Unraveled
8 The Side Effects of You
Notas iniciais
Capítulo 8: The Side Effects of You
Quando o romance com o Dr. Edward Cullen começou a se consolidar sob os céus perpetuamente cinzentos de Forks, eu realmente cometi a ingenuidade de acreditar que a calmaria metódica e a devoção quase cirúrgica dele funcionariam como um antídoto definitivo para todas as minhas cicatrizes. Ele era o tratamento perfeito no papel: trinta e dois anos, chefe de cirurgia cardíaca, dono de uma estabilidade emocional inabalável, com uma beleza surreal, um Coração bondoso e dotado de uma doçura que parecia projetada para silenciar os meus fantasmas. No entanto, o amor não é uma borracha química. Nas semanas que antecederam a nossa tão planejada viagem para San Andrés, comecei a aprender, da pior forma possível, que por mais que Edward me amasse com cada fibra do seu ser, as minhas noites de insônia crônica e as crises de ansiedade sufocantes não sumiam com um beijo na testa. A analogia era incômoda, mas exata: o nosso relacionamento funcionava como a bula de um remédio de tarja preta. A promessa de cura estava ali, esteticamente perfeita na caixa, mas as reações adversas da minha própria mente começavam a surgir com uma força devastadora, cobrando o preço em paranoias retroativas.
Eu tinha vinte e sete anos, era uma mulher formada em Literatura, sustentava-me com a bolsa do mestrado e com os meus trabalhos de revisão textual de madrugada para não depender de um centavo do meu pai, o Xerife Swan, ou da minha mãe professora infantil de ballet. Eu me orgulhava da minha independência, mas colocar a minha realidade de classe média assalariada ao lado do império aristocrático dos Cullen operava um curto-circuito no meu sistema nervoso. Eu andava com um casaco de lã gasto; ele usava relógios que custavam o equivalente a dois anos da minha pesquisa acadêmica. Essa disparidade alimentava um monstro invisível que habitava os cantos escuros do meu cérebro, sussurrando que eu era apenas um corpo temporário ocupando o espaço de homens e mulheres muito mais brilhantes.
Dois dias antes do nosso embarque para o Caribe, sentei-me na poltrona de couro envelhecido do consultório do Dr. Jasper Hale para a nossa última sessão de terapia antes da viagem. O ambiente tinha aquele cheiro característico de livros antigos, chá de camomila e neutralidade clínica. Do lado de fora da janela, a chuva de Forks batia no vidro de forma cadenciada. Eu estava em um estado deplorável de agitação interna, embora mantivesse o tronco ereto e o tom de voz controlado. Minhas mãos, escondidas sob as coxas, tentavam disfarçar o fato de que eu havia machucado os meus próprios dedos de tanto arrancar as peles ao redor das unhas nas últimas quarenta e oito horas.
— Eu sinto como se estivesse contaminando algo puro, Jasper — confessei, a voz saindo em um fio trêmulo, enquanto desviava o meu olhar dos olhos excessivamente calmos do terapeuta para focar no reflexo do meu próprio septo no vidro embaçado. O pequeno buraquinho no meu coração parecia pulsar no mesmo ritmo da minha neurose. — O Edward é impecável. Ele opera pessoas, ele conserta válvulas entupidas, ele salva vidas antes do café da manhã. E eu? Eu sou um emaranhado de notas de rodapé, complexos de inferioridade e traumas não digeridos. A minha mente sabota cada momento de silêncio que nós temos. Criei uma paranoia fixa, uma obsessão geométrica de que eu nunca serei boa o suficiente, limpa o suficiente ou sofisticada o suficiente para pertencer ao universo dele. No fundo, sinto que sou apenas um prontuário médico ambulante que ele adotou por compaixão; ele é o cirurgião brilhante, e eu sou a peça com defeito de fabricação.
Jasper me observou por longos e torturantes minutos com aquela sua calma analítica habitual, mantendo a postura impecável de quem compreendia os mecanismos da loucura humana sem se deixar contagiar por eles. Ele anotou algo de forma pausada em seu bloco de notas com uma caneta tinteiro e depois cruzou as mãos sobre os joelhos, inclinando-se ligeiramente na minha direção.
