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2 Prólogo: Parte dois
Notas iniciais
As duas estavam novamente deitadas lado a lado na campina. A diferança é que horas haviam se passado e o céu já estava iluminado pela lua e por seus luminares, vulgo estrelas, mas as meninas nem pareciam se importar, ou sequer perceber. Ambas estavam ocupadas aproveitando a companhia uma da outra, ora trocando beijos e carícias, ora simplesmente se olhando.
Marceline ainda não podia acreditar no que tinha acontecido, a ficha não havia caído. Então ela se declarara, finalmente, e aparentemente seu amor era correspondido? Bom de mais pra ser verdade. "Ela namora, não pode gostar de mim... Mas... Por que ela então me beijou e bem, está comigo até agora?"
– Bonnie... — Começou seu pequeno discurso virando-se para a menina do seu lado, observando-a sorrir como um sinal para que continuasse — Eu sei que bom, você que deveria estar me perguntando isso já que fui eu que me declarei, não que seja uma regra, mas enfim, o que nós somos agora? — Ela perguntou olhando nos olhos de sua amada — Quero dizer, você namora e tudo mais. Você gosta mesmo de mim? — Dizendo isso virou-se para encarar a lua, a fim de esconder o tom vermelho que suas bochechas adotaram. "Cara, sério que eu disse isso?"
– Não, não gosto de você. — A Princesa disse após ter se sentado em cima da vampira, vendo o rosto da mesma tomar uma expressão triste — Eu te amo. — Continuou com um sorriso. — E não se preocupe com o Chiclete.
– Não me preocupar? — Marcy falou sentando-se com Jujuba no seu colo. — Ele namora a minha garota e eu não tenho que me preocupar?
Essa pequena frase fez Bubblegum corar da cabeça aos pés.
– Sua garota é? — Disse se inclinando, com um sorrisinho.
– Minha. Só minha. — Marceline respondeu se aproximando, selando seus lábios
O beijo continuou por um tempo indeterminado, até que Jujuba se afastou, procurando por ar.
– É sério Marcy. Eu e ele só namoramos pra fazer ciúmes nas pessoas que realmente amamos, no meu caso, você. Ele é muito meu amigo, o melhor, só isso.
– Isso é sério? — Marceline perguntou incrédula.
– Seríssimo! Aliás, ele gosta do Marshall.
– Ow, isso é novo!
– Sim, mas depois falamos sobre isso. Agora — Ela disse se ajeitando no colo da mais velha — Eu vou fazer a pergunta que você roubou de mim — Um sorriso se formou em seus lábios — O que nós somos agora?
– Agora, agorinha nesse instante, nós somos, hm, acho que ficantes, mas... — Ela respondeu colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha da rosada, olhando-a de um modo tão doce, com tanta ternura e amor, que Bubblegum podia jurar que ia derreter. — Eu adoraria te ter como minha namorada. Me daria essa honra, Princesa? — Finalizou com sorriso de canto.
– Sim! — A rosada a abraçou, jogando-a no chão. Não conseguia conter a felicidade. Seu coração batia tão forte que podia afirmar que ele ia sair. Toda essa euforia transbordou em lágrimas que molhavam o pescoço da vampira. — Sim, sim, sim! Definitivamente sim!
– Bonnie, você precisa parar de ficar em cima de mim e me jogar no chão, eu sei que é difícil, visto que eu sou um pedaço de mal caminho, mas... — Marceline disse com um olhar "safado", no mínimo, e um sorriso sedutor. — Você sabe, vamos levar as coisas devagar. — Concluiu dando uma piscadinha.
– MARCY! — Bubblegum gritou, dando um soco no braço da Vampira — Sua pervertida narcisista!
– Exatamente, SUA pervertida narcisista. — Disse dando ênfase na palavra "sua''.
– Minha.. — Jujuba disse com um risinho bobo nos lábios — Marcy.. Me responde uma coisa?
– Sim.
– Há quanto tempo você gosta de mim?
– Bom... — Marceline respondeu segurando seu queixo com o polegar e indicador, adotando uma adorável típica expressão pensativa — Acho que desde aquele dia que vi aqueles meninos implicando com você na escola. Você tinha o que? Uns dez anos? — Perguntou direcionando o olhar pra sua namorada.
– Tinha. Isso explica o porquê uma menina de doze anos iria defender uma de dez.
– É, mas você sabe, eu não tinha realmente doze, e agora eu não tenho dezoito, só aparência mesmo. Se bem que agora eu não envelheço mais fisicamente. Vantagens de ser uma aberração! — Disse com um risinho — Me sinto uma pervertida namorando uma pirralha de dezesseis!
