Untitled
4 Together?
Notas iniciais
"Tarde chuvosa. Mês chuvoso. Ano chuvoso. Ou será que chove dentro de mim? Lembro de ter lido uma poesia pré guerra dos cogumelos onde falava sobre isso. Eu lutei contra essa possível chuva, que estava por vir. Meses de terapia com a Doutora Princesa. Que não deram em nada, pelo visto. Porque aqui estou eu, rolando na cama, tentando descansar de tarde, por não ter conseguido dormir pela enésima vez a noite.
E eu não me entendo, juro que não. Com todos esses problemas acontecendo de uma vez só no meu Reino, estou aqui, pensando em como eu queria estar agarrada a ela. Lembrando como era repousar minha cabeça na curva de seu pescoço, puxando com toda a força aquela essência que ora me acalmava profundamente, ora me tirava do sério. É, a terapia definitivamente não deu certo.
Realmente não me entendo. Quer dizer. Qual a lógica de se terminar um relacionamento com o propósito de dar mais atenção ao reino e não cumprir o objetivo? Sendo que no fundo, já era o esperado? Era preferível não terminar, ou voltar, provavelmente. Provavelmente...
Por que eu terminei, então? Simples. Segundo a Elite da Terra de Ooo, fiéis seguidores dos pensamentos ultrapassados de meu falecido pai, era extremamente errado uma jovem princesa como eu manter um relacionamento com uma mulher. Pior ainda se essa mulher fosse a Rainha dos Vampiros, filha de Hunson Abadeer, consequentemente Herdeira da Noitosfera. Azar o meu, não? Era justamente com ela.
Então, inocentemente na época, não, minto, não era tão inocente, não pra certas coisas pelo menos, me deixei levar por tais ideais. Se para ser uma boa princesa eu deveria abrir mão de meu relacionamento, eu abriria. Por mais que isso doesse descontroladamente. Mas como meu velho dizia, responsabilidade demanda sacrifícios.
Bolei um plano. Arranjaria uma briga que resultaria no fim do namoro, para que então, eu pudesse seguir com minha vida normal, feliz, sendo a melhor princesa. Deu tudo certo. Exceto pela última parte. Não segui com uma vida normal, não sou feliz e não sou a melhor princesa.
Quando a ouvi chorando, falando que poderia ser mais gentil, ou até mesmo usar mais vestidos, virei-me, dando-lhe às costas. Acho que ela nunca entendeu que eu a amava do jeito que ela era. Debochada, brincalhona, atrevida, desbocada, carinhosa, companheira e incrivelmente sexy. Mas não foi por achar que ela não entendia isso que eu me virei. Eu simplesmente não conseguiria continuar com aquele estúpido plano se olhasse nos olhos dela. Era certo que eu a abraçraria, beijaria, secaria suas lágrimas e pediria desculpa por tudo, pela covarde que eu era. No entanto, não foi o que aconteceu.
Depois que ela saiu, não sabia direito o que fazer. Fiquei lá na sala onde a tal reunião das princesas aconteceu, olhando pro nada, assimilando o que eu tinha acabado de fazer. Resolvi voltar ao meu quarto, depois do que me pareceu ser uma eternidade. No início, andei pelos corredores com um sorriso um tanto forçado, tentando me dizer que havia feito o melhor, que era a solução. Tentando me enganar. Já no meio do caminho, minha face adotou uma expressão séria, enquanto que um desconforto no peito e um nó na minha garganta começaram a se formar. Aquilo realmente era o certo? E assim que entrei no meu quarto, desabei em lágrimas. Nem me joguei na cama. Bati a porta e fui escorregando atrás da mesma até sentar no chão. Chorei até não ter mais lágrimas, sozinha, com aquela dor inexplicável que teimava em crescer. Que inferno. Droga de amor.
Praticamente, todos os dias depois do ocorrido, eu chorava até dormir. Era complicado, muito complicado. Como eu disse, droga de amor. Porque quado você ama é assim. A pessoa se torna uma parte sua, ou fica com uma parte sua e vice-versa, de modo que você precise estar com ela pra se sentir... você. Essa parte te completa e é essencial pra se viver. Você pode não querer, mas precisa. Repare que eu não disse estar vivo, mas viver. E acredite, há uma grande diferença.
Pensei tantas vezes em ir até ela, largar tudo de mão, que perdi a conta. Mas era sempre igual, na hora 'h' eu amarelava. Já comentei que sou covarde? Depois das tentativas falhas, desisti. Comecei a pensar que seria injusto voltar pra ela. Porque nós nunca poderíamos ficar juntas. Nunca... Só a magoaria cada vez mais. Então a deixei ir. É isso que se faz, não? Abre-se mão da sua felicidade pela felicidade daquela pessoa. Ela deve estar melhor sem mim.
Desde então nunca mais vi ou ouvi notícias da Rainha dos Vampiros. Nadinha. Nem uma única informação. Por isso, às vezes acho que tudo foi um um sonho, ou algo do tipo. Mas essa dor, essa falta que eu sinto, me puxam pra realidade onde tudo foi real, mas passou. Eu a perdi. É isso.