— Bells, você está cometendo um erro categórico de avaliação — Jasper pontuou, o tom de voz dele suave, mas cortante como um bisturi. — Você está tratando o Edward como um salvador, como uma entidade médica mística, e não como um parceiro de carne e osso. Quando você se coloca voluntariamente nessa posição de inferioridade civil e emocional, a sua mente, como um mecanismo de defesa distorcido, busca justificativas para a rejeição antes mesmo que ela aconteça. É mais fácil sabotar o relacionamento agora do que correr o risco de ser vulnerável e descobrir que o amor dele é real. Você precisa parar de procurar fantasmas e inventar monstros no passado dele para tentar justificar a sua própria insegurança crônica no presente. O Edward escolheu você, Isabella. Não a sua saúde, não o seu mestrado ou muito menos sua conta bancária. Você.
Eu queria ter assimilado o conselho de Jasper. Juro por Deus que tentei usar a lógica dele como um escudo. Mas a minha mente envenenada já estava em um processo de queda livre que nenhuma sessão de setenta minutos seria capaz de interromper.
O ápice do meu colapso estético e emocional aconteceu na tarde seguinte, no cenário claustrofóbico da sala da minha casa. Charlie estava no plantão da delegacia e minha mãe estava no ensaio de ballet, o que significava que o território estava livre para a invasão. E a invasão veio com a delicadeza de um furacão de alta costura.
Rosalie Hale e Alice Brandon invadiram o meu espaço sem pedir licença, empurrando a porta da frente enquanto carregavam três malas de rodinhas compactas e uma quantidade industrial de cabides, sacolas de grife de Seattle e caixas de sapatos que exalavam o cheiro de couro novo e ostentação. Elas jogaram tudo aquilo sobre o sofá de tecido gasto e rústico , transformando instantaneamente o ambiente humilde em uma passarela de moda litorânea francesa.
— Certo, nós temos exatamente quarenta e oito horas para garantir que o Dr. Cullen perca completamente a postura médica, o vocabulário técnico e o controle cirúrgico naquele resort — Alice anunciou com um entusiasmo quase doentio, os olhos azuis brilhando intensamente atrás dos cílios postiços enquanto ela sacudia no ar um minúsculo buraquinho de renda preta e tiras elásticas que ela jurava, de pé junto, ser um biquíni de alta costura. — Olha esse recorte, Bella! Vai destacar perfeitamente os suas saboneteiras, alongar a sua silhueta e deixar o Edward sem oxigênio logo na primeira noite no Caribe. Eu passei três horas escolhendo isso na Nordstrom! Sexy!
Eu olhei para aquele pedaço de pano que não cobriria nem o curativo da minha biópsia e senti o meu estômago dar uma volta completa. Uma risada nervosa, quase histérica, escapou dos meus lábios enquanto eu me encolhia na poltrona, puxando as mangas do meu suéter velho para cobrir as minhas unhas machucadas.
— Alie, isso não é um biquíni. Isso são três tiras de barbante e um sonho — disparei, a minha mente doida operando na defensiva. — Eu sou uma mestranda em literatura, eu passo o dia lendo calhamaços de mil páginas sobre a Inglaterra vitoriana. Eu não tenho a menor estrutura física ou psicológica para usar isso sem parecer que estou usando uma fantasia de Halloween de múmia que deu errado.
Rosalie soltou uma risada rica, balançando os cabelos loiros deslumbrantes enquanto estendia uma camisola de cetim de seda na cor vermelho-pálido, com um decote nas costas que descia até a base da coluna. Rose era a irmã de Jasper e a personificação da perfeição física; vê-la segurando aquela peça cara contra o meu sofá me dava vontade de pedir asilo em outra cidade.
— Não comece com o seu complexo de intelectual incompreendida, Bells — Rosalie completou, jogando a camisola de cetim nos meus braços com um sorriso cúmplice e maduro. — Nós trouxemos lingeries da intimissini, vestidinhos soltos de linho italiano e cortes estratégicos para deixar o Cullen completamente de quatro no quarto de hotel. Você está indo para San Andrés, pelo amor de Deus. Vai passar uma semana inteira isolada com um homem super gostoso, que é louco por você. Precisa começar a agir como uma mulher que sabe o poder que tem e parar de se esconder atrás desse escudo de garota indefesa de Forks.
