Unsolved
51 Pride and Prejudice.
Notas iniciais
Andrew Narrando
Não consigo entender o que deu na minha cabeça pra me abrir tão intimamente com aquela garota. – Só podia estar enlouquecendo.
Confessar que estava apaixonado por ela foi meu ato mais corajoso em tempos. – Ou o mais burro.
Saio de casa antes que ela acorde. – Depois de tudo o que contei para ela, parte de mim quer evitá-la ao máximo.
Assim que chego no escritório da boate vejo todos reunidos. – Até mesmo Julie achou o caminho até aqui.
Passamos horas discutindo planos e estratégias. – Estudando supostas ações e ameaças que possam vir do Marcelus.
— Trazer o Harris de volta seria um reforço do caralho! – Dave diz recebendo um olhar de censura meu.
— Concordo. Sabendo que o Marcelus está na cidade seria melhor e mais seguro o Andrew ficar mais em casa do que por aqui... – Nick fala.
— Como? – indago sério. – Vocês querem trazer aquele bosta do Harris pra colocar no meu lugar?
— Não é isso! Estou dizendo que é mais seguro e prudente... – Nick insiste.
— Acha que não sei me defender? – rebato com irritação.
— Porra Drew! Não é isso que estamos dizendo. Mas seria bem vantajoso pro Marcelus pegar você sozinho, certo? E você andando de um lado para o outro é uma ótima oportunidade dele fazer isso. – Ele explica.
— Todo reforço de confiança é bem vindo... E também seria seguro para a Clarissa ter você por perto. – Julie diz pela primeira vez, chamando atenção.
— Foi exatamente por isso que eu trouxe você pra cá. – retorquio.
— Não se esqueça que eu ajudo meu pai a gerenciar os negócios Goldstein daqui... Por mais que eu possa estar muito tempo com a Clarissa, seria bem seguro que ela não ficasse mais sozinha naquela casa. – Ela me olha parecendo controlar a irritação.
— Onde está querendo chegar então?
— A gente reversa. Ela ficar sozinha por tanto tempo é burrice. – diz. Seu tom de voz é quase desafiador.
— Podemos conversar a sós? – indago.
Nick me lança um olhar confuso, enquanto Dave parece segurar o riso.
— Claro. – saímos do escritório, descemos as escadas e logo estamos no bar vazio da boate. – O que é tão sério que você não pode dizer na frente deles?
— Não é nada sério... – digo cruzando os braços. – Quero fazer um pedido a você.
— Estou ouvindo.
— Não quero que você fique passando informações pra Clarissa... – vou direto ao assunto.
Não gostei nada de saber que a Julie contou coisas para a Clarissa. – Esse papel não cabe a ela. – E não sei até onde ela sabe da sujeira dos Goldstein.
— Como?
— Eu sei que foi você que contou sobre as três famílias a ela. – prossigo. – Não sei até que ponto você sabe das histórias, mas se fosse pra ela saber, ela já saberia.
— Não sei muito mais do que contei pra ela... – Julie olha nos meus olhos. – Mas se soubesse, teria contato da mesma maneira.
— O que? – indago irritado por suas palavras.
— Andrew a minha família é leal aos Goldstein por anos e gerações... Quando você me chamou aqui deveria presumir que eu só vim porque devo minha lealdade a Clarissa, não a você. – diz suavemente.
Encaro seus olhos com raiva por sua atitude de me enfrentar.
— Estou tentando protege-la...
— Eu também! Minha função aqui é protege-la. Seja de um Vokkel, ou de um Black. – suas palavras soam mais como ameaça.
— Está contra mim? – indago no mesmo tom.
— De maneira alguma. Só estou te lembrando a quem eu serei leal até a morte.
— O que importa pra mim é que você a proteja. E não acho que contanto essas merdas pra ela é a melhor maneira.
— Ela tem o direito de saber sobre a família dela! – rebate. – Mas fique tranquilo, só contarei o que for referente a família dela.
Fico em silêncio. – É exatamente isso que me preocupa. – Julie jamais pode descobrir qualquer segredo em relação a Candice Goldstein.
— Se me der licença, preciso ficar com a Clarissa... – diz e se retira.
Sei que posso me tranquilizar em relação a ela proteger a Clarissa. Mas que essa garota é arrogante e petulante, ela é.
Passo o restante do dia pensativo em relação a isso. – Não quero que ela descubra mais do que o necessário. – Por hora, Clarissa já sabe demais.
— Então estamos decididos em trazer o Harris de volta? – Dave indaga e jogo um cinzeiro na direção dele. Ele se desvia e o objeto cai no chão, quebrando-se. – Caralho Andrew!
— Eu já disse que não porra! – digo com irritação.
— Essa decisão não cabe só a você Andrew. – Nick rebate sério e eu o encaro. – Vamos votar.
— O que? Vocês dois vão votar a favor de trazer aquele bosta de volta! – protesto.
