Unwritten
15 Capítulo Nove
Notas iniciais
Edward POV.
Eu saí do apartamento de Bella um pouco mais tarde do que o costume naquela noite, já que não tinha podido ir de manhã. Novamente, dei banho em Lily e a vesti, antes de ficar com ela no colo – ela parecia um pouco manhosa naquele dia e não queria muito ficar no berço. Quando o relógio marcou seis da tarde e Lily tinha acabado de mamar, percebi quão cansada Bella parecia.
– Bella? – eu chamei, enquanto esfregava as costas da minha filha suavemente, esperando que ela arrotasse. – Por que você não deita um pouco? Posso ficar até um pouco mais tarde hoje... eu ficarei com essa pequena.
Ela abriu a boca para protestar, mas outro bocejo escapou de seus lábios, o que me fez sorrir. Ela concordou, então, e pediu que eu acordasse caso necessitasse de algo.
Não a acordei, no entanto. Permaneci com Lily, troquei a fralda dela quando ela acordou de seu cochilo, às oito da noite... Infelizmente, tive que chamar Bella quando três horas se passaram e nossa filha começou a chorar. Depois de ver que ela ainda estava seca e de que niná-la não adiantava, chamei Bella e a ajudei a se sentar, antes de entregar a bebê.
Tornei a pegar nossa filha quando ela terminou de mamar e falei com Bella para dormir mais um pouco. Ela parecia exausta e, como eu não estava aqui durante a noite para ajudá-la, ficar até mais tarde era o mínimo que eu podia fazer.
E, além disso, não era nenhum sacrifício.
Quando Lily tornou a acordar, três horas mais tarde, eu sabia que era hora de ir embora. Já se passava de meia noite... eu não achava que Bella gostaria que eu ficasse à noite toda na sala dela.
– Eu volto amanhã, ok? – eu murmurei, no quarto, depois de ter colocado Lily para arrotar e depois de trocá-la. Ela estava dormindo agora; Bella poderia voltar a dormir por mais algumas horas. – Vou estar aqui cedo. Descanse.
Ela assentiu.
Caminhei até o berço e beijei a testa da minha filha, acariciando sua bochecha gordinha. Ela tinha nascido há menos de um mês e, mesmo assim, parecia que tinha crescido tanto. Era incrível poder estar por perto para assistir o crescimento dela. Eu só esperava por estar mais presente ainda nos meses que se passassem.
Eu já havia perdido tanto na gravidez. Eu não queria perder mais nada.
E foi exatamente por isso que eu parei na porta do quarto de Bella e me virei. Eu não aguentava mais esconder tudo aquilo dela, não aguentava mais não poder conversar com ela. Já havia passado da hora de falarmos sobre tudo o que havia acontecido conosco.
– Bella? – eu chamei.
Ela estava deitada de lado na cama, mas não havia dormido ainda. Ela abriu os olhos quando ouviu a minha voz, mas não disse nada. Eu respirei fundo e fechei os olhos por um momento, antes de abri-los e olhar para ela.
– Nós realmente precisamos conversar. – Eu forcei um sorriso para fora do rosto, não querendo assustá-la. – Já adiamos demais.
Bella me fitou durante alguns segundos, antes de assentir. Eu sorri para ela novamente, antes de sair do quarto e me dirigir para a saída. Eu não fui diretamente para casa, no entanto. Entrei no carro e ali fiquei, observando o prédio que Bella, desejando que pudéssemos conversar naquela noite. Eu sabia que uma conversa não resolveria as coisas, sabia que ela talvez nunca me aceitasse de volta, mas eu...
Deus, como eu queria ficar.
Foi difícil dormir naquela noite, embora eu não soubesse dizer exatamente o porquê. Fui para o quarto de Lily e fiquei ali durante um tempo, me perguntando se algum dia ela iria dormir ali, se algum dia Bella iria conhecer o local que eu havia preparado para a nossa filha pouco tempo antes do nascimento dela.
Eu organizei alguns itens no armário dela, itens que eu havia comprado junto com os que eu tinha levado para Bella, apenas para o caso de eu precisar de cuidar da minha filha durante uma noite ou algo assim. Não pude deixar de sorrir para as roupas pequenas, assim como as meias, toucas, luvas...
Quando me deitei, alguns minutos mais tarde, não pude deixar de me perguntar como seria a minha conversa com Bella. Ela aconteceria amanhã? Ou não teríamos tempo para isso?
