Unsolved
50 Always.
Notas iniciais
— As três famílias? – indaga analítico. – Foi a Julie que te contou sobre isso?
— Foi. Já que você não me conta nada! – rebato na defensiva.
— Aquela fofoqueira...
— Andrew! – repreendo ele. – Foi por isso que fez negócios com a minha mãe? Por isso aceitou me proteger?
— Por causa da minha família? Pra tentar reconstruir tudo o que tiraram de nós...
— Foi por isso então? – indago sentindo meu coração bater acelerado.
— Sim. Era o que o meu pai sempre quis. – confirma. Ele desvia o olhar do meu e parece distante.
Parte de mim sente um alívio enorme em ver algum tipo de sentimento vindo dele.
— Como ele era? Seu pai...
— Ele era o homem mais foda que eu já vi. – Andrew diz parecendo se recordar de algo.
É a primeira vez que o vejo assim. – Nostálgico, em lembranças boas. – Ele parece vulnerável.
— Imagino que vocês eram muito próximos. – digo.
— Éramos sim. – Ele sorri minimamente. – O cara era foda, me ensinou tantas coisas...
— É? Tipo o que?
— A atirar, a lutar, me defender... – diz e volta a me olhar.
— Sua mãe já havia me dito uma vez que seu pai era igual a você...
— Você diz no sentindo de levar a mesma vida que eu levo?! – pergunta, confirmo que sim. – Sim, ele era. Por isso entrei nessa vida, por isso sou o que sou. E não me arrependo!
— Vocês tinham laços muito fortes...
— Sim. Ele fez tudo por mim, e pela Amélia... Ele amava tanto ela, parecia até que o amor não é uma droga.
— O amor não é uma droga. – falo atraindo a atenção dele. – Em meio a tanto sofrimento o amor é a única coisa que nos faz querer lutar um pouco mais.
— É o que pensa mesmo? – Andrew me analisa.
— Sim... – respondo sustento seu olhar.
Percebo o quanto estamos desconfortáveis com toda essa conversa. – Andrew nunca me falou sobre seu pai, ou sobre sentimentos.
— Me conta um pouco mais sobre sua família... – digo rapidamente.
Ele me diz algumas histórias engraçadas de quando era criança. – Fala sobre o pai com tanta admiração que estranho seu tom de voz respeitoso.
Tudo aquilo é diferente pra mim. – Nunca imaginaria que Andrew Black estaria me contando essas coisas.
Controlo o riso durante uma história em que ele quase enlouqueceu Amélia quando tinha dez anos.
— Você deu muito trabalho pra sua mãe!
— Você nem imagina o quanto! – Ele ri descontraído.
Tento registrar esse momento na minha mente.
— Ele morreu quando eu tinha dezesseis. – Andrew rompe o silêncio em que mergulhamos.
— Eu sinto muito! – digo sincera.
— Não precisa me olhar assim, Clarissa. Todo mundo tem uma história triste pra contar.
— Mesmo assim Andrew... É devastador perder alguém que você ama. – digo me recordando da minha mãe.
O olhar dele fica estranho e vazio. – E nesse momento me lembro que não foi só o pai que ele perdeu. Mas também a Angel.
— Tem mais alguma coisa que quer saber? – indaga sem me olhar.
— Sim... Andrew, quem quer me matar?
Dessa vez ele me olha nos olhos. – E muito provavelmente consegue ver o medo que sinto.
— Alexandre Vokkel. – diz impassível. – A Julie te contou a história das três famílias, você já sabe do ódio que ele nutre pela sua família...
— Sim. Mas quem é ele?
— Um dos últimos herdeiros dos Vokkel, assim como sua mãe era dos Goldstein. Eles fizeram negócios, alguma coisa deu errado no meio disso e ele começou a ameaçar vocês... – Andrew fala com seriedade. – Sua mãe morreu e só sobrou você, então...
— Matar a última Goldstein e ter todo poder pra ele. – digo sentindo ódio por esse homem que nunca vi.
— Ele só não sabe que eu vou atravessar o caminho dele. – Andrew sustenta meu olhar.
— Se alguma coisa acontecer com você... – digo sentindo o medo percorrer meu corpo.
— Nada vai acontecer comigo! Nem com você. Vou protege-la a qualquer custo. – Me aproximo mais dele, Andrew me ajuda a sentar em seu colo.
Estamos próximos. – Suas mãos estão nos meus quadris, enquanto toco seu rosto com carinho. – No começo ele parece desconfortável, mas quando deslizo meus dedos por sua pele, ele parece se deixar levar pelo carinho.