— Então é dois votos a um. – Nick diz. – O Harris volta.
— Um dia eu ainda vou atirar na cabeça de vocês! – Me levanto e saio dali batendo a porta com força.
Dirijo rápido pra casa, mas no meio do trajeto algo me chamo atenção. – Paro em uma livraria e adentro o local.
Clarissa Narrando
Quando acordei não o vi mais na cama. – Tive a sensação de que ele estava fugindo de mim. – Depois de toda conversa sincera que tivemos, eu esperava uma atitude diferente. – Mas acho que isso seria pedir demais pra ele.
A manhã passa rápido, e logo de tarde recebo a visita da Julie. – Ela chega como um raio de sol pra iluminar meu dia nublado.
Conversamos, assistimos e rumos muito. – tê-la aqui comigo era um alívio no meio de todo esse caos.
— Você e o Nick tem se falado? – pergunto enquanto assistimos mais um episódio de The Vampire Diaries.
— Sim... – diz ficando vermelha. – Ele é tão doce. – sua voz sai quase como um suspiro.
— Julie, você só pode estar apaixonada! – respondo rindo.
— O que adianta se não for recíproco?
— E quem disse que não é?
— Ele pode me ver só como amiga, Clary...
— Não seja cínica! Você sabe que ele não te vê assim... – rebato e ela ri.
— Talvez. Estamos nos conhecendo, ainda é cedo pra dizer qualquer coisa.
— Se você diz... – sorrio pra ela.
— Mas e você e o Andrew? – Julie pergunta sem segurar o riso.
— O que tem?
— Ele parece gostar bastante de você, mesmo que tente disfarçar isso com todas as forças.
— É exatamente isso que você disse! – Concordo rindo.
Conto que tivemos uma conversa sincera ontem. – Não entro em detalhes sobre a família dele, ou sobre a Angel. – Mas digo que ele confessou que está apaixonado por mim.
— Nossa não consigo imaginar alguém como ele dizendo que está apaixonado!
— Nem eu. Por isso as vezes penso que foi um delírio. – digo e caímos no riso. – Mas lá vem a parte ruim, sinto que ele está me ignorando.
— Porque ele faria isso?
— Não sei. Faz um tempo que desistir de entender as motivações do Andrew, ele é quase indecifrável.
— Você parece se divertir bastante tentando decifrar ele... – noto o pequeno tom de malícia em sua voz.
— As vezes sim. – respondo rindo.
Assistimos mais alguns episódios até Andrew chegar. – Ele se limita a nos cumprimentar brevemente e logo sobe com uma sacola na mão.
Troco olhares com Julie até ouvir a porta do quarto se fechar.
— Ele está me evitando. – concluo.
— Isso faz dele um idiota!
Não demora muito para que Nick apareça aqui em casa. – Pergunto se ele veio atrás do Andrew e o mesmo diz que na verdade veio buscar Julie.
Ambos os dois ficam vermelhos e envergonhados. – Acho a cena tão fofa e romântica.
Me despeço dos dois e subo pro quarto. – Assim que entro vejo Andrew sentado na cama mexendo no notebook.
Olho em sua direção, mas ele não retribui. – Vou até o banheiro e tomo um banho demorado e relaxante. – Tento não pensar nele, mas é impossível. – Como depois de tudo o que me falou, ele simplesmente escolhe me evitar?
É tão difícil assim pra ele se permitir sentir algo por mim?
Passo por ele de toalha e o vejo me olhar. – Vou até o closet e me troco – coloco uma camisa dele e um short larguinho.
Adentro o quarto novamente e Andrew está deitado. – Um braço atrás da cabeça serve de apoio, ele fita o teto e parece pensativo.
Assim que me preparo pra deitar vejo a sacola que ele havia trazido no meu lado da cama.
— Vou tirar isso daqui... – aviso pegando a sacola nas mãos.
— É pra você... – diz, enfim me olhando.
— Pra mim? – indago surpresa.
— Sim... Achei que você iria gostar. – noto o desconforto em sua voz. Ele parece constrangido.
Retiro um pacote mediano de dentro da sacola, ele está embalado em um papel de presente simples. – Abro o papel de presente e um sorriso involuntário se forma em meus lábios.
— Orgulho e Preconceito! – exclamo de felicidade com o livro nas mãos.
— Sei que seu exemplar acabou ficando na sua antiga casa, quando vi na vitrine achei que você iria gostar... – coloco o livro na cabeceira da cama e vou até ele rapidamente.
Praticamente me jogo em cima do Andrew. – O abraço desajeitadamente, ele fica surpreso, mas acaba retribuindo.
Suas mãos descem até minha cintura, ajeito meu corpo por cima do dele. – Aproximo meu rosto do seu, seus olhos me encaram.
— Obrigada. – sorrio sincera pra ele.
— Quero mais do que um agradecimento... – seu tom de voz é malicioso.