Amanhã, eu pensei. Eu sabia que não seria capaz de esperar tanto mais.
Exatamente por isso, acabei me levantando mais cedo do que o costume, ansioso demais para ficar deitado. A privação de sono deveria ter me deixado sonolento, mas eu não sentia dessa forma; pelo contrário, só queria poder ir para a casa de Bella logo.
E conversar com ela logo.
Segurei-me ao máximo, no entanto, porque, ciente dos horários de Lily, eu sabia o quão cansada ela ficava e em como Bella gostava de deitar novamente pela manhã, após amamentar, apenas para poder descansar um pouco.
Parti para a casa dela apenas às nove, sabendo que a minha filha deveria estar acordando nesse horário novamente, exigindo seu café da manhã.
Minha filha.
Às vezes era difícil acreditar que eu realmente era um pai.
Quando Bella abriu a porta do apartamento, algum tempo mais tarde, Lily estava no seu colo, sua cabeça no ombro da mãe. Eu sorri quando vi que ela estava acordada, e, após dar um abraço rápido em Bella – o que pegou a nós dois de surpresa –, eu a peguei no colo, um sorriso enorme no rosto.
– Oi, amor – eu murmurei, beijando a bochecha dela. – Hmmm... Você está cheirosa. Tomou seu banho mais cedo hoje?
Bella sorriu, enquanto cruzava os braços.
– Nós tivemos um pequeno acidente esta manhã – disse. – Ela se molhou enquanto eu retirava a fralda. Aproveitei e dei um banho nela.
Eu sorri.
Enquanto Bella ia tomar um banho e comer alguma coisa, eu fiquei com a nossa filha, que não parecia sentir vontade de voltar a dormir naquele momento. Conversei com ela sobre coisas aleatórias, apenas porque ela parecia gostar de ouvir a minha voz. Ela reclamava quando eu parava de falar, pelo menos.
Eu a observei tomar o seu café da manhã, me sentindo mais ansioso a cada minuto que passava. Eu sabia que conversaríamos naquele dia, sabia que seria em breve, provavelmente assim que Lily dormisse, mas...
Eu realmente só queria que ela soubesse tudo logo.
– Você quer que eu limpe tudo? – eu indaguei, assim que Bella terminou de comer. – Lily está quase dormindo... por que não a amamenta enquanto isso?
Bella assentiu, mas não disse nada. Eu entreguei a nossa filha para ela e caminhei até a cozinha, limpando rapidamente o que Bella havia sujado naquela manhã. Guardei todas as coisas que ela tinha deixado na mesa também, querendo me manter ocupado e deixar tudo pronto – eu não queria que nada nos interrompesse uma vez que começássemos a conversar.
Deus, eu tinha tanta coisa para dizer. E realmente não tinha ideia de como deveria começar. Por onde deveria começar.
Quando tudo estava limpo, eu caminhei até o quarto e encontrei Bella fechando a blusa com um pouco de dificuldade, já que ela apoiava Lily com a outra mão no ombro. Rapidamente, peguei a bebê no colo e a coloquei para arrotar, dizendo para Bella se ajeitar enquanto isso.
Limpa e com a barriga cheia, não demorou muito para que Lily dormisse, ainda nos meus braços. Eu depositei um beijo em sua testa e a coloquei no berço, a ajeitando ali, antes de pegar o monitor e seguir para sala.
– Bella? – murmurei. – Podemos conversar agora?
Era estranho agir assim perto dela. Nós nos conhecíamos há anos, fomos amigos antes de nos tornarmos namorados, ela tinha sido a minha primeira em tudo, assim como eu tinha sido o dela. E, mesmo assim, conversar sobre os nossos pais parecia algo tão complicado...
– Claro, Edward – ela suspirou, se sentando na poltrona. – Sente-se.
Eu me sentei no sofá e fechei os olhos por um momento, apoiando a cabeça nas mãos, pensando por onde deveria começar. Talvez eu tenha ficado assim durante alguns minutos, antes de finalmente me lembrar da conversa que Leah tinha tido comigo, pouco antes do nascimento de Lily.
E eu decidi começar contando sobre essa conversa.
– Leah me visitou, certa vez – eu disse, ainda sem fitá-la. – Ela talvez tenha mencionado isso para você, mesmo não te contando sobre o que foi, exatamente, a conversa.
