- Faça o que quiser Akira, mas acho que é um grande erro você ficar aí parado enquanto Kouyou se casa com uma qualquer. – Disse Kai observando o amigo que continuava sentado em banco da praça central.

Não era uma praça qualquer, mas também, para as demais pessoas não era algo muito importante. Era importante para si e sempre seria afinal era a praça que tinha conhecido o amor da sua vida aos 8 anos de idade. Claro que na época mal sabiam o que o destino lhes reservava, mal sabiam que no futuro se encontrariam e não esperava que Kouyou não se lembrasse dele. Talvez tivesse dado muita importância, mas aquele garoto com os cabelos levemente compridos e negros chamaram sua atenção e aqueles olhos formavam um lindo conjunto com os lábios cheinhos.

Cinco anos depois se encontrou com ele no ensino fundamental, e mal podia acreditar. Demorou alguns dias para criar coragem e ter a primeira conversa depois de muitos anos, nunca teve tanto sintonia com alguém assim. Tinham o mesmo gosto musical e uma paixão incondicional pela banda LUNA SEA, Saiam juntos todos fins de semana e iam em boates, onde, quando tinham oportunidade, faziam propaganda de seu dom na esperança que alguma banda desse uma brecha para dois calouros. Não tiveram muita sorte. Nunca subiram em um palco.

Tais lembranças fizeram uma chama se acender em seu peito.

- Kai...

-Hun?

Suspirou um tanto desanimado, mas o sorriso logo apareceu em seus lábios. – Liga o carro.

“Quando nos apaixonamos por alguém Akira, ficamos completamente cegos.”- Maldita seja Camille Kinnon. Akira se negou a passar da ultima fileira de cadeiras brancas enfeitadas com fitas rosadas, ao menos havia levado companhia, companhia essa que havia desaparecido a mais de meia hora. Onde estaria Kai? Se não o conhecesse, poderia deduzir muito bem ONDE e com QUEM ele estava. Kouyou já estava lá, assim como todos os convidados, sufocados por suas gravatas e lenços, Akira não pode deixar de rir daquilo, antes mesmo do casamento meia dúzia já teria desmaiado. E a noiva? Se tivesse sorte, tinha sido sequestrada.

Kou sorria para sua mãe que estava ali na frente arrumando mais uma vez sua gravata. Ele relutava em tira-la e Takashima-san em aperta-la, ela não podia deixar de se lembrar do dia em que Kou nasceu, ter um filho era seu sonho, e a natureza lhe dera esse grande presente. Kou cresceu no meio de diversas mulheres, irmãs e primas, que tinham um dom especial para musica, mas ele não sabia cantar como elas, então, Takashima-san tratou de ensina-lo a tocar, tocar para o mundo. Anos mais tarde conheceu um garoto loiro que possuía o mesmo dom, tornaram-se grandes amigos, mas nunca vieram a tocar juntos. O pai dele não permitiria, dizia que era bobagem e perda de tempo tocar baixo ou qualquer outro instrumento musical.

Tinha 13 anos na época, e desde então jurou a si próprio que se casaria com esse garoto, por mais chocante que fosse para os seus pais. Mesmo que para isso tivesse que desistir de seu sonho e de todo o resto, mas era uma criança, e a cada ano que passara o sentimento crescia. Quando finalmente Akira confessou seus sentimentos a ele, era tarde, o exercito o chamava. Teve de ir. Muitas mulheres passaram em sua vida, mas nenhuma apagava as lembranças daquele rapaz. Nenhuma. Infelizmente, aos 26 anos, seu pai o convenceu de que a honra do nome “Takashima”dependia de seu casamento por ser o único filho homem e julgando não ter mais nada a perder, estava agora nesse casamento forjado fingindo felicidade.

- Okkasan, se apertar mais uma vez minha gravata morro asfixiado. –Rosnou, Takashima-san não pode deixar de rir, e atendendo o desejo do filho o deixou em paz nos últimos 5 minutos. Logo voltando para lhe recomendar algumas coisas.

- Querido, sei que não era o que planejava, sei também que Camille não é a pessoa mais meiga do mundo, — A mãe da noiva a olhou de canto, uma ótima qualidade da senhora Takashima, sinceridade, nua e crua. Não se importava com o que achavam a seu respeito e sempre se esnobava pelo filho que tinha, no entanto seu coração era enorme. – Mas se pretende fazer algo, esse é o momento. A porta da igreja esta aberta. Você tem três escolhas: Se casa, foge ou pode convencer aquele jovem loiro e rebelde logo ali.

Kouyou surpreendeu-se com a terceira alternativa, não era possível, como sua mãe sabia disso? Nunca havia contado a nenhum familiar sobre a sua orientação sexual. Especialmente por causa de seu pai que tinha uma saúde debilitada e não aceitava relacionamentos desse tipo. Quase como de imediato o pianista começou a tocar a marcha nupcial. Ele apenas sorriu para a mãe, lhe dando um beijo em cada mão. — Obrigada mamãe, obrigada mesmo. – Akira já estava de saída, quando o ouviu chamar.