E eu nunca pensei que fosse precisar dela, depois disso tudo. Não da maneira que eu preciso agora, sem ser algo emocional. Preciso dela pelo meu Reino. Os ataques estão piorando e eu não sei o que fazer. Depois do ocorrido dessa semana percebi que não havia outra opção. É ela, ou nada. Só espero que encontrem-na e que ela esteja bem. Não sei o que faria se não a visse saudável, deslumbrante como sempre. Não me perdoaria. Só não sei estou pronta pra isso. Pro encontro..."
O clima frio realmente não ajudava Bonnibel a superar Marceline. Ela não podia evitar pensar na mesma, ali com ela, naquela cama gelada, dormindo de conchinha, com a cabeça enterrada em seu pescoço, respirando suavemente. O pensamento era tão real que a princesa jurou sentir a tal respiração. Mas, como não passava de imaginação, e ela não podia fazer nada pra tornar o desejo em realidade, simplesmente escrevia em seu diário o que sentia.
Droga de Marceline que tira meu sono de noite me obrigando a dormir de tarde. Droga. Bubblegum praguejou mentalmente, olhando de relance o relógio-gato-cuco que ficava na parede em que sua cama ficava encostada. 4:15. Ainda dá tempo de adiantar uns experimentos, hm.
A princesa enfiou seu diário e sua caneta em baixo de seu travesseiro, levantando-se logo em seguida, indo em direção ao seu armário, que ficava na parede de frente pra sua cama. Abriu as portas vagarosamente, sonolenta, arrependendo-se logo em seguida, vendo a fotografia dela e da Vampira abraçadas, colada ali.
– Eu devo ser masoquista. — Murmurrou levemente irritada para si. — Por que infernos eu não jogo isso fora? — Perguntou-se, pegando uma blusa qualquer, vestindo-a por cima da velha camisa de rock preta. Porque além dessa blusa desgastada, impregnada com o cheiro de morangos, framboesa, mistura de todas as frutas vermelhas com aquele perfume que ela usava, forte e viciante, é a única coisa que você tem pra se lembrar do que vocês uma vez tiveram. Seu subconsciente lhe respondeu.
Saiu de seu quarto batendo portas, levemente irritada. Estava indo ao laboratório continuar com alguns importantes experimentos, os quais ela desconfiava ser a causa dos ataques 'vampirescos' ao seu Reino. Um pouco de química para espairecer, é disso que eu preciso.
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– Droga! — Bonnie exclamou pela centésima vez após mais um erro durante a fórmula. Ela não entendia o que estava faltando. Talvez você precise dela aqui com você simplesmente te olhando, fazendo perguntas óbvias, ou soltando trocadilhos que por mais toscos, te faziam rir, do tipo, "Bonnie, contei uma piada Química. Não houve reação!" Talvez isso seja o que está faltando.– Cala a boca, cérebro!
Ela estava tendo essas discussões sozinha, quando ouviu Finn chamando-a do outro lado da porta. "PB!" E então, uma batida. "Olha quem trouxemos!"
A princesa congelou. O pequeno tubo de ensaio que estava em sua mão, escorregou, derramando um líquido azul turquesa em seu Jaleco, que de tanto ser usado, estava meio encadido. Não, não. Oh Glob, é agora. Será que... Será que eles a econtraram? Engoliu seco severas vezes tentando acalmar os nervos, enquanto se direcionava à porta.
Bonnibel, você aguenta. Foi quase provado que pensamento tem massa, ou seja, pense positivo. Ela vai estar lá. E você vai agir friamente. Não quer que ela se machuque de novo por sua causa, dando falsas esperanças, quer? Então, alcançou a maçaneta e abriu a porta. Lá estava ela. A causa de sua insônia em pessoa.
Puta que pariu. Foi a única coisa que ela conseguiu pensar assim que a viu. Cabeça raspada na lateral, calça skinny, extremamente apertada nos lugares certos, uma blusa branca com um belo decote, mas ainda assim, decente, com um casaco xadrez vermelho por cima. Extremamente sexy pra princesa, que estava se sentido... Quente, vamos assim dizer. Controle-se. Não é porque você está há dois anos sem ter esse corpo em cima do seu, ou essa mão passeando por ele, ou essa língua enfiada na sua... CHEGA! Batalha mental era bem comum pra rosada. Friamente, lembre-se.
– Marceline. — Disse tentando soar o mais séria possível. — Quanto tempo.
– É. Muito, muito tempo. — A Vampira lhe respondeu num tom visivelmente magoado. Mas que diabos? Será que ela ainda...? Não. Não...
– Finn. — PB disse direcionando-se ao menino, e abraçando-o. — Obrigada por trazê-la! Sabe que é muito importante. — Disse forçando um sorriso. — Pode ir agora.
– D-de n-nada, princesa. — O loiro respondeu corando. — Tchau, Marcy! — Se despediu, tomando seu caminho com BMO do seu lado.