Eu sorri um pouco, levantando a cabeça e a olhando. Ela estava curiosa, eu podia dizer. Leah não tinha contado para ela sobre o que havíamos conversado, então.
– Ela me contou tudo o que aconteceu quando você foi conversar com os seus pais, em Forks, meses atrás – soltei. Eu a vi arregalar os olhos e abrir a boca, mas nenhuma palavra saiu dali. – Eu não tinha ideia, Bella. Eu nunca imaginei que eles fariam isso com você. Imaginei que eles ficariam com raiva, porque, afinal, nós somos muito novos, mas... um aborto? Te expulsar? Cortar toda a ajuda que eles te davam?
Eu parei por um momento, me lembrando de como havia me sentido quando Leah me contara tudo. Em quão sozinha Bella deve ter ficado. E em como eu não ajudei em nada fazendo tudo o que eu fiz.
– Eu sei que dizer sinto muito não muda nada – continuei. – Sei que nunca vai apagar tudo o que eu fiz nesses meses. Nada justificará, também. Eu só... eu só não tinha ideia. Por quê? Por que você não me contou?
Bella suspirou e fechou os olhos, antes de abri-los e fitar as mãos, que estavam cruzadas em seu colo.
– Você parecia ter tanto em mente – ela sussurrou. – Parecia tão abatido e preocupado... Eu sei que nada deu muito certo quando você contou aos seus pais, então... Toda vez que alguém perguntava como o nosso feriado havia sido, você fazia uma cara tão estranha... Eu achei que poderia lidar com aquilo sozinha durante um tempo, mas...
Ela encolheu os ombros, então, e não disse mais nada. Eu nos xinguei mentalmente, sabendo que tudo poderia ter sido tão diferente se tivéssemos conversado. E se eu não tivesse feito todas as merdas que eu fiz.
– É a perda deles, você sabe disso, não é? – eu murmurei, precisando que ela soubesse daquilo. – Se eles não quiserem fazer parte da vida da nossa filha, eles estão perdendo.
Ela sorriu, meio triste, e encolheu os ombros, antes de suspirar novamente.
– No começo, eu ainda esperava que eles mudassem de ideia, sabe? – ela soltou. – Hoje, porém, eu nem crio esperanças mais. Ainda mais depois que descobri sobre Seth.
Eu engoli em seco.
– Mas eu não mudaria nada – ela continuou, novamente fitando as mãos. – Porque só de pensar em não ter a Lily aqui comigo... Ela é meu tudo, Edward. E eu vou fazer o possível e impossível para ser a melhor mãe para ela.
Eu sorri, sentindo meu coração acelerar. Eu a amei naquele momento ainda mais, só por ela ter dito aquilo.
– Eu sei – murmurei. – E eu sei que eu cometi erros e que talvez você nunca seja capaz de me perdoar e de acreditar em mim novamente, mas... eu estarei aqui, Bella, sempre. Eu farei de tudo também para ser um pai para ela.
Ela assentiu, mas não pareceu muito convencida.
– Agora, sobre o feriado de Ação de Graças... – eu tremi. – Carlisle e Esme reagiram mal, como você já deve imaginar... Eles queriam que você fizesse um aborto também...
Eu tremi novamente enquanto me lembrava daquele dia, das palavras do meu pai e da minha mãe. Coisas que eu nunca havia imaginado que eles diriam para mim.
– Meu pai disse que eu seria um fracasso de pai – sussurrei. – Minha mãe disse que eu arruinaria a vida do bebê...
Eu escutei Bella ofegar, mas não olhei para ela. Eu nunca tinha contado para ninguém sobre o que havia acontecido. E doía. Doía lembrar que meus pais eram capazes de tal coisa.
– E eu acreditei neles, Bella – continuei. – Por que eu seria um bom pai quando eu nunca tive um? Eles sempre estavam viajando, estavam sempre em reuniões... Eles nunca estavam comigo em eventos importantes... quando estavam sempre ficavam apenas alguns minutos antes de terem de voltar para o trabalho... Que exemplo eu seria? O que eu sabia sobre ser um pai? Eles sempre me cobriam de presentes, quanto tudo o que eu mais queria era que eles passassem um dia comigo...
Eu parei de falar quando vi que estava chorando. Virei o meu rosto e enxuguei as lágrimas, não querendo que Bella as visse. Respirei fundo, tentando me acalmar. Eu ainda tinha coisas para contar para ela.
