Unraveled

9 The Sea of Seven Colors


Notas iniciais
🌊Olá, meus amores! Chegamos finalmente ao tão esperado arco de San Andrés. 💙 Durante vários capítulos, vimos Bella sonhar com essa viagem como se ela fosse uma linha de chegada. Um lugar onde os problemas ficariam para trás, onde a cirurgia ainda estaria distante e onde ela poderia viver o amor que sempre acreditou não merecer. Mas existe uma verdade difícil sobre ansiedade: Você pode mudar de cidade. Pode mudar de país. Pode atravessar oceanos. E ainda assim levar todos os seus medos na bagagem de mão. Neste capítulo, Bella descobre que o paraíso nem sempre silencia os monstros que moram dentro da nossa cabeça. Boa leitura. 🌴✨

Capítulo 9: The Sea of Seven Colors

A primeira visão de San Andrés através da janela oval do avião foi quase agressiva para alguém acostumada com os tons de cinza-chumbo e o verde-musgo sufocante de Forks. O mar da Colômbia não era apenas água; era uma pintura geométrica viva, dividida em faixas exatas que iam do azul-turquesa mais translúcido ao azul-marinho mais profundo. O famoso Mar de Sete Cores.

Quando os pneus tocaram a pista do aeroporto Gustavo Rojas Pinilla, o bafo quente e úmido do Caribe invadiu a cabine assim que as portas se abriram, colando meus cabelos castanhos na testa e fazendo o casaco creme que Edward me dera parecer uma armadura pesada demais para o paraíso.

Edward se moveu com a sua habitual eficiência magnética. Em menos de uma hora, ele já havia resolvido o desembarque, resgatado as malas e nos guiado até o transporte particular do resort. Durante todo o trajeto até a ilha privada onde o congresso aconteceria, ele manteve uma das mãos firmemente espalmada na minha coxa, os dedos longos traçando círculos lentos na minha pele por cima do tecido da saia. Ele estava exausto do voo, com pequenas linhas de cansaço ao redor dos olhos verdes, mas cada vez que ele olhava para mim, o sorriso torto surgia, imutável e protetor.

O resort era um escândalo de luxo minimalista. Nosso bangalô ficava suspenso sobre as águas calmas, com paredes de vidro que davam a ilusão de que estávamos flutuando no meio do oceano. No centro do quarto, uma cama king-size com dossel de linho branco balançava suavemente com a brisa caribenha.

— Cansada, meu amor? — Edward perguntou, deixando as mochilas em um canto e caminhando até mim.

Eu estava de pé na varanda de madeira, os dedos agarrados ao corrimão, olhando para a imensidão azul lá fora. O som das ondas quebrando mansas lá embaixo era o oposto do barulho frenético do meu próprio peito.

— Um pouco — confessei, sem me virar.

Edward deu um passo à frente, colando o peito quente nas minhas costas. Seus braços longos envolveram a minha cintura, e ele descansou o queixo no meu shoulder, respirando fundo contra o meu pescoço.

— Você está tão tensa, Bella. Consigo sentir seu coração acelerado daqui — ele sussurrou, a voz grave e aveludada sendo cortada pelo som do mar. — Nós finalmente chegamos. Pelos próximos cinco dias, não há hospitais, não há Charlie, não há Forks. Sou só eu e você. Eu quero cuidar de você aqui. Quero ser o seu porto seguro.

Aquelas palavras deveriam ter me confortado. Ele estava se oferecendo, mais uma vez, como o meu remédio, o meu gerenciador de crises. Mas foi exatamente ali, diante da pureza daquele cenário e da perfeição do homem que me segurava, que a letra amarga da minha mente começou a tocar.

Eu estou tão cansada de ficar na defensiva, pensei, sentindo os olhos arderem. Eu estava exausta de erguer escudos contra o homem que só queria me amar. Mas o veneno da minha obsessão retroativa era um parasita silencioso. Enquanto Edward olhava para o mar, planejando nosso jantar, eu só conseguia pensar se ele já havia trazido Tanya Denali para um resort como este. Se as mãos que agora tocavam a minha cintura com tanta delicácia já haviam mapeado o corpo perfeito daquela médica loira sob o mesmo sol caribenho.