Ao ouvir Finn chamando o nome de sua ex, Jujuba virou-se para encará-la, sem intenções sexuais, dessa vez. Ela está bem. Suspirou aliviada. Estava tão feliz por isso. Por Marceline estar viva. Por estar ali, na sua frente. Sentia falta da presença que a outra tinha quando estavam juntas no mesmo lugar. E essa felicidade toda só serviu pra reforçar o que ela já sabia. Ela ainda a amava. Mas não podemos ficar juntas. Sua mente a relembrou.
– Princesa. — A rosada foi tirada de seus pensamentos com a Vampira chamando-a. — Vai ficar ai me olhando ou vai falar o que quer comigo depois desse tempo todo?
Nervosinha como sempre, hm? – Tá com pressa, Marceline? — Friamente, Bonnie, friamente.
– Não. Só achei que pra Vossa Majestade mandar me procurarem depois de dois anos, algo importante devia ter acontecido. Mas se não for o caso... — Disse virando-se pra janela mais próxima.
– Marceline! — PB berrou, dando uma pequena corridinha pra alcançar a Vampira, puxando-a pelo braço com uma força exagerada, fazendo a mesma virar e ficar muito, muito próxima da Princesa. Perigosamente próxima.
– Sim? — Marceline perguntou olhando diretamente nos olhos azul-violeta da monarca.
Merda, merda, merda. Esses malditos olhos vermelhos me encarando, argh. — A-algo importante a-aconteceu s-sim. Preciso c-conversar com v-você, no m-m-meu laboratório. — Você quer ser fria gaguejando e corando? Parabéns!
– Bonnibel... — A Rainha se aproximou ainda mais. Ai meu Glob, é agora que eu infarto.– Tá tão vermelinha... — Disse beijando a testa da princesa. — E quentinha... Tá com febre? — Concluiu com um sorriso, vendo que a menina corava cada vez mais.
– F-febre?! Hahaha! — Bubblegum riu nervosamente, saindo de perto de Marcy. — N-não! S-só to com calor! T-tá calor aqui, n-não acha não? — Perguntou abrindo uma das grandes janelas.
– Calor é? hm. Tá calor sim. Tá tão quente que você não se importaria se eu tirasse meu casaco, né? — Marceline perguntou com um sorrisinho suspeito.
– N-não acho q-que seja necessá- A princesa foi interrompida com um casaco caindo por cima de sua cabeça, impregnando seus sentidos com aquele cheiro que ela tanto amava. — Hmm. – Apertou o tecido contra seu rosto, dando uma boa fungada, não podendo evitar um pequeno gemido. Que não passou despercebido pela dona da roupa, diga-se de passagem.
– Hm, ainda gosta do meu cheiro, Bubblegum? — Ela perguntou, dando um risinho. — Acho que algumas coisas nunca mudam.
Droga. Maldita falta de autocontrole. — Não seja idiota, Marceline. — Vou ter que repetir quantas vezes? F-R-I-E-Z-A. — Pare de procurar vestígios de sentimentos, sim?
– Você é ridícula, Bonnie. — A Vampira disse séria. — Sério. Por que infernos você terminou comigo? Pra me chamar depois de dois anos sem se preocupar em saber se eu estava viva ou morta? Pra ficar vermelha e gaguejando só por eu chegar perto de você? Pra gemer só de sentir meu cheiro? Pelo amor de Glob. Não tá na cara que você ainda me ama?
– Para de falar isso! Está se iludindo! — Detesto que tenha que ser assim, mas... – Quem pelo visto ainda tem sentimentos por mim é você! — Assim espero... Como sou egoísta, argh.– Atendeu ao meu pedido mesmo depois de todo esse tempo sem eu lhe procurar! Tá vendo, nem vinte minutos juntas e já estamos brigando. Será que não podemos ser ao menos amigas?
– Fala logo o que você quer, princesa. — Marceline suspirou, entrando no laboratório.
Bonnie a seguiu, com um semblante cabisbaixo. Sabia que havia magoado seu amor. Mas era necessário.
– Pois bem. Há mais ou menos quatro anos comecei a trabalhar em um soro para criar a... — Como que eu falo isso? Que eu fiz uma coisa pensando nela?– A Imunidade contra a luz solar para os Vampiros. — Jujuba viu Marceline abrir e fechar a boca algumas vezes, em sinal se surpresa. — Há dois meses, o soro deu certo, graças. O problema, é que de alguma forma, um grupo de Vampiros descobriu e conseguiu roubar a fórmula do soro, num ataque que custou a vida de bons guardas bananas que me protegiam. A sorte é que eles não têm o último ingrediente para fazerem alguma amostra.
– E qual seria esse ingrediente?
– Uma ampola cheia de sangue da atual... Rainha dos Vampiros. Por isso lhe chamei aqui. Você está correndo perigo, Marcy. Além disso, estou trabalhando em um antídoto para a primeira fórmula. Assim, caso eles consigam seu sangue, teremos como detê-los, tornando-os vulneráveis novamente... Só tem um problema. Eu não consigo fazer o antídoto. Algo está faltando, eu não sei. Sinceramente não sei... Então, como você é a única Vampira que eu conheço, pensei que pudesse me ajudar. Trabalho em equipe, sabe?
"Nós duas, juntas"
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