Capítulo 20: Begged

“I used to think that love was something you had to earn / I prayed and I begged for a lesson I didn't need to learn…” — Olivia Rodrigo, Begged

O céu cinzento de Forks nos recebeu da mesma forma de sempre: com uma garoa densa e o cheiro inconfundível de terra molhada e folhas de pinheiro. No entanto, o peso opressivo que aquela umidade costumava exercer sobre o meu peito simplesmente não existia mais. Dentro de mim, o eco das risadas de Florença, a cor púrpura das manhãs de Paris e a certeza dourada de Londres continuavam vivos, aquecendo cada batimento do meu coração.

Enquanto o Volvo prata cortava a rodovia cercada por árvores centenárias, observei Edward pelo perfil. Ele mantinha uma das mãos firmes no volante e a outra entrelaçada na minha, sobre o meu joelho, com os polegares traçando círculos calmos na minha pele.

— Prometo que não vamos demorar, meu amor — Edward disse, quebrando o silêncio confortável da cabine e me dando um daqueles sorrisos tortos que me desarmavam por inteiro. — Eu só preciso passar rapidinho na casa de um amigo do hospital para pegar uma encomenda antes de irmos para a casa dos meus pais. Tudo bem por você?

— Sem problemas, Doutor Cullen. Eu estou exatamente onde gostaria de estar — respondi, inclinando-me para dar um beijo rápido no ombro dele.

Poucos minutos depois, Edward entrou por uma via secundária, cercada por uma vegetação mais densa e poética. O carro diminuiu a velocidade até parar diante de uma propriedade que parecia ter saído diretamente de um dos meus romances vitorianos preferidos.

Era uma casa de dois andares com fachada de madeira escura e pedra, uma varanda ampla e acolhedora na frente e janelas imensas de vidro que refletiam a luz suave da tarde. A propriedade ficava estrategicamente posicionada em uma clareira perfeita: exatamente no meio do caminho entre a casa de Charlie e a mansão dos Cullen. Nem tão isolada a ponto de parecer distante, nem tão perto a ponto de perder a privacidade.

— O seu amigo tem um gosto impecável para arquitetura — comentei, maravilhada, olhando pela janela enquanto ele desligava o motor.

Edward não respondeu de imediato. Ele apenas me encarou com os olhos verdes transbordando um brilho misterioso e infinitamente doce. Ele saiu do carro, caminhou até o meu lado e abriu a porta para mim, estendendo a mão.

Caminhamos pela calçada de pedra até a varanda de madeira. Quando paramos diante da porta principal, Edward colocou a mão no bolso do sobretudo escuro e retirou uma chave prateada, presa a um chaveiro de couro com as nossas iniciais gravadas: E & B.

Ele pegou a minha mão direita, virou a minha palma para cima e depositou a chave ali, fechando os meus dedos com os deles.

— Essa não é a casa de um amigo do hospital, Bella — Edward sussurrou, a voz grave e trêmula de emoção. — Essa é a nossa casa.

Fiquei paralisada. Olhei para a chave na minha mão e depois para ele, sentindo a minha respiração falhar.

— Edward... o quê? Como assim...?

— Eu comprei essa casa enquanto estávamos na Europa — ele confessou, com um sorriso fraco e emocionado nos lábios. — É aqui que eu quero construir a nossa história. É aqui que o nosso 'para sempre' começa. Quer conhecer o nosso lar?

Sem conseguir articular uma única palavra, tomada por um choque de pura felicidade, apenas concordei com a cabeça. Edward pegou a chave da minha mão, girou a fechadura e abriu a porta dupla de madeira.

Antes que eu desse o primeiro passo para dentro, senti os braços fortes dele envolverem as minhas costas e a dobra dos meus joelhos. Soltei um pequeno arfar de surpresa quando Edward me ergueu do chão com uma facilidade desconcertante, trazendo-me para perto do seu peito largo.

— Edward! — brinquei, rindo e passando os braços ao redor do pescoço dele.

Ele me olhou nos olhos com uma doçura infinita e deu o primeiro passo para cruzar o batente da porta, pisando firme com o pé direito dentro da casa.

— Para dar sorte ao nosso para sempre — Edward murmurou com a voz aveludada, selando a minha testa com um beijo demorado enquanto nos colocava devagar no chão do hall de entrada.

O interior da casa era mágico. O cheiro de madeira nova e canela preenchia o ar. A sala de estar era ampla, com piso de taco claro, uma lareira de pedra no centro e janelas que iam do teto ao chão, revelando um jardim interno nos fundos.

