Kimi no egaku yume wo mitemitai

Eu quero que você mostre seus sonhos para mim

Kimi ni egaku yume ni iki tsuzuketai ima

Eu quero viver nos sonhos que eu compartilho com você

Manteve-se sentado no sofá, não atenderia ao telefone, não agora, era muito tarde e no dia seguinte voltaria para Kanagawa. Embora tivesse que acordar cedo no dia seguinte, não conseguia dormir, algo o incomodava terrivelmente e por isso continuava a li no sofá, por isso não ia dormir e por isso não atendia ao telefone.


“Haai! Aqui é Takashima Kouyou, eu não posso atender no momento deixe seu recado após o sinal e eu retornarei o mais breve possível.”

BIP


– Kou-chan, eu sei que está aí, por favor, atenda ao telefone, precisamos conversar. Eu preciso lhe dizer algo já faz dias que tento e não consigo, é sério Kou, eu quero conversar com você... Por favor... – Era Reita ao telefone, justo a última pessoa com quem queria falar, justo a única pessoa que havia prejudicado, ou pensava ter. Mas havia acabado com o relacionamento dele, não havia? Por sua culpa Takanori e Akira não estavam mais juntos. Apenas encolheu-se mais no sofá, observado a persistência do baixista. – Certo, eu sei que não quer falar comigo, eu sei que não quer me ouvir Kouyou, mas eu quero que saiba que o aconteceu não foi culpa sua não tem haver com você. Eu e Ruki já não nos entendíamos há meses, mal nos falávamos e não nos entendíamos mais. Quando eu disse que te amo Kou, não é por que estou carente, eu achei que era no começo e por isso relutei a lhe dizer algo, mas esse sentimento continuava persistindo, eu continuava pensando em como seria maravilhoso estar ao seu lado Kou, em como seria ótimo poder acordar ao seu lado e poder ver seu sorriso, o seu lindo sorriso infantil. Ter que lhe dar com seu jeito gentil e amável...


Foi então que ele parou de falar, e a única coisa audível era sua respiração descompassada ao telefone. Pensou em ir até o celular e atender, mas não o fez, ele voltou a se pronunciar antes disso. Kouyou deixou o aparelho junto ao ouvido, enquanto punha as unhas negras sobre os lábios. Apenas ouviu.


– Não sei se você pensa em mim, mas eu queria que soubesse que não paro de pensar em você Kouyou, é a primeira pessoa que me vem mente quando acordo e a última em quem estou pensando antes de ir dormir. Eu me sinto tão bobo te dizendo essas coisas, tão bobo cada vez que me pego pensando nisso, cada vez que eu crio um futuro onde estamos juntos, mas eu não ligo em parecer mais um “bobo apaixonado”, daqueles que suspiram quando a pessoa amada faz qualquer coisa adorável... – O silêncio veio mais uma vez. – Ontem eu estava revirando algumas caixas aqui em casa e encontrei algo que me deixou nostálgico, algo do tempo em que estudávamos juntos, lembra-se daqueles colares de amizade que vinham nos cereais uma época? Aqueles em forma de coração, onde um completava o outro... Bom, eu achei a minha metade, sim aquela que você me deu, eu a havia guardado, mas por causa de tantas mudanças eu não sabia onde estava... Agora posso voltar a usá-la. Desculpe ligar a uma e quinze da manhã, eu não aguentava mais, eu preciso tanto de você Kouyou... Eu só... – Suspirou. – Boa noite meu amor.


Apressou-se em pegar o telefone antes que ele desligasse, e finalmente o atendeu com a voz chorosa.


– AKIRA!

– Kou-chan?

– Eu te amo, Aki-chan.

– Eu te amo, meu Kou-chan.


Um silêncio constrangido fez-se, até Akira voltar a se pronunciar ofegante.


– Kou-chan?

– Hn? – Era a única coisa que podia pronunciar enquanto mordia o lábio inferior.

– Pode abrir a porta? Esta um pouco frio aqui fora.


Assim que o ouviu apressou-se e logo o barulho dos diversos chaveiros fez-se presente na madeira da porta, a primeira coisa que um Akira sorridente viu foi um Kouyou choroso, e a primeira coisa que o Kouyou choroso viu foi um buquê de margaridas brancas seguido de um Akira congelando. Sorriu a aquilo deixando uma das lagrimas caírem finalmente.


– Belo colar... – Disse Akira a ele, ao ver Kouyou ainda usava aquele colarzinho com meio coração também, algo de anos atrás. – Sabia que a outra metade se da para alguém que se goste? – O mais alto acenou positivamente, pegando o buque oferecido com um dos braços. – E... Pra quem deu?

– ‘Pra um idiota aí... – Puxou o outro pelo colar semelhante ao seu, tomando-lhe os lábios em beijo casto, correspondido de imediato. Akira entrou no apartamento envolvendo-o pela cintura. Separaram-se aos poucos completamente envergonhados.


– Aishiteru, Ahiru-chan. – Disse-lhe em um sussurro.

– Aishiteru, Aki-chan. – Balbuciou antes de beija-lo mais uma vez.

Notas finais
Trecho da música Believe, LUNA SEA.