Unraveled
10 Fellow ESC
Notas iniciais
Capítulo 10: Fellow ESC
O final da tarde em San Andrés foi, sem dúvida, a moldura mais bonita que o nosso romance já teve. Deixando as malas de lado, cedi ao pedido de Edward e vesti um dos vestidos soltos de linho que Alice havia escolhido — uma peça clara que contrastava com a minha palidez e balançava suavemente com o vento quente. Passamos as horas seguintes caminhando de mãos dadas pela praia privada do bangalô, os pés afundando na areia fina enquanto o sol começava a se deitar no horizonte, pintando o céu de tons rosa, laranja e violeta.
Edward estava completamente desarmado daquela postura rígida de hospital. Ele corria atrás de mim, me puxava pela cintura para rodopiar perto da espuma das ondas e me enchia de beijos fofos e doces a cada poucos metros. Quando o sol sumiu por completo, nos deitamos em uma esteira de praia sob os primeiros lampejos das estrelas. O amasso que se seguiu ali foi carregado de uma sensualidade preguiçosa e quente; as mãos dele arrastavam-se pelas minhas pernas expostas pelo tecido leve do vestido, os lábios dele colados nos meus com uma intimidade que fazia o buraquinho no meu coração pulsar de pura euforia. Eu estava quase acreditando que a bolha do paraíso nos protegeria para sempre.
A noite caiu e o resort preparou um luau impecável na areia. Edward havia reservado uma mesa isolada, iluminada apenas por velas e tochas fincadas no chão, cercada por almofadas e o som de uma música acústica caribenha ao fundo. O clima estava absurdamente fofo, romântico e íntimo. Estávamos brindando com taças de vinho quando, de repente, a nossa bolha perfeita foi estourada por uma voz angelical, melodiosa e confiante, vinda logo atrás de nós:
— Não acredito que estou vendo isso... Dr. Edward Cullen saindo da chuva de Forks e vindo para a praia?
O susto físico me fez enrijecer na cadeira. Edward, no entanto, virou-se e o seu rosto se iluminou em um segundo. Ele se levantou, abrindo um sorriso enorme e genuíno, fazendo a maior festa.
— Nossa, Tanya! Como é bom ver você! — ele exclamou, aproximando-se da mulher para um abraço rápido e caloroso.
O meu cérebro entrou em pane instantânea. O surto mental começou ali por dentro, uma queimação fria de puro pânico. Tanya Denali. A própria. Ela estava ali, ao vivo. Por fora, fiz o meu melhor para forçar um sorriso polido, embora os meus dedos estivessem cravados no tecido do meu vestido. Tanya era ainda mais deslumbrante pessoalmente: uma loira de traços aristocráticos, exalando uma elegância natural com um vestido de seda azul.
Edward, transbordando uma empolgação pura e orgulhosa, deu um passo para o lado e me puxou pela mão, me trazendo para o centro do seu mundo.
— Tan, essa é a Bella. A mulher da minha vida, a minha namorada — ele me apresentou, e a forma como ele disse "a mulher da minha vida" foi tão intensa que quase me faltou o chão.
Tanya fixou os olhos em mim e, para o meu total choque, não havia um pingo de malícia ou rivalidade nela. Ela abriu um sorriso imensamente fofo e acolhedor, estendendo as mãos para mim.
— Nossa... namorada? Isso é novo, Cullen! — ela brincou, piscando para Edward antes de focar toda a atenção em mim, com uma doçura genuína. — Prazer, Bella! É muito bom saber que o Edward finalmente sossegou. Você deve ser realmente extraordinária.
Eu estava a um ponto de desabar de tanta confusão mental quando um homem muito bonito, alto e de ombros largos se aproximou do nosso espaço, com as mãos nos bolsos da bermuda de alfaiataria.
— Olha só quem está por aqui... Cullen, que bom que você saiu da toca! — o homem disse, soltando uma risada grave. — E pelo visto, muito bem acompanhado.
Tanya sorriu radiante, dando um passo para trás e abraçando o braço do homem com um carinho evidente, exibindo uma barriguinha que começava a despontar sob o vestido.
— Bella, esse é o Dimitri, meu marido — Tanya apresentou.
Dimitri deu um passo à frente, apertando a mão de Edward com camaradagem e depois estendendo a mão para mim com um brilho brincalhão nos olhos.
— Faltou você dizer o cardiologista mais bonito e sexy dessa ilha, Tan... — ele zoou, arrancando uma risada de Edward. — Mas isso a Bella vai discordar com toda a certeza.
A postura descontraída de Dimitri e o fato de Tanya estar visivelmente casada e apaixonada agiram como uma lufada de ar fresco no meu peito. A minha paranoia retroativa diminuiu consideravelmente em segundos; ela não era uma ameaça. Ela tinha a vida dela.
Edward, sempre o anfitrião perfeito, imediatamente convidou o casal para se juntar a nós. Eles aceitaram, e o jantar que se seguiu foi surpreendentemente agradável e divertido. Dimitri era extremamente engraçado, e as histórias da época da residência deles na Europa arrancavam risadas de todos na mesa. No meio de uma dessas histórias, Dimitri tomou um gole de sua bebida e soltou com um sorriso malicioso:
— Sabe de uma coisa, Bella? Eu praticamente roubei a Tanya do Edward. Esses dois tiveram um rolo por quase três anos na Suíça. Mas o Edward demorou tanto para tomar uma atitude de verdade, ficou só enrolando, que eu fui mais rápido e casei logo com ela.
Senti meu estômago dar um leve nó, mas Tanya apenas riu, acariciando a própria barriga protuberante.
— Mas que bom, né? Porque agora estamos juntos, esperando o nosso bebê... — ela disse, os olhos brilhando de felicidade antes de se virarem para o meu namorado. — E o Edward finalmente encontrou a Bella. Então... quando o Dr. Cullen pretende dar netos para o Carlisle e para a Esme?
A pergunta flutuou no ar quente da praia. Edward imediatamente mudou de postura, mexendo no talher com os dedos longos, nitidamente desconfortável e protetor com a direção da conversa. Percebendo a hesitação dele e o peso da minha própria realidade, tomei a palavra, a voz saindo madura, embora um pouco contida.
— Eu tenho CIA, Tanya... — expliquei, usando a sigla da minha cardiopatia congênita. — Então, uma gravidez, como você tem conhecimento, é algo bem arriscado no meu caso.
Tanya arregalou os olhos levemente, a expressão mudando para uma empatia médica imediata.
— Nossa, Bella... eu não imaginei — ela disse, o tom suavizando. — Mas olha, se você fizer a cirurgia, as coisas se resolvem. E você tem o melhor cirurgião cardíaco do país bem do seu lado.
Dimitri colocou a mão no peito, fingindo uma falsa indignação dramática:
— Assim você me ofende, amor...
Tanya soltou uma gargalhada limpa, dando um tapinha de leve no braço do marido.
— Ah, Dimi, por favor! Você sempre colou do Edward no mestrado. Você sabe perfeitamente que ele é Fellow ESC (Fellow da Sociedade Europeia de Cardiologia) e nós dois somos meros mortais perto dele.
Edward sorriu, um pouco tímido pelo elogio técnico, e a conversa logo voltou para um tom leve. No entanto, enquanto eles debatiam sobre títulos médicos e o congresso, a minha mente se fixou naquela sigla. Fellow ESC. O melhor cirurgião do país. O homem que projetava ter uma filha comigo no futuro, mas cujas mãos perfeitas teriam que, primeiro, abrir o meu peito para consertar o defeito que me impedia de dar a ele a vida normal que ele tanto merecia.
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