Untouchable

4 Capítulo 2 - A Proposta


Notas iniciais
Hey, espero que gostem desse capítulo...

I — Lotte

Eu volto para o palácio no horário do almoço. Esse é o momento em que o palácio ganha vida. Os funcionários estão saindo de seus turnos, ou começando eles. Alguns estão servindo a mesa da Família Real, outros começando a comer. Todos atravessam corredores apressados. Observo amigos e namorados, terminando juntos seus turnos, outros estão começando juntos seus turnos, e mais alguns se encontram no meio do corredor, se cumprimentam e se despedem, tudo isso ao mesmo tempo.

Vou vagarosamente até a Sala de Jantar. Não estou a fim de comer. Mas o almoço de família é uma tradição dos Caero. Não vou ser eu a quebrá-la.

Quando finalmente chego na Sala de Jantar, Alice também está chegando. Ela me olha com dúvida e eu hesito. Espero que ela me peça desculpa ou diga algo como "eu te perdoo." que seria mais a cara dela. Como ela permanece em silêncio eu resolvo entrar logo.

— Lotte, espera. — Pede Ally.

Suspiro silenciosamente. Parte de mim quer entrar e ignorar Alice. Mas outra diz "ela é sua melhor amiga, Lotte. E você sabe que precisa dela..."

—O que foi? — Pergunto me virando e olhando para ela.

Ela suspira também.

— Você é minha melhor amiga. E eu te adoro Lotte. Não vamos brigar por isso... — Diz ela.

Não é um pedido de desculpas, mas sei que isso custou a ela.

— Está bem. — Cedo com um sorriso.

Ela sorri também.

Nós entramos finalmente na Sala de Jantar.

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II — Sett

Os homens não se sentam. Eles mal se mexem na verdade. Dália fica na sala preocupada. Eu não quero que ela saia também, mas aquela conversa é obviamente particular. Os homens usam ternos bem passados e seria necessário ser cego para não perceber que são caros.

— Dália pode nos dar licença, por favor? — Ela me lança um olhar preocupado e eu a fito de volta.

Ela assente um segundo depois e sai da sala, ainda um pouco hesitante. Os homens viram-se para vê-la sair e depois voltam sua atenção para mim.

— Somos do Setor de Assistência Social. Me chamo George e este é Quinn — Diz um deles, o mais alto. Ele tem cerca de quarenta anos. — Estamos aqui porque a Duquesa Scarlett Ezzura, como o senhor sabe, tem um dos maiores programas de inclusão social desse país.

Assinto. A Duquesa Scarlett é um símbolo para todas as ONGs. Todos sabem que é basicamente ela e a Rainha Cloe que organizam todos os programas sociais oficiais de Aritânia.

— Sim, eu sei disso. — Afirmo.

— A própria Duquesa convidou você para participar de um programa de conscientização que terá como público alvo os jovens. — Continua o mais baixo, Quinn. — Além de você, quem participará será a princesa Alice.

Levanto a sobrancelha com surpresa.

—A Princesa Alice e eu? — Pigarreio. — Que tipo de trabalho de divulgação?

— O cronograma durará quatro semanas. Vocês ficarão cercados pela imprensa durante todo esse tempo, em uma espécie de Reality Show. — Explicou Quinn. — A primeira semana basicamente irão trabalhar juntos para organizar um baile beneficente, no próprio palácio. E depois trabalharão mais uma semana em um projeto infantil. A penúltima semana será uma viagem em conjunto pelos principais abrigos da Ong e na última semana vocês irão apresentar o programa que criaram em conjunto e ele será posto em prática. Tudo isso vai ser filmado. O objetivo desse programa não é tanto o projeto que criarão, mas sim divulgar as causas sociais entre os mais jovens.

Paro um momento para pensar sobre a proposta. Parece muito boa e ajudará muito a nossa Ong. Divulgar a Um Lar com a ajuda do governo, seria simplesmente uma oportunidade única. Mas uma dúvida persiste:

— Por que vocês me escolheram?— Pegunto.

— Na verdade foram os diretores da Ong Um Lar que indicaram você.

Eu pisco.

