Universidade Espacial – Fic Interativa
3 Telepatia
Notas iniciais
A viagem de Scarlett tinha sido bem calma. Sair do quarto pareceu uma atitude ruim, já que não conhecia ninguém, então ficou ouvindo música, deitada. Isso, até ser envolvida e tirada do quarto por uma cápsula de vidro (que sumiu tão rápido quanto chegou).
E, depois desse momento, tudo ficou lotado e barulhento. Toda a calma de seu quarto fora tirada dela.
Scarlett só queria encontrar logo o anfiteatro, arrumar um lugar para sentar e parar de ouvir tantos pensamentos. Claro, ela podia controlar a telepatia. Normalmente. Mas por algum motivo, ali, não. Parecia que todo mundo estava mandando milhares de pensamentos para ela.
E pensando em como bloquear temporariamente seu poder, ela viu um garoto ajudando uma garota, que estava caída no chão.
– Ele é um idiota – falou o garoto – Digo, não o conheço muito bem, é verdade, mas em três minutos de conversa me deixou desinteressado.
A menina pareceu levar um golpe e a curiosidade de Scarlett não permitiu que fosse embora.
– Ei, loira. – o garoto virou-se para ela – Quer se apresentar?
Sky ficou com vergonha.
– Está tudo bem – Ele riu – Meu nome é Caio Ferreira e ela é Lola Bourne. Se você tivesse visto a cena que acabou de rolar aqui...
Sky percebeu que a garota, Lola, estava em silêncio.
– Me chamo Scarlett Miller. O que houve?
Lola pareceu despertar.
– Não sei exatamente... Eu estava discutindo com aquela Érica, aí chegou um tal de Jared –
– O idiota – Caio interrompeu.
– E interrompeu a briga. Só que ela começou a fazer charminho para o garoto e eu não consegui dizer nada. – Lola completou.
– Ficou encantada pelo modelinho – Caio revirou os olhos.
– Pela vigésima vez, não. – Lola falou irritada – Admito, ele é bonitinho, mas eu não perco a fala por motivos idiotas. Foi como se eu tivesse entrado em transe.
– Alguém pode ter brincado de te hipnotizar. Ele, quem sabe. – Falou Sky, que até então analisava tudo em silêncio, ou melhor, tentava.
–Posso te ajudar, miss telepatia. – Caio falou sorrindo – Nem adianta negar, conheço essa expressão. Você não está conseguindo bloquear os pensamentos, não é? – Ela balançou a cabeça em afirmação – Você tem que escolher um pensamento para ser seu amuleto. Sempre que estiver recebendo toda essa carga de pensamentos, pense na mesma coisa até parar. Meu amigo pensava em um lugar que ele costumava ir quando era pequeno, funcionava.
“Pedimos a atenção de vocês. Há placas sinalizando a direção para o anfiteatro. Se os estudantes puderem, por gentileza, parar de conversar, seriamos eternamente gratos” ouviram uma voz masculina diferente da primeira.
– Vamos andando? – Perguntou Caio.
As garotas o acompanharam.
Scarlett não tinha muita certeza de como havia ficado amiga daquelas pessoas. Quer dizer, não eram realmente amigos, apenas pessoas com quem ela tinha conversado. Não sabia absolutamente nada sobre eles. Mas sabia que pensar no jardim de margaridas que crescia na casa dos tios a ajudava a bloquear os pensamentos dos outros.
– Caio? – Ela sussurrou, pois já estavam no anfiteatro – Funcionou. Muito abrigada, sério.
– Não foi nada. – Ele sorriu e piscou para ela – Amigos servem para isso.
Eram realmente amigos, ela pensou. Não sabia como se sentia em relação a isso, tinha certa dificuldade de se apegar desde a morte de seu melhor amigo.
“Sejam todos muito bem vindos!” um homem de cabelos grisalhos e barba mal feita começou a dizer “ Meu chamo George Plottur, mas vocês tem a permissão de me chamar apenas de diretor, se assim desejarem.”