Eu segurei a renda vermelha entre os meus dedos trêmulos. O tecido era incrivelmente macio, caro, gélido contra a minha pele febril. Mas, ao olhar para aquela pilha de roupas perfeitas, minúsculas e sofisticadas, o meu estômago revirou de forma violenta. Um surto clássico de ansiedade me atingiu em cheio, como uma rasteira no meio do peito. Olhei de relance para o meu próprio corpo no espelho de moldura escura pendurado na parede da sala: a pele excessivamente pálida pelo inverno de Washington, as olheiras profundas causadas pelas noites em claro revisando textos, a fragilidade latente que parecia emanar do meu tórax por causa do sopro cardíaco.
A comparação com a perfeição estética daquelas duas mulheres e com o mundo rico que elas habitavam foi inevitável e destrutiva. A minha mente doida começou a criar cenários de humilhação pública: eu nunca vou conseguir preencher aquelas roupas como as mulheres da alta sociedade com quem o Edward conviveu em Seattle ou na Europa. Eu vou parecer uma criança brincando de usar as roupas da mãe. Ele vai olhar para mim sob o sol do Caribe e perceber que cometeu um erro médico ao me escolher.
— Meninas, obrigada, de verdade... — forcei um sorriso perfeitamente normal, engolindo o bolo de pânico que subia pela minha garganta, usando a minha clássica fachada de controle externo. — As roupas são maravilhosas. Eu vou... eu vou arrumar a mala com calma mais tarde. Prometo que vou experimentar tudo.
Assim que Alice e Rosalie finalmente recolheram os seus pertences e cruzaram a porta da frente, deixando para trás um rastro de perfume importado e expectativas esmagadoras, a minha máscara desabou por completo. A porta mal havia batido e a obsessão retroativa pelo passado amoroso de Edward fincou as garras com uma força brutal na minha nuca.
Tranquei-me no meu quarto de infância, encostando as costas na madeira, sentindo o meu coração disparar. Peguei o celular com as mãos trêmulas, deitei-me de bruços na cama e abri o aplicativo do Instagram. A minha mente doida entrou no modo de autodestruição digital. Digitei o nome que vinha assombrando os meus pensamentos desde que soubera do histórico amoroso do meu namorado: Dra. Tanya Denali.
Ela era a ex-namorada de longa data de Edward. Uma loira deslumbrante, de traços aristocráticos russos, médica prestigiada da cirurgia vascular que fizera toda a residência e especialização médica ao lado dele nos hospitais de ponta da Europa.
Passei as três horas seguintes descendo o feed de Tanya, descendo anos de postagens, contando e dissecando cada detalhe daquele passado perfeito até me machucar emocionalmente de forma consciente. Eu estava voluntariamente bebendo o veneno da minha própria insuficiência. Eu me comparava obsessivamente com cada pixel daquela mulher. Tanya tinha posturas impecáveis em fotos tiradas em congressos médicos na Suíça; exibia um corpo atlético e perfeitamente bronzeado em iates na Grécia; e o pior de tudo: havia dezenas de fotos antigas dela em jantares de Natal na imensa mansão de vidro dos Cullen. Em todas elas, Tanya parecia se encaixar perfeitamente como uma peça de ouro de um quebra-cabeça familiar dinástico. Ela sabia usar vestidos de gala, e provavelmente sabia falar sobre procedimentos arteriais complexos com Carlisle no jantar, ela pertencia àquela classe social.
E eu? Eu era apenas a paciente esquisita de Forks que desenhava retratos a carvão nas horas vagas, que tinha um buraquinho no septo do coração e que tinha medo da própria sombra. A paranoia dominou cada canto do meu cérebro; eu estava submersa na certeza absoluta de que o Edward estava apenas vivendo uma fase de caridade comigo antes de voltar para os braços de alguém do seu próprio nível técnico e estético.
Na manhã de sexta-feira, o dia do voo, a minha insegurança crônica e o esgotamento mental atingiram o teto absoluto bem na hora de ir para o aeroporto internacional. Meus pais ja haviam saído cedo para seus trabalhos, deixando a casa imersa em um silêncio sepulcral. Eu estava sentada no último degrau da escada de madeira da varanda da frente, com a minha mala de lona barata parada ao meu lado no chão úmido. Minhas mãos estavam enfiadas profundamente nos bolsos do meu casaco de lã cinza antigo, os meus dedos apertados em punhos para esconder o tremor descontrolado. O meu peito doía fisicamente de tanta ansiedade acumulada nas últimas setenta e duas horas de insônia.