– Eu tentei, no entanto – murmurei. – Tentei colocar na minha cabeça que eu conseguiria, que aprenderíamos juntos... Os caras me chamavam para ir jogar, para sair, mas eu nunca quis... até aquele dia na faculdade que você falou para eu ir... E naquela noite eu recebi uma ligação de Esme.
Eu fiz uma careta quando me lembrei da nossa conversa, antes de balançar a cabeça e voltar a focar no presente.
– Ela ouviu o barulho e soube que eu estava em uma festa – sorri, amargo. – Ela pensou que nós tínhamos mudado de ideia e que você tinha abortado. Eu desliguei antes que começássemos a brigar, mas eles continuaram a ligar... e eu continuei a ir nas festas.
Parei, envergonhado demais com o meu comportamento. Naquela época, eu tinha certeza de que era o melhor, que eu estava fazendo o certo. Já hoje, eu desejava poder voltar e mudar tudo.
Eu não teria perdido tanto da gravidez de Bella por causa dos meus medos estúpidos.
– Eu pensei que eles estavam certos, que era melhor que eu me afastasse... até que eu a vi chorando naquele dia... – continuei. – Você merecia que eu tentasse... Eu parei de ir às festas, voltei a me focar nos estudos... mas era um pouco tarde. Eu fracassei em um monte de provas e...
– Você? – Bella me interrompeu. – Mas... você sempre teve facilidade e...
Eu ri, amargo.
– Eu odiava aquele curso, Bella – murmurei. – Eu nunca quis ser engenheiro, nunca quis tomar conta da empresa dos meus pais, mas os meus planos foram traçados por eles desde que eu era pequeno. Eu nunca tive a chance de dizer que não queria aquilo para o meu futuro.
Ela engoliu em seco.
– Meu pai veio me visitar no dia que recebi as minhas notas – murmurei. – Ele disse coisas horríveis... Eu tentei explicar, dizer que eu só não sabia muito bem o que fazer... e novamente disse que eu arruinaria a vida do bebê...
Eu a fitei novamente, sabendo que meus olhos estavam cheios de lágrimas.
– E como eu poderia não acreditar nele, Bella? – murmurei. – Como? Eu tinha feito tudo errado até aquele momento, tinha feito você sofrer.
Engoli em seco e enxuguei o rosto novamente, antes de continuar.
– Eu me esforcei mais do que tudo nos próximos dias, então – disse. – Estudei feito um louco, querendo mudar as minhas notas, querendo provar para ele que eu podia, sim, fazer tudo dar certo... mas eu perdi a sua consulta. Eu me esqueci da consulta mais importante da gravidez... porque estava preocupado em provar para os meus pais...
“E então você ligou, naquela noite... eu tinha que terminar um capítulo e tinha menos de duas horas para isso... Eu não estava em uma festa, eu estava estudando... Se eu soubesse... se eu tivesse perdido vocês...
Eu fechei os olhos novamente.
– Eu nunca iria me perdoar, Bella – murmurei. – E você me disse aquelas coisas no hospital, você foi embora e eu... bem, eu...
Tornei a parar de falar, querendo recuperar o controle, porque eu sabia que começaria a chorar novamente.
– Algum tempo depois, Leah veio conversar comigo – sussurrei. – Ela me contou o que havia acontecido com você, então, e me fez abrir os olhos... Eu conversei com Kaure também, falei dos meus medos para ela, e ela me disse algo que eu soube que poderia dar certo. Ela me disse que eu poderia não ter tido pais presentes, mas que eu sabia o que eu não deveria fazer. Eu sabia que presentes não substituíam a presença.
Sorri, então, enquanto pensava em Kaure.
– Eu decidi fazer tudo do meu jeito, então – comecei. – Arrumei um quarto para Lily no apartamento, tranquei a matrícula do curso de engenharia... e vou começar, em setembro, em outra faculdade, Design Gráfico.
Bella sorriu.
– Você sempre gostou de desenhar – ela disse. – Uau, Edward, eu...
– Eu sei – cortei-a, rindo um pouco. – O motivo de eu ter demorado a chegar ao hospital no dia que Lily nasceu foi porque eu havia passado a noite arrumando o quarto dela... estava dormindo quando você ligou, não escutei o celular chamar... E o motivo de eu ter viajado depois que ela nasceu, foi porque eu precisava conversar com os meus pais...