— Obrigada. – agradeço olhando em seus olhos.
— É minha obrigação te proteger!
— Só faz por obrigação então?
— Você sabe que não. – diz baixo.
— Por que? – pergunto encostando minha testa na dele.
Fecho os olhos sentindo nossas respirações próximas.
— Ainda não ficou claro pra você garota? – indaga e me beija.
Lentamente. – Sua boca encaixa tão perfeitamente na minha. – Ele me beija devagar, parece querer aproveitar cada segundo daquele momento. – Minhas mãos ainda tocam seu rosto com carinho, enquanto as suas mãos apertam minha cintura com firmeza.
Nos separamos para recuperar o ar. – Quando abro os olhos encontro os seus me fitando.
— O que foi? – pergunto.
— Você é linda. – Andrew diz me olhando diretamente nos olhos. Sinto meu rosto esquentar de vergonha, ele ri descontraidamente, me fazendo sentir o estômago afundar, são as borboletas, tenho certeza.
Ele roça os lábios nos meus me fazendo fechar os olhos novamente. – Sinto sua boca sugar meu lábio inferior de leve, seguido por uma mordida cuidadosa.
Suas mãos levantam o tecido da blusa. – Ergo os braços e o ajudo a tirar a peça de mim. – Sinto ele entrelaçar os dedos no meu cabelo, próximo a minha nuca. – Andrew puxa de leve pra trás apenas parar ter mais acesso ao meu pescoço.
Seus lábios tocam a pele do meu pescoço. – Mas de alguma forma é diferente das outras vezes. – É mais como um carinho, do que só por prazer.
Ele beija cada parte do meu pescoço com cuidado, e devagar. – Sinto sua mão livre envolver meu seio. – Facilitando tal ação pela ausência do sutiã. – Ele acaricia lentamente, me arrancando alguns gemidos e suspiros. – Me remexo em seu colo sentindo sua ereção, deslizo minhas mãos por suas costas mapeando sua pele.
Ele solta meu cabelo e me pega com firmeza pela cintura. – Andrew inverte a posição e me deita na cama. – Seu corpo está a certa distância do meu, ele pega nas laterais do meu short e puxa deslizando o tecido pelas minhas pernas.
Ele aproxima o rosto da minha barriga e deposita um beijo demorado ali. – Deixo um sorriso escapar ao ver esse gesto. – Andrew pega agora no tecido fino da minha calcinha e a tira de mim.
Ele se levanta apenas para se livrar da calça de moletom que usa, noto ser a única peça de roupa que ele estava vestindo, já que logo o vejo totalmente nu.
Me ajeito na cama, enquanto ele me fita vindo até mim.
Ficando por cima de mim, seu corpo se encaixa perfeitamente no meu. – Ele usa uma mão para se apoiar.
Logo sinto sua boca contra a minha. – Ele me beija com tanto desejo que sinto meu ventre contrair. – Seus lábios são quentes, me fazem querer beija-lo por uma eternidade.
O beijo se torna mais intenso. – Ergo um pouco meu quadril procurando mais contato e proximidade. – Sinto seu membro rígido contra minha intimidade.
Gemo baixinho entre o beijo. – Isso parece deixá-lo ainda mais excitado.
Devagar sinto ele me penetrar. – Se encaixando sem dificuldade em mim. – Andrew faz movimentos lentos, enquanto ainda me beija.
Puxo os lençóis enquanto gemo contra seus lábios. – O beijo é interrompido enquanto buscamos ar.
Ele me olha nos olhos. – Vejo o desejo ali, me fazendo ficar mais entregue a ele.
— Você está tão molhada, caralho! – Andrew diz rouco de excitação.
Os movimentos continuam lentos e calmos. – Sinto ele entrar e sair, e meus pensamentos estão focados somente nisso.
Suas mãos procuram as minhas – Ele entrelaça as nossas mãos sobre o colchão. – Aperto as suas quando as ondas de prazer ficam mais intensas.
Não sei por quanto tempo ficamos assim até cedermos, mas cada parte do meu corpo queria muito mais dele.
O único som no quarto era o da nossa respiração. – Meus olhos fitavam o teto enquanto tentava controlar minha respiração.
Me deito de lado olhando pra ele. – Andrew vira o rosto na minha direção, nossos olhares se encontram.
— Quer deitar aqui...? – indaga quase que com constrangimento.
— Aham. – confirmo me aproximando ainda mais dele e deitando minha cabeça em seu peito.