Eu queria ligar para ele. Eu queria pegar o celular, discar o número do Edward e cancelar toda a viagem. A minha mente doida estava criando desculpas médicas detalhadas: eu vou inventar que tive uma arritmia severa, que o meu sopro piorou por causa do clima, que estou passando mal e preciso ser internada apenas para não ter que enfrentar o medo paranoico de pegar aquele avião e não ser o suficiente para ele em San Andrés. Eu estava pronta para boicotar a minha própria felicidade por puro pânico de ser inadequada.
Foi quando o som abafado e potente do motor cortou o barulho da chuva fina. O Volvo de Edward estacionou suavemente na nossa calçada de cascalho. A porta do motorista se abriu e ele saltou do carro.
Edward caminhou na minha direção com passadas calmas, compassadas e firmes, exalando aquele perfume maravilhoso, caro e marcante de lavanda e frescor cítrico que, instantaneamente, como um passe de mágica mecânico, começou a limpar o ar pesado e rarefeito ao meu redor. Ele vestia uma calça de alfaiataria escura e um suéter cinza de lã de cashmere incrivelmente confortável, os cabelos bronze perfeitamente desalinhados pelo vento frio da manhã. Nas mãos longas, ele trazia uma peça volumosa: um casaco enorme, acolchoado, extremamente macio e pesado na cor creme, que parecia uma nuvem de isolamento térmico.
— Bom dia, meu amor — ele disse, a voz saindo naquele tom grave, aveludado e melódico que agia como um sedativo injetável direto na minha corrente sanguínea.
Edward não se importou com a umidade do cascalho ou com o chão sujo da varanda; ele simplesmente se agachou na minha frente, ficando na altura dos meus olhos castanhos e assustados. Com movimentos lentos e transbordando uma paciência infinita, ele abriu o casaco creme que trouxera e envolveu o meu corpo trêmulo com o tecido macio, fechando o zíper até a altura do meu pescoço, isolando-me do frio de Forks.
— Eu acordei pensando que o clima em Seattle estaria congelante e que a viagem até a conexão na Colômbia seria longa e cansativa — ele sussurrou, levando as suas mãos grandes e quentes até as minhas bochechas pálidas, acariando a minha pele com os polegares de uma forma tão fofa e terna que o meu peito deu um nó. — Então comprei esse casaco acolchoado para você não passar nenhum desconforto no avião. Como está o seu coração essa manhã, Bella? Você conseguiu tomar o remédio da pressão antes de organizar as malas? Sentiu alguma pontada ou falta de ar enquanto me esperava?
Olhei fixamente para os olhos verdes dele, sentindo-me completamente dividida, despedaçada entre o amor avassalador, maduro e protetor que ele me oferecia espontaneamente e o lixo paranoico que a minha mente doida insistia em alimentar no escuro do meu quarto. Ele era perfeito. Ele estava cuidando de mim nos mínimos detalhes biológicos e logísticos, tocando o meu rosto com uma doçura que quase me fazia chorar de puro alívio e culpa. Como eu podia ser tão injusta e doente a ponto de olhar o feed da ex-namorada dele e duvidar da integridade do sentimento que ele demonstrava em cada gesto?
— Eu tomei o remédio, Edward... — respondi em um sussurro, deixando a minha testa apoiar-se de leve no ombro dele por um segundo, permitindo que o cheiro de lavanda dele limpasse os resquícios da Dra. Tanya Denali da minha mente. — O meu coração está bem. Só está batendo um pouco rápido demais porque... porque você me assusta com a sua perfeição.
Edward soltou uma risada baixa, aquele som gostoso que vibrava contra a minha pele, e deixou um beijo demorado no topo da minha cabeça.
— Não há nada de perfeito em mim, Bella. Só há um homem, completamente apaixonado, que sabe exatamente a raridade da mulher que tem nos braços. Vamos princesa, o calor de San Andrés nos espera...
Duas horas e meia depois, a realidade cinzenta de Forks havia ficado para trás, substituída pela imensidão branca das nuvens vistas de cima. Já estávamos confortavelmente acomodados nas poltronas espaçosas e totalmente reclináveis da classe executiva do voo internacional em direção a Bogotá, de onde pegaríamos a conexão para a ilha de San Andrés. O isolamento acústico e as divisórias da cabine premium nos davam uma privacidade reconfortante, criando um microclima de paz no meio do céu.