Eu parei novamente, porque eu sabia que era hora de contar a ela que eu tinha ido até a casa dos pais dela.
– E com os seus – murmurei.
Ela arregalou os olhos.
– Você conversou com Renee e Charlie? – indagou.
– Charlie não estava – murmurei. – Eu disse a Renee que você tinha dado à luz a uma menina e só. Ela disse que contaria a Charlie, mas... bem, eu não sei...
Bella assentiu, uma expressão triste tomando conta do rosto dela. Não querendo que ela pensasse muito naquilo naquele momento, eu continuei a falar.
– Eu contei aos meus pais que desisti do curso e que começaria um novo – concluí. – Não pretendo voltar mais a Forks para ver os dois, porque eu já disse tudo o que eu tinha para falar. Eles não aceitaram bem, como você pode imaginar, mas... não mudarei de ideia. Eu sei que estou fazendo a coisa certa. E eu vou ser o homem que você e Lily precisam, eu juro isso para vocês.
Parei de falar, então, simplesmente porque eu tinha contado tudo o que eu tinha que contar para ela.
Ela assentiu.
– Obrigada por me contar tudo isso – murmurou. – Eu sei que ainda tenho que te contar sobre o que aconteceu sob o meu ponto de vista, mas... pode me dar uns dias? Eu só quero pensar e eu... bem, eu sempre imaginei que você tinha se afastado porque não queria nada comigo ou com Lily, e não...
Eu assenti.
– Claro, Bella – forcei um sorriso para fora do rosto. – Tome o tempo que precisar. Eu não irei a lugar nenhum.
Eu pude perceber, no entanto, que aquele era exatamente o problema: Bella ainda não confiava em mim e achava que eu iria embora a qualquer momento.
Eu sabia que isso era culpa minha. Sabia que ela só estava tentando se proteger – e proteger a nossa filha. Eu não sabia quanto tempo demoraria, não sabia nem sequer se ela me perdoaria completamente um dia, se me aceitaria de volta – porque eu realmente a queria de volta –, mas eu faria de tudo para provar para ela que eu estava aqui.
E que eu não iria a lugar algum.
Não sem ela, não sem Lily.
Levantei-me, então, e a puxei para os meus braços, sabendo que ambos precisávamos daquilo. Beijei o topo da cabeça dela e fechei os olhos, sem conseguir acreditar que aquilo estava acontecendo.
– Tome o tempo que precisar – repeti. Eu senti que ela precisava saber daquilo, que precisava da segurança que aquelas palavras trariam. – Eu não vou a lugar algum.
E eu torci para que, com o tempo, ela acreditasse em mim.
Bella POV.
Eu não consegui dormir direito naquela noite.
Por mais que eu tentasse, tudo o que eu conseguia pensar era no que Edward havia me dito mais cedo, sobre tudo o que havia acontecido durante a minha gravidez e depois dela, também.
E eu ainda não conseguia acreditar no que Carlisle e Esme haviam feito. O que eles haviam dito para o próprio filho... e... Deus! Quando Edward chorara...
Eu não tinha ideia do que pensar.
Lily não precisou me acordar naquela noite. Quando era acordou para mamar, às três da manhã, eu ainda estava acordada. Depois de alimentá-la e ela dormir novamente, eu tentei dormir novamente, mas não consegui. Decidi, então, ir para a sala, assistir TV.
Passei algum tempo passando os canais, até achar um filme que chamou meu interesse: O que esperar quando você está esperando.
E eu chorei.
Eu não pude deixar de me perguntar como as coisas teriam sido caso Edward tivesse permanecido ao meu lado. Eu desejei aquilo tantas vezes... E sim, ficar grávida não é aquilo que alguns filmes mostram, não é fácil... É, na verdade, tão diferente dos filmes e dos livros.
Mas, Deus, como eu queria aquilo. Alguém para atender os meus desejos durante a madrugada, alguém para massagear meus pés e minhas costas...
Eu respirei fundo e fechei os olhos por um momento, lembrando novamente da conversa que eu e Edward havíamos tido mais cedo. O que ele falara explicara muito e me fizera entender muitas coisas, mas... e se ele decidisse que não queria mais fazer parte da minha vida e da de Lily?
E se ele nos deixasse novamente?
Tome o tempo que precisar, ele havia dito. Eu não vou a lugar nenhum.
Deus, como eu queria acreditar.
E como abraçá-lo tinha sido bom.