Uma das minhas pernas está por cima da dele, meu corpo encostado no seu e minha cabeça em seu peito, tudo isso me causa conforto.
Apoio uma das minhas mãos em seu peito. – Primeiro faço carinho em sua pele, até estar fazendo círculos imaginários ali.
— Foi por causa do Alexandre Vokkel que você chamou a Julie pra me proteger? – indago me lembrando da pergunta que ainda queria fazer.
— Quer falar disso logo agora Clarissa? – seu tom parece levemente irritado.
— É que eu iria esquecer se não perguntasse na hora...
— Tudo bem. – Ergo o rosto para olha-lo. – Não é por causa dele. É outro inimigo, mas dessa vez é um inimigo meu.
— Seu? Quem?
Ele fica em silêncio por alguns segundos, até soltar a respiração pesada.
— O nome dele é Marcelus. – Andrew parece se controlar ao máximo quando fala desse homem. Seu olhar é frio e vazio. – Antes de eu mandar aqui na cidade, e nas outras, o pai do Marcelus fazia isso...
“Eu e os garotos começamos a tomar o poder deles por aqui. – Até que um dia roubamos um carregamento importante deles. – Estávamos praticamente ganhando essa pequena guerra. – A cidade era quase toda nossa. – Mas é claro que o maldito do Marcelus e o pai dele não iam deixar isso barato.
Então depois que nós roubamos o carregamento, saímos pra comemorar. – Andrew para e fecha os olhos, encosto minha cabeça em seu peito e sinto seu coração bater mais acelerado. – Me lembro que naquele dia antes de sair pra roubar aquele carregamento eu e Angel brigamos feio. – Me surpreendo ao ouvir o nome dela sair da boca dele. De alguma maneira sinto um aperto no estômago. – Já não estávamos nos entendendo fazia meses, mas naquele dia a briga foi feia. Ela definitivamente não queria me deixar ir cumprir aquilo. – Mas mesmo assim eu fui.
A missão foi bem sucedida. – Fomos comemorar, beber. – Liguei muitas vezes pra ela, mas Angel não atendia – imaginei que ela estaria chateada, por isso estava me ignorando. – Era o tipo de coisa que ela faria. – Ele deixa um sorriso escapar quando abre os olhos.
Mas se eu soubesse no que tudo isso iria acabar, não teria ido a lugar algum... – Quando cheguei em casa não a vi em lugar nenhum. – Ela não poderia ter me deixado. Liguei mais um milhão de vezes e dessa vez caia direto na caixa postal. – Vasculhei a cidade atrás dela, e nada.
Nesse momento achei que enlouqueceria. – Até Marcelus me ligar, e foi aí que descobri onde ela estava. – O olhar de Andrew fica frio, vazio. E só vejo sofrimento, angústia e culpa. – Por pura vingança o desgraçada a sequestrou.
Era a cidade em troca da Angel. – Não pensei duas vezes antes de aceitar. – Mas ele queria que eu fosse até um galpão distante sozinho. – Sabia que era uma armadilha, e que não sairia vivo se fosse sozinho.
Por isso tracei um plano, levei outros comigo. – E na minha cabeça eu salvaria ela, e ainda teria a cidade pra mim.
Trocamos muitos tiros, derramamos sangue dos dois lados. – Harris atirou no pai do Marcelus, deixando ele gravemente ferido.
Nós estávamos praticamente ganhando. – E sabendo disso, Marcelus trouxe Angel pro meio do campo de batalha.
Vê-la ali, indefesa, com medo. – Com os braços amarrados e a boca amordaçada, sendo segurada por um dos homens dele. – Aquilo me fazia querer explodir o Marcelus em mil pedaços.
Eu implorei para que ele não fizesse nada com ela. – Pois vendo que em número de homens nós estávamos ganhando, e ele estava praticamente encurralado, Marcelus propôs a vida dele pela dela. – Concordei sem pensar.
Ele começou a tomar distância de nós, quando estava próximo da porta, seu capanga também começou a se distanciar. – Angel caminhou com dificuldade até mim, e quando estava próxima dos meus braços, o pai dele, aquele velho maldito, atirou nela.
Foi fatal. – Ela morreu na hora. – Seu corpo tombou pra mim. Eu a segurei, mas já era tarde. Ela morria nos meus braços. Por culpa minha.
Não queria solta-la. – Morreria com ela, morreria por ela, era pra ser eu ali.
Sentia tudo em mim morrer, enquanto a via sem vida nos meus braços.
