Agora vamos. Podemos conversar sobre isso mais tarde. Sei que você deve estar cansado…
Ela me arrastou até o meu antigo quarto e separou uma roupa para mim, mesmo comigo brigando para ela não fazer aquilo. Mandou-me tomar um banho e dormir, sem escutar uma palavra do que eu estava falando.
Eu não pude deixar de sorrir enquanto seguia para o chuveiro, porque Kaure parecia mais uma mãe para mim do que Esme; sempre fora assim. Quando eu adoecia e precisava de um adulto para ficar ao meu lado à noite, medindo a minha temperatura e me dando banhos frios, era Kaure quem estava lá. Sempre ela.
Nunca os meus pais.
O sorriso foi morrendo aos poucos enquanto eu me lembrava de momentos da minha infância. Eu sempre procurava mostrar aos meus pais minhas notas, sempre me esforçando na escola, querendo que eles sentissem orgulho de mim, mas eles nunca reagiam como Kaure. Eles apenas me davam presentes caros, como se o dinheiro pudesse substituir tudo o que eu queria naquele momento: um abraço, um beijo.
Qualquer coisa que não fosse algo material.
Apoiei a cabeça na parede muito fria do banheiro, enquanto deixava a água escorrer pelas minhas costas, as lágrimas caindo pelo meu rosto. Era a primeira vez, desde a notícia da gravidez de Bella, que eu me permitia chorar, porque eu queria me mostrar forte por ela, queria que ela soubesse que podia contar comigo.
Agora, porém, que não havia ninguém me assistindo…
Solucei, sem me preocupar com o fato de alguém ouvir, e lembrei-me de quando a minha namorada tinha vindo até a mim, contando suas suspeitas. Ela tinha enjoado algumas vezes nos dias anteriores, mas nós tínhamos achado que havia sido algo que ela tinha comido. Eu tinha certeza disso até ela chegar e me dizer que estava atrasada, mas que estava com medo de fazer algum teste. Eu me lembrava de ter congelado durante alguns instantes, sem conseguir acreditar que ela tinha dito aquilo. Lembrava-me também, de ter me xingado e me chamado de burro diversas vezes, porque agora eu estava ciente das vezes que me esqueci completamente da camisinha.
Mesmo Bella tendo me avisado que ela estava trocando as pílulas pela injeção.
Tentando parecer mais firme do que eu estava, eu a tinha levado a um médico. Nós contamos nossas suspeitas e ele pediu um exame de sangue. Quando ele voltou e o médico disse que estávamos certos…
Bem, eu tinha certeza de que estava tendo um pesadelo e que iria acordar em breve.
Mas não acordei.
Nós marcamos uma consulta com a obstetra que o médico tinha nos recomendado e, pelos próximos dias, eu tentei ser o suporte que Bella precisava. Ela estava enjoando, estava mais cansada… E ela ainda estava se preocupando com a reação dos pais — principalmente a de Charlie. Não precisava se preocupar com meus sentimentos também. Eu lidaria com eles. Só precisava de um tempo.
Só que aqui estava eu. Uma semana se passara desde que tínhamos descoberto que ela estava grávida e eu não tinha ideia do que faria. Iria ser um péssimo pai, eu tinha certeza disso. Afinal, com Esme e Carlisle como exemplos, o que eu poderia ensinar ao meu filho?
Esses sentimentos foram só se fortalecendo com o passar dos dias e escondê-lo se tornava a cada vez mais difícil. Tudo piorou quando ouvimos o batimento do bebê: a prova real de que ele estava ali, crescendo no útero de Bella.
E se eu estragasse tudo? E se eu o decepcionasse, exatamente como os meus pais faziam comigo diariamente?
Novamente, porém, eu escondi tudo isso. Bella já parecia tão assustada e precisava tanto de mim…
Até o dia que ela me viu sentado no sofá, perdido em meus pensamentos.
Eu havia chegado em casa um pouco mais tarde do que pretendia, exausto. Fiquei surpreso ao encontrar Bella dormindo no sofá, uma onda de culpa tomando conta de mim quando notei as marcas de lágrimas em seu rosto e seu nariz um pouco avermelhado. Eu caminhei até ela e a peguei no colo, gentilmente, não querendo que ela acordasse, antes de levá-la até o nosso quarto. Um pequeno sorriso tinha nascido em meus lábios quando eu vi que ela havia se aconchegado contra o meu corpo. Eu me lembrava de ter a colocado na cama e ter a admirado durante algum tempo, passando os dedos de leve pelo seu rosto, tirando as mechas do seu cabelo da sua testa… E tinha desejado que nosso filho saísse exatamente como ela. Eu realmente não me importaria com isso. Ele seria lindo.