— O que você quer?
— Você não sabe?
Seu olhar paira sobre minha boca. – Aproximo nossos lábios, o vejo fechar os olhos – Ao invés de beija-lo, depósito um selinho demorado no canto da boca dele. – Andrew sorri de olhos fechados – e penso que essa é a melhor visão que eu poderia ter.
— Me beija logo vai! – sua voz é autoritária, mas em tom de brincadeira.
— Pra quem estava me evitando o dia todo, você parece querer demais um beijo meu. – digo e ele abre os olhos.
— Te evitando? – indaga – Garota você está ficando cada dia mais convencida em. Meu mundo não gira em torno de você, Clarissa. – Andrew sorri sarcástico.
Ele me irrita. – Faço menção de sair de cima dele, mas sou segurada pela cintura.
— Idiota!
— Você fica ainda mais gostosa irritada, sabia? – escuto sua risada preencher o quarto.
— Cala boca.
— O que? – Andrew me olha desafiador.
— Isso mesmo que você ouviu! – rebato.
— Então é assim agora? – indaga, sinto suas mãos apertarem mais minha cintura.
Antes mesmo que eu formule uma resposta ele inverte nossas posições e me prende entre o colchão e seu corpo. – Suas mãos são rápidas e logo as sinto subindo até minhas costelas. – Andrew começa a fazer cócegas em mim. – Não consigo controlar as gargalhadas, apesar de relutar tentando me libertar.
Minha respiração começa a ficar pesada e já não aguento mais rir. – Ele parece notar e para, Andrew sai de cima de mim e se deita ao meu lado.
Respiro me recuperando das cócegas.
— Quer comer alguma coisa? – pergunta atraindo minha atenção.
Me deito de lado olhando pra ele. – Andrew vira o rosto pra mim esperando minha resposta.
— Você vai cozinhar? – indago surpresa.
— Quer ter uma intoxicação alimentar? – ironiza e eu acabo rindo. – Vou pedir comida.
Discutimos por cerca de dez minutos sobre a comida que ele ia pedir. – Por fim venci e o fiz pedir comida japonesa.
Quando a comida chegou, um dos seguranças foi quem entregou. – Nos sentamos no sofá da sala mesmo e liguei a TV em um canal aleatório.
— Eu odeio comer com esse caralho! – Andrew se levanta irritado jogando o hashi em cima da mesa de centro.
— O nome é hashi Andrew! – digo rindo enquanto ele vai até a cozinha pegar um garfo.
— Não sei como você consegue comer com isso... – diz enquanto comemos.
— Quer que eu te ensine? – pergunto recebendo um olhar de deboche dele.
— Não.
— Por favor vai! Deixa de ser chato. – insisto.
— Puta que pariu! Tá bom. – diz concordando enquanto sorrio.
Pegamos os hashi's e digo como ele tem que segurar. – No começo Andrew ficou ainda mais irritado por não conseguir, mas a partir da terceira vez ele já conseguia.
— Viu? É fácil. – digo pegando um sushi e levando até a boca dele.
Ele faz a mesma coisa comigo. – Me surpreendendo. – Terminamos, e faço Andrew me ajudar a jogar algumas coisas fora e arrumar outras.
— Você é chata demais. – reclama depois que terminamos de arrumar as coisas.
— E você é folgado. – retruco enquanto voltamos para o quarto.
Assim que entramos ele fecha a porta. – Andrew vem até mim e me puxa pela cintura.
— O que quer Andrew? – digo em tom de provocação.
— Você. – sua boca procura pela minha e ele me beija ardentemente.
Suas mãos adentram o tecido da blusa e passeiam pelo meu corpo. – Agarro em seu cabelo e sinto os fios macios em meus dedos.
Tudo parece ficar quente quando ele me toca. – Desejo mais dele.
Até que o celular dele toca nos despertando. – Andrew continua me beijando, mas eu o Interrompo quando a pessoa liga pela segunda vez.
— Atende.
— Depois eu retorno... – Ele tenta me beijar novamente, mas o impeço.
— Pode ser algo importante.
A contragosto ele atende. – Sua expressão é de irritação.
— Caralho Dave! – Andrew já atende reclamando.
Me afasto um pouco dele para dar privacidade.
— O que? – vejo o olhar dele escurecer, sua mandíbula trava e já sei que Andrew está com raiva, com muita raiva. – Estou esperando vocês aqui em casa!
— O que aconteceu? – pergunto preocupada.
Andrew me olha, mas não responde. – Ele guarda o celular no bolso da calça de moletom.
— Não quero que você saía do quarto até eu voltar pra cá. – diz sério.
— Porque Andrew? O que houve?
— Só faz o que estou te pedindo! – Seu tom é irritado. Ele vai até a porta, mas volta.
Andrew sela nossos lábios rapidamente e me lança um último olhar antes de sair pela porta do quarto.
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