— Olha só essa sala — Edward disse, caminhando comigo pelo espaço enquanto os nossos passos ecoavam suavemente. — O teto é alto o suficiente para termos aquela estante de livros gigantesca que você sempre quis. Podemos colocar o piano ali perto da janela para eu tocar para você nos dias de chuva.

— É perfeita, Edward... — murmurei, sentindo lágrimas quentes começarem a embaçar a minha visão. — É absolutamente perfeita.

Ele me guiou pelo corredor, mostrando a cozinha espaçosa com bancadas de granito escuro, ideal para as manhãs ensolaradas de domingo, e uma sala de jantar que já parecia pronta para receber o nosso grupo barulhento para os jantares de fim de semana.

Subimos as escadas de madeira até o segundo andar. Edward me levou até uma sala iluminada no final do corredor, com vista para as árvores do quintal.

— Este vai ser o seu escritório — ele disse, encostando no batente da porta e cruzando os braços, me observando com uma devoção quase sagrada. — Para você escrever os seus romances sem que ninguém a incomode.

Entrei no cômodo vazio, tocando o parapeito da janela. Foi então que Edward deu alguns passos na minha direção, parando logo atrás de mim e envolvendo a minha cintura com os braços, apoiando o queixo no meu ombro.

— Sabe o que é engraçado, Bella? — ele murmurou no meu ouvido, a voz aveludada enviando um arrepio por toda a minha espinha. — Eu olho para este quarto e já consigo ouvir você escrevendo ali. Consigo ouvir o som das teclas, a sua respiração concentrada... e consigo ouvir o barulho de pezinhos correndo pela casa gritando: "Mamãe! O papai chegou!"... Nossa, Bella... isso seria um paraíso...

As lágrimas que eu prendia finalmente transbordaram, escorrendo livremente pelas minhas bochechas. A imagem que ele pintara era tão viva, tão absurdamente linda que o meu peito pareceu pequeno para guardar tanto amor.

Durante anos, por causa da minha cardiopatia e das minhas próprias neuras, eu me comportara como a garota da música da Olivia Rodrigo: eu achava que o amor era algo que eu precisava merecer, barganhar ou implorar. Eu implorava por uma lição que não precisava aprender, acreditando que o meu coração quebrado me tornava indigna de uma felicidade plena.

Mas estar ali, nos braços do homem da minha vida, na casa dos nossos sonhos, destruiu o último resquício de autossabotagem. Eu não precisava mais implorar. Eu já tinha tudo.

Virei-me nos braços de Edward, segurando o rosto dele com as duas mãos e me pondo na ponta dos pés para colar a minha testa na dele.

— Não é "seria", meu amor... — corrigi em um sussurro emocionado, limpando a lágrima que também escorria pelo rosto dele. — Vai ser o nosso paraíso. Nós vamos ter essa vida. Nós vamos ter os nossos filhos correndo por este corredor, a sua música na sala e os meus livros neste escritório. Eu te amo tanto, Dr Edward Cullen...

Os olhos verdes dele brilharam com um alívio e um amor tão avassaladores que a sua respiração engatou.

— Eu te amo mais do que a minha própria existência, minha noiva — Edward prometeu, selando a nossa nova vida com um beijo calmo, profundo e repleto de certezas.

Ali, no meio do nosso futuro lar, em uma casa perfeita situada exatamente entre as nossas raízes, soube que estávamos prontos para enfrentar qualquer cirurgia, qualquer tempestade e qualquer amanhã. Porque o nosso paraíso já havia começado.

Guardamos a chave com o chaveiro E & B no bolso do meu casaco e seguimos de carro pela estrada cercada de pinheiros. Apenas dez minutos depois, o Volvo estacionou em frente à casa de dois andares da minha família.

Ver Charlie e Renée juntos na varanda, cuidando das plantas da entrada sob a garoa fina, trazia uma sensação acolhedora de lar. Assim que descemos do carro de mãos dadas, a minha mãe largou o regador e correu para nos abraçar.

— Olha só se não são os meus viajantes favoritos! — Renée exclamou, me apertando em um abraço caloroso antes de dar um beijo carinhoso na bochecha do Edward. — Como foi a Europa? Me contem tudo!

— Foi inesquecível, mãe — respondi, sorrindo radiante enquanto me aproximava do meu pai, que descia os degraus da varanda com as mãos nos bolsos da jaqueta de couro da polícia.