Eu tinha tentado dormir, mas eu simplesmente não conseguia. E, com medo de acordar Bella — já que eu não parava quieto -, eu fui para a sala. E foi lá que eu encontrei, caída no chão, a ultrassonagrafia do nosso bebê.
Eu a olhei durante algum tempo, não conseguindo distinguir nada ali. E Bella tinha me encontrado algum tempo depois, enquanto eu me perguntava que tipo de pai seria.
E ela pareceu saber, naquele momento, que eu estava escondendo o quão assustado eu estava há dias. E, confesso, foi bom ouvir aquelas palavras dela, embora nós não tivéssemos conversado muito. Curti-la foi bom, ouvir que ela me amava também.
Ela tinha insistido em dirigir para cá hoje, embora eu soubesse que ela estivesse cansada, porque ela queria que eu dormisse um pouco. Eu sorri em meio às lágrimas, pensando nela, desejando que ela estivesse ali comigo…
Perguntei-me o que ela estaria fazendo agora, se ela estaria assustada, se os pais dela tinham desconfiado de algo. Por fim, suspirei e joguei a cabeça para trás, sabendo que eu não podia ficar tendo aqueles pensamentos para sempre, nem tomando banho para sempre. Lavei meu rosto, tirando o vestígio das lágrimas, e rapidamente terminei de me lavar, antes de desligar o chuveiro e puxar a toalha do suporte.
Sequei-me e me vesti, antes de seguir para a cama e me jogar ali. Kaure havia deixado tudo pronto, mesmo comigo insistindo para ela não fazer isso. Eu sorri quando vi a minha mala desfeita, as minhas coisas guardadas… Minha cama pronta para eu dormir… Ela sempre tinha cuidado tão bem de mim, desde que eu era bem pequeno. Tão bem que, depois que cresci e não precisei mais de babá, meus pais a mantiveram como uma espécie de governanta. Ela gostava de cozinhar, então ficava mais na cozinha. E ela quem cuidava das outras duas empregadas que tínhamos, decidindo o que cada uma delas iria fazer. Havia uma pequena casa aos fundos e Kaure morava ali. Seu marido havia falecido há alguns anos e eles não tinham filhos, por isso Kaure sempre dissera que ela cuidava de mim como o filho que ela nunca tivera.
Eu sorri novamente, sabendo que ela cuidaria do meu bebê também.
Meu sorriso, porém, morreu ao pensar que, muito provavelmente, ela seria mais avó dele do que meus próprios pais.
O sono não veio fácil, exatamente como tinha sido nos últimos dias, mas eu consegui dormir, eventualmente. Por isso, acabei acordando um pouco mais tarde do que eu planejava e, quando desci, meia hora mais tarde, a casa já estava cheia de empregados, querendo deixar tudo pronto para os convidados de mais tarde.
E eu ainda não tinha visto meus pais.
– Bom dia, Kaure. — Eu entrei na cozinha, sorrindo um pouco ao vê-la correr de um lado para o outro, querendo deixar tudo pronto para o jantar. Parei-a, no entanto, para lhe dar um abraço e um beijo, o que a fez rir. — Venha tomar café comigo…
Ela revirou os olhos, enquanto batia um pano de prato em mim.
– Não posso, menino Edward — ralhou. — Eu vou preparar o seu rapidamente, vá se sentar. O que você deseja? Bacon e panquecas?
Eu assenti, e suspirei quando lembrei que Bella agora não podia nem sentir o cheiro de Bacon mais sem ter de correr para o banheiro…
– O que foi isso? — ela indagou.
Eu encolhi os ombros.
– Só me lembrando dos enjoos matinais de Bella — comentei. — Ela não pode nem passar perto de bacon mais…
Kaure sorriu.
– Imagino como deve ser — disse. — Agora, sente-se, menino. Seus pais deram uma saída, mas voltarão em breve. Eles pediram para você esperar por eles lá fora. Querem ficar um pouco com você…
Eu sorri, mas não disse nada, sabendo que, na verdade, meus pais queriam era saber como a faculdade estava indo, se eu estava gostando do curso… Um curso que eu odiava, mas fazia porque eles esperavam que um dia eu assumisse a empresa de ambos.