Fiquei ali no sofá, ora assistindo a TV, ora tentando dormir, até que o monitor de bebê me avisou que Lily estava acordada novamente. Eu consegui dormir durante cerca de três horas depois que ela tornou a adormecer, antes de ela tornar a acordar.
Edward mandou uma mensagem avisando que chegaria na hora do almoço e que traria algo para comermos, que ela tinha que ir à faculdade entregar alguns papéis. Eu agradeci esse pequeno espaço que ele estava me dando e aproveitei para ligar para Leah. Eu sabia que ela iria trabalhar somente após o almoço e que não teria outra chance de falar com ela sem ter Edward por perto.
Eu contei a ela sobre o que havíamos conversado – sem entrar muito em detalhes – e falei sobre as dúvidas que me mantiveram acordada durante grande parte da noite.
– Eu só não sei o que fazer – sussurrei. – Ele disse que não vai a lugar algum, mas... e se ele mudar de ideia?
Minha irmã ficou calada durante alguns segundos, antes de responder.
– Bella, você tem que conversar com ele – ela disse. – Eu sei que você tem medo e eu acho que é completamente normal diante das circunstâncias, mas você tem que falar com ele, ok?
Eu assenti, embora ela não pudesse ver.
Eu sabia que ela estava certa, sabia que deveria expressar meus medos para ele, sabia que a falta de comunicação não era a resposta, que já havia nos atrapalhado antes...
– Mas e se ele for embora? – A minha voz não passava de um sussurro.
Mas eu sabia que Leah havia escutado.
– E se ele não for? – rebateu.
Quando Edward chegou, na hora do almoço, ele foi logo pegando Lily no colo – ela havia acabado de mamar – e a colocando para arrotar. Eu arrumei a mesa para almoçarmos enquanto isso, me sentindo um pouco nervosa. Eu sabia que, depois do almoço, iria confessar os meus medos para ele.
E não tinha ideia do que ele iria dizer.
Nós almoçamos praticamente em silêncio, fazendo alguns comentários aqui e ali e nada mais. Quando terminamos, arrumamos a cozinha juntos.
E depois, eu caminhei até a sala, sabendo que havia chegado a hora.
– Edward? – murmurei. Ele havia me seguido e tinha se sentado na poltrona. – Será que eu posso trocar uma palavra rápida com você?
Ele largou o controle da TV e assentiu, parecendo confuso.
– Eu só... eu só acho que deveria te contar umas coisas – murmurei.
E então, antes que eu perdesse a coragem, eu comecei a falar. Falei sobre os medos que eu havia sentido durante a gravidez, em como as coisas haviam sido com ele me deixando sozinha grande parte do tempo...
E em como eu me sentia agora.
– Pode parecer irracional – eu sussurrei –, mas eu fico esperando que você mude de ideia, que você vá embora...
Eu senti os meus olhos encherem de lágrimas.
– E eu posso parecer forte, mas não sou – continuei. – Eu não sei se vou aguentar se...
Senti a mão de Edward no meu rosto antes que eu pudesse terminar de falar. Eu levantei a cabeça e o encontrei ali, seus olhos me fitando carinhosamente.
– Eu não vou a lugar algum, baby – ele sussurrou. – Eu sei que vai levar um tempo para você acreditar em mim e que talvez você nunca me perdoe completamente, mas... eu te prometo isso, Bella, que eu não vou mudar de ideia, ok?
Eu assenti.
Ele se sentou e me puxou para o seu colo, deixando que eu deitasse minha cabeça em seu peito, como havia acontecido na noite anterior.
Torci para que ele estivesse falando sério e que não se afastasse, porque eu não sabia o que faria se ele mudasse de ideia.
– Tempo, Bella – ele murmurou, algum tempo depois. – Infelizmente, eu sei que palavras não te convencerão de que estou aqui para ficar e que não vou cometer o mesmo erro duas vezes, que não vou me afastar de vocês duas. Mas eu sei que o tempo vai, então... relaxe, ok? Eu estou aqui.
Eu assenti e abri a boca, mas não consegui dizer nada.
E nem tive a chance também. Lily acordou não muito depois, exigindo atenção. Edward a buscou e se sentou no sofá enquanto eu amamentava, nunca tirando os olhos de nós duas.
Foi bom tê-lo conosco. Foi reconfortante.
Foi familiar.
E eu realmente esperava que isso não mudasse.
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