— Bem-vindo de volta, garoto — Charlie cumprimentou Edward com um aperto de mão firme e um tapinha no ombro, antes de me dar um abraço de urso. — Você parece ótima, Bella. A viagem fez bem para a sua cor.

— E as novidades não pararam na Europa, pai — disse, sem conseguir segurar o entusiasmo e mostrando a chave prateada. — Nós acabamos de vir da nossa nova casa. O Edward comprou uma propriedade linda aqui em Forks, pertinho de vocês e dos Cullen!

Charlie parou no meio do caminho, piscando algumas vezes enquanto absorvia a notícia. Ele olhou para a chave na minha mão, depois para o Edward, e cruzou os braços com uma expressão que misturava orgulho e um ciúme paternal mal disfarçado.

— Uma casa? Já? — Charlie resmungou, limpando a garganta e ajeitando o bigode. — Poxa, Edward... Eu pensei que você e a Bella ainda iam demorar para casar. E também pensei que vocês iam morar um tempo com a gente antes de comprarem a casa de vocês... Eu ia até falar sobre reformar a nossa casa para cabermos nós quatro e, quem sabe, um netinho no futuro...

Edward soltou uma risada baixa e respeitosa, colocando as mãos nos bolsos da calça.

— O senhor sempre terá portas abertas na nossa casa, Chefe Swan. Mas eu queria garantir que a Bella tivesse o espaço dela.

Renée deu um tapa brincalhão no braço do meu pai, revirando os olhos com um sorriso divertido.

— Deixa de ciúmes, Charlie! Meu amor, quem casa quer casa. Eles têm que ter um espaço só deles para construir a própria história e ter a privacidade que merecem.

— É... eu sei — Charlie resmungou, mas não conseguiu segurar um sorriso orgulhoso enquanto me abraçava de lado. — Se é para te ver feliz assim, Bella, eu engulo o ciúme.

Mais tarde, enquanto Edward e Charlie conversavam sobre o jogo de futebol na sala e Renée preparava o chá, o som de uma buzina conhecida anunciou a chegada de Alice e Rosalie.

Elas entraram pela cozinha trazendo sacadas cheias de ingredientes. A energia no ambiente mudou instantaneamente, preenchendo a casa com risadas e o falatório das duas.

— Chegamos para a noite das garotas! — Alice anunciou, me dando um abraço apertado antes de colocar aventais coloridos sobre a mesa. — A viagem acabou, mas a comemoração pela casa nova está só começando. Vamos fazer biscoitos de gotas de chocolate!

Enquanto separávamos a farinha, o açúcar e a manteiga, fiquei observando a dinâmica entre as duas. Rosalie estava passando a tigela para Alice sem qualquer tensão no ar, trocando olhares cúmplices e rindo das piadas bobas. O desentendimento e a confusão que tinham acontecido antes da nossa viagem pareciam ter ficado completamente no passado.

Ver as minhas duas melhores amigas em paz e unidas novamente trouxe um alívio imenso para o meu peito.

— Fico tão feliz de ver vocês duas assim — comentei suavemente, sovando um pedaço da massa na bancada de granito.

Rosalie olhou para Alice e depois para mim, soltando um suspiro leve e sincero.

— Nós conversamos bastante enquanto vocês estavam fora, Bella — Rose disse, ajeitando uma mecha do cabelo loiro para trás da orelha. — Entendemos que a nossa amizade é muito mais importante do que qualquer mal-entendido.

— E além disso — Alice interrompeu com um brilho arteiro nos olhos, cutucando Rosalie com o cotovelo —, a Rose tem uma novidade bombástica que estava doida para contar!

Rosalie corou levemente, algo raro de se ver, e deu um sorriso de canto de boca enquanto colocava as forminhas de biscoito na assadeira.

— Bom... se você quer saber... eu e o Emmett estamos saindo de novo — Rose confessou, tentando manter a pose confiante, mas não conseguindo esconder a felicidade. — Ele me pediu desculpas direito, sem as brincadeiras de sempre, e resolvemos dar mais uma chance. Ele até prometeu não me irritar para levar mais pancadas na cabeça por um tempo.

Nós duas caímos na gargalhada, fazendo a massa de biscoito voar de leve pela bancada.

O cheiro de biscoitos assando tomou conta da cozinha. Sentadas ao redor da mesa, comendo os biscoitos quentinhos e bebendo chá, olhei para Alice e Rosalie rindo juntas e senti uma gratidão profunda. A minha família estava unida, as minhas amigas estavam em paz, e eu tinha o amor da minha vida e uma casa dos sonhos nos esperando. Tudo na minha vida finalmente fazia sentido.