Unraveled

19 So American


Notas iniciais
Oi, meus amores! Chegamos à última parada da nossa viagem: Florença. 🇮🇹✨ Depois da cura em Londres e da poesia de Paris, este capítulo é sobre leveza, paz e a certeza de que o amor também pode ser um lugar seguro. Espero que vocês sintam o coração quentinho enquanto acompanham esses dois. 💛 Boa leitura!

Capítulo 19: So American

“He laughs at my jokes, he thinks I’m so classy / He says that I’m pretty, he calls me his baby / Oh God, I’m gonna marry this guy / ’Cause he’s so American…”

— Olivia Rodrigo, So American

Florença nos recebeu com uma luz dourada e aquecida que parecia derreter qualquer resquício do inverno nos meus ossos. Se Londres tinha sido a nossa cura e Paris a nossa poesia, a Itália era a celebração pura e escancarada da vida.

Nossa suíte em um edifício histórico à beira do Rio Arno tinha teto com afrescos restaurados e uma sacada de ferro que se debruçava sobre a vista cartão-postal da Ponte Vecchio.

Ainda era cedo quando despertei com o aroma inebriante de café fresco e pães assados. Abri os olhos devagar e encontrei Edward encostado no batente da porta da sacada, já vestido com uma calça de alfaiataria leve e uma camisa branca com os primeiros botões abertos e as mangas dobradas até os cotovelos. Ele segurava uma xícara de porcelana e me encarava com um sorriso tão lindo, tão brilhante e apaixonado que o meu coração deu um salto bobo no peito.

Buongiorno, l'amore della mia vita... — Edward sussurrou, a voz grave e aveludada deslizando pelo italiano com uma facilidade desconcertante que fez um arrepio gostoso percorrer a minha espinha.

Escondi metade do rosto sob o lençol de linho, rindo de vergonha.

— Desde quando você fala italiano assim, Doutor Cullen? Isso é golpe baixo logo cedo.

Edward deu uma risada gostosa, caminhando até a cama e depositando a bandeja de café na mesa de cabeceira. Ele se sentou ao meu lado, inclinando-se para segurar o meu queixo com delicadeza e selar meus lábios em um beijo demorado, com gosto de capuchino e creme de avelã.

— Eu estudei um pouquinho antes de vir... só para ter certeza de que conseguiria te impressionar ainda mais — ele confessou com aquele charme irresistível, roçando o nariz na minha bochecha enquanto eu soltava uma gargalhada solta. — Sei la mia vita, Bella. Per sempre.

— O que significa isso? — perguntei, passando os braços ao redor do pescoço dele e puxando-o para mais perto.

— — Significa: "Você é a minha vida, Bella. Para sempre" — ele traduziu contra a minha boca, os olhos verdes brilhando com uma devoção que me fazia sentir a mulher mais sortuda do planeta.

Edward me mimava de um jeito quase cômico naquela viagem. Ele ria das minhas piadas bobas, elogiava a minha elegância até quando eu estava de coque bagunçado e camiseta larga, e fazia questão de abrir todas as portas, me puxar pelo quadril ao cruzar a rua e me chamar de minha garota para quem quisesse ouvir. Ele era o clássico gentleman americano apaixonado em solo europeu, e eu estava completamente, irremediavelmente caidinha por ele.

Passamos a manhã caminhando de mãos dadas pelas ruas de pedra de Florença. A grandiosidade da Cattedrale di Santa Maria del Fiore, com sua fachada em mármore rosa, verde e branco, nos deixou sem palavras.

Caminhamos pela Piazza del Duomo parando a cada cinco passos para tirar fotos. Edward comprou um gelato gigante, pistache para ele e avelã com cacau para mim, e nós rimos como dois adolescentes quando me sujei de sorvete e ele fez questão de limpar o canto dos meus lábios com um beijo calmo no meio da praça movimentada.

Na Galleria degli Uffizi, paramos diante do Nascimento de Vênus de Botticelli. Enquanto eu admirava os detalhes da pintura renascentista, percebi que Edward não estava olhando para a obra de arte. Ele estava de lado, encostado na amurada, olhando fixamente para mim com o queixo apoiado na mão e um sorriso bobo nos lábios.