Não consigo me lembrar com exatidão o que aconteceu depois. – Mas a polícia estava muito perto do local, e Dave e Nick me tiraram dali, mas sem não antes eu estourar a cabeça do pai do Marcelus com dez tiros.”
As lágrimas molhavam meu rosto enquanto eu via toda dor nos olhos do Andrew. – Sabia que a história dele com ela havia sido triste e trágica, mas tanta dor assim, é tão cruel.
— Por que me contou tudo isso? – pergunto com a voz embargada.
Andrew olha nos meus olhos. – Vejo a dor tão clara nos seus olhos azuis. – Estão como um dia nublado e cinzento.
— Não sei Clarissa. Só achei que estava na hora.
— Eu sinto muito, muito Andrew! – digo com sinceridade, sentindo mais lágrimas molharem meu rosto.
Ele usa o polegar para secar a lágrima que escorre pela minha bochecha.
— Quando eu a perdi fiz uma promessa a mim mesmo... Que nunca mais eu me apaixonaria por ninguém. – Andrew fala enquanto fita meus olhos. – Desde a Angel eu nunca senti nada dessas merdas por ninguém! – Ele faz uma pausa. – Até você chegar.
— Você tá dizendo que...? – minha voz se cala no meio da frase.
— Eu estou dizendo que você me fez quebrar a porra de uma promessa. – seu dedo desliza até minha boca e ele toca meus lábios. – Você era só um contrato garota, mas caralho! Eu me apaixonei por você, Clary.
Meu coração bate tão acelerado que parece que vai sair do peito. – Quase não consigo acreditar nas palavras dele. – Sinto que isso é um delírio, e que vou acabar voltando pra realidade.
Ele disse que está apaixonado por mim, com todas as letras. E ainda me chamou de Clary pela primeira vez. – Era um sonho.
Não espero mais nenhum segundo para beija-lo. – É urgente, quente, e intenso. – Quero que ele sinta que é recíproco. – Que eu o quero tanto quanto ele me quer.
Sinto suas mãos me puxarem pra mais perto. – Interrompo o beijo e fico por cima dele. – Uma perna de cala lado, enquanto suas mãos deslizam por minhas coxas. – Inclino meu corpo pra frente e volto a beija-lo.
Andrew acaricia meu corpo com as duas mãos, me arrancando gemidos durante nosso beijo. – Ele me guia até seu membro e devagar me encaixo ali. – Sinto mais uma vez ele entrar em mim.
As duas mãos dele me seguram com firmeza pela cintura.
— Você está no comando agora. – Andrew diz interrompendo o beijo, e isso me excita ainda mais.
— Como você gosta? – indago perto do ouvido dele. Começo a rebolar bem devagar.
— Assim é gostoso pra caralho! – diz rouco.
Volto a posição de antes e Andrew tem total visão do meu corpo. – O que parece satisfazer muito ele.
Ficamos assim por um bom tempo. – Até já não aguentarmos mais de prazer.
Deixo meu corpo cair por cima do dele. – minhas pernas continuam uma de cala lado do seu corpo, e Andrew só me ergue um pouco pra sair de dentro de mim. – Escondo meu rosto em seu pescoço e deposito beijos ali, enquanto sinto sua mão acariciar minhas costas.
— Eu não disse... – falo levantando o rosto para olha-lo depois de alguns minutos.
— O que?
— Que eu sou apaixonada por você. – Seu olhar está fitando o meu.
Ele sorri descontraído e até um pouco convencido. – E é um sorriso tão lindo que sinto as borboletas dançarem em meu estômago.
— Eu sei, gostosa. – Ele da um tapa leve na lateral da minha coxa.
— Se você já sabe, então não preciso dizer... – Andrew rapidamente inverte nossas posições me deixando por baixo mais uma vez.
Ele segura meus braços acima da cabeça e me olha nos olhos. – um sorriso de malícia está em seus lábios.
— Você é louca por mim!
— Você é muito convencido! – rebato rindo.
— Clarissa... você acabou de confessar que está apaixonada, e eu que sou convencido?
— Você também acabou de confessar! – sorrio pra ele que solta uma gargalhada gostosa.
— Vai jogar isso na minha cara pra sempre, não vai?!
— Sempre. – respondo olhando em seus olhos.
Sinto a mais pura felicidade me envolver naquele exato momento. Enquanto suas palavras ainda estão frescas na minha mente. Enquanto eu ainda vejo seu sorriso na minha frente.
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