- Uechan!

Parou em meio ao caminho, pode ouvir algumas pessoas nos bancos se levantando e outras comentando o que acontecia. Mas o inevitavel foi à chegada da noiva bem na hora de presenciar a cena. Afinal, que cena? Kou havia lhe chamado apenas, nada mais. Mesmo assim a situação não era menos inconveniente, o tom de voz usado pelo outro era completamente diferente do que um simples “chamar” era quase que um pedido para que o olhasse naquele momento. Um pedido angustiado que todos notaram.

Era verdade. Nunca tivera coragem nos 5 anos antessedentes a ida do mais alto para o exercito, sempre pensando em como os outros agiriam se descobrissem esse amor, sempre pensando em como os outros os olhariam e nunca reparou todas as vezes que Kouyou chorou.Mas os outros sim, se culpava pela dor que ele possuia e em parte tinha culpa, agora que Kou havia seguido sua vida a diante estaria no seu direito que olha-lo e dizer que o amava e assumir isso publicamente? Cerrou os punhos. Kouyou continuou a olha-lo esperando que se virasse. A primeira vez o “Eu te amo” que Akira dera fora vazio, nao estava disposto a sacrificar tudo por esse amor, mas agora...

Camille o encarava furiosa, de onde ele teria surgido? Seu tio não havia dito aos seguranças para evitar que penetras entrassem? Principalmente Akira. Poderia ter voado em seu pescoço agora mesmo, mas havia muita gente, sem contar que era o dia do SEU casamento, Kouyou NÃO daria para trás agora, não AGORA. Não depois de tudo que ela fez para conseguir esse maldito casamento, uma vida melhor a esperava, já sabia que Kouyou receberia um bom dinheiro do pai. Certa vez, Aoi, um dos amigos de Kouyou tinha a dito que era melhor desistir do casamento do que passar vergonha no dia, o moreno sabia muito bem que Kou não seguiria a diante com isso, afinal, sempre fora apaixonado por Akira.

- Akira! – Chamou outra vez, desta descendo no altar e dirigindo-se ao loiro que se virava aos poucos.

- Kouyou. – Disse um tanto surpreso, socou as mãos nos bolsos ao virar-se completamente. De certa forma estava envergonhado por aparecer ali, e por conturbar o momento, estava entre a noiva e ele. – Gomen, eu não devia ter vindo.

- Realmente não deveria! – Bradou em uma expressão um pouco mais séria que se converteu em questão de minutos em um sorriso. – Mas estou feliz que tenha vindo.

- Eu só... Achei que... – Suspirou cada vez mais constrangido. – Eu fui um idiota Kouyou, muito idiota deixando que o grande amor da minha vida escapasse por uma merda de estereótipo. Tão idiota que quase te deixei ir pra sempre, eu não queria vir, mas abriram os meu olhos a tempo. Kouyou eu... Eu te amo tanto. E não me importo nem um pouco com que vão achar, eu só quero poder caminhar de mãos dadas com você, poder acordar com você ao meu lado, poder te dar bom dia e boa noite. Sempre.

- Akira... – Suspirou levemente sentindo os olhos marejarem, quando deu por si estava abraçado a ele ouvindo o burburinho formado pelos convidados que a muito já estavam inquietos. – Por que demorou tanto?

- Eu te amo meu Kou-chan.

- Eu te amo, Uechan.

“Aki-chan!”

- Eu quero me casar com você Kou-chan.

- É o que eu mais quero.

“Aki-chan!”

...

- Aki-chan! – Gemeu o loiro mel fazendo bico ao que o namorado abria os olhos espreguiçando-se.

- Hmm...? – O olhou piscando ainda mais, tocando-lhe o rosto.

- Você estava sorrindo. –Selou os lábios do loiro e arrumou-se ao lado dele. – Sonho bom?

- Iie, — O abraçou, beijando-lhe os lábios intensamente por um curto momento. – Um ótimo sonho meu amor.

- Koi...

- Hn?

- Feliz dois anos de namoro meu amor. – Sorriu ao loiro o puxando pela faixa e dando-lhe um beijo apaixonado.

- Feliz dois anos de namoro meu doce. – Disse contra os lábios dele.

Ficaram em silêncio por alguns instantes até o loiro da faixa pronunciar-se outra vez. – Acha pouco tempo dois anos meu amor?

- Iie, nos amamos e estarmos dois anos juntos já demonstra isso. Muitas pessoas não chegam nem a um. – Sorriu.

- Etto... Kou-chan... –Retirou uma caixinha azul e aveludada de debaixo de seu travesseiro a abrindo para ele. – Quer se casar comigo?

Notas finais
*Reaparecendo das sombras* E então? O que acharam? q
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.