– Cala a boca sua velhota! — Bonnie disse rindo. — Já fazem seis anos desde sua aparição heróica.
– É, o tempo voa, não?
– Definitivamente. E você continua me defendendo, protegendo e me amando, uma fofa. Minha fofa.
– Sempre vou. — A vampira respondeu corada.
– Promete?
– Prometo.
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– COMO VOCÊ PODE FAZER ISSO? — A princesa gritava, tomada de raiva. Seus olhos ardiam e a garganta queimava devido ao choro. Ainda estava em choque devido ao recente ocorrido. — VOCÊ NÃO TINHA O DIREITO! NÃO TINHA, ESTÁ ME OUVINDO?
– Não tinha o direito de que? — Uma certa vampira falava calmamente enquanto tocava seu baixo no meio do ar. — De ver minha própria namorada?
– Não se faça de desentendida! — Retrucou, agora mais calma. — Se queria tanto me ver, por que infernos não largou suas saídas com o Marshall? Ou os ensaios da sua banda?
– Por que sou eu que tenho que abrir mão das minhas coisas? — Marceline indagou levemente irritada. — Sempre foi assim, não é? Eu me desdobrando em mil pra te agradar! Sempre! E como é que você me agradece por tudo o que eu faço? Troca uma das raras oportunidades de ficarmos juntas por uma porcaria de festa-oh-princesas-chatice-real!
– Não se atreva! Não se atreva a falar dos meus deveres como princesa! Eu não escolhi isso! Meu pai se foi e... Por que eu to falando isso? Você não sabe como é ser da Elite, ou como é perder um pai.
– Como é que é? — Aquelas palavras surtiram mais efeito do que a garota mais pálida podia imaginar. — Eu não sei? Você se esqueceu com quem está falando? — Perguntou parando de flutuar para ficar no mesmo nível de Bonnibel. — Quem que destronou o antigo Rei dos Vampiros e pegou seu lugar a seu pedido? "Oh Marcy, por favor, será bom unir os dois reinos." — A vampira ironizou, imitando a voz de sua namorada. — Eu sou a herdeira da Noitosfera e uma Rainha, Bonnie! Tenho mais poder sobre Ooo do que imagina! Eu sei o que é ser da Elite! Mas me diz. Quando seu pai se foi, quem foi a única que ficou ao seu lado durante todo o tempo ruim? Durante o mau humor? HEIM? — Berrou empurrando Jujuba na parede. — E eu não sei o que é perder um pai? Sei como é perder dois, e uma mãe! Meu pai biológico me vê uma vez em cem anos, e o Simon... Não existe mais. Então pensa duas vezes antes de falar qualquer coisa pra mim! — Concluiu, com a garganta queimando. As lágrimas queriam sair, mas não, ela não daria esse gostinho.
– VOCÊ, VOCÊ! — A princesa exclamou. — Mas não, isso não muda o agora! Você não tinha o direito de assustar minhas convidadas!
– EU FIZ ISSO PRA TER UM TEMPO COM VOCÊ, BONNIE! — Marceline gritou.
– JÁ DISSE! Arranjasse um tempo! E seu pai... PELO MENOS VOCÊ O VÊ! Sabe que ele tem orgulho de você! E eu? Só desapontei o meu, por sua causa! Bem que ele avisou pra arranjar um bom partido, não uma garota, que ainda por cima é um... um...
– Vamos, diz. — A Rainha sussurrou praticamente chorando. — Diz se for mulher!
– UM MONSTRO! É ISSO QUE VOCÊ É! — Bubblegum explodiu em lágrimas e raiva novamente. — UMA VAGABUNDA QUE NÃO CUMPRE COM SEUS DEVERES!
Ouvir tais palavras era como se Marceline estivesse andando no sol. Não, pior. A dor psicológica era mil vezes maior que a física, sempre fora. Um machucado no joelho você passa um remedinho, bota um band-aid, fica em repouso, e pronto. Em alguns dias seu joelho tá bom. Mas como se faz curativo dentro de um coração?
– Vagabunda? — Marcy soltou com um risinho pra esconder as lágrimas que agora caiam livremente, molhando suas bochechas. — Engraçado. Que eu me lembre você que gemia sem parar quando eu te fodia. — Ela havia perdido a linha. Todo o código moral que restava evaporou. — Como era mesmo? Ah, sim. "M-Marcy, mais rápido, a-ah, assim, não para, hmmm, e-eu vou, ahh, M-Marceline!" — Gemeu imitando sua namorada. — Você se lembra? Difícil esquecer, não? Mas me diz. Quem parece mais uma vagabunda agora, hm?