Algo que eles me preparavam desde que eu era criança, por assim dizer.
Kaure, alheia aos meus pensamentos, serviu meu café da manhã e bagunçou o meu cabelo quando colocou o prato à minha frente, exatamente como ela costumava fazer quando eu era criança.
– Você me mima demais — eu brinquei. — Talvez eu devesse sequestrá-la e levá-la para Seattle comigo…
Os olhos dela brilharam enquanto ela ria.
– Você sabe que eu ia adorar isso, Edward — disse. — Quem sabe eu não vá em breve?
Eu apenas sorri, desejando que ela pudesse mesmo ir. Eu amaria tê-la por perto. Talvez quando o bebê nascesse…
Nós conversamos durante algum tempo, antes que eu seguisse para a área da piscina. Sentei-me em um dos bancos, respirando fundo, tentando me acalmar. Amanhã, a essa hora, provavelmente meus pais já saberiam que eles seriam avós…
E como será que eles reagiriam?
– Edward!
Eu levantei imediatamente ao ouvir da minha mãe e sorri. Eu tinha sentido a falta dela. Tanto dela quanto do meu pai. Era triste, porém, pensar que eles se preocupavam com dinheiro acima de tudo e que provavelmente não ansiavam por esse encontro tanto quanto eu.
– Oi, mãe. — Envolvi-a em um abraço apertado, antes de me afastar e olhar para Carlisle. — Oi, pai. Tudo bem?
Meu pai apertou a minha mão e sorriu, antes de assentir.
– Tudo ótimo, filho — ele respondeu. — Mas… nos conte. E a faculdade? Gostando do curso?
Eu forcei um sorriso para fora do rosto, escondendo a minha decepção novamente. Conversei com eles brevemente sobre o meu curso, tentando me mostrar empolgado, embora eu não me sentisse dessa maneira.
Principalmente quando meu pai começou a falar sobre estágios.
– Ano que vem você entrará em seu terceiro ano, Edward — ele disse. — Quem sabe você não começa a trabalhar na nossa empresa, ver como as coisas funcionam? Talvez em setembro?
Eu assenti, mas não disse nada. Eu os conhecia o suficiente para saber que eles não estavam pedindo a minha opinião; eles estavam apenas informando.
Depois disso, os dois começaram a conversar mais sobre a empresa do que sobre mim e eu fui obrigado a escutar, sorrindo e assentindo nos momentos certos, mas, graças a Deus, nunca tendo que dizer nada. Quando Kaure apareceu, pedindo licença, eu lhe dei um sorriso agradecido.
– Os convidados chegaram — ela informou aos meus pais. — Devo levá-los à sala?
Ambos sorriram e assentiram, antes de a seguirem. Eu fiquei ali durante algum tempo, antes de Kaure aparecer novamente, dizendo que os meus pais tinham mandado me chamar.
O dia passou voando, para a minha infelicidade. Por um lado, eu estava feliz que não precisava fingir na frente de todas aquelas pessoas, mas por outro… isso só significava que amanhã chegaria mais rápido…
E eu teria que contar a Esme e Carlisle que eles seriam avós.
Depois que eu ajudei Kaure a limpar a bagunça — embora ela tenha protestado e tentado me expulsar da cozinha diversas vezes -, eu segui para o meu quarto, louco para tomar um banho e dormir. Depois de já ter feito a primeira coisa, eu me joguei na cama e puxei o meu celular pela primeira vez no dia. Eu tinha o esquecido no quarto.
Sorri um pouco quando vi que havia uma mensagem de Bella ali, e rapidamente respondi, dizendo que a amava de volta. Pensei em perguntar como tudo havia sido ali e como ela estava, mas já era tarde. Eu não queria ficar mandando mensagens e a acordando.
Ela vinha dormindo um pouco mais do que o normal ultimamente, graças ao bebê crescendo na barriga dela.
Deitei-me na cama e não demorei muito a dormir, o que eu agradeci. Exatamente por isso, eu acabei levantando um pouco mais cedo do que esperava.
E quando desci, torcendo para que os meus pais ainda estivessem dormindo, eles já estavam acordados e tomavam café da manhã na sala de jantar.