Os momentos doces e fofos a bordo, orquestrados pela atenção meticulosa do meu namorado, começaram a derreter a rigidez muscular que a ansiedade havia provocado no meu corpo. Assim que o avião atingiu a altitude de cruzeiro e o aviso dos cintos se apagou, Edward esticou o braço direito por trás dos meus ombros, puxando o meu corpo com suavidade para que eu me deitasse contra o peito largo dele. Ele ajeitou a manta azul do avião sobre as minhas pernas e puxou as abas do casaco creme que ele me dera, garantindo que eu estivesse completamente aninhada e protegida.
Edward enfiou a mão livre na mochila de couro que estava aos seus pés e puxou um par de fones de ouvido compartilhados. Com uma delicadeza extrema, ele afastou uma mecha do meu cabelo castanho e colocou um dos lados do fone na minha orelha esquerda, encaixando o outro lado na sua própria orelha. Ele deu o play na tela do celular, e imediatamente as notas suaves, lentas e sofisticadas de uma playlis que ele mesmo preparara meticulosamente para mim começaram a ecoar, isolando o barulho dos motores a jato.
Com a outra mão, Edward segurou os meus dedos trêmulos e machucados. Ele não fez perguntas sobre as pequenas feridas ao redor das minhas unhas; ele apenas entrelaçou os seus dedos longos e firmes nos meus, prendendo a minha mão com segurança. Ele ergueu a nossa mão unida até os seus lábios e depositou um beijo demorado, quente e incrivelmente terno contra a minha pele gélida, mantendo a boca colada ali por alguns instantes.
— Você precisa relaxar essa mente acelerada um pouco, amor — ele sussurrou contra o meu ouvido, a sua respiração quente enviando uma onda de arrepios reconfortantes pela minha espinha, fazendo-me fechar os olhos de forma involuntária. — O voo até a Colômbia é longo e cansativo. Tente fechar os olhos e dormir um pouco aqui no meu ombro. Esqueça os prazos do Dr. Harrison, esqueça Forks, esqueça o hospital. Eu estou aqui do seu lado monitorando você em tempo integral. Se o seu peito doer, se você sentir qualquer palpitação ou desconforto por causa da altitude, é só me apertar. Eu resolvo.
Ele soltou a minha mão por um segundo apenas para esticar o braço e pegar uma caixinha de veludo escura na mochila. Ao abrir, revelou uma seleção de chocolates finos belgas com alto teor de cacau. Edward pegou um pedaço pequeno, redondo e escuro, e o levou delicadamente até os meus lábios, esperando pacientemente que eu abrisse a boca para aceitar o doce. Ele sorriu com aquele seu clássico e devastador sorriso torto que desarmava qualquer exército defensivo que a minha mente tentasse recrutar.
— Um pouco de açúcar de alta qualidade para acalmar as borboletas neuróticas que habitam o seu estômago — ele brincou com carinho, dando um beijo terno na minha bochecha que instantaneamente ganhou uma coloração rosada.
Apoiei a minha cabeça na curva do ombro dele, deixando o sabor amargo e sofisticado do chocolate derreter na minha língua, sentindo o calor do corpo do Edward funcionar como um escudo protetor contra a altitude e contra os meus próprios medos civis. Ele era impecável. Um homem maduro, um namorado que qualquer mulher no planeta consideraria um milagre da evolução humana.
No entanto, a mente humana tem mecanismos perversos de funcionamento. Enquanto o avião de última geração cortava as nuvens espessas em direção ao paraíso tropical do Caribe, a imagem nítida, elegante e aristocrática da Dra. Tanya Denali nos jantares de gala da família Cullen e a contagem mental das "muitas mulheres" do passado cirúrgico do Edward continuavam a piscar como luzes vermelhas de emergência no fundo do meu cérebro doido. Eu estava indo para o paraíso com o homem dos meus sonhos mais selvagens, mas a verdade incômoda permanecia: a mala mais pesada, volumosa e perigosa que eu carregava para aquela viagem não estava despachada no bagageiro da aeronave, estava trancada, latejando e bebendo veneno bem no centro do meu próprio peito.
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