— O que foi? — perguntei, corando levemente. — Tem gelato no meu nariz de novo?

— Não — Edward respondeu, dando um passo à frente e entrelaçando nossos dedos. — Eu só estava pensando que Botticelli perdeu o tempo dele pintando Vênus. Ele deveria ter esperado alguns séculos para conhecer você.

— Meu Deus, Edward! Você está impossível hoje! — brinquei, escondendo o rosto no peito dele enquanto ele soltava uma gargalhada gostosa que ecoou suavemente pelo salão do museu.

Ao final da tarde, subimos os degraus até o Piazzale Michelangelo, o ponto mais alto e mágico da cidade.

O lugar estava repleto de casais, artistas de rua tocando violão e turistas, mas para nós dois, o mundo parecia ter evaporado. Ficamos encostados no balustre de pedra enquanto o sol começava a se pôr sobre Florença, tingindo o céu da Toscana com uma paleta espetacular de dourado, laranja e rosa queimado. Os telhados de terracota da cidade pareciam brilhar como brasas vivas, e o Rio Arno refletia a luz do entardecer como um espelho de ouro.

Edward ficou atrás de mim, abraçando a minha cintura e descansando o queixo no meu ombro. O calor do seu peito largo nas minhas costas me dava uma sensação absoluta de proteção e pertencimento.

Sei bellissima, amore mio... — Edward murmurou suavemente no meu ouvido, suas mãos quentes apertando levemente o meu quadril. — Olhar para essa cidade com você aqui nos meus braços... me faz sentir que não preciso de mais nada no mundo.

Fechei os olhos por um segundo, saboreando as palavras dele e o ritmo calmo do seu coração batendo contra as minhas costas. A Itália havia selado de vez qualquer ferida aberta na minha alma. Não havia espaço para inseguranças, para receios com a cirurgia que nos esperava no retorno, ou para qualquer dúvida de que o nosso amor era indestrutível.

Ti amo, Edward — disse, me virando nos braços dele para encará-lo, arriscando o meu melhor pronúncia em italiano.

Os olhos de Edward se dilataram de emoção. Um sorriso torto e radiante iluminou o seu rosto perfeito, e ele me ergueu do chão em um abraço apertado, girando comigo sob a luz dourada de Florença.

Ti amo più della mia stessa vita, mia futura sposa — ele respondeu, com a voz embargada enquanto me colocava devagar no chão e selava a nossa promessa com um beijo profundo, apaixonado e eterno, tendo o pôr do sol da Toscana como a moldura perfeita do nosso amor.

Rindo com o rosto corado, apoiei as mãos nos ombros dele para me equilibrar quando os meus pés tocaram o chão de pedra novamente. Passei os braços ao redor do seu pescoço, olhando bem no fundo daqueles olhos verdes que pareciam refletir toda a luz dourada da Toscana.

— Espera aí, Doutor Cullen — murmurei com um sorriso provocante no canto dos lábios, arqueando uma sobrancelha. — O que exatamente significa esse travalíngua bonito que você acabou de sussurrar?

Edward soltou uma risadinha rouca, os braços firmes e protetores ao redor da minha cintura, sem dar um centímetro de espaço entre os nossos corpos.

— Significa: "Eu te amo mais do que a minha própria vida, minha futura esposa" — ele traduziu, a voz baixinha e cheia de um carinho tão puro que fez o meu estômago dar piruetas.

— Hum... entendi — brinquei, roçando a ponta do meu nariz na bochecha fria dele pelo vento do fim de tarde. — E você por acaso está com segundas intenções falando italiano desse jeito tão sexy comigo no meio da rua? Porque se a sua ideia é me deixar completamente sem reação e caidinha por você... devo avisar que está funcionando até demais.

Edward deu uma gargalhada deliciosa, daquelas que vinham lá do fundo do peito e faziam os olhos dele se fecharem nos cantos. Ele inclinou a cabeça e deu um beijo rápido e estalado na minha bochecha, depois outro na ponta do meu nariz e mais um no canto da minha boca.