– Edward! — Meu pai sorriu. — Venha cá, filho, tome café conosco… Acabamos não terminando a nossa conversa ontem…
Eu me sentei à mesa com eles e tive de me submeter a outra conversa longa sobre a empresa. Quando ambos terminaram, eles pediram licença e saíram, às pressas, dizendo que estariam de volta dentro de algumas horas.
Eu deitei a minha cabeça na mesa e suspirei. Eu tinha planejado contar a eles hoje a novidade, mas não tinha parado para pensar no que aconteceria se eles não passassem o dia em casa. Foi assim que Kaure me encontrou.
– Ei, menino. — Ela passou a mão pelos meus cabelos. — Você contou a novidade a eles?
Eu suspirei pesadamente.
– Não — resmunguei. — Eles saíram antes que eu pudesse dizer algo… Eu pensei que iríamos à casa de alguns amigos deles hoje… Acho que eles desistiram.
Kaure sorriu.
– Eles decidiram ir amanhã — respondeu. — Ouvi os dois comentando hoje cedo. Vocês irão jantar lá.
– Espero que eles voltem cedo — comentei. — Preciso mesmo contar a eles logo…
Kaure afagou meu ombro suavemente e depois saiu da sala de jantar, deixando-me sozinho com meus pensamentos.
Esperei por meus pais durante todo o dia, mas eles não voltaram. Quando chegaram em casa já se passara das seis horas… e eles não estavam sozinhos. Contar hoje, imaginei, seria algo impossível.
Foi exatamente por isso que acordei mais cedo no sábado, sabendo que eles nunca estavam acordados àquela hora — a não ser quando havia alguma emergência na empresa. Tomei um café da manhã rápido e, depois, fiquei andando de um lado para o outro em frente à escada, porque assim eu os veria tão logo acordassem.
Dito e feito, meia hora mais tarde, Carlisle e Esme desceram as escadas, ambos ainda vestidos em seus devidos robes. Eles me fitaram com curiosidade quando me viram ali, mas não comentaram nada.
– Eu gostaria de trocar umas palavras com vocês, se não tiver problemas — eu disse, enfim, quando vi que eles não falariam nada. — Posso esperá-los na sala de escritório enquanto vocês tomam o café?
Meu pai e minha mãe trocaram um olhar antes de assentiram, obviamente confusos e curiosos. Eu deixei que eles seguissem para a sala de jantar e respirei fundo, sabendo o que aconteceria dentro de alguns instantes.
Eles saberiam.
Eles surtariam.
Eles, muito provavelmente, me machucariam.
– Vai ficar tudo bem, menino. — Eu me assustei ao ouvir a voz de Kaure e ao sentir seu toque suave no meu ombro. — Você vai ver. Apenas respire fundo, ok? Vai dar tudo certo.
Eu assenti e forcei um sorriso, embora eu não conseguisse acreditar nas palavras dela e nem conseguisse me acalmar. Abracei-a rapidamente e deixei que ela beijasse o meu rosto, antes de seguir para o escritório.
Tentei me sentar, tentei ler, tentei andar. Nada me acalmava. Eu tremia, tinha certeza disso, e tudo só piorou quando meus pais entraram, ainda me fitando com curiosidade. Eu apontei para a sofá e esperei que eles se sentassem. Pensei em me sentar na poltrona à frente deles, mas eu sabia que não iria conseguir ficar quieto, então desisti. Por fim, apenas respirei fundo e fitei os dois, sem saber como começar.
– Aconteceu… algo. — Eu sabia que estava sendo vago e que isso não explicava nada, só piorava meus nervos, mas não consegui pensar em nada melhor para dizer. — Não era algo que eu planejava… ou Bella, mas nós…
– Não precisa falar mais nada, Edward. — Meu pai me interrompeu. — Quanto?
Eu parei, e me virei para ele, meus olhos se arregalando quando eu vi que ele retirava a carteira e de lá, um talão de cheques.
– O quê? — indaguei, sem conseguir acreditar no que estava vendo.
Meu pai revirou os olhos.
– Vocês estão tendo problemas financeiros? — ele indagou, pegando uma caneta e apoiando o talão no braço do sofá. — Precisa de quanto? Eu sabia que estava na hora de aumentar a sua mesada e…
Eu balancei a cabeça, incrédulo. Eu deveria ter adivinhado que eles levariam tudo para o lado do dinheiro… como sempre.