— Meus pais me indicaram para fazer parte deste programa? — Pergunto.

George assente.

— Este programa foi criado em parceria com a Ong "Um Lar". Seus pais indicaram você, e a Duquesa Ezzura indicou a Princesa Alice.

Não sei porque meus pais me indicariam. Existem pessoas mais midiáticas e com mais experiência do que eu. Talvez porque eles não haviam gostado da minha gestão do abrigo. Mas se eles queriam que eu fizesse aquilo, iriam dar o meu melhor.

— Bom, então sendo assim, acho que já está tudo acertado. — Digo com um sorriso. — Quando começa o programa?

— Daqui a três dias. Um carro virá buscar você e suas coisas. Você será levado para o aeroporto e de lá fará um voo de três horas daqui de Eowa até Caster. Provavelmente chegará lá durante a noite.

Assinto.

— Está bem.

— Bom então acho que era só isso mesmo. — Completa George.

Apertamos as mãos em despedida, e os homens saem. Dália entra quase imediatamente.

— Então? — Pergunta ela.

Eu solto um sorriso.

— Estou indo para o palácio.

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III — Lotte

Eu me sento ao lado de Alice no almoço. A família Real é grande, e quando não temos visitas, as conversas entrecruzadas são comuns. Em geral eu e Ally temos nossos próprios assuntos.

— O Conde de Southlake vem nos visitar. — Aviso para Alice. — Minha mãe que me disse. Ela disse que ele vem em três ou quatro meses.

Alice levanta a sobrancelha e vira-se para Tia Florence.

— É verdade, mãe? — Pergunta Alice sem se dar conta que Florence não sabe do que estávamos falando.

Tia Florence desvia o olhar da conversa com Skye e Cloe, e isso faz com que Cloe e Skye também voltem sua atenção para nós.

— O quê? — Pergunta Florence pergunta confusa.

— Que o conde de Southlake vem nos visitar.

— É verdade sim. — Intervêm Skye com um sorriso.

Alice falta dar pulinhos de alegria.

— Ele é tão lindo. — Diz Cloecom um meio sorriso. — E foi votado como um dos bilionários mais jovens de Aritânia.

Skye solta uma risadinha.

— E ainda é solteiro. — Diz Minha Tia com um risinho.

Eu também rio, porque elas têm razão, o Conde é simplesmente gato. E também com vinte e dois anos é quase uma celebridade.

A súbita mudança de assunto chama atenção dos homens.

— Quem é esse tal Conde? — Pergunta Lewis, desconfiado.

Andrew e Jasper também parecem confusos. Começo a rir da reação dos meninos, assim como Cloe e Skye. Eles ficam ainda mais confusos. Skye dá um beijo em Lewis.

— É basicamente o novo símbolo de beleza jovem. — Ela ri. — Mas não se preocupe, não faz meu tipo. O meu estilo está mais para leitores/escritores hiperativos e românticos.

Cloe também dá um beijo em Andie e depois ainda rindo diz.

— E até parece que vocês também não ficam doidinhos pela Samantha Freckel.

Isso faz os homens se calarem e voltarem a conversar entre si. Nós garotas rimos mais uma vez.

— Eu ainda caso com o Conde Southlake. — Diz Alice ao meu lado. — Escreve o que eu te digo.

E por algum motivo não duvido.

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IV — Alice

Depois do almoço, como prometido, minha mãe vem conversar comigo. Espero ela no Salão da Tarde. Minha mãe aparece logo depois. Ela senta-se na poltrona onde tomamos chá. Espero que ela fale alguma coisa.

— Alice, — Começa ela, e pelo tom de voz, eu sei que não vai ser coisa boa. — Você sabe a minha opinião em relação as suas atitudes, não só com a Charlotte e o Edvard, mas com todas as pessoas que você considera inferior, seja pela condição financeira, ou nível de escolaridade, etc...

Suspiro ao perceber para onde a conversa está indo.

— Sim, eu sei. — Afirmo entediada.

— Não posso fazer nada para mudar seu pensamento se você não está disposta a isso. — Diz minha mãe. — Mas assim como você está irascível quanto a isso, eu também serei irascível quanto o que espero de você. Andrew e Lewis trabalham. Eles fazem a diferença no reino. Enquanto isso você apenas passa os dias em casa tomando chá, indo a festas e jogando conversa fora.