— Confesso que essa é exatamente a minha intenção, senhorita Swan... — ele admitiu, os olhos brilhando de pura travessura e paixão. — Quero te deixar tão tonta de amor que você nem vai lembrar o caminho de volta para os Estados Unidos. Quero que você só pense em mim, no meu sotaque italiano improvisado e no nosso casamento.

— Você é um chantagista emocional, sabia? — murmurei, rindo e escondendo o rosto no pescoço dele, inspirando o perfume maravilhoso de lavanda e madeira que era só dele. — Como se eu precisasse de italiano para só pensar em você...

Edward me apertou mais forte no abraço, balançando o corpo devagar de um lado para o outro ali mesmo, no topo do Piazzale Michelangelo, como se estivéssemos dançando uma música lenta que só nós dois conseguíamos ouvir.

Conforme o sol finalmente se escondia no horizonte e as luzes de Florença começavam a acender uma a uma lá embaixo, transformando a cidade em um mar de pontinhos dourados, nós caminhamos devagar e de mãos dadas pelas ladeiras de pedra em direção ao centro histórico.

O jantar foi em uma trattoria pequena e ultra charmosa escondida em um calçadão de paralelepípedos. O lugar tinha paredes de tijolo aparente, velas acesas garrafas velhas de vinho e um sanfonista tocando melodias suaves ao fundo.

Sentados em uma mesa de canto, dividimos um prato enorme de massa fresca artesanal com molho de queijo e trufas, acompanhado por duas taças de vinho toscano. Edward fazia questão de cortar pedaços e colocar na minha boca, me fazendo rir de vergonha a cada elogio exagerado que ele fazia à minha beleza sob a luz fraca das velas.

— Para de me olhar assim, Edward — pedi, cobrindo o rosto com as mãos enquanto sentia minhas bochechas queimarem. — Parece que você está me devorando com os olhos.

— E estou mesmo — ele respondeu sem hesitar, puxando as minhas mãos para longe do meu rosto e beijando a palma de cada uma delas com extrema doçura. — Eu nunca vou me cansar de olhar para você, Bella. Você é a coisa mais linda que já aconteceu no meu mundo.

Depois do jantar, caminhamos sem pressa pelas pontes iluminadas de Florença. A brisa da noite no Rio Arno era fria, mas eu não sentia nada além de um calor aconchegante. Edward tirou o seu próprio sobretudo e colocou sobre os meus ombros, me envolvendo com os braços por trás enquanto andávamos bem devagarinho, parecendo dois namorados em início de namoro, trocando sussurros, risadinhas e beijos roubados a cada esquina.

Quando finalmente voltamos para a nossa suíte no hotel, o clima de leveza deu lugar a uma cumplicidade romântica e profunda.

Edward me pegou no colo na entrada do quarto, nos fazendo rir como bobos até nos deitarmos na imensa cama sob os afrescos do teto. Entre carinhos suaves, beijos demorados e juras sussurradas em inglês e italiano, nos entregamos um ao outro com uma calma e um amor que pareciam sagrados.

E quando adormeci abraçada ao peito ritmado dele, escutando o som calmo das águas do Rio Arno do lado de fora da janela, eu soube com absoluta certeza de que não existia lugar melhor no universo do que nos braços do meu noivo.

Notas finais
Esse foi um dos capítulos mais gostosos de escrever. 🥹 Ver a Bella finalmente vivendo o amor sem medo, rindo, fazendo planos e simplesmente sendo feliz ao lado do Edward mostra o quanto ela cresceu desde o começo da história. A viagem pela Europa foi muito mais do que um passeio: foi a reconstrução dos dois como casal. Mas... toda boa viagem chega ao fim. E, quando eles voltarem para Forks, a realidade estará esperando. A cirurgia da Bella se aproxima, e os próximos capítulos vão marcar o início de uma nova fase de Unraveled. Obrigada por estarem aqui acompanhando essa história. Nos vemos no próximo capítulo. 🤍