Edward era a água benta. Ele era a cura. E eu me sentia o ladrão invadindo um templo, pronta para estragar tudo com o meu sangue contaminado e as minhas paranoias incuráveis.

— Edward... — comecei, a voz saindo pequena enquanto eu me virava em seus braços, encarando aqueles olhos verdes que pareciam o próprio reflexo da vegetação da ilha. — Você... você já veio a San Andrés antes? Com alguém?

Edward franziu a testa ligeiramente, o sorriso torto vacilando por um milésimo de segundo antes de se transformar em uma expressão de profunda ternura e um toque de diversão. Ele acariciou minhas bochechas com os polegares, segurando meu rosto como se eu fosse feita de vidro soprado.

— Não, Bella. Eu nunca estive aqui antes — ele respondeu, a voz mansa, sem qualquer traço de irritação pela minha óbvia insegurança. Ele inclinou a cabeça, colando a testa na minha. — Eu guardei este lugar para a mulher mais especial da minha vida. Eu já te disse isso no meu quarto, e vou repetir quantas vezes o seu coração precisar ouvir: o meu passado não tem poder nenhum sobre o que eu sinto por você. Você não está dividindo essa cama com ninguém, meu amor. Só comigo.

Ele pressionou os lábios nos meus em um beijo lento, úmido e salgado pela brisa do mar. Foi um beijo fofo, que começou como um acalento para o meu susto, mas que logo ganhou profundidade quando a língua dele pediu passagem. Minhas mãos subiram para os seus shoulders, agarrando o tecido do seu suéter leve enquanto eu me entregava àquela sensação de proteção. Edward me puxava para mais perto com uma firmeza que parecia querer fundir nossos corpos, apagando qualquer dúvida no calor da sua boca.

Quando ele se afastou, seus lábios arrastaram-se pelo meu queixo até o lóbulo da minha orelha, onde ele deu uma mordida leve que me fez soltar um suspiro trêmulo.

— Agora, tire essas roupas pesadas de Forks — ele brincou, os olhos verdes brilhando com uma malícia puramente doce e romântica. — Coloque um daqueles biquínis que a Alice me mandou mensagem jurando que comprou para você me deixar maluco. Eu vou pedir duas águas de coco e nós vamos ver o pôr do sol na praia privada do bangalô.

Sorri, sentindo o rosto corar sob o calor do Caribe. Eu queria acreditar nele. Eu queria desesperadamente deixar que Edward fosse a minha cura. Mas enquanto eu caminhava até a mala para pegar as roupas sexys que Rosalie e Alice haviam escolhido, a sombra de Tanya e o peso das "muitas mulheres" continuavam ali, sussurrando que o paraíso também tinha seus efeitos colaterais.

Notas finais
Acho que o detalhe mais triste deste capítulo é que Edward fez absolutamente tudo certo. Ele planejou a viagem. Cuidou dela durante o voo. Pensou no conforto dela. Escolheu aquele lugar especialmente para os dois. E ainda assim Bella continuou sofrendo, porque a insegurança raramente nasce da realidade. Ela nasce da comparação. Enquanto Edward observa o mar de sete cores, Bella observa fantasmas. Enquanto ele enxerga o presente, ela continua presa ao passado que nunca viveu e talvez seja exatamente por isso que a obsessão retroativa seja tão cruel: ela transforma pessoas reais em versões idealizadas impossíveis de competir. Tanya não está naquele bangalô. Tanya não está naquela praia. Tanya não está entre Bella e Edward. Mas o medo está...E, às vezes, o medo consegue ocupar mais espaço do que uma pessoa de verdade. Agora me contem: 💙 Vocês acreditam no Edward quando ele diz que guardou esse lugar para Bella? 💙 Em que momento a insegurança dela deixou de ser apenas insegurança e começou a se tornar autossabotagem? 💙 Alguém mais ficou com vontade de entrar na história e esconder o celular da Bella para sempre? 💙 E será que San Andrés vai aproximar os dois... ou obrigar Bella a encarar tudo aquilo que ela tenta esconder de si mesma? Nos vemos no próximo capítulo. 🌴🌊☀️ E lembrem-se: "Você pode atravessar um oceano para fugir dos seus medos. O problema é que eles costumam viajar dentro de você."