Quase engasgo com o modo direto como ela fala aquilo. Ela me chamou de preguiçosa!

— Você está...

— Espere eu terminar! — Interrompe ela. Arregalo os olhos, mas minha mãe me fita desafiadora.

— Continue... — Peço.

— Eu pedi para a Skye criar um programa social. Ele será voltado para a divulgação da causa infantil entre os jovens. E eu pedi para ela para que você participasse.

Arregalo os olhos e solto uma risada.

— Sem chance. Não vou participar de um programa social.

Florence assentiu.

— Ótimo. Se for assim, você está proibida de casar com o Conde e não viverá mais no palácio.

— O quê?! — Grito e me levanto. E depois rio. — Você não pode fazer isso. Não está preocupada com o que a mídia vai dizer.

Minha mãe dá de ombros.

— Estou mais preocupada com você.

Trinco os dentes. Ela realmente está falando sério. Tenho vontade de dizer não. Mas não posso. Tampouco posso aceitar.

— Vou pensar.

Minha mãe assente e se levanta.

— Está bem, mas pense rápido. Tem até amanhã de manhã.

Franzo a testa.

— Até amanhã de manhã? Mas é muito pouco.

— Eu pedi para conversarmos de manhã, aí você teria mais tempo para pensar.

—Ainda assim não é suficiente! — Retruco perdendo a paciência.

Minha mãe suspira e irritada diz:

— Você não é mais criança Alice. Tem vinte anos! Comece a se comportar mais como uma mulher, e menos como uma garotinha mimada.

Minha mãe me lança um olhar irritado e sai do Salão, me deixando sozinha.

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— Eu. Não. Vou. Fazer. Isso. — Digo, dando ênfase a cada palavra.

Estou deitada na minha cama no meu quarto. Lotte está sentada em uma poltrona de couro folheando uma revista enquanto finge que me ouve desabafar.

— Um-hum... — Concorda Lotte sem realmente prestar atenção.

— Lotte! — A súbita chamada de atenção faz ela pular no lugar. — Presta atenção.

— Desculpa. Estava lendo sobre o Conde. Sabia que ele já namorou a Layna Ghin?

Semicerro os olhos em uma expressão desafiadora.

— Desculpa, fala. — Cede ela por fim.

— Continuando: Não quero fazer isso! Não quero criar um projeto social!

— Não é tão ruim... — Afirma Lotte.

Suspiro.

— Pra mim é.

— Bom, mas pensa pelo lado positivo. — Diz Lotte. Viro-me para ela esperançosa. — Poderia ser um castigo pior. Se é uma coisa que você tem que fazer contra a sua vontade, pelo menos não é algo ruim...

Viro-me novamente para o teto.

— É talvez...

— Quem você disse que vai ser seu parceiro de projeto? — Pergunta Lotte, por educação, enquanto volta atenção para a revista.

— Um tal de Sett Follmann.

— Sett Follmann — Perguntou Lotte, subitamente curiosa.

— É. Filho de uns ativistas. Típico classe-média. Aposto...

— Ele é fofo.

— ...que ele é um daqueles... Hein?

Ela dá de ombros.

— Ele é fofo. Já saiu em uma edição dessa revista. É bonitinho... — Completa ela de modo quase defensivo.

Semicerro os olhos novamente.

— Lotte, foco... Esse não é ponto principal.

Lotte ri.

— Ally, se você vai fazer esse projeto contra a sua vontade, é melhor que o seu parceiro seja bonito.

Reviro os olhos. Lotte pega a revista e se levanta.

— Agora eu realmente tenho que ir Ally. Depois deixo aqui a revista para você dar uma conferida nele...

Me despeço de minha prima e ela sai. Já tomei minha decisão.

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No dia seguinte minha mãe me espera no Salão da Tarde.

— Então, já pensou o suficiente? — Pergunta ela séria.

Suspiro resignada.

— Eu aceito.



Notas finais
Comentem, favoritem e recomendem ;)