– CHEGA! — Jujuba berrou desferindo um tapa no rosto da vampira. — CHEGA! Você nã-
– CHEGA VOCÊ! — Marceline esbravejou, cortando a frase da princesa. — Sua egoísta! Eu abri de mão de tudo por você! Eu tentei mudar por você! Viro noite e dia pra dar conta dos meus deveres reais, minha vida como musicista, meus amigos e você, Bonnie! VOCÊ! — Abaixou a cabeça chorando. — Sempre eu que te procuro. Sempre eu. Eu que tenho que me virar pra ter um tempo contigo. É como se eu fosse a única que se importa com a gente, com o que nós temos. Só que assim não da certo! Esses dois anos de namoro não significam nada? Eu que tenho que ficar as escondidas por ai, porque seus súditos não aprovariam nosso relacionamento. Como se eles tivessem alguma coisa a ver com isso.
– Eles têm, Marceline. Eu sou a princesa deles, agora.
– Você costumava ser a MINHA princesa...
– Responsabilidade demanda sacrifícios, Marceline — Bonibbel sussurou mais pra si do que pra Marcy. — Acabou.
– Bonnie, n-não, eu não quis dizer o que eu disse. Por favor, e-eu aguento tudo isso por você, eu s-só preciso de um tempo, e-eu... — Marceline mal conseguiu dizer, entre soluços. — Eu preciso de você. Eu, eu posso mudar, ser mais gentil, usar mais vestidos! Por você, Bonnie, eu fa-
– Você quis dizer sim o que você disse. — Jujuba interrompeu. — E quer saber? Você tá certa. Não da certo. Acabou.
– N-não!
– Você é surda? — A princesa indagou de costas pra rainha. — Acabou, some da minha vida. Eu sou uma princesa e vou me portar como uma. Você é um empecilho pra mim. Acabou.
Aquelas palavras mataram tudo de bom que havia na Rainha. Ela não podia aguentar. A dor em seu coração era tanta que parecia que estava tendo um infarto. Engraçado. Se sentimentos eram psicológicos porque aquela dor era justamente em cima de seu coração? Estava ficando difícil pra respirar. Mais engraçado ainda, por que sentia tanto? Pra um ser morto até que ela estava bem viva.
– Bonnie, e-eu te amo. Sempre vou. Não se esquece. Nunca.
– Adeus, Marceline.
A vampira voou até sua casa, não sei com que força. Sua cabeça doía, seu coração mais ainda. Garganta e olhos queimavam descontroladamente. Ela não ia aguentar. Mal entrou na sala e desmaiou, com as palavras de Bonnie em sua cabeça.
"Adeus, Marceline"
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– NÃO BONNIE! NÃO ME DEIXA! — A Vampira gritou, atordoada. Sentou-se na sua cama. Lágrimas faziam uma trilha em sua face. Direcionou seu olhar ao relógio na mesinha de cabiceira. 3:15 am. — Eu não acredito. — Sussurrou, ficando de pé. "Sério que eu ainda sonho com tudo isso?" Pensou, olhando seu reflexo em um espelho.
A imagem que vira não era das melhores. Cabelos desgrenhados, olheiras fundas e escuras, os olhos num tom vermelho sangue, demonstrando a fome que a menina sentia. De novo aquele sonho. Toda noite desde o término era a mesma coisa: Deitar pra sonhar com toda sua história com Bonnie. Era melhor nem dormir, mas o tempo demorava de mais a passar.
– Que ponto eu cheguei, hm? — Indagou, numa conversa solitária. — Quanto tempo se passou desde que ela terminou comigo? Dois anos? — Olhou o calendário pendurado na porta. — É, dois malditos anos trancada nessa casa, sem comer, sem socializar. Que merda que eu entrei?
Saiu de seu quarto após algum tempo olhando seu reflexo. A casa estava um lixo. Poeira, bichos, lixo acumulado, várias coisas quebradas. Resultado da noite daquele fatídico dia, em que chegou e apagou no chão, devastada. Quando acordou, lembrou-se do ocorrido e quebrou tudo. Bebeu por dias, sem parar. Quase morreu de fome, mas se acostumou. Sua rotina era essa. Acordar, beber, beber, beber. Desmaiar. Sonhar com Bonnibel. Acordar, beber, beber, beber.
– Mas agora isso acabou. — Disse confiante, pra si mesma. — Se ela pode viver normalmente sem mim, eu também posso viver sem ela. Prepare-se, terra de Ooo. A Rainha vai voltar!
"Assim que eu der um jeito em mim, e nesse lugar."
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