– É, querido. — Esme sorriu. — Não precisa ter vergonha. Você está querendo comprar um presente para Bella? Precisa trocar o carro? É só falar, Edward. Você sabe que nunca negaremos nada a você…
Eu engoli em seco, ainda sem conseguir acreditar que eles estavam fazendo aquilo. Será que eles não podiam calar a boca e esperar eu terminar de falar, ao invés de pularem logo para a conclusão de que o dinheiro resolveria tudo, como sempre faziam?
– Não é isso, ok? — Eu quase gritei. E depois, porque eu estava com raiva, chateado, nervoso… tudo ao mesmo tempo, eu acrescentei, ainda quase gritando: — Bella está grávida! Eu vou ter um filho e vocês serão avós!
A mão do meu pai, pronta para escrever algo no cheque, congelou e ele me fitou, pálido. A minha mãe abriu e fechou a boca diversas vezes, mas não disse nada.
– Foi uma surpresa para nós dois — eu continuei, o silêncio me deixando ainda mais nervoso. — Mas nós va-
– Vejo qual é o problema. — Meu pai me interrompeu. — Quanto custa um aborto hoje em dia? Vocês pesquisaram?
Eu ofeguei.
– Nós não vamos fazer um aborto, pai! — eu gritei. — Vamos cuidar da criança!
Minha mãe suspirou.
– Edward, querido, eu entendo que você esteja tentando fazer o que acha que é o melhor, mas… — Ela hesitou por um momento. — Você é muito novo, Edward. Por que vocês não… se desfazem dessa criança e tentam novamente daqui uns… dez anos? Huh? Não seria melhor?
Eu virei, fitando a parede, incapaz de olhar para os dois, sem conseguir acreditar que os meus pais estavam falando de aborto.
– Não, mãe — eu disse, minha voz firme. — Nós ficaremos com o bebê. Isso já está decidido e não vamos mudar de ideia.
Carlisle riu.
– Ora, seja razoável, Edward! — ele disse. — Você tem um futuro inteiro pela frente, essa criança só vai atrapalhar… E também, vamos falar sério… Você ainda é, como a sua mãe disse, muito jovem. Vai acabar sendo um fracasso de pai.
Fechei minha mãos em punhos e apertei os olhos, tentando me controlar. Respirei fundo, pedindo a alguém que me acordasse daquele pesadelo, porque aquele era a única explicação. Meus pais não podiam estar falando comigo daquela maneira. Eu tinha que estar dormindo.
Mas depois de ficar calado durante alguns minutos e respirar fundo, eu vi que era real. E eu não estava sonhando.
– Vou fazer o melhor que eu puder. — Mas as minhas palavras saíram mais fracas do que eu esperava. — Eu vou tentar.
Eles suspiraram.
– Você vai acabar arruinando a vida dessa criança. — Minha mãe continuou. — Pense, querido. Você vai ver que estamos certos, ok?
Eu ouvi um barulho atrás de mim, mas não virei.
– Vamos deixar um dinheiro aqui — meu pai disse. — Você e Bella podem ir fazer… cuidar desse problema. Futuramente, você vai agradecer.
Eu fechei os olhos, fazendo uma força tremenda para não chorar.
– Nós temos uma reunião agora — minha mãe disse. — Conversaremos quando voltar, ok?
Eles logo saíram do escritório e, após alguns minutos, eu virei. Na mesa estava um cheque — gordo, eu tinha certeza. Não tive coragem de olhar para ele, por isso nem me aproximei da mesa.
Corri para a casa dos fundos, a casa de Kaure, sabendo que ela me acolheria e estaria ali por mim.
– Oh, menino Edward… — Ela suspirou quando me viu, lágrimas escorrendo pelo meu rosto, e puxou-me para seus braços. — Shhh… Eu estou aqui… eu estou aqui…
Kaure me deixou ficar na casa dela e prometeu que mentiria para os meus pais que eu tinha ido embora. Eu escondi o meu carro na garagem dela e fiquei ali, o resto do final de semana, incapaz de me esquecer da conversa que tínhamos tido.
Um fracasso de pai, as palavras do meu pai ressoaram em meus ouvidos. Você vai acabar arruinando a vida dessa criança, lembrei-me do que a minha mãe havia dito.
E eu sentia — e sabia, de alguma forma — que eles estavam completamente certos.
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