“Falarei um pouco sobre a universidade, na qual chegaremos em apenas 40 minutos. É um espaço realmente grande, como muitos de vocês já devem saber por causa de fotos. No meio do lado leste, estão os dormitórios. O espaço é dividido pelo rio Posa. A parte norte dos dormitórios é a masculina e a sul a feminina. Como perceberão durante a estadia de vocês, ir de barco para os lugares acaba sendo mais rápido, devido ao tamanho do lugar, então em cada quarto terá um barco, que você dividirão com o companheiro de vocês. Os barcos são extremamente leves, não se preocupem.”
“A parte do meio do lado oeste provavelmente será a preferida de todos. Lá ficam as duas bibliotecas, as pistas de boliche, os bares e casas noturnas, o campo de paitball, o trampolim para o rio Fara e todas as outras coisas para vocês se divertirem, que obviamente não funcionam em horário de aula.”
“O lugar em que estamos é ao norte dos dormitórios. Aqui vocês encontrarão todos os tipos de comida existentes na terra, sintam-se em casa. E os espaços para palestras e apresentações também são por aqui.”
“Ao sul dos dormitórios estão as salas de aula. Tentem decorar rápido o caminho, não vão querer se atrasar.”
“Do lado esquerdo, também ao sul, são os espaços dos clubes que vocês eventualmente formarão. Teatro, música, álgebra... O que quiserem. Lá terão tudo o que precisarem.”
“ E, por último, a Floresta e o Espaço do Sol. A primeira só pode ser freqüentada com a supervisão de professores, já que os animais que lá vivem são perigosos. O segundo vocês devem freqüentar todo dia, por pelo menos duas horas. Estudem, façam o que quiserem lá, mas freqüentem. O Sol é muito importante para o ser humano. Você poderão nadar em todos os rios.”
“Agora as últimas explicações, sei que devem estar curiosos para verem por conta própria, mas infelizmente ainda não chegamos. Temos cinco aulas disponíveis:
Mente Produtiva – Na qual ensinaremos a arte de viajar entre as mentes das outras pessoas. Pessoas com poderes como telepatia se sentirão mais a vontade, mas qualquer um pode se inscrever.
Ambiente Propício – Os ajudaremos a deixar o ambiente de batalha bom para vocês e não para o oponente.
Arte Livre – Uma aula em que utilizamos nossos poderes para produzir arte da maneira que desejamos.
Expressões – Ensinaremos vocês a deixar que seu corpo reflita seu poder e sua personalidade, para que vocês não se prendam dentro de si mesmos.
Autodefesa ou Batalha – É uma aula prática em que vocês, seus parceiros e times lutam. Muitas vezes as lutas acontecem na Floresta.”
“ Agora acabamos com as explicações, temporariamente. Vou passar os números dos quartos e os nomes de seus companheiros.”
George falou os primeiros 8 e alguns alunos se levantaram para cumprimentar seus novos colegas.
“ Quarto número 9, Manuela Bittencourt e Scarlett Miller”
Scarlett se levantou e sorriu para a outra garota. Cabelos curtos e brancos como gelo, dois alargadores médios, olhos azul-água, o corpo proporcional com algumas curvas, apesar da garota parecer não ligar.
– Manu, prazer. – a outra se apresentou. – Como quer que eu te chame?
– Sky – sorriu – Tem algum lugar vago perto de você? – Scarlett perguntou, ela queria muito conhecer a garota que ficaria em seu quarto nos próximos anos.
–Não, tem perto de você? – perguntou Manu, recebendo uma resposta negativa – Então teremos que esperar. Sua chave.
Sky pegou a chave e deu um abraço rápido na garota, que riu.
“Muita animação, garotas. Não precisam exagerar, temos que continuar, sim?”
“Quarto número 10, Richard Evans e Caio Ferreira”
Scarlett viu que os dois se levantavam e não sabia dizer qual era o mais bonito. Aliás, que universidade era aquela? Todos pareciam ter saído de um daqueles calendários promocionais.
George falou mais alguns números, mas Scarlett não estava prestando atenção.
“Quarto número 15, Érica Prepon e Lola Bourne”
Scarlett pode ouvir alguns murmúrios. Ela mesma se surpreendeu e não conseguiu segurar a curiosidade.
“A mina do salto? Really? Qual é a chance disso dar certo? Será que devo mandar a carta pedindo para trocarem os quartos? Naaa, mó rolê. Nem adianta. Ih, esse povo tá’ olhando a gente. Nem ferrando que eu vou ser a primeira a levantar.”
Scarlett riu discretamente com os pensamentos de Érica.
“Ótimo. Perfeito. Ela com certeza tentará me matar. Não sei se ela está esperando que EU me levante para pegar a chave. Ela me deve desculpas, que faça ao menos isso.”
Scarlett e todos os outros esperavam uma reação das duas. Elas tinham que pegar a chave, não precisavam ser educadas uma com a outra, mas que ao menos se levantassem.
– Lola, escute, a Érica vai se levantar assim que você fizer isso, mas ela não quer ser a primeira. – sussurrou Scarlett.
– Como você pode ter certeza? – perguntou Lola.
– Telepatia.
Lola pareceu fazer o maior esforço do mundo para se convencer a ser a primeira a se levantar, mas o fez. Logo em seguida, Érica se levantou do outro lado do auditório.
As duas fizeram o movimento de pegar as chaves, mas Érica acabou deixando Lola.
–Érica. – Lola cumprimentou formalmente.
– Bourne. – Érica não perdeu a oportunidade de ressaltar a formalidade.
Nenhum dos alunos conseguia ouvir a conversa, a não ser aqueles que possuíam o dom da telepatia, como Scarlett, que achava tudo muito cômico e se segurava para não rir.
Lola separou as chaves e deu uma para Érica.
– Ah não! Eu quero o chaveiro! – Érica implicou.
Lola revirou os olhos e foi para o lugar dela, com o chaveiro, deixando uma Érica irritada para trás.
“Linda interação, garotas. Tenho certeza de que se tornarão grandes amigas.” George as provocou “ Quarto número 16, Peter Scaiton e Philip Booth.
Dois outros caras lindos se levantaram. Mas um específico foi o que mais chamou a atenção de Scarlett. Philip, um cara com cabelos escuros cumpridinhos, olhos azuis (claros como a água de um rio), queixo quadrado, barba mal-feita e um sorriso malandro.
O outro também era bonito, era mesmo. Pele mais bronzeada, barba mal-feita, olhos quase negros, uma expressão séria, que logo foi substituída por um sorriso simpático para o outro.
– Peter, prazer – Peter falou, cumprimentado o outro estilo “bros way*” – Seremos amigos, cara.
– Philip. – O outro o cumprimentou também – Seremos irmãos, brother.
Scarlett deu um sorriso bobo. Tinha achado aquela cena fofa e os dois muito simpáticos. Estava torcendo para esbarrar com Philip um dia.
“Quarto número 17, Geórgia Giardi e Jessie Klaus.”
Geórgia se levantou apressada, pelo que Sky pode perceber. A outra queria conhecer logo a companheira de quarto. Jessie, por outro lado, parecia bem mais calma.
Quando as duas se viram, pareceram satisfeitas. Jessie percebeu que a outra não parecia uma riquinha metida e Geórgia foi de primeira com a cara da mais velha.
Sky percebeu que estava sendo invesiva, então parou de ler os pensamentos das duas.
George falou mais dois números, enquanto Sky se esforçava para não prestar atenção nos pensamentos das pessoas, até que...
“Quarto número 20, Jared Scaiton e Chase Smith”
O garoto de quem Caio não gostava e um cara de cabelo azul, Sky não conteve a curiosidade.
Os dois pareciam neutros. Cumprimentaram-se polidamente e seguiram para seus respectivos lugares.
Alguns quartos foram ditos e logo veio uma garota, em quem Caio parecia interessado.
“Quarto número 25, Envy Hellsing e Katarine Loveglow”
Pareceram neutras também e Sky já estava cansada da cerimônia.
George disse mais alguns nomes e por fim...
“Acabei de ser informado de que a nave fará algumas voltas maiores, por causa de cometas inesperados, então sintam-se à vontade para ficar na sala do silêncio, que felizmente é nessa parte da universidade, ou, se quiserem socializar, no refeitório.”
“Então, sejam todos muito bem vindos. Espero que o ano de vocês seja agradável e, qualquer problema, que não envolva trocar de coleguinha de quarto, por favor